Cosmovisão cristã: como pensar as principais questões da vida à luz das Escrituras
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Sobre este e-book
HÁ UMA FORMA cristã de enxergar e pensar o mundo, porém, ela está cada vez mais diluída em meio a uma cultura, por vezes, avessa ao evangelho. Até mesmo cristãos têm misturado conceitos a fim de estabelecer opiniões sobre temas diversos. Por isso, é urgente resgatarmos uma forma bíblica de enxergar a vida, ou seja, precisamos recuperar a cosmovisão cristã.
A cosmovisão determina não só o que pensamos a respeito de Deus, mas também afeta desde nossas decisões mais importantes até a forma como nos relacionamos. Nessa interseção entre a verdade do evangelho e um mundo marcado pela pós-modernidade, Felippe Amorim convida seus leitores a refletirem — com a mente de Cristo — assuntos que desafiam nossa fé e nossos afetos: cultura, fé, sexualidade, casamento, paternidade, sofrimento etc.
Em Cosmovisão cristã, o autor mostra que devemos enxergar a vida como parte do drama da redenção e ter a cruz como consolo e incentivo para seguirmos vivendo como discípulos de Jesus. Um livro que ecoa as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 12, ainda tão relevantes para os nossos dias: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".
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Cosmovisão cristã - Felippe Amorim
Há pessoas perdendo a visão do Reino de Deus, forjando suas próprias ideias e seus ideais pela lógica de um mundo de cultura, comportamentos, posicionamentos, crenças e valores caóticos. Essas pessoas estão cegas e guiando outras para um abismo de conceitos, afrontosamente, contrários aos ensinos bíblicos; mesmo que, muitas, até usem a própria Bíblia para customizar ou relativizar a fé como lhes parecer conveniente. Mas, assim como Jesus deu visão a muitos que estavam impedidos de enxergar, este livro lhe ajudará a desenvolver a mentalidade cristã e a perceber a vida pela ótica de Cristo.
Darleide Alves, apresentadora da TV Novo Tempo
Vivemos dias de guerra pela conquista de corações e mentes. Filosofias, ideologias e toda estrutura de pensamento diversa do evangelho de Cristo têm assolado os cristãos, na sanha por arrebanhar adeptos. Em meio a esse turbilhão, urge manter nossa mente cativa à mensagem da cruz e do evangelho de Jesus de Nazaré. Neste livro, Felippe Amorim dá uma bela contribuição à igreja, ao conclamar cada discípulo de Cristo a ter sua mente guiada exclusivamente pelos princípios do Reino de Deus.
Maurício Zágari, publisher da editora GodBooks, teólogo, escritor, jornalista autor e organizador do livro Unidade perfeita (Thomas Nelson Brasil/GodBooks)
Felippe Amorim. Cosmovisão cristã. Como pensar as principais questões da vida à luz das esrituras. Thomas Nelson Brasil.Copyright © 2022 por Felippe Amorim.
Todos os direitos desta publicação são reservados por Vida Melhor Editora LTDA.
Os pontos de vista desta obra são de total responsabilidade de seu autor, não refletindo necessariamente a posição da Thomas Nelson Brasil, da HarperCollins Christian Publishing ou de sua equipe editorial.
Publisher Samuel Coto
Editor Guilherme H. Lorenzetti
Preparação Cris Inácio
Revisão Jean Xavier e Eliana Moura Mattos
Diagramação Luciana Di Iorio
Capa Rafael Brum
Produção do e-book Ranna Studio
As citações bíblicas são da Nova Versão Internacional (NVI), da Bíblica Inc., a menos que seja especificada outra versão.
CIP-Brasil. Catalogação na publicação
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
A543c
1.ed.
Amorim, Felippe
Cosmovisão cristã: como pensar as principais questões da vida à luz das Escrituras / Felippe Amorim. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2022.
288 p.; 13,5 x 20,8 cm.
ISBN 978-65-56893-90-7
1. Apologética. 2. Cultura cristã. 3. Cristianismo. 4. Filosofia. 5. Teologia. I. Título.
12-2021/40
CDD 239
Índice para catálogo sistemático:
1. Apologética: Cristianismo 239
Categoria: Igreja
Thomas Nelson Brasil é uma marca licenciada à Vida Melhor Editora LTDA.
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Rua da Quitanda, 86, sala 218 – Centro
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Tel.: (21) 3175-1030
www.thomasnelson.com.br
SUMÁRIO
Agradecimentos
Prefácio
Introdução
Capítulo 1: Cosmovisão
Capítulo 2: Cultura
Capítulo 3: Cibercultura
Capítulo 4: Fé
Capítulo 5: Liberdade
Capítulo 6: Amizade
Capítulo 7: Graça e Lei
Capítulo 8: Criação
Capítulo 9: Sexualidade humana
Capítulo 10: Morte
Capítulo 11: Casamento
Capítulo 12: Paternidade
Capítulo 13: Cuidado com a natureza
Capítulo 14: Sofrimento
Capítulo 15: Hábitos
Capítulo 16: A volta de Jesus
Conclusão
Sobre o autor
AGRADECIMENTOS
Escrever um livro é uma tarefa, em parte, solitária. É preciso muitas horas de concentração, pesquisa e produção de texto. São horas árduas de dedicação para que o produto final possa abençoar os leitores. Mas, como eu disse, o trabalho é solitário apenas em parte. Ninguém escreve um livro sozinho. Por isso, preciso agradecer a algumas pessoas.
Quero agradecer em primeiro lugar — e antes de tudo — a Deus. Este livro é sobre ele e sua Palavra. Sem a ajuda de Deus eu não teria avançado neste projeto.
Quero agradecer à minha família. Minha esposa, Flor, e meus dois filhos, Daniel e Lucca. Vocês compreenderam os momentos de isolamento para a produção, mas, mais do que isso, foi o amor de vocês e o amor por vocês que me deu (e me dá) forças para não desistir, mesmo diante de dificuldades e barreiras.
Quero agradecer ao amigo Maurício Zágari por viabilizar o contato com a Thomas Nelson Brasil. Nunca terei palavras para agradecer de maneira adequada. Você me deu um presente muito maior do que a minha capacidade de agradecer.
Quero agradecer à equipe editorial da Thomas Nelson Brasil. Eu não sei descrever a honra que sinto por publicar um livro com vocês. Obrigado pelo profissionalismo, pelo respeito em cada contato, pelo cuidado com meu texto, pelo esmero com a capa, a diagramação e o acabamento do livro. Trabalho de excelência. Muito obrigado!
Quero agradecer ao dr. Rodrigo Silva por aceitar escrever o prefácio. Fiquei muito honrado por isso. Sua vida é uma bênção!
Quero agradecer (novamente) ao Maurício Zágari e à Darleide Alves por gastarem seu precioso tempo lendo o original e fazendo um endosso para o livro. Me sinto profundamente agradecido por isso.
Quero agradecer aos amigos mais próximos que me ajudaram com sugestões e encorajamento para este projeto.
Agradeço mais uma vez a Deus, quem me proporcionou todas as bênçãos descritas acima. A Deus toda a glória!
À Flor, ao Daniel e ao Lucca, os amores da minha vida!
Aos meu pais, com muito amor, respeito e gratidão.
PREFÁCIO
Em 1948, o filósofo Richard Weaver publicou um livro de título intrigante e desafiador: Ideas have consequences.1 Na época, foi uma das obras mais importantes da Universidade de Chicago. Nela, o autor alertava para os efeitos que o nominalismo estava tendo sobre a cultura ocidental.
Naquele contexto, o termo nominalismo
dizia respeito a uma doutrina filosófica, segundo a qual as ideias gerais, como gêneros ou espécies, não passam de nomenclatura convencional, isto é, elas não existem de fato. Para os nominalistas a única realidade são os indivíduos e os objetos considerados individuallmente; o universal não existe por si mesmo, é apenas um conceito criado e, por isso mesmo, passivo de questionamento.
Falando desse modo, o tratado de Weaver pode parecer uma publicação desatualizada, referente a uma realidade distante e que não guarda nenhuma semelhança com os dias de hoje. Ledo engano! O nominalismo não precisa ser conhecido como tal para ser assumido inconscientemente nesta realidade líquida que vivemos,2 e a constatação é que nossa sociedade continua mais nominalista do que nunca.
Mas qual o problema em ser nominalista? É que, em essência, essa disposição mental de negar valores universais contradiz o cerne do cristianismo bíblico, o qual estabelece conceitos e princípios gerais que nunca poderiam ser colocados na mesa de negociação. Numa época de relativismos, pós-verdades e exacerbado humanismo, precisamos refletir honestamente se nossos pressupostos de ação refletem verdadeiramente o ensino de Jesus ou a caricatura que criamos dele.
É nesse ponto que um livro como o que propõe o teólogo Felippe Amorim deve ser recebido com muita satisfação, pois traz à baila uma proposta e reflexão atualizadas sobre o que seria o pensar cristão acerca de temas que desafiam nossa fé na sociedade contemporânea. O livro — escrito de maneira acessível, mas aprofundada — traz um conjunto bem-selecionado de assuntos morais, cognitivos e sociais que vão desde os capítulos clássicos da teologia sistemática até as questões éticas e relacionais como o casamento, a sexualidade e a paternidade.
Tive um apreço especial em relação à maneira didática como o autor menciona conceitos complexos expressos por pensadores como Niebuhr, Descartes e Kant. Sem perder de vista o contexto imediato dos autores citados, o professor Felippe atualiza os assuntos para abarcar questões inéditas, como a cibercultura. Tudo isso, é claro, em permanente diálogo com a Sagrada Escritura, que se torna a principal fundamentação teórica de seu entendimento.
Recomendo, portanto, com alegria este material que pode ser útil tanto à leitura particular quanto a uma proveitosa discussão em grupo. Os fundamentos lançados pelo autor podem servir de direcionamento para a reflexão de outras temáticas não contempladas nesta obra. O que temos, portanto, é um assunto pertinente, lucidamente escrito, cujo conteúdo certamente servirá àqueles que se debruçarem sobre sua leitura.
Rodrigo Silva possui graduação em Teologia pelo Instituto Adventista de Ensino do Nordeste (1992), graduação em Filosofia pela Unifai (1999), mestrado em Teologia Patrística pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (1996), especialização em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém (1998), doutorado em Teologia Bíblica pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. Assunção (2001) – atualmente vinculada à PUC–SP –, doutorado em Arqueologia Clássica pela Universidade de São Paulo (2012) e estudos pós-doutorais com concentração em Arqueologia Bíblica pela Andrews University, EUA (2008). É professor de Teologia e Arqueologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), curador do Museu de Arqueologia da Unasp e apresentador do documentário semanal Evidências.
Notas
1 No Brasil: As ideias têm consequências (É Realizações, 2016).
2 Conceito criado pelo filósofo Zygmunt Bauman, autor dos livros Modernidade líquida, Amor líquido, Tempos líquidos (Zahar), entre outros. (N. do E.)
INTRODUÇÃO
Existe uma forma cristã de enxergar a vida, mas, infelizmente, essa maneira de ver o mundo tem se diluído nesse período que Zygmunt Bauman chamaria de líquido
. Os cristãos têm misturado conceitos diversos para fazer seus julgamentos a respeito de variados assuntos; contudo, é urgente resgatar o que os especialistas chamam de cosmovisão cristã.
Neste livro, minha proposta é buscar essa visão cristã de mundo a respeito de 16 temas que estão diretamente ligados ao nosso cotidiano e que fazem muita diferença na nossa felicidade, pois enxergar cada um desses temas a partir da ótica cristã é essencial. É lógico que muitos outros temas poderiam entrar como capítulos do livro, contudo, decidi me limitar a esses.
Inicialmente, o título do livro seria uma brincadeira com a língua portuguesa, um neologismo (CRISTÃmente), indicando que a intenção deste livro é ajudar você a desenvolver uma mente cristã. Mas o título também seria uma referência à forma de pensar. No entanto, após conversas com meus editores, decidimos optar pelo título Cosmovisão cristã, que também me agradou muito, já que indica minha área de interesse desde o período de estudos do mestrado em teologia.
Minha proposta é que o leitor conheça as bases da cosmovisão cristã e também entre em contato com a aplicação desse conceito a assuntos bastante práticos. Dessa forma, você, leitor, poderá aplicar esses princípios a outros assuntos que não foram incluídos no escopo do livro.
O primeiro capítulo ajudará você a entrar em contato com os argumentos teórico-filosóficos a respeito da cosmovisão (em geral) e da cosmovisão cristã mais especificamente. Gostaria muito que, ao terminar a leitura do primeiro capítulo, você tomasse a decisão de não mais viver uma vida compartimentalizada, mas, sim, uma vida voltada totalmente para a glória de Deus.
O segundo capítulo também construirá um chão
sobre o qual a vida cristã pode se desenvolver. Falaremos sobre o conceito de cultura e como isso afeta a vida cristã, uma vez que vamos buscar descobrir qual deve ser a verdadeira relação do cristão com a cultura.
Os capítulos seguintes tratarão da aplicação da cosmovisão cristã a diversos assuntos, como sexualidade humana, morte, amizade, graça e lei, dentre outros. Espero que a leitura desses capítulos ajude você a montar um escopo filosófico-teológico com o qual verá todos os aspectos da sua vida.
Desejo que a leitura deste livro o ajude a olhar para o mundo com a ótica de Cristo revelada em sua Palavra. Desejo também que esta leitura o incentive a sempre buscar na Bíblia os princípios que nortearão as suas decisões. Então, sem mais delongas, vamos pensar CRISTÃmente?
Capítulo 1: CosmovisãoAlgumas vezes, as coisas importantes da vida são imperceptíveis ao olho humano. O amor, o respeito, a lealdade são todos conceitos que não possuem uma forma física, mas estão em nossa mente, sem, contudo, se materializarem, e isso acontece com muitos outros conceitos humanos.
Um deles, talvez o mais fundamental para a existência dos seres humanos, é o conceito de cosmovisão. Possivelmente, você já ouviu falar sobre isso, mas será que saberia dizer qual é a sua cosmovisão? Você tem ideia da importância desse assunto para o bom andamento da sua vida e da sociedade como um todo? Neste capítulo, vamos pensar sobre esse tema tendo por base a ótica cristã.
CAMADAS MAIS PROFUNDAS DA EXISTÊNCIA
Em 1912, aconteceu uma das maiores e mais conhecidas tragédias da história. O mundo vivia a euforia da Revolução Industrial, e as máquinas a vapor estavam movimentando a economia e a sociedade globais. Muitas indústrias haviam nascido, e os efeitos positivos e negativos desse fato eram vistos em todos os lugares.
A navegação havia avançado de maneira impressionante, e os navios ficavam cada vez maiores e mais velozes. Nessa época, foi construído o Titanic, um feito que impressionava o mundo.1 Com 269 metros de comprimento, 28 metros de largura e pesando 46.328 toneladas, o Titanic era um gigante da indústria naval.
Os recursos do navio também impressionavam as pessoas: quatro elevadores, salões luxuosos para festas e piscina aquecida. Era impulsionado pela energia produzida por 29 caldeiras, que faziam com que o Titanic alcançasse a velocidade de 44 km/h.
A viagem começou no dia 10 de abril de 1912 no porto de Southampton, Inglaterra, com destino a Nova York, Estados Unidos. O evento chamou a atenção de muitos órgãos de imprensa; quando o navio zarpou, havia muita euforia dentro e fora do Titanic. Essa alegria, porém, não duraria muito.
Quatro dias depois, o que era euforia se transformou em desespero. Pouco antes de terminar o dia 14 de abril, o Titanic se chocou contra um iceberg que rasgou seu casco abaixo do nível da água. Cerca de três horas depois, às 2h20 do dia 15 de abril, o Titanic desapareceu nas águas do Oceano Atlântico. Há divergências quanto ao número de pessoas a bordo, mas estima-se que havia perto de 2.200 entre passageiros e tripulantes, dos quais quase 1.500 perderam a vida naquele mar, cuja temperatura estava em torno de –2ºC.
Gostaria de chamar a sua atenção para um detalhe: o que fez o Titanic afundar não estava à vista das pessoas; foi a parte submersa do iceberg que fez um buraco no casco do navio na parte abaixo do nível da água. Tudo estava imperceptível ao olho humano, mas os efeitos foram muito fortes e claros para todos.
O conceito de cosmovisão faz parte dessas coisas da vida que estão abaixo do perceptível pelo olho humano, mas que têm efeitos muito fortes na vida prática das pessoas. Vamos trabalhar um pouco esse conceito.
O QUE É COSMOVISÃO?
Cosmovisão
é uma palavra formada pela junção de cosmos + visão, ou seja, uma definição simples para esse conceito seria a forma como as pessoas veem o mundo
. A maioria dos teóricos concorda que a palavra cosmovisão
nasceu na Alemanha do século 18. Cosmovisão é a tradução da palavra alemã Weltanschauung, usada pela primeira vez pelo filósofo iluminista Immanuel Kant em sua obra Crítica da faculdade do juízo (1790). Contudo, Kant apenas citou a palavra, mas não desenvolveu seu conceito. Foi apenas no século 19 que as discussões sobre esse assunto ficaram mais profundas.
Especialmente a partir do início do século 20, muitas pessoas se debruçaram sobre esse tema. Um desses pensadores foi Ronald Nash, que em seu livro Questões últimas da vida explica que a cosmovisão de uma pessoa determinará como ela pensa cinco grandes áreas da vida. Segundo Nash, a cosmovisão afeta os conceitos sobre Deus, metafísica, epistemologia, ética e antropologia. Vamos entender melhor cada um.
A sua cosmovisão determinará o que você pensa a respeito de Deus: se ele existe ou não, se ele atua ou não na vida das pessoas etc. A epistemologia é a ciência que lida com a questão do conhecimento das coisas; a nossa cosmovisão afetará diretamente a nossa relação com ela, pois, dependendo da maneira como enxergamos o mundo, lidaremos de maneira diferente com o conhecimento. A ética diz respeito às nossas ações a partir do que consideramos certo ou errado, e a cosmovisão tem tudo a ver com isso. Por fim, a antropologia, ou seja, a forma como vemos e tratamos os seres humanos será diretamente afetada pela nossa cosmovisão.
Tudo o que fazemos em nosso cotidiano é influenciado por nossos conceitos a respeito desses assuntos. As decisões que tomamos no trabalho, na rua, no trânsito, nas relações familiares, todas elas estão ligadas aos cinco pontos citados anteriormente. Sendo assim, viver no automático, sem se ligar nessas questões, é correr o risco de ser manipulado ou viver alienado da própria capacidade de decisão.
COSMOVISÃO — MÚLTIPLAS DEFINIÇÕES
Como foi dito anteriormente, existem muitas definições para o conceito de cosmovisão, por isso levantei alguns conceitos propostos por especialistas, a fim de tentarmos aprofundar a discussão sobre o tema. Em cada um dos conceitos, destaco alguns pontos que considero importantes.
As cosmovisões, ainda, situam-se em um nível mais profundo da cultura, pois são elas que dão sustentação e dinamicidade à forma como homens e mulheres significam a vida, visto que assumem um conjunto de pressuposições que fazem parte das explicações que pautam suas formas de ver, sentir e agir, ou seja, uma identidade que se destaca em uma coletividade.2
Destaco dessa definição duas afirmações: a primeira é que a cosmovisão trabalha os significados da vida, ou seja, fatos corriqueiros significam coisas diferentes dependendo de como a pessoa enxerga a vida; a segunda afirmação, que reforça a primeira, é que a cosmovisão influenciará diretamente a sua forma de ver o mundo ao seu redor.
Para tentar deixar mais claro, vejamos um exemplo. Imagine que acabou de sair uma notícia no jornal a respeito da morte de uma pessoa muito famosa, e os noticiários começam a entrevistar diversas pessoas, questionando a respeito do que acontece depois que uma pessoa morre. A pergunta é a mesma, mas as respostas podem variar muito, dependendo da cosmovisão da pessoa que está sendo entrevistada.
Talvez você já tenha ouvido a palavra axioma. O dicionário define o termo como evidência cuja comprovação é dispensável por ser óbvia; princípio evidente por si mesmo
. Nem sempre o axioma é tão óbvio assim, porém, continua sendo aceito. Com as cosmovisões acontece o mesmo — estão muitas vezes baseadas em axiomas a partir dos quais se desenvolve toda a teorização. Vamos a mais uma definição de cosmovisão para nos ajudar na compreensão do conceito:
A cosmovisão, como um mapa rodoviário, estabelece nossa direção e nos guia pela vida. Como o vento soprando pelas árvores, que não pode ser visto, contudo vivifica e produz movimento. A cosmovisão infunde vida na comunidade e estabelece sua dinâmica. Ela diz: Isso é o que somos
.3
A metáfora da cosmovisão como um mapa rodoviário é muito interessante, porque nos revela que ela influencia os caminhos que as pessoas tomam no curso da existência. Além disso, o autor aponta que a cosmovisão estabelece a dinâmica da vida, ou seja, não é apenas para onde você está indo, mas a forma e o ritmo com os quais
