Sentimento de Rejeição Oculto
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Sobre este e-book
Sentimento de Rejeição Oculto – A Verdade que Sabota Sua Vida
Você já sentiu que, por mais que tente, algo invisível parece travar sua vida emocional, profissional ou nos relacionamentos? Já percebeu padrões repetitivos — medo de ser abandonado, dificuldade em confiar, insegurança constante, necessidade de agradar todos, medo de dizer "não", relações tóxicas, autossabotagem — mas não consegue entender de onde isso vem?
Este livro revela um dos bloqueios emocionais mais comuns e menos compreendidos: o sentimento de rejeição oculto.
Ele não nasce apenas de grandes traumas. Muitas vezes, surge de pequenas experiências — palavras, comportamentos, comparações, críticas — que pareciam insignificantes, mas marcaram profundamente a forma como você se vê e se relaciona com o mundo.
? O que você vai descobrir neste livro
- Como a rejeição oculta se forma na infância e acompanha a vida adulta.
- Os sinais silenciosos de que a rejeição está influenciando suas decisões.
- Por que você busca validação, teme críticas ou se sente "não suficiente".
- Como esse sentimento afeta relacionamentos amorosos, amizades e ambiente de trabalho.
- Os mecanismos de defesa que a mente cria sem que você perceba.
- Exercícios simples e práticos para identificar feridas emocionais escondidas.
- Caminhos reais para reconstruir sua autoestima e autoconfiança.
- Como romper ciclos de sabotagem emocional e finalmente se libertar.
? Por que este livro é diferente
Ele é direto, humano, acolhedor e prático. Não fala apenas sobre o problema — mostra como curar, passo a passo, com ferramentas emocionais acessíveis para qualquer pessoa.
O objetivo não é apenas te informar, mas te transformar.
✨ Para quem este livro é ideal?
- Quem sente que carrega um peso emocional sem explicação.
- Quem vive inseguranças, medos e ansiedades nos relacionamentos.
- Pessoas que cresceram ouvindo críticas, comparações ou falta de apoio.
- Quem deseja fortalecer sua autoestima e resgatar sua identidade emocional.
- Quem busca autoconhecimento e cura interior.
? Uma jornada de cura
Ao longo das páginas, você vai reconhecer comportamentos, entender suas raízes e descobrir que existe, sim, um caminho de libertação emocional — e ele começa com a consciência e com o cuidado consigo mesmo.
Este livro foi escrito para tocar, despertar e ajudar você a se reconectar com a sua essência, libertando-se das marcas silenciosas da rejeição.
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Sentimento de Rejeição Oculto - Gerson Dorneles
SENTIMENTO DE
REJEIÇÃOOCULTO
SENTIMENTO DE
REJEIÇÃO
OCULTO
A verdade que sabota sua vida
Gérson Dorneles
Copyright 2025 por Gérson Dorneles
Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem o
consentimento prévio do autor.
Preparação de texto, revisão, capa, diagramação:
Gérson Dorneles
ISBN 978-65-01-29882-5
NOTA DO AUTOR
Neste livro, não tenho a pretensão ou a ilusão de substituir terapias ou tratamentos terapêuticos. Não me coloco como um especialista em traumas emocionais ou um terapeuta comportamental. Sou, acima de tudo, um aprendiz nesta vasta jornada de autoconhecimento que é a vida. Meu objetivo aqui é compartilhar com você, que também é um buscador de respostas, as experiências que vivi os questionamentos que me guiaram às respostas que encontrei e as ferramentas que aprendi a utilizar e incorporar ao meu dia a dia para transformar a mim mesmo e, consequentemente, minha vida e meu destino.
Espero sinceramente que os capítulos deste livro sirvam como um ponto de apoio, uma alavanca para que você possa enxergar sua própria vida sob uma nova perspectiva, revelando as verdades ocultas que habitam seu interior. Que, ao trazer essas verdades à luz, você possa se libertar das correntes que têm impedido seus voos mais altos, aqueles que seu coração tanto deseja alcançar.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, agradeço a Deus por me conceder a graça de viver esta jornada impressionante e extraordinária chamada vida. Agradeço aos meus pais, que se colocaram como guias desta missão, e aos meus avós, cujo amor e dedicação me acompanharam nas primeiras experiências até a juventude. À minha esposa que é minha musa inspiradora em todos os sentidos, agradeço por seu apoio constante em todos os momentos de nossa vida. Aos nossos filhos, por nos mostrarem o verdadeiro sentido da vida. E a todas as pessoas que, de forma direta ou indireta, contribuíram para que eu percorresse cada passo até este ponto da minha caminhada. Que Deus abençoe a todos e os recompense com os mais sinceros desejos de seus corações.
INTRODUÇÃO
Há um ano, sentia que minha vida estava desmoronando. Meu trabalho parecia travado, as finanças eram um verdadeiro desastre, e meu casamento estava em frangalhos. Estava prestes a sucumbir ao desespero. Porém, no meio desse caos, acabei descobrindo algo inesperado que mudaria tudo. É curioso como essa introdução pode lembrar o início de um famoso livro de autoajuda, mas posso assegurar que esta é a minha verdade, uma vivência pessoal e autêntica que reflete o que realmente passei.
Eu estava à beira do abismo, emocionalmente esgotado e perdido em meio a um furacão de pensamentos confusos e emoções sufocantes. Como Neale Donald Walsch no filme Conversando com Deus, me encontrei imerso em questões existenciais, perguntando a mim mesmo: "O que é preciso para a vida realmente funcionar?" Onde foi que errei?Como pude deixar minha vida chegar a esse ponto, mesmo tendo tantas ferramentas a minha disposição? E o mais importante, como poderia mudar essa trajetória?
Impulsionado por essas perguntas que fervilhavam em minha mente, iniciei uma busca incansável por respostas. As páginas dos livros se tornaram minhas aliadas, e eu me entreguei a uma fase de intensa leitura, absorvendo conhecimento a cada nova descoberta. A cada palavra lida, segredos profundos sobre mim mesmo começaram a se revelar. Verdades ocultas, que por tanto tempo sabotaram meu progresso, emergiram da penumbra. Essas revelações expandiram minha consciência de uma maneira que eu nunca imaginei ser possível, iluminando o caminho para a transformação que tanto desejava.
Agora, estou aqui para compartilhar essas descobertas com você. Porque, se você está lendo estas palavras, é porque está trilhando um caminho semelhante. Sei que você também está buscando respostas, ansiando por trazer à tona verdades que, escondidas no seu íntimo, te impedem de assumir o controle total da sua vida. Você quer encarar essas verdades, enfrentá-las de frente, e finalmente assumir o controle do seu destino.
Se esse é o seu desejo, tenho uma boa notícia: você está no lugar certo, na hora certa, e no livro certo. Este é o seu momento de revelar o que está oculto e reescrever sua história. Vamos juntos nessa jornada de transformação.
1
IDENTIDADE
O que perdemos pelo caminho
Quando nascemos, chegamos ao mundo como seres completos, equipados com todas as ferramentas necessárias para desenvolvermos as habilidades que desejarmos. Somos potencial puro, prontos para explorar, aprender e criar. Nossa capacidade de ser e fazer é ilimitada — é a nossa verdadeira essência, nossa identidade. A Bíblia nos diz que fomos feitos à imagem e semelhança do Criador. A física quântica sugere que somos os observadores que, ao interagirmos com o campo quântico, alteramos a realidade ao nosso redor. Independentemente da perspectiva que você adote, a verdade é que, em nosso estado original, possuímos todo o potencial para moldar nossas vidas de acordo com nossos desejos mais profundos.
Mas se temos tudo isso, por que tantos de nós sentem que estão desconectados desse poder? Se somos seres criativos por natureza, por que tantas vezes falhamos em construir a vida que sonhamos? Por que parece que estamos presos a ciclos de frustrações e limitações? Se temos a capacidade de alterar o mundo ao nosso redor, por que é tão difícil mudar a nós mesmos?
As respostas a essas perguntas estão profundamente enraizadas nos primeiros anos de nossas vidas. À medida que crescemos, vamos absorvendo ensinamentos de nossos pais, familiares e da sociedade ao nosso redor. Essas experiências moldam nossos valores, nossas regras, nossas perspectivas e, eventualmente, nossos comportamentos. Vivências traumáticas ou até mesmo pequenos eventos de humilhação e críticas que interpretamos como rejeição, podem criar bloqueios, como se estivéssemos podando nossas asas pouco a pouco.
Com o tempo, essa absorção contínua de valores, regras e condicionamentos começa a limitar nosso potencial. Em vez de permanecermos conectados à nossa identidade autêntica — aquela essência ilimitada com a qual nascemos —, começamos a nos afastar dela. É como se nosso caminho de possibilidades infinitas fosse se estreitando com o tempo, à medida que adotamos medos, inseguranças e limitações que não são realmente nossos. Aquele vasto campo de potencialidade vai se fechando e, sem perceber, começamos a viver de forma automática, respondendo às situações da vida com base em padrões que nem sequer sabemos que existem.
Com o passar dos anos, nos distanciamos tanto da nossa verdadeira identidade que, em certo ponto, perdemos a habilidade de responder perguntas simples como: Quem sou eu de verdade?
ou O que realmente quero da vida?
Não no sentido filosófico, mas no sentido mais prático e pessoal. Quais são seus sonhos?O que faz seu coração vibrar de verdade? Em muitos casos, as respostas para essas perguntas estão soterradas sob as camadas de condicionamentos que desenvolvemos ao longo da vida.
Mas há uma boa notícia: podemos reverter esse processo. Podemos redescobrir nossa verdadeira identidade e recuperar nosso potencial inato. Para fazer isso, é preciso entender como o cérebro funciona e como ele cria padrões para lidar com cada aspecto da vida. É aqui que entra o conceito de piloto automático
, que vamos explorar a seguir. Muitas das nossas ações diárias são conduzidas por padrões automáticos, criados a partir de aprendizados antigos. E esses padrões nem sempre refletem quem somos. Vamos ver como isso acontece e o que podemos fazer para retomar o controle.
Sua vida esta rodando no
piloto automático!
Nosso cérebro é uma das máquinas mais poderosas e complexas que conhecemos. E como um gestor extraordinário, ele tem como uma de suas principais funções, a missão de otimizar recursos. Isso significa buscar a objetividade, agilidade e, acima de tudo, economizar energia. Para entender como isso funciona, imagine o seguinte cenário:
Sempre que aprendemos uma nova habilidade, nosso cérebro registra cada etapa desse aprendizado e cria uma rotina
* interna, um conjunto de informações e instruções específicas para esta determinada habilidade. A partir desse momento, toda vez que precisamos repetir essa tarefa, o cérebro aciona essa rotina
para executá-la de forma automática, permitindo que o restante do cérebro se ocupe de outras atividades.
Vamos pegar o exemplo de aprender a andar. Quando você era criança, deu seus primeiros passos com extrema dificuldade, tropeçando e caindo. A cada tentativa, seu cérebro estava lá, monitorando cada detalhe, ajustando e aprimorando o equilíbrio até que, finalmente, você dominou a arte de andar. Nesse ponto, o cérebro armazenou todo o processo em uma rotina
. Agora, toda vez que você se levanta para caminhar, é essa rotina
que entra em ação, permitindo que você ande sem nem precisar pensar nisso. Seu cérebro está livre para focar em outras coisas, como conversar, planejar o dia ou refletir sobre a vida, enquanto você caminha no piloto automático.
Mas aqui está a chave: a rotina
que seu cérebro usa para andar é a mesma que você criou quando tinha apenas um ano de idade! Isso significa que, em termos de caminhar, você ainda está operando de modo geral, com as mesmas instruções básicas que adquiriu quando era apenas uma criança. E esse paralelo vale para várias outras áreas da sua vida.
Assim como andar, correr, falar, ler, escrever, dirigir, jogar videogame, existe centenas de outras tarefas no nosso repertório que são realizadas automaticamente. A estimativa é que, aos 30 anos de idade, 95% da nossa vida já esteja rodando no piloto automático, enquanto apenas 5% das nossas decisões são tomadas de forma consciente. É por isso que, muitas vezes, nos pegamos perguntando: Como eu cheguei a este ponto?
ou O que eu fiz da minha vida?
.
Agora, pense no impacto disso quando falamos de emoções. Imagine que, quando você era criança, viveu uma experiência emocional intensa que ensinou ao seu cérebro como reagir à determinada situação. Se esse aprendizado nunca foi atualizado, a rotina
que lida com essa emoção ainda é aquela criada quando você era pequeno, com os mesmos recursos limitados e a visão de mundo que você tinha naquela idade. Toda vez que você encontra uma situação semelhante na vida adulta, é essa rotina
infantil que assume o controle, agindo da mesma forma que aprendeu lá atrás.
Quando entendi essa dinâmica pude perceber como nossos comportamentos e reações emocionais estão presos ao passado. Muitas vezes, estamos repetindo rotinas
que foram formadas na infância, sem nos dar conta de que temos novas ferramentas, novas informações, novas capacidades emocionais e cognitivas à nossa disposição como adultos.
Nos próximos capítulos, vamos explorar mais profundamente como essas rotinas
criadas durante a infância influenciam nossa vida adulta, especialmente em situações de trauma. Vamos desvendar como você pode tomar o controle e reprogramar esses blocos de informação para que reflitam sua realidade atual, e não uma versão de você que já ficou para trás.
O oculto se esconde no óbvio
Meus pais se separaram quando eu tinha apenas um ano de idade. Fui criado pelos meus avós paternos, junto com meus tios e tias, em uma fazenda numa cidadezinha de apenas cinco mil habitantes. Minha infância foi tranquila, com a simplicidade típica de quem vive no campo. À medida que fui crescendo, especialmente durante a adolescência, conheci muitas pessoas que também eram filhos de pais separados. Essas pessoas, muitas vezes, expressavam suas dores e revoltas, carregando traumas profundos pelo afastamento familiar. No entanto, eu nunca senti isso. Nunca me identifiquei com essas histórias de jovens que se rebelam, passam a vida procurando por seus pais biológicos, buscando respostas sobre suas origens.
Até os meus dezesseis anos, eu não havia conhecido minha mãe biológica, mas curiosamente, também nunca senti a necessidade de procurá-la. Na minha mente, eu estava resolvido. Comparado a tantas outras histórias sobre filhos de pais separados, me considerava psicologicamente equilibrado e saudável. Eu não via o peso que esse evento exercia sobre mim. Afinal, eu sabia da separação, sempre soube, e parecia que a aceitação fazia parte da minha vida de uma forma natural. O que eu não percebia, contudo, era que, por estar à vista
— por eu ter plena consciência do que aconteceu e por acreditar que isso não me afetava — uma complexa estrutura de rotinas
emocionais estava se formando, e moldando minhas crenças, comportamentos e, acima de tudo, minha percepção de mim mesmo.
Somente após os meus cinquenta anos de idade, ao questionar o porquê da minha vida não refletir o potencial que sempre senti ter, comecei a enxergar a presença dessas rotinas
. Foi então que percebi o quanto estava no piloto automático
, como mencionei anteriormente. Havia rotinas
internas — padrões emocionais e comportamentais — que assumiam o controle em momentos decisivos, me levando a agir de forma que eu não tinha consciência. Durante toda a minha vida, achei que estava bem. Mas, na verdade, eu nunca estive. Estava vivendo no automático, sendo guiado por rotinas
criadas em minha infância. Esse sentimento oculto, que cresceu de um determinado evento em que me senti rejeitado, criou uma realidade paralela que distorceu o caminho da minha vida.
Essa percepção me fez enxergar como estas rotinas
de sentimento de rejeição, sem percebermos criam distorções por uma vida inteira. Embora ficcional, a história de George McFly, o pai de Marty no filme De Volta Para o Futuro, ilustra de forma poderosa como essas rotinas
podem moldar uma vida.
George McFly era um homem que passou a maior parte de sua vida subjugado por um sentimento de rejeição profundo. Na escola, George era tímido, inseguro, e frequentemente alvo de bullying, especialmente por Biff Tannen, o valentão da escola. George nunca soube lidar com esses sentimentos. Ele cresceu com a sensação de não ser bom o suficiente, de que não merecia a atenção ou o respeito dos outros. Esses sentimentos de inadequação o seguiam aonde quer que fosse, moldando sua personalidade e decisões, sem que ele sequer percebesse.
Sua timidez o impedia de se expressar, e ele sempre preferia ficar à margem, sem chamar atenção. A verdade é que George nunca acreditou em seu próprio valor. Ele se via como alguém destinado à mediocridade, sem coragem de se posicionar ou de sonhar alto. Na escola, o pouco contato que teve com Lorraine, o amor de sua vida e futura esposa, foi envolto por circunstâncias de constrangimento. Ele não a conquistou pela confiança ou pelo charme, mas pelo acaso de ser atropelado pelo carro de seu futuro sogro. Lorraine, por sua vez, se apaixonou pela situação, pela doçura e vulnerabilidade que ele transparecia, não necessariamente pelo homem que ele era.
Os anos se passaram, e George levou consigo essa insegurança enraizada em sua vida adulta. Ele se casou com Lorraine, teve filhos, mas sua vida se manteve em um estado de passividade. George trabalhava em um emprego medíocre, sem perspectiva de crescimento, e em casa, vivia submisso, sem voz própria. Lorraine, que havia se casado com a ideia de um romance juvenil, também se acomodou em uma vida monótona, sem paixão ou grandes ambições. Biff, que continuava a abusar de sua posição sobre George, tornou-se seu chefe. Ele ainda intimidava George, agora no ambiente de trabalho, e não havia um dia em que George não se sentisse impotente diante dele.
Em muitas cenas, Biff aparecia exigindo que George fizesse seus relatórios, reclamando quando algo não saía como ele queria, sempre impondo sua presença autoritária. George apenas sorria nervosamente e concordava com tudo, sem nunca se atrever a enfrentar Biff.
O momento de ruptura
Mas tudo começou a mudar na noite em que Marty McFly, seu filho, foi acidentalmente transportado de volta no tempo, para o ano de 1955. Lá, Marty descobriu a juventude de seus pais e, ao observar a vida de George, percebeu como seu pai havia sido moldado por uma existência de submissão e insegurança. Marty, ao entender que sua própria existência estava em risco se não unisse George e Lorraine, começou a incentivar seu pai a tomar atitudes que ele nunca teria coragem de tomar sozinho.
A grande virada aconteceu em uma noite que poderia ter sido apenas mais uma em que George ficaria nas sombras. Lorraine, que já começava a mostrar interesse por Marty (sem saber que ele era seu filho), foi atacada por Biff em um carro no estacionamento da escola. Biff como sempre, se aproveitava dos mais fracos e tentava impor sua vontade sobre Lorraine. No entanto, dessa vez, algo dentro de George mudou. Ele, que estava sendo incentivado por Marty a lutar por aquilo que queria, finalmente decidiu agir.
Quando George viu Biff tentando forçar Lorraine no carro, ele sentiu uma raiva que nunca havia sentido antes. A rejeição, a submissão, os anos de ser tratado como invisível – tudo isso se acumulou em um só momento. George correu até o carro, abriu a
