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Meditações em Provérbios: Sabedoria para uma vida teocêntrica
Meditações em Provérbios: Sabedoria para uma vida teocêntrica
Meditações em Provérbios: Sabedoria para uma vida teocêntrica
E-book576 páginas14 horas

Meditações em Provérbios: Sabedoria para uma vida teocêntrica

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Sobre este e-book

O Livro de Provérbios é uma obra atemporal, fruto de ensinamentos repletos de autoridade e elaborados com maestria pela sabedoria do antigo Israel. Esse tesouro da literatura bíblica revela verdades profundas e práticas sobre a condição humana, abordando virtudes, vícios e valores com um estilo conciso e impactante.

Neste primeiro volume de Meditações em Provérbios, Charles Haddon Spurgeon, conhecido como o Príncipe dos Pregadores, apresenta uma seleção de 22 provérbios ricamente comentados. Com sua característica profundidade e paixão, Spurgeon explora temas essenciais, como a onisciência e o perdão de Deus, orgulho e humildade, a cura para o espírito ferido e o valor das amizades piedosas.

Repletas de sabedoria prática e espiritual, estas meditações convidam o leitor a refletir sobre sua vida com Deus, ajustando o curso para uma vida que o honra e experimenta sua presença de forma mais profunda.

Com o estilo cativante e encorajador de Spurgeon, este livro é um guia precioso para transformar sua caminhada cristã e fortalecer sua fé. Descubra em Meditações em Provérbios o caminho para uma vida guiada pela sabedoria divina
IdiomaPortuguês
EditoraHeziom
Data de lançamento17 de dez. de 2024
ISBN9786552650177
Meditações em Provérbios: Sabedoria para uma vida teocêntrica

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    Meditações em Provérbios - Charles Spurgeon

    Copyright da tradução ©2024, de Editora Presbiteriana de Pinheiros

    Título do original: Sermons on Proverbs,

    edição de domínio público.

    Publicado pela Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros.

    Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei n.º 9.610, de 19/02/1998.

    Citações bíblicas sem indicação da versão in loco foram extraídas da Almeida Revista Atualizada. Citações bíblicas com indicação da versão in loco foram extraídas da Almeida Corrida Fiel (ACF), da Bíblia King James (BKJ) e da Bíblia King James Fiel 1611 (BKJ1611).

    Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.

    Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

    (BENITEZ Catalogação Ass. Editorial, MS, Brasil)

    Índice para catálogo sistemático

    1. Provérbios : Antigo Testamento : Comentários 223.707

    Bibliotecária : Aline Graziele Benitez CRB-1/3129

    Editora Heziom é uma marca licenciada à

    Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros.

    Todos os direitos reservados à Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros.

    Av. Dra. Ruth Cardoso, 6151 – Pinheiros – CEP: 05477-000 – São Paulo – SP

    Telefone: (11) 91005-4482

    Site: www.editoraheziom.com.br

    1. Retendo a instrução divina (Provérbios 4.13)

    2. O grande reservatório (Provérbios 4.23)

    3. Olhos corretos (Provérbios 4.25)

    4. As últimas coisas (Provérbios 5.11)

    5. Pecadores presos pelas cordas do pecado (Provérbios 5.22)

    6. Um apelo aos filhos de pais piedosos (Provérbios 6.20-23)

    7. O livro falante (Provérbios 6.22)

    8. O que regar também será regado (Provérbios 11.25)

    9. Retendo o trigo (Provérbios 11.26)

    10. O ganhador de almas (Provérbios 11.30)

    11. Ganhar almas (Provérbios 11.30)

    12. Os caminhos do homem serão sua recompensa (Provérbios 14.14)

    13. Temor piedoso e suas boas consequências (Provérbios 14.26)

    14. Deus, o que tudo vê (Provérbios 15.11)

    15. A cerca de espinhos e o caminho plano (Provérbios 15.19)

    16. Negociação espiritual doentia (Provérbios 16.2)

    17. confiança em Deus: verdadeira sabedoria (Provérbios 16.20)

    18. O amigo incomparável (Provérbios 17.17)

    19. Nossa fortaleza (Provérbios 18.10)

    20. Orgulho e humildade (Provérbios 18.12)

    21. A causa e a cura de um espírito ferido (Provérbios 18.14)

    22. Um amigo fiel (Provérbios 18.24)

    Retém a instrução e não a largues;

    guarda-a, porque ela é a tua vida.

    Provérbios 4.13

    A fé pode ser bem descrita como o apego à instrução divina. Deus condescendeu em nos ensinar, e cabe a nós ouvir com atenção e receber suas palavras. Conforme ouvimos a fé vem; sim, aquela fé que salva a alma. Retém a instrução é uma exortação que diz respeito à força, à realidade, ao coração e à veracidade da fé, e quanto mais tivermos essas qualidades, melhor. Se reter é bom, reter firmemente é ainda melhor. Até mesmo um mero toque na orla das vestes de Cristo faz com que a cura venha até nós, mas se quisermos todas as riquezas entesouradas em Cristo, devemos não apenas tocar, mas nos agarrar a ele. Se quisermos conhecer, dia a dia, ao máximo, toda a plenitude de sua graça, devemos nos apegar firmemente e, assim, manter uma conexão constante e estreita entre nossa alma e a fonte eterna da vida. Devemos agarrar com a mesma firmeza que alguém à deriva em alto mar se agarra a um pedaço de madeira, na esperança de salvar a vida.

    Devemos nos apegar firmemente à instrução, e a melhor instrução é aquela que vem de Deus. A sabedoria mais verdadeira é a revelação de Deus em Cristo Jesus e, por isso, devemos nos apegar fortemente a ela. O melhor entendimento é a obediência à vontade de Deus e o aprendizado diligente daquelas verdades salvadoras que Deus colocou diante de nós em sua Palavra. De fato, somos exortados a nos apegar a Cristo Jesus, nosso Senhor, a sabedoria encarnada em quem habitam todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Não devemos deixá-lo ir, mas mantê-lo por perto e segurá-lo firmemente, pois ele é nossa vida. João não nos diz em seu Evangelho que a Palavra é nossa luz para instrução e, ao mesmo tempo, nossa vida. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens (Jo 1.4). Quanto mais permanecermos no Senhor Jesus e mais firmemente nos apegarmos a ele, melhor será para nós. Neste momento, pretendo falar, conforme o Espírito Santo me capacitar, sobre esse reter firmemente. Acredito que esse assunto seja um dos mais importantes que possam ocupar sua atenção nesta crise específica da história da igreja. Há muitos ao nosso redor que creem em Cristo, mas com uma fé trêmula e sem nenhuma firmeza. Precisamos ter entre nós crentes firmes que realmente creiam naquilo que professam, que conheçam a verdade em seu poder vivo e sejam persuadidos de sua certeza, de modo que não possam, de forma alguma, ser movidos de sua firmeza. Entre a multidão vacilante, ansiamos por encontrar aqueles que serão pilares na casa de nosso Deus, cuja compreensão da verdade divina não seja a de bebês ou de meninos, mas de homens adultos e vigorosos.

    Trataremos do nosso assunto falando primeiro sobre o método pelo qual podemos nos agarrar firmemente; depois sobre as dificuldades que enfretaremos ao fazê-lo; em terceiro lugar, sobre os benefícios de nos agarrar com firmeza; e, por último, sobre os argumentos mencionados no texto para nossa firmeza.

    I

    Primeiro, então, o método por meio do qual nos apegarmos firmemente à religião verdadeira, ao evangelho, a Cristo de fato.

    Já de início, meus irmãos, muito deve depender da intensa decisão que uma pessoa sente em sua alma com relação às coisas eternas. Se ela pretende brincar, ela brincará; mas, se pretende se apegar firmemente, assim o fará, pela graça de Deus. Debaixo do comando Deus, em muitos casos depende, sim, também da individualidade e da força de caráter de cada um. Algumas pessoas são naturalmente completas e sinceras em todas as coisas, sejam deste mundo ou do por vir. Quando servem ao Diabo, estão entre seus salva-vidas, tomando a frente em todos os tipos de iniquidade. Entre os pecadores, se tornam líderes, pois não têm medo nem hesitação; são temerários, desafiando a Deus e ao homem, pecando avidamente com ambas as mãos. Essas pessoas, quando convertidas, muitas vezes se tornam santos eminentes, sendo tão completos e resolutos em seguir a Deus quanto o eram em buscar ao mal; elas se tornam determinadas a reivindicar sua santa causa e a espalhar o conhecimento de seu amor. Devo confessar um desejo sincero de que muitos desses sejam trazidos para a igreja de Cristo neste momento para apoiá-la e inspirá-la com nova energia. Muitos em nossas igrejas parecem não ter terras profundas; com alegria, eles recebem a palavra pelo próprio fato de serem tão superficiais, mas assim que o sol nasce com calor escaldante, eles murcham e descobre-se que não têm raiz. Outros são verdadeiramente religiosos e provavelmente permanecerão assim, mas não são zelosos; na verdade, não são intensos sobre nada, mas mornos, fracos e instáveis.

    Essas são meras lascas de aveia no mingau, nem azedas nem doces: não dão sabor, mas tomam o sabor daquilo que as cerca; são criaturas das circunstâncias, não timoneiros que se aproveitam de correntes e marés, mas meros troncos levados por toda e qualquer corrente que possa se apoderar deles. Elas não têm plenitude de humanidade sobre si, são meras crianças; assemelham-se à muda que pode ser dobrada e torcida, e não ao carvalho que desafia a tempestade. Há certas pessoas desse tipo que em outros assuntos têm propósito suficiente e força de espírito suficiente, mas quando tocam nas coisas de Deus são soltas, frágeis, superficiais, indiferentes. Você as vê sérias o suficiente na caça à riqueza, mas não mostram tal zelo na busca pela piedade. A força de seu caráter surge em um debate político, na negociação de uma barganha, no arranjo de uma reunião social, mas você nunca vê a mesma dedicação na obra do Senhor. O jovem destaca-se como voluntário ou como membro de um clube, ou na casa de negócios, mas quem já ouviu falar dele na escola dominical, na reunião de oração ou fazendo missões? Nas coisas de Deus, essas pessoas devem qualquer medida de progresso que fazem à influência de seus companheiros que as carregam como um peso morto, elas mesmas nunca jogando peso suficiente no assunto para adicionar uma única grama de poder espiritual à igreja. Saiba que tudo isso é malicioso e errado.

    Meus queridos amigos, todos nós devemos confessar que se a religião de Cristo for verdadeira, ela merece a nossa dedicação total. Se for uma mentira, que seja eliminada da criação; mas, se for verdade, é uma questão sobre a qual não podemos ser neutros ou mornos, pois exige nossa alma, nossa vida, nosso tudo — e sua reivindicação não pode ser negada. Deve haver em nossa alma uma determinação forjada pelo Espírito Santo para sermos retos e honestos na obra do Senhor, ou então seremos de pouco valor ao reino.

    Chegamos, no entanto, a questões mais delicadas quando observamos que nossa firmeza nas coisas de Deus deve depender da profundidade de nossa conversão. Nesta igreja, tentamos, até onde podemos, ao receber membros da igreja, não receber ninguém além daqueles que dão evidências claras de mudanças de coração; mas essa evidência pode ser imitada tão habilmente que o melhor exame e o julgamento mais sério não podem impedir que pessoas auto-enganadas façam uma profissão de fé. Não podemos evitar isso, mas ai daqueles que enganam intencionalmente. Muitos exibem flores e frutos que nunca cresceram em seus próprios jardins; suas experiências são emprestadas e não brotam da raiz essencial da obra do Espírito Santo em suas almas, e isso é realmente triste. Nossa condição diante de Deus é uma questão pessoal e nunca pode ser resolvida pelo julgamento de nossos semelhantes, pois o que os outros podem saber sobre o funcionamento do nosso coração? Cada um deve julgar e examinar a si mesmo, pois o que quer que uma igreja tente em seu zelo pela pureza, nunca pode tirar a responsabilidade de seus membros em relação à sinceridade de seus corações. Não pretendemos dar certificados de salvação, e se o fizéssemos, eles seriam inúteis; vocês mesmos devem conhecer o Senhor e ser realmente convertidos, ou então sua profissão de fé é falsa e vocês mesmos são falsificações. Se queremos, na vida futura, nos apegar às coisas de Deus, devemos, nesta vida aqui e agora, ser profundamente convertidos. Muito de sua vida futura depende da meticulosidade de seu começo.

    Deve haver, no início, um profundo senso do pecado, uma consciência da culpa, um horror santo ao mal, ou você nunca será um cristão de verdade. Não digo que as dúvidas, tentações e sugestões satânicas com as quais alguns tiveram de lutar sejam necessárias para trazer uma verdadeira conversão; mas devo confessar que não fico nem um pouco descontente quando encontro muita luta e tribulações na experiência dos recém-despertados. Não é agradável para eles, mas esperamos que seja proveitoso. Aqueles cujas almas são aradas, aradas e aradas novamente antes que a semente seja semeada sobre eles, geralmente produzem a melhor colheita. O livro Graça abundante de John Bunyan explica muito bem seu outro livro intitulado O Peregrino. Se não fosse por seus terríveis conflitos de alma, ele talvez não saberia como manter firme sua confiança ao ser trancado por doze anos na prisão, nem teria tido visões da cidade celestial quando tudo ao seu redor era como o vale da sombra da morte. Não desejo ver almas sedentas angustiadas por Satanás, mas insisto que haja um fim à autoconfiança, uma destruição total da justiça própria, uma renúncia completa de todas as esperanças legais e carnais, ou então a conversão será uma mera exibição e aquele que for o sujeito dela será como Efraim, uma pomba tola sem coração. A menos que o arrependimento do pecado seja real em você, você nunca se apegará firmemente à verdade de Deus.

    E deve haver, queridos amigos, um apego muito sincero a Cristo Jesus. Se você tem alguma dúvida sobre a doutrina da expiação, não me surpreenderia se sua religião logo se desfizer em pedaços. Não, você deve, sem dúvida, aceitar o sacrifício substitutivo; sua alma deve sentir que o sangue precioso é sua única esperança, que isso, e somente isso, pode torná-la limpa diante do Deus vivo. Você deve voar para Cristo em desespero e se apegar a ele como toda a sua salvação e todo o seu desejo; não deve haver nenhuma hesitação. No início da vida cristã, essas duas coisas devem ser bem diferenciadas: por um lado, o pecado que o arruinou, e, por outro, o Cristo que o salvou. Se houver uma confusão no começo, sua vida espiritual será um emaranhado. Alguns comerciantes nunca conduzem bem seus negócios, eles evidentemente não entendem mais do que a metade e são meros trapalhões. Se você perguntar, descobrirá que eles nunca foram completamente fundamentados em sua vocação, ou nunca serviram como aprendizes, ou então eram rapazes preguiçosos e nunca se tornaram mestres em seu ofício — e esse mau começo os acompanhará por toda a vida. É o mesmo com o ensino superior. Uma pessoa pode ir longe nos clássicos, mas se não estiver fundamentada na gramática, estará eternamente cometendo erros que um estudioso sólido logo descobrirá. Todo professor deve trabalhar duro no que é essencial para que seus alunos tenham sucesso. O que quer que você faça com as formas mais elevadas, ensine a gramática ao garotinho, treine-o no que é básico, ou ele será ferido para o resto da vida. Para usar outra ilustração, pense na imagem de uma ponte que atravessava um riacho e que, por alguns anos, foi firme o suficiente, mas, aos poucos, pela força da correnteza, começou a mostrar sinais de desgaste. Quando foi examinada, logo se viu que os construtores não haviam estabelecido os alicences fundo o suficiente. Há dano em milhares de outras coisas além de pontes. Devemos ter bons e profundos alicerces ou, do contrário, quanto mais alto construirmos, mais cedo a estrutura cairá. Olhe para as casas mal alicerçadas e você verá assentamentos e rachaduras em todos os lugares. O mesmo é verdade no caráter de muitos cristãos professos: por falta de um bom começo, você pode ver falhas e rachaduras inumeráveis. Você se surpreenderia se eles caíssem em ruína repentina? Na verdade, muitos deles de fato já cairiam, mas como aquelas casas miseráveis, eles se sustentam uns aos outros. Muitos cristãos nominais só se mantêm de pé porque se apoiam em outros que estão na mesma situação. Gostaria que pudéssemos ver mais homens cristãos que ousam se sustentar na fé sozinhos, como aqueles antigos condomínios de mansões. Em que cada uma fica em seu próprio jardim, tão bem construídas que quando começamos a derrubá-las cada tijolo é sólido como granito, e a argamassa é tão dura quanto uma rocha. Tais edifícios e tais homens se tornam cada dia mais raros, mas devemos voltar ao estilo antigo; quanto mais cedo melhor. Aqueles de vocês que ainda estão nos primeiros dias de sua piedade devem tomar bastante cuidado. Certefiquem-se que estão certos, sãos e completos, e agarrem-se firmemente à verdade nos dias de seu primeiro amor, ou sua vida será doentia nos anos que virão.

    Tendo estabelecido essas verdades, a próxima ajuda para uma firme adesão a Cristo é o discipulado sincero. Irmãos, assim que vocês se convertem, se tornam discípulos de Jesus, e se vocês querem se tornar cristãos firmes, devem reconhecê-lo como seu Mestre, Professor e Senhor em todas as coisas, bem como decidir resolutamente serem bons estudantes em sua escola. O melhor cristão é aquele que tem Cristo como seu Mestre e verdadeiramente o segue. Alguns são discípulos da igreja, outros são discípulos do pastor, e um terceiro tipo são discípulos de seus próprios pensamentos; o homem sábio, porém, se senta aos pés de Jesus e aprende com ele com o objetivo de seguir seus ensinamentos e imitar seu exemplo. Aquele que tenta aprender do próprio Jesus, tomando as próprias palavras dos lábios do Senhor, obrigando-se a crer em tudo o que o Senhor ensinou e a fazer tudo o que ele ordenou — esse, eu digo, é o cristão estável. Sigam a Jesus, meus irmãos, e não a igreja, pois nosso Senhor nunca disse a seus discípulos: Sigam seus irmãos, mas disse: Sigam-me. Ele não disse: Permaneça na confissão denominacional, mas disse: Permaneça em mim. Nada deve se interpor entre nossa alma e nosso Senhor. E se a fidelidade a Jesus às vezes nos levar a diferir de nossos irmãos? O que importa, desde que não difiramos de nosso Mestre? Complicações e sofismas são coisas más, mas uma consciência profundamente sensível é inestimável. Sejam verdadeiros discípulos de Cristo e que mesmo sua menor palavra seja profundamente preciosa para vocês. Lembrem-se de que se alguém o ama, guardará suas palavras. Ele disse: Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus (Mt 5.19). Evite toda negligência e abatimentos da verdade; antes, seja completo e determinado, mantendo firme as palavras do seu Salvador. Siga o Cordeiro para onde quer que ele vá. Se essa for sua decisão, pela graça de Deus, você se apegará firmemente à instrução e nunca a deixará ir.

    De muita ajuda será se, além de tudo isso, você tiver uma consideração estudiosa da Palavra de Deus e meditar muito sobre a verdade que recebeu. Estou convencido de que há muito pouco estudo das Escrituras hoje em dia. Livros, revistas, jornais e coisas do gênero enterram a Bíblia sob montes de lixo; mas aquele que pretende ser uma pessoa de Deus na plenitude de sua humanidade, se alimentará da palavra dele em primeira mão. Como os bereanos, será de um espírito nobre e investigará as Escrituras diariamente. Meu desejo, diz ele é obter meu credo, não de segunda mão de outros, mas diretamente da própria palavra de Deus — o poço puro do evangelho imaculado.

    Esse é um ponto muito importante. Ultimamente tenho ouvido uma expressão que tem sido mal utilizada: Eu construo meu próprio pensamento. Vamos corrigi-la e então adotá-la dizendo: Eu faço minha própria pesquisa da Palavra de Deus. Lembre-se, não somos chamados a pensar em um novo evangelho, como alguns imaginam, mas somos chamados a ser pensadores do velho evangelho, para que possamos conhecer e entender seus princípios e seus fundamentos e nos tornarmos confirmados na crença nele. Precisamos pensar sobre a Palavra até que estejamos completamente imbuídos dela. A pele de certos insetos deriva sua cor das folhas das quais se alimentam, e a cor da vida de um cristão sempre será derivada daquilo de que sua alma se alimenta. Oh, que possamos viver da Palavra de Deus, mesmo das coisas profundas de Deus, pois assim seremos enraizados e fundamentados na fé e nos apegaremos firmemente à sabedoria eterna.

    Um cristão estabelecido é aquele que não apenas conhece a doutrina, mas também conhece a razão dela, tendo buscado compreensão e ponderado em seu coração. Por meio de meditação cuidadosa, ele é ensinado na verdade e é capaz de dar uma razão para a esperança que está nele com mansidão e temor. Ele também não é meramente uma pessoa da letra; seu estudo no poder do Espírito Santo o leva à essência da Palavra. Ele pede ao Espírito de Deus para familiarizá-lo com a verdade divina, de modo que ele não apenas leia sobre ela, mas desfrute de uma comunhão profunda e viva dela, comendo, bebendo, recebendo nas partes internas de sua alma e a retendo ali como uma semente viva e incorruptível. Aquele que faz isso ano após ano é o tipo de pessoa que, pela graça de Deus, reterá firmemente sua instrução e provará ser uma testemunha fiel de seu Senhor.

    Acrescente a isso também uma seriedade sincera de caráter, e você estará no caminho de manter um firme apego a Cristo. Isso não significa que devemos rejeitar a alegria — que o Senhor nos dê mais dela, pois é como óleo para as rodas e é um grande exemplo de religião para os não convertidos. Há alguns que são muito sombrios em sua religião e parecem pensar que a graça de Deus nunca é demonstrada por eles, a menos que estejam taciturnos e tristes. Mas, ao mesmo tempo, há uma frivolidadeque não é louvável e uma leviandade que está muito distante da mente de Cristo. A vida cristã não é brincadeira de criança; nós, acima de todas as pessoas, devemos tornar nossa vida sublime e não ridícula. Não somos chamados a este mundo para desperdiçar horas e matar o tempo sem fazer nada, pois esta vida está ligada à eternidade, e a eternidade, apesar de tudo o que é dito em contrário, será de miséria ou de alegria sem fim. Portanto, ter uma mente que pensa na eternidade e ser responsável diante de Deus é de suma importância. O pecado não é pouca coisa, o perdão não é pouca coisa e a condenação não é pouca coisa. A vida eterna é preciosa além de todas as coisas, e estar sob a ira de Deus é algo tão terrível que não somos nem capazes de conceber. Eu amo ver, especialmente em jovens cristãos, a profunda seriedade de propósito e espírito referente às coisas de Deus; eles sentem o peso de ser um cristão, e não se dão ao luxo de ter seu cristianismo colocado sob qualquer sombra da suspeita, nem ousam parecer meros atores em um palco, pois temem e tremem diante de sua Palavra.

    Agora, se todas essas coisas estiverem em você e abundarem, crescerá ao redor delas uma verificação experimental das coisas de Deus. O que quero dizer é que você não apenas lerá sobre o amor de Deus, mas o sentirá dia após dia, e assim terá profunda certeza de sua realidade. Você lê nas Escrituras sobre o poder do pecado e acredita no que lê; mas a isso será somado o fato confirmatório de que você o sente em seus membros e, portanto, não pode duvidar da sua realidade. Você lê sobre a eficácia do precioso sangue de Jesus; mas você vai além, pois sente o poder purificador em seu coração e a influência consoladora sobre sua consciência, e assim, vai sendo firmado na verdade abençoada. Dificilmente sabemos de algo até que o tenhamos vivido. A verdade deve queimar em seu coração com o ferro quente da experiência ou você a esquecerá. Acredito que as dores, tristezas e aflições de muitos filhos de Deus foram absolutamente necessárias para estabelecê-los na fé; e só posso esperar que vocês, filhos da alegria, possam obter tanto benefício dela quanto os enlutados encontraram em suas tristezas. Pode ser assim e deve ser assim, mas temo que raramente seja. Toda a nossa vida deve ser um teste diário do evangelho e uma verificação contínua de sua verdade eterna. Nossa vida deve concordar com este Livro da vida: assim como o livro da natureza, sendo escrito pelo mesmo autor do livro da revelação, mostra o mesmo traço e estilo; o livro da nova criação dentro de nós, sendo inscrito pelo mesmo Espírito que escreveu as Escrituras, exibirá o mesmo estilo e maneira; e assim teremos cada vez mais segurança das coisas que são verdadeiramente reveladas por Deus a nós. Continuem, queridos amigos, e que o Senhor conceda, em qualquer que seja sua experiência, abundante em amargura ou em doçura, que o testemunho de Deus possa ser confirmado em vocês, e seu domínio sobre ele possa ser intensificado pela experiência de cada ano.

    Devo acrescentar mais uma palavra. Creio que no modo de se apegar firmemente ao evangelho, o cristianismo prático tem uma grande influência. Refiro-me especialmente à utilidade prática. Alguns membros entram na igreja e nunca trabalham duro. Temos o distinto privilégio de vê-los sentados em seus bancos, e isso é tudo o que sabemos sobre eles. Não podemos colocá-los sob censura da igreja, pois são pontuais nas observâncias religiosas; mas são ramos estéreis. Dê-me o jovem que, quando se junta à igreja, diz: Vou tirar um tempinho para estudar o evangelho até que eu saiba mais sobre ele pelo ensino do Espírito de Deus, e, então, tendo feito isso, diz, Não aprendi isso por mim mesmo. Preciso fazer algo em conexão com a igreja de Deus e estou determinado a descobrir como realizá-lo.Você vê um jovem crente indo para a escola dominical ou o encontra começando estudos em uma casinha, ou começando um ministério de visitação e buscando falar pessoalmente com indivíduos sobre suas almas. Se ele for um homem do tipo certo, seu trabalho será outro ponto forte em sua mente. Olhe para ele, como se mantém fiel ao evangelho: como se apega à velha, velha verdade. Ele não é o homem que corre atrás de novas teorias e dúvidas modernas, pois é ajudado a se manter nos trilhos por sua conexão prática com a doença espiritual e seu remédio. Visiste alguns bairros de Londres e veja se você duvida da doutrina da depravação humana. Oh, não, são suas senhoras e senhores que usam luvas de pelica lilás que duvidam dessa doutrina. Tente resgatar uma prostituta de seu pecado e, se você for capaz de levá-la a Jesus, não poderá duvidar do poder do precioso sangue de Jesus para purificar o coração. Não são os que lutam contra o vício, mas aqueles que o praticam que são encontrados criticando a doutrina da expiação. Aqueles que estão ocupados tirando tições do fogo são pouco dados à especulação; antes, são firmes adeptos do evangelho. Acho que há poucas exceções à regra de que os cavalheiros do pensamento avançado não estão engajados no trabalho prático para a salvação das almas. Eles são grandes palestrantes, mas trabalhadores muito fracos. Não estou sendo hipercrítico quando digo que, se você conversar sobre isso com um professor do pensamento moderno, geralmente descobrirá que ele não vale nada quanto à utilidade prática: ele tem a faculdade de papagaio em destrinchar os assuntos, mas que contribuição positiva ele já ofereceu? Ele pode ser um dignitário distinto ou um estudioso nobre, mas quanto a realmente lidar com os corações e consciências das pessoas e entrar na experiência obscura e problemática das almas tentadas, ele está completamente perdido, pois não sabe nada sobre isso. Ele falaria de outra maneira se sua mão já tivesse sido colocada para trabalhar duro entre homens pecadores e consciências aflitas. Eu lhes digo, meus caros, que argumentar com uma pobre consciência angustiada e tentar trazê-la à paz em Cristo logo permite que você conheça a verdade do evangelho. Ficar ao lado de um leito de morte e ouvir o santo triunfo até mesmo do mais analfabeto dos filhos de Deus, ou, o que é igualmente eficaz, assistir às últimas horas tristes de um pecador impenitente morrendo sem esperança, fará com que você saiba que há um mundo por vir, alegre ou terrível, dependendo do caso. E você também aprenderá que o pecado é um grande mal, e que a expiação é uma grande realidade. Jovem convertido, se você quer ser um dos firmes detentores do evangelho, deve trabalhar e estudar pois o poder predominante do Espírito Santo o fortalecerá na fé dos eleitos de Deus. Assim, apresentei o método: que ele seja instrutivo.

    II

    Muito brevemente, quero agora mostrar as dificuldades de se apegar firmemente à instrução, e cada dificuldade que menciono tenderá a mostrar ainda mais claramente a necessidade dela.

    A primeira dificuldade é que vivemos na era do questionamento. Todo mundo questiona. Nossos amigos na Alemanha levaram o negócio do questionamento ao ponto mais distante e, em sua maneira completa, produziram seu fruto legítimo em tentativas de assassinar um monarca venerável a sangue frio. Ministros professos do evangelho ensinaram a mente alemã a duvidar de tudo, mas agora a base da sociedade está abalada e a lei e a ordem estão minadas. O que eles esperaravam? Aquele que não teme a Deus provavelmente não honrará ao rei. Quando os homens desistem de suas Bíblias, pouco se importam com as leis humanas. Temos muito do mesmo fermento maligno na Inglaterra; certos clérigos e teólogos dissidentes estão espalhando-o com terrível diligência. Jovens cavalheiros cujos bigodes ainda não se desenvolveram estão decidindo autoritariamente que nada pode ser decidido e denunciando dogmaticamente todos os dogmas. Nós os encontramos todos os dias e notamos que sua ignorância é proporcional à sua confiança em zombar de todas as coisas sagradas. Segundo eles, ninguém é sincero, nada é sagrado. Esses grandes homens, dos quais nunca se ouviria falar se não fossem heréticos, sabem muito mais do que o próprio Deus. Quanto aos apóstolos e profetas, não são nada para esses seres infalíveis; suas ideias são mais preciosas que a própria inspiração. Esse ceticismo presunçoso está no ar; parece estar no exterior por toda parte e você não pode evitar de encontrá-lo. Portanto, sejamos mais fervorosos em manter firme a fé.

    Pior do que isso, esta é uma era de mundanismo. Todos desejam ser ricos, e jamais atingem o ponto de contentamento que seus antepassados atingiam ao decidir descansar. Nossos bons e velhos diáconos e respeitados membros da igreja estavam contentes com rendas muito moderadas, estavam satisfeitos e felizes com a parcimônia e a prudência, e teriam ficado profundamente tristes com a extravagância que é vista por todos os lados nesta época. Eles não apenas consideraram suas lojas e seus campos, mas planejaram ter tempo para cuidar das escolas dominicais nas quais tinham orgulho de servir e das reuniões de oração que adoravam frequentar. Mas, que tristezas, reuniões de oração, palestras, sermões, escolas dominicais, tudo isso é desprezado agora! Se alguém pode ganhar um dinheiro extra colocando-se onde esteja fora de questão, ele agarra a oportunidade. Devemos ser ricos, devemos estar bem vestidos, devemos gastar mais do que nossos vizinhos, e por isso o trabalho da igreja pode ser desprezado. Oh, que Deus envie mais cristãos simples e sinceros que considerarão o Senhor e sua causa como dignos de grande valor e se disporão a servir sua igreja. Quando o mundanismo é tão predominante, torna-se muito mais difícil agarrar-se firmemente às coisas eternas. É preciso ouvir a palavra: Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33), pois, a menos que a ouçamos, seremos tentados a agarrar-nos firmemente ao mundo e deixar as coisas da eternidade passarem por nós.

    Além disso, há e sempre houve um grande desejo por novidades. Somos todos sujeitos a isso: todos gostamos de algo novo. Mas há alguns que estão doentes da doença mutável; você os vê fanáticos por um credo hoje, mas de repente os encontra profundamente imersos no ensino oposto. Ah, agora eles descobriram algo muito maravilhoso: assim como o tolo que viu o arco-íris, acreditou que havia um pote do ouro no final dele e correu por quilômetros para agarrar uma moeda brilhante; assim eles sempre perseguem e nunca alcançam. Temos alguns desses cavalheiros na maioria de nossas igrejas, mas você não os encontrará em nenhum lugar por muito tempo. Outro inventor inicia um novo sistema e eles vão embora, sempre desejando ser os primeiros discípulos de cada novo profeta. Que Deus nos salve do espírito ateniense que sempre tem fome de algo novo.

    Outra dificuldade, e a pior de todas, é a corrupção do nosso próprio coração. "Retém a instrução e não a largues, diz o texto. Porque, ouço um irmão dizer, meu caro senhor, às vezes é tudo o que posso fazer para me manter firme. Tenho que questionar se fui convertido. Desço a tais profundezas de desânimo que, a menos que a verdade me segure, nunca a segurarei". Bem, mas espero que tudo isso seja um meio de ajudá-lo a segurá-la ainda mais firmemente. Agora você vê que a salvação é pela graça do começo ao fim. Por esse mesmo processo, você será compelido a se apegar às doutrinas da graça com mais intensidade, porque você é levado a ver o quão incapaz você é, por si mesmo, de pensar um bom pensamento e de, muito menos, permanecer firme em toda a verdade de Cristo.

    E então, também há Satanás. Quão ocupado ele está tentando minar os fundamentos da fé! Ele não sugeriu a alguns de nós todo tipo de dúvidas? Sim. Certo dia, eu disse a um homem que havia proferido uma blasfêmia na minha presença contra uma certa verdade: Você acha que me deixa perplexo! Meu caro homem, tenho tido mais dúvidas passando pela minha mente do que você, ou cinquenta como você, poderiam me contar. As dúvidas que o Diabo insinua na mente do povo de Deus são às vezes tão horríveis quanto qualquer uma que um Voltaire ou um Tom Paine jamais foi capaz de inventar e, ainda assim, pela graça de Deus, não desistimos do evangelho, nem o faremos, embora o céu e a terra passem. Porque somos um com Cristo, viveremos na verdade de Cristo, pois ele nos guardará e nos preservará até o fim.

    III

    Em terceiro lugar, vamos considerar os benefícios de reter a instrução firmemente. Gostaria de ter uma hora para me alongar sobre o benefício de fazê-lo, mas devo dizer brevemente que ter domínio sobre o evangelho fornece estabilidade ao caráter cristão. Homens que se apegam firmemente são a espinha dorsal de uma igreja. Durante todo o reinado sombrio do moderantismo na Escócia, quem manteve o testemunho da verdade? Ora, aqueles cristãos sólidos que eram conhecidos como os homens que mantinham a fé e andavam com Deus no poder dela. Esses eram homens de muita oração e muita meditação, que viviam em santidade quando todo o ensino sólido havia deixado os púlpitos porque suas almas eram sustentadas pela comunhão secreta com Deus na encosta da colina. Quando chegou a hora da verdade pura reviver na Escócia, esses homens vieram à frente e foram honrados como os homens que mantiveram a chama viva na terra. O que foi que livrou nosso país, em tempos ainda mais antigos, de estar completamente sob o jugo de Roma? Quando os prelados abandonaram a Cristo e os pregadores se voltaram do protestantismo ao papado às centenas nos dias de Maria, a verdadeira fé vivia no coração de homens e mulheres pobres, tecelões e sapateiros, que acreditavam em suas convicções e não podiam negar a verdade. Todos na paróquia sabiam que eles eram hereges teimosos que não podiam ser assustados ou reprimidos. Eles sabiam, tinham certeza, estavam confiantes e, portanto, falavam. Não importava para eles que estivessem em minoria, pois sabiam que uma minoria ao lado de Deus se torna uma maioria. Eu, Atanásio, contra o mundo, disse aquele grande e velho confessor, quando lhe disseram que todos tinham ido para o arianismo e que ninguém acreditava na divindade de Cristo. A terra e todos os seus habitantes estão dissolvidos, eu sustento os seus pilares, disse um dos antigos; e feliz é o homem a quem tal ofício é dado.

    Um firme domínio do evangelho lhe dará força para o serviço. O homem que pode segurar o forte em um momento é o mesmo que pode capturar o forte em outro. Aquele que pode ficar bem de pé pode marchar bem. A mão da igreja é feita do mesmo material que sua espinha dorsal. Não adianta enviar pobres professores hesitantes para o campo do trabalho sagrado. Se você mal sabe no que acredita, como pode ensinar outras pessoas? Mas quando a verdade estiver escrita em sua própria alma e gravada como a ponta de um diamante em seu coração, você falará com confiança; e haverá um poder sobre suas declarações que ninguém será capaz de resistir ou contradizer. Então, por causa de sua força espiritual, insisto na exortação do texto: "Retém a instrução e não a largues".

    E isso também lhe trará alegria. Os arredores de nossa Jerusalém são sombrios; sua glória está dentro. Onde brilha a luz mais brilhante? É no santo dos santos, no santuário mais interno. A pele e as cascas da religião são pobres, mas no suco, na vida, no poder vital da religião, aí está a doçura. Você não deve se satisfazer com o nome para viver; ele nunca o confortará, até mesmo o angustiará. A vida de Cristo poderosamente desenvolvida em você deve ser a alegria do seu coração. Multidões de professores cristãos não tiram quase nada do cristianismo. Como podem? Eles mantêm sua religião como alguns fazendeiros ricos mantêm fazendas improvisadas. Ninguém nunca faz nada com fazendas improvisadas: o homem que faz a agricultura valer a pena vive no local e dedica todo o seu tempo e energia a ela. Assim é nas coisas de Deus: se você fizer do seu pastor seu oficial de justiça na religião, não tirará nada dela; você deve viver nela e sobre ela, e então prosperará. Quero que você diga: Se há piedade, eu vou conhecê-la; se a oração tem poder, eu vou orar; se houver algo como comunhão com Deus, eu a desfrutarei; se houver algo como semelhança com Cristo, eu a obterei. A piedade não será um acréscimo à minha vida, mas será minha própria vida. Ah, irmão, você é o homem do semblante brilhante, você é o homem do olho brilhante; você bebe das águas mais profundas e descobre que quanto mais profundamente você bebe, mais doce o gole se torna.

    Por fim, com relação a esse resumo de benefícios: pessoas desse tipo são a própria glória da igreja, são aqueles em quem a verdadeira religião exibe seus raios mais brilhantes. Podem ser humildes moradores de casinhas simples ou membros anônimos e desconhecidos de uma grande igreja, mas aqueles que vivem com eles, aqueles que os conhecem de alguma forma, dizem: Essas pessoas são um crédito para a igreja e uma honra para o nome do cristianismo. Não seus palestrantes incansáveis, não seus frágeis professores, mas seus homens e mulheres profundamente ensinados e instruídos pela graça: estes são a beleza da igreja e a glória de Cristo. Eu queria que tivéssemos muitos mais desses. Olho ao redor e vejo que a causa não prospera em toda a terra como eu desejaria, e então me lembro que há um pregador fervoroso em uma aldeia, em outra, um diácono santo e laborioso, em uma terceira, uma mulher graciosa, zelosa em toda boa obra; e então sou confortado. Graças a Deus, ainda há vida na velha igreja. Ainda há esperança para ela por causa de seu povo firmado. Se eu estudar as estatísticas das igrejas, tenho de dizer: Qual é a vantagem desses números? Provavelmente uma igreja de duzentos membros pode ser reduzida a vinte efetivos fervorosos. De minha parte, eu preferiria ficar nesta plataforma com doze homens e mulheres santos para me apoiar do que com doze mil meros pretendentes à religião, como podem ser encontrados em multidões em qualquer lugar. Não, é o aperto firme da fé, é a piedade vital que faz um homem ser um poder real na igreja.

    IV

    Agora, por último, tenho de mencionar os argumentos do texto, que são três. Durante todo o sermão usei argumentação, portanto serei mais breve e concluirei.

    O primeiro argumento é: agarre-se firmemente à religião verdadeira porque ela é sua melhor amiga. Leia o texto: "Retém a instrução e não a largues. Você não pode encontrar seu caminho para o céu sem estse guia, portanto, não permita que ele o deixe. Faça como Moisés fez quando não deixou seu sogro Hobabe partir. Ele disse: Ora, não nos deixes, porque tu sabes que devemos acampar-nos no deserto; e nos servirás de guia (Nm 10.31). Assim como Moisés guardou Hobabe, você também deve guardar a fé, pois não pode encontrar seu caminho sem se agarrar ao verdadeiro evangelho com um coração puro. Que doce companheiro o evangelho é! Quantas vezes ele o animou! Quão fácil o caminho se tornou enquanto você esteve em comunhão com ele. Faça o que os discípulos de Emaús fizeram quando Jesus falou com eles: eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco. Não o deixe ir; você será um peregrino solitário se o fizer. Se você pudesse ser guiado por um anjo mas devesse perdera presença do seu Deus, seria sábio clamar contra tal mal, e como Moisés implorar: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar" (Êx 33.15).

    O próximo argumento é que a verdadeira piedade deve ser mantida firme, pois é o seu tesouro. "Não a largues", diz nosso texto. É sua melhor herança no momento presente, e deve ser sua herança eterna: portanto, não a largue. Deixe todo o resto ir, mas não se separe de uma partícula da verdade. O menor fragmento da verdade é mais valioso do que um diamante. Segure-a então com toda a firmeza. Você é muito mais rico por cada verdade que conhece e será muito mais pobre por cada verdade que esquecer. Segure-a então, e esconda-a em seu coração. Um certo rei que tinha um diamante raro o enviou a uma corte estrangeira, confiando-o a um servo muito fiel. Mas esse servo foi atacado na estrada por um bando de ladrões, e como eles não conseguiram encontrar o diamante, eles sacaram suas espadas e o mataram. Ele foi encontrado morto, mas seu mestre exclamou: Ele não perdeu o diamante, tenho certeza!. Ele julgou corretamente, pois o servo confiável engoliu a gema e a preservou com sua vida. Nós também devemos colocar a verdade para dentro, para não sermos privados dela. Um padre pegou um Novo Testamento de um garoto irlandês. Mas, gritou o garoto, você não pode tirar aqueles seis capítulos de Mateus que eu decorei. Eles podem tirar nossos livros, mas não podem tirar aquilo com que nos alimentamos e tornamos nosso. Sua carne é verdadeiramente comida, seu sangue é verdadeiramente bebida, pois quando nos alimentamos dele, nosso Senhor Jesus permanece em nós, a esperança da glória. Mantenham firme a verdade, ó crentes em Jesus, pois ela é seu tesouro.

    Por fim, ela é a sua bússula. O sr. Arnot, em seu belíssimo livro sobre Provérbios, conta uma história para ilustrar esse texto.

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