Enquanto Você Toca: Guia Comentado e Biografia Coletiva do Showbusiness
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Sobre este e-book
A indústria de shows de nível internacional no Brasil vem se desenvolvendo rapidamente desde os anos 2000. A On Stage Exp foi um atalho para muitos profissionais que não tinham mais o tempo de aprender fazendo errado. Neste livro didático comentado e autobiografia coletiva, temos um conteúdo panorâmico do Showbusiness. Trouxemos especialistas em
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Enquanto Você Toca - Fabiana Lian
Enquanto Você Toca
Guia Comentado e Biografia Coletiva do Showbusiness
On Stage Exp, Vários autores
Plataforma9
Aline Duda
Ana Garcia
André Bourgeois
Camila Takemoto
Chris Kansy
Ciça Pereira
Dani Ribas
Dash Rowe
Evandro Fióti
Fabiana Lian
Facundo Guerra
Felipe Simas
Greg Graffin
Horácio Brandão
Ingrid Berger
Juliana Negri de Mello
Katia Abreu
Leticia Frungillo
Marcelo Beraldo
Mariana Ribeiro
Mauricio Soares
Mirna Wabi-Sabi
Pablo Fantoni
Paola Wescher
Paulo Dalle
Pena Schmidt
Phil Guiliano
Phil Rodriguez
Renato da Silva
Ricardo Rodrigues
Ricardo Vieira Ferreira
Rogerio Souza
Capa
A indústria de shows de nível internacional no Brasil vem se desenvolvendo rapidamente desde os anos 2000. A On Stage Exp foi um atalho para muitos profissionais que não tinham mais o tempo de aprender fazendo errado. Neste livro didático comentado e autobiografia coletiva, temos um conteúdo panorâmico do Showbusiness. Trouxemos especialistas em entrevistas e textos que colocaram na roda suas visões, seus modi operandi, construídos em muitas horas de trabalho em uma vida na estrada.
Como tudo tocado por seres humanos, a indústria da música é imperfeita, é um lugar onde o capitalismo é selvagem. Mesmo assim, esse universo é apaixonante, magnético, e impossível de abandonar. Este livro é para essas pessoas apaixonadas, e passa a seguinte mensagem: você merece ocupar o seu espaço no mundo da música, e você pertence aqui.
Entrevistas com Greg Graffin, Evandro Fióti, Paola Wescher, Phil Rodriguez, Facundo Guerra, Renato Silva, Phil Guiliano, Pablo Fantoni.
E textos originais de convidados como Felipe Simas, André Bourgeois, Ciça Pereira, Ricardo Rodrigues, Letícia Frungillo, Mariana Ribeiro, Ingrid Berger, Dash Rowe, Rogerio Souza, Aline Duda, Christopher Kansy, Camila Takemoto, Marcelo Beraldo, Ricardo Ferreira, Paulo Dalle, Mauricio Soares, Katia Abreu, Dani Ribas, Horácio Brandão e Ana Garcia.
Orelha
Dizem que as coisas mais valiosas não são aprendidas da escola. Pode ser. Mas e se alguém te passasse dicas práticas para encurtar caminhos e poupar cabeçadas no seu métier, você diria não?
Se você tem este livro em mãos, então é porque está querendo se engendrar no mundo do entretenimento, o chamado showbusiness, o universo de sonhos que tanto encanta o público e que faz a gente, trabalhadores da indústria, ganhar mais fios de cabelo branco por minuto do que a média dos seres humanos que tiveram a sorte (ou seria o azar) de passar longe desse ofício.
E o que este livro, Enquanto Você Toca, tem de especial? Eu vou revelar logo, dar spoiler, tirar a surpresa. Aqui você encontra, sim, maravilhosos atalhos e verdadeiras almofadas para pelo menos deixar as suas cabeçadas empíricas (necessárias) menos doloridas.
Idealizado e organizado pela On Stage Exp (que até um passado recente se chamava On Stage Lab), a primeira escola de showbusiness do Brasil, criada em 2014 por Fabiana Lian e Bianca Freitas (1982-2016), este livro está mais para um mapa da mina.
Com textos que trazem sem frescura e sem filtros a experiência de gente graúda do mercado do entretenimento no Brasil, o livro traz em 16 capítulos os segredos de profissionais que ajudaram a pavimentar os caminhos do showbusiness quando tudo ainda era campo minado – e, apesar dos esforços desses e de outros pioneiros desse mercado, ainda tem muitos trechos minados por aí, portanto, qualquer mapa já seria valioso, um com dicas quentes como este que você tem agora em mãos. Aí é pra levar pra cabeceira da cama e agradecer.
Para quem quer entender como funciona a engrenagem mesmo antes de abri-la e fuçar lá dentro, eu diria que este é o manual. Nos vemos no backstage.
Claudia Assef, jornalista, dj, curadora. Cocriadora do Women’s music event e Publisher do site Music Non Stop.
Dedicatória
Fabiana Lian
Este livro é dedicado a todos os soldados da música, que sofrem da síndrome do primeiro acorde, e que são as piores companhias de show.
O tempo inteiro notando problemas e, em um senso patológico de pertencimento, se preocupam com o Técnico de som, que deixou a microfonia passar, com o pessoal de comunicação e de produção que teve que lidar com um show atrasado, ou com o artista que teve uma questão de saúde.
É dedicado a todos os que fizeram essa indústria se transformar na potência que ela tem hoje, e a quem se dedicou a estudá-la, e a escrever sobre ela.
É dedicado a quem cria arte e música e consegue entregar ao fã que vai vivê-las de novo em seu dia a dia, com memórias e transformações.
Prefácio
Showbusiness, um planeta de teimosos
Fabiana Lian
Olha, você tem um livro aqui. Esse material é bom, tá pronto. Por que você não junta uns especialistas para comentar?
Quando o Pena, que sempre gosta do nosso material didático criado pela Ju Negri, saiu de uma aula que demos juntos na Fundação Getúlio Vargas e me provocou, fiz aquela cara de seraaaá?
Construímos a On Stage Exp nesses últimos anos ouvindo aulas, lendo o que tinha disponível, conversando com todos os profissionais que pudemos. E no alto destes dez anos, mais de 3000 pessoas passaram por aqui e muitas – 58,2% – estão hoje no mercado, de acordo com nossa pesquisa interna de 2024.
Pena Schmidt, o da frase ali no início, é uma espécie de tarô da música. Você liga e ele te conta um bastidor inédito, dá opinião sobre um assunto ou faz umas previsões sobre o futuro. Ouvi o conselho do oráculo, e quando apareceu o edital 45/23 do ProAC, me vi colocando o nosso material didático na plataforma e fazendo os convites, com recortes importantes que cada tema traz.
A indústria de shows de nível internacional no Brasil vem se desenvolvendo rapidamente desde os anos 2000. A On Stage Exp foi um atalho para muitos profissionais que não tinham mais o tempo de aprender fazendo errado, e depois certo, como eu e muitos fizemos.
Na pandemia, o número de shows e consequentemente a demanda por profissionais e fornecedores aumentaram exponencialmente, e ali começamos a ver nossas fragilidades, como o número reduzido de fornecedores para algumas áreas, a informalidade e a invisibilidade para o poder público enquanto indústria. E falamos de uma indústria que movimentou mais de 26 bilhões de dólares em 2022![1]
E como é nosso livro didático comentado e autobiografia coletiva?
Temos um livro de consulta. É denso como um conteúdo panorâmico do Showbusiness pode ser.
E dos autores, queria intimidade, relatos pessoais. É importante humanizar quem acende a luz do palco ou coloca a divulgação do show no ar. Esta humanização, em algum momento, pode nos trazer a visibilidade, parâmetros e regulamentação de que ainda precisamos.
Ainda nos convites, escancarou-se o retrato da indústria:
Eu, uma mulher que dirige uma empresa só de mulheres, enxergava no meu primeiro raio de visão, homens. Muitos. E brancos. Tive vergonha, por ser uma tradução da nossa realidade. E por eu ter ainda um olhar viciado.
Especialmente o mercado de onde vim – o de shows internacionais – é muito elitista. E quem construiu muita coisa até aqui foram indivíduos ou empresas masculinas. Muitos, sejamos justos, estão fazendo a lição de casa e colocando mulheres no poder, e não temos mais a paisagem de exclusivamente homens dando entrevistas em veículos especializados ou comandando espetáculos e festivais.
A próxima lição de casa ainda está incompleta. Vemos poucas pessoas pretas no backstage, e pouca variação de estrato social na indústria como um todo. Estamos até agora na era em que temos os heróis periféricos que chegaram aqui. Espero estar viva para ver o herói se tornar apenas um de nós. E que sejam vários.
Como boa observadora da indústria, tenho mania de gostar mais do processo do que do show em si. Gosto de como soa a passagem de som, ver a montagem e as pessoas circulando, barulho de ferramenta e maquinário, as conversas gritadas à distância.
Neste livro, pessoas autoras que fazem parte desse processo no seu dia a dia passaram por um outro agora, mais difícil: o da escrita. Muitos aqui já tinham feito esse mergulho de contar sobre si em sala de aula. Mas contar em um texto, afinal, quem você é na fila do pão, e se colocar em posição de mentoria ou guia para quem quer saber sobre esse mundo fechado, ganha contornos quase psicanalíticos.
Trouxemos especialistas em entrevistas e textos que colocaram na roda suas visões, seus modi operandi, construídos em muitas horas de trabalho em uma vida na estrada.
O mais interessante foi ler os textos e conseguir ouvir a voz das pessoas dizendo aquilo. Creio que conseguimos a façanha de trazer as paixões, desejos e algumas vulnerabilidades de maneira honesta e sutil dentro dos relatos profissionais.
Foram dias intensos, com a edição precisa da Mirna Wabi-Sabi, que assina também alguns textos e traduções, um trabalho meticuloso da Juliana Negri de Mello no material didático e conversas com esses personagens instigantes, habituados a ser invisíveis, enquanto você toca.
Enquanto Você Toca
Guia Comentado e Biografia Coletiva do Showbusiness
On Stage Exp
Projeto financiado pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas – ProAC contemplado no edital 45/2023.
Publicado pela Plataforma9
Direção e produção gráfica por Mirna Wabi-Sabi
Niterói, Brasil.
14 de dezembro, 2024
ISBN: 979-8-3492-9661-1 (Versão digital)
plataforma9p9.com
plataforma9p9@pm.me
Concepção e organização: Fabiana Lian
Conteúdo didático: Juliana Negri de Mello
Edição e tradução: Mirna Wabi-Sabi
Revisão: Nina Lian Leite e Jotapê Martins
Contribuição: Equipe On Stage EXP e convidados
Arte e capa: Beto Nejme
Assistente de projeto: Gabriela Prado
Administrativo Financeiro: Debora Campos Cadi
Assessoria de imprensa: Agência Taga
Comunicação digital: Agência O Raio e Verttice – Agência de Marketing Musical
Assessoria jurídica: Falcão de Andrade e Batista sociedade de advogados
Assessoria contábil e fiscal: CSC Contabilidade
Prestação de contas: Gustavo Valezzi
A white paper with black text Description automatically generatedNota editorial
Selvagem e loucamente amado
Mirna Wabi-Sabi, Plataforma9
Embora diversos seres vivos experienciem música, ela é uma característica fundamental da experiência humana. Como tudo que é tocado por seres humanos, a indústria da música é imperfeita. É um lugar onde o capitalismo é ‘selvagem’, há escassez de diversidade, direitos trabalhistas já foram infringidos, e a corrupção já esteve presente. Mesmo assim, esse universo é apaixonante, magnético, e impossível de abandonar. Este livro é para essas pessoas apaixonadas, e passa a seguinte mensagem:
Você merece ocupar o seu espaço no mundo da música, e você pertence aqui.
Índice
Nota editorial
Selvagem e loucamente amado
Mirna Wabi-Sabi, Plataforma9
Dedicatória
Prefácio
Showbusiness, um planeta de teimosos
Fabiana Lian
Capítulo 1 – A Estrutura da Indústria
Introdução
Fabiana Lian
O Entretenimento
Linha Do Tempo
Entretenimento Ao Vivo No Brasil
Década de 1980
O Rock in Rio
Década de 1990
A virada do milênio e os anos 2000
Década de 2010
A pandemia de COVID-19
O entretenimento ao vivo no Brasil pós-pandemia
O mundo está em ‘modo beta’
Phil Rodriguez – Entrevista
Um Negócio em Movimento
Fan-centric business
Stakeholders
Quem É Quem na Indústria do Entretenimento ao Vivo
Se recusando a fazer mais do mesmo
Fabiana Lian
A fórmula do sucesso é entender que o sucesso não tem fórmula?
Felipe Simas
Capítulo 2 – Artista e Empresário
Introdução
Levanta a mão quem ficou arrasado após a morte da Rita Lee? E a do Bowie?
Fabiana Lian
Artista e Empresário
O Caminho Ideal
1. Concepção Criativa e Desenvolvimento Artístico
2. Lançamento e Promoção Inicial
3. Construção de Base de Fãs e Expansão da Audiência
4. Consolidação e Crescimento
5. Expansão Internacional e Turnês de Grande Porte
6. Pós-venda e Gestão da Carreira
Processos Criativos
Exemplos de Processos Criativos
Taylor Swift
Luiza Lian
O Processo de Produção
Ensaios
A Escolha Do Profissional De Produção Musical
A Função Do Profissional De Produção Musical
Publishing
Quem São As Gravadoras
O Que A Gravadora Faz?
E o Que São Selos?
Selos Independentes
A Ascensão da Mídia Digital
Inteligência Artificial
A Música Digital no Brasil
Certificações Digitais
O Papel do Empresário
Como Tudo Mudou
Empresários Versáteis
Empresários Artistas
Estar em Todas as Frentes Do Negócio
Aspectos Comerciais / Artísticos
Aspectos Promocionais
Aspectos Jurídicos/Administrativos
A Relação Entre Artistas e Empresários
Esse Profissional Cuidador de Carreira
Fabiana Lian
‘Empresário’ ou Manager?
André Bourgeois
Um Olhar Sobre a Saúde Mental de Artistas
Desafios Contemporâneos de Managers
Tempo de Tela e Exposição Constante
Hate e Críticas Excessivas Online
Pressão Para Sucesso Comercial e Perfeição de Imagem
Equilíbrio Entre Vida Pessoal e Vida Profissional
Promoção da Cultura de Uma Boa Saúde Mental
A Equipe Ideal
Foco no Acordo 360º
Casos de Sucesso
Casos da nova geração
Anitta
Emicida
Ludimilla
Jão
Nossa Melhor Arma Contra a Desigualdade
Fabiana Lian
A Maior Força do Artista Sem Recursos é Comunidade
Ciça Pereira
Capítulo 3 – Contratando a atração
Credibilidade e Redes
Fabiana Lian
Linha do Tempo
O Caminho do Booking
O Planejamento
Rider Contratual
Manager e Agente – É Tudo a Mesma Coisa?
Produtor Não é Canivete
Fabiana Lian
Carreira internacional – quem banca?
Ricardo Rodrigues
Crescimento profissional e cultural
Demandas e oportunidades visíveis
A visão estrutural de internacionalização
Quem é a Empresa Promotora ou Contratante
Capacidade de Análise
Os Tipos de Proposta de Booking
Bid Sheet e os Principais Itens de Uma Planilha de Oferta
Os Principais Mercados de Shows
América Latina
Brasil
Mercados emergentes
Curadoria e lineup
Tornando Um Festival de Música Atraente
Capítulo 4 – Produção Executiva
Gestão de gente, processos e crises
Fabiana Lian
Produção Executiva
Planejamento de Produção
Checklist da Produção Executiva
A Abelha Rainha
Fabiana Lian
Produção executiva, Do Zero ao Bis
Letícia Frungillo
A Escolha dos Perfis Profissionais
O Organograma Interno de Produção
Profissionais envolvidos
Acompanhamento Jurídico
Relação com Fornecedores
Cronograma de Produção
Taxas e Impostos
Dicas Para Produzir Um Show de Sucesso
Inventora
Fabiana Lian
Como ser uma Storymaker
Mariana Ribeiro
Capítulo 5 – Backstage
Como em Casa
Fabiana Lian
Privacidade e conforto para quê?
Backstage
Equipe e organograma
Como organizar a casa do artista
Especificação de orçamentos de backstage
Gestão de montagem do backstage
Principais expressões e materiais utilizados
Desmontagem
Custos nos Trilhos
Comandando o Templo Sagrado
Fabiana Lian
O Coração do Show
Ingrid Berger
Capítulo 6 – Stage Management
Precisão e Arte
Fabiana Lian
Stage Manager e Produção Técnica
Organograma de produção técnica
A equipe da produção técnica
Elementos da Técnica
Energia elétrica
Rigging
Meditando nas Alturas
Fabiana Lian
O Presente da Produção
Dash Rowe
Setores da Produção Técnica
Iluminação
Sonorização
Audiovisual
Backline
Efeitos especiais
Tecnologia
Estruturas e carga
A técnica e os tipos de eventos/shows
A produção técnica em outros tipos de eventos
Um Passo a Passo do Processo de Técnica
Passo 1 – Concepção e pré-produção
Passo 2 – Montagem
Passo 3 – Checagens
Passo 4 – Evento
Passo 5 – Desmontagem
Passo 6 – Pós-produção
O Ás de Espadas na Manga
Mirna Wabi-Sabi
Entrei no Mercado da Música ao Vivo
Rogerio Souza
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres da Técnica
Fabiana Lian
A Coreografia Invisível
Aline Duda
Capítulo 7 – Casas de show
Fogo primordial de um artista: o primeiro palco
Fabiana Lian
Casas de Show
O hardware do show
Configurações de venues
Modelos de Negócio
Modelos de negócios internos
Naming Rights
Locais de nicho ou genéricos?
Facundo Guerra – Entrevista
Apenas mostrei que era possível
Capítulo 8 – Venda de Ingressos
O Intermediário Fundamental
Christopher Kansy
O Grande Negócio da Indústria
Entendendo o Público
O Processo de Vendas
Desafios e Debates
Mobile Ticketing
Dinheiro em Caixa
Taxa de conveniência
RFID e as novas tecnologias
Transformando os desafios do ticketing em inovação
Fabiana Lian
Trabalhar em ticketing é escolher a parte difícil, e isso não é necessariamente ruim
Camila Takemoto
Capítulo 9 – Planilhas Aplicadas
Afogando em Números
A personalização de planilhas
Faço Planilha para ver se a minha ideia é boa
Fabiana Lian
Planilhas como fôrmas para as ideias
Marcelo Beraldo
Capítulo 10 – Pela Sua Segurança
Cuida de Mim
Fabiana Lian
Pela sua Segurança
Estruturas e locais de atenção
Credenciamento
Um Homem na Contramão
Fabiana Lian
Me Retirei Do Showbusiness Antes Dos 50
Ricardo Ferreira
Gestão de Multidões
Monitoramento e situações de crise
Segurança Artística
Renato Silva – Entrevista
Crescendo com o Mercado
Capítulo 11 – Fluxo Operacional
Trazer o melhor possível para além do palco
Fabiana Lian
Passo a passo da operação
O Fluxo Operacional
Planejamento e estudo
Credenciamento e níveis de acesso
Equipe de frente e o ritmo da fila
Montagem: sincronicidade com demais equipes
O que acontece antes, durante e depois da fila
Desenhando Para Multidões
Fabiana Lian
O que as tragédias nos ensinam?
Paulo Dalle
Live Marketing
Operação externa
O lado jurídico de órgãos públicos
Mas... o que esse executivo veio fazer aqui?
Fabiana Lian
Estratégia e mágica: A chegada do Tomorrowland ao Brasil
Mauricio Soares
Capítulo 12 – Tour Management
O funcionamento humano da turnê sob seu comando
Fabiana Lian
Organizando para cair na estrada
Linha do tempo – planejamento de turnê
Mantendo o time alinhado, saudável e feliz
Greg Graffin – Entrevista
Astro do Rock com Vida Real
Organograma
Tour Manager
A equipe básica de turnê
Autorizações de trabalho
Logística: aéreo, terrestre, hotéis
Contra riders de hospitalidade e logística
Agenda de Compromissos
A Última Turnê
Fabiana Lian
Evandro Fióti – Entrevista
Ubuntu e a força da coletividade
Katia Abreu
Capítulo 13 – Diretor de Produção
Se a turnê fosse uma empresa tradicional,
o Production Manager seria o COO
Fabiana Lian
Diretor de produção, production manager
Planejamento e coordenação logística
Responsabilidades e escolhas
Criando o Time Perfeito
Transformar Ideias Geniais em Realidade
Impávido Diante de Problemas
Fabiana Lian
Sem dar sossego para o ‘bom o suficiente’
Christopher Kansy
Adequação de Orçamentos
Produção: Sua Língua na Estrada
Lidando com Várias Culturas
Equipe da Direção de Produção
Phil Guiliano – Entrevista
Uma longa e estranha viagem, de fato
Capítulo 14 – Live Marketing
Para além de um grande showroom de marcas
Fabiana Lian
Marketing – O relacionamento com marcas
O que a experiência faz pelo festival
O que os fãs fazem pela marca
A evolução do Live Marketing
O marketing digital no entretenimento ao vivo
Antes do evento
Durante
Depois
Briefing preliminar
Pablo Fantoni – Entrevista
Um Festival Como Uma Obra de Arte
Capítulo 15 – Comunicação Para Shows
Comunicar Também é Calar
Fabiana Lian
Comunicação é Evolução
A comunicação no Entretenimento
As mudanças nos paradigmas da comunicação
Relações públicas
Uma Cientista a Serviço da Música
Fabiana Lian
Conhecendo os Algoritmos
Dani Ribas
Redes sociais
Assessoria de imprensa
Ferramentas de Comunicação
Algumas dicas extras
Comunicação com Propósito de Prosperidade
Fabiana Lian (e Horácio Brandão)
A Culpa é da Madonna!?
Horácio Brandão
Capítulo 16 – Festivais
A importância de um público aberto a descobrir
Fabiana Lian
O Show Cresce
O Conceito do Festival
Os três pilares do festival: Curadoria, Live Marketing, Produção
Estudo de Viabilidade
Contratação de equipe
História dos Festivais pelo Mundo e pelo Brasil
Quem encarou o desafio de produzir festivais no Nordeste
Fabiana Lian
Coquetel Molotov: Como Chegamos Aqui
Ana Garcia
Ajustando Expectativas
Paola Wescher – Entrevista
Muitas Vidas na Música
Epílogo
Com a palavra, O Oráculo
Fabiana Lian
Dicas de ouro
Pena Schmidt
Agradecimentos
Fabiana Lian
Juliana Negri de Mello
Glossário
Capítulo 1 – A Estrutura da Indústria
Conteúdo didático: Juliana Negri de Mello
Assessoria de conteúdo: Fabiana Lian
Introdução
Fabiana Lian
O que você sente quando ouve o primeiro acorde? Me vi fazendo esta pergunta repetidas vezes em uma série de entrevistas que fiz com profissionais de backstage. Percebi ali, o quanto esta pergunta era minha, enquanto profissional do Showbusiness. E o quanto a resposta é o motivo de termos profissionais persistentes em uma indústria que nem sempre nos trata bem.
O primeiro acorde é o momento em que temos certeza de que tudo está no lugar. O público está acomodado, os equipamentos funcionando, toda a parte de técnica, negócios e logística trabalharam até aqui, para dar espaço ao intangível que a arte é capaz de proporcionar.
Se o público está ali, seguro e respirando fundo para mergulhar em um show, é resultado de uma cadeia de relacionamentos: promotores, artistas, empresários, advogados, tiqueteiras, diretores de produção, fornecedores de som e luz, equipes e ferramentas de marketing e uma lista extensa de posições e stakeholders colocam este avião no ar.
No ecossistema do entretenimento, cabem quase todas as expertises. Seja você especialista em TI, nutricionista ou engenheiro, há um caminho nesse mercado monumental. Em nosso primeiro capítulo, vamos entender a estrutura da indústria ao vivo. Será nosso Norte para seguirmos esmiuçando nosso negócio.
O Entretenimento
As pessoas acham engraçado que eu gosto tanto de sonhar. Eu só uso isso como uma forma de entretenimento. (...) Quer dizer, metade do tempo estou andando por aí sonhando de qualquer maneira.
(Robert Smith)[2]
Nos últimos anos, o mercado de entretenimento no Brasil tem crescido de forma notável, tanto que, de acordo com relatório do IPFI,[3] voltou para o ranking dos dez maiores mercados de música no mundo.[4] No entanto, para analisarmos essa indústria emocionante, é essencial primeiro definir o que entendemos por indústria do entretenimento
.
A indústria do entretenimento abrange todas as empresas que contribuem para a cadeia de valor de produtos ou serviços de entretenimento. Estes podem ser definidos como qualquer atividade destinada a divertir e/ou entreter as pessoas em seu tempo livre.
Assim, podemos dividir o mercado de entretenimento em sub-indústrias. Embora todas se encaixem na definição do que é a indústria do entretenimento, elas apresentam grandes diferenças tanto nos meios pelos quais são consumidas quanto nas peculiaridades de cada mercado.
Linha Do Tempo
Entretenimento Ao Vivo No Brasil
Década de 1980
Antes dos anos 1980, durante a ditadura militar, o Brasil começou a receber seus primeiros grandes shows internacionais. Um exemplo disso foi a primeira apresentação de rock internacional: Alice Cooper levou mais de 150 mil fãs ao Anhembi (São Paulo)[5] durante a vigência do AI-5[6]. O primeiro grande marco no universo dos shows internacionais no Brasil, no entanto, foi o Rock in Rio 1985. Pela primeira vez, o país viu um festival de proporções internacionais, com artistas de todo o mundo ansiosos para sua primeira apresentação na terra de Tom Jobim. Antes disso, o empreendedor Roberto Medina foi um dos principais responsáveis por abrir o mercado de entretenimento ao vivo para shows internacionais. Ele trouxe Frank Sinatra ao país em 1980, que tocou para um público de 175 mil pessoas no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Naquela década, a precariedade no Brasil em grandes produções era evidente: infraestrutura ruim, equipamentos decadentes, falta de credibilidade e ausência de profissionalização. Foi a partir desse ponto que o entretenimento ao vivo no Brasil começou a ser levado a sério pelos profissionais de produção.
O Rock in Rio
É impossível contar a história de como o Brasil foi colocado no mapa pelos maiores artistas do mundo sem uma pausa para falar sobre o Rock in Rio. No meio da década de 80, era difícil pensar em uma fórmula de sucesso pronta para o entretenimento em terras brasileiras. Mas o empresário Roberto Medina, arriscou e cunhou sua própria receita de sucesso.
Em 1985, com o país ainda engatinhando rumo à volta da democracia, nascia o Rock in Rio – e, pela primeira vez, um país da América do Sul abrigou um evento musical de tamanha magnitude. A primeira edição aconteceu no que hoje conhecemos como Cidade do Rock, construída ao longo de 250 mil metros quadrados no bairro de Jacarepaguá. Na época, foram 10 dias de festival, com um público que já começou quebrando recordes: quase um milhão e meio de pessoas puderam ver grandes atrações como Queen, AC/DC, James Taylor, George Benson, Rod Stewart, Yes, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. Isso sem falar em algumas das principais estrelas nacionais, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Rita Lee e toda uma geração do rock nacional que emergia como Paralamas do Sucesso, Blitz, Kid Abelha e Barão Vermelho. Foi na primeira edição do festival que aconteceu o icônico momento entre Freddie Mercury e os fãs durante Love of My Life
. Algumas pessoas ainda discordam, mas é possível concluir que foi a partir de 1985 que o país de fato entrou na rota dos grandes shows internacionais.
Em 1991, a segunda edição foi realizada no Maracanã e reuniu 700 mil fãs. Os destaques foram a estreia do Guns N' Roses no Brasil, a apresentação de Santana com Djavan e Gilberto Gil, e o A-ha, que atingiu um recorde de público com 198 mil pessoas.
Dez anos depois, em 2001, a Cidade do Rock foi reaberta para receber 250 mil pessoas por dia. Na terceira edição do Rock in Rio, além da música, o festival apresentou discussões socioambientais, com foco em educação e cidadania. A abertura contou com um movimento de comunicação que silenciou mais de 3.500 emissoras de rádio e TV por 3 minutos; uma manifestação para incentivar a reflexão sobre como transformar o planeta. Esse ano também consolidou o Rock in Rio como marca.
Em 2004, o Rock in Rio embarcou para a Europa em sua primeira edição fora do país, em Portugal. Com um lineup que incluía nomes como Paul McCartney, Metallica, Peter Gabriel, Alicia Keys, Black Eyed Peas, Britney Spears, Foo Fighters e Kings of Leon, o festival foi um verdadeiro sucesso e ganhou outras edições, passando a ser realizado a cada dois anos.
Em 2008, o Rock in Rio continuou com sua expansão pela Europa: além de Portugal, onde originalmente nasceu o conceito do palco Sunset,[7] o festival chegou a Espanha. Já em 2015, o festival teve uma edição em Las Vegas. O lineup foi bastante comentado pela imprensa e pelos fãs, com apresentações de Taylor Swift, Bruno Mars, Linkin Park, No Doubt, John Legend, Jessie J e Foster The People.
Alguns números do Rock in Rio:[8]
● 22 EDIÇÕES desde 1985
● 3816 artistas escalados
● 11.2 MILHÕES de pessoas na plateia
● 73MILHÕES de árvores garantidas à Amazônia
● 130 DIAS de festival desde 1985
● 28 MIL empregos gerados em 2022
● + 122MILHÕES de fãs online
● + 64 MILHÕES de pessoas alcançadas nas redes em 2022
Década de 1990
Os primeiros grandes festivais começaram a surgir e consolidar sua presença no mercado brasileiro beneficiados pelas primeiras edições do Rock in Rio.
Eventos patrocinados por grandes marcas marcaram essa década: Hollywood Rock, Skol Rock, Phillips Monsters of Rock e Close Up Planet, além do Free Jazz Festival, passaram a integrar o calendário anual do Rio de Janeiro e de São Paulo, que buscava se posicionar no mercado como a capital anfitriã dos grandes shows internacionais.
Foi a partir de São Paulo que promotores locais começaram a arriscar e levar alguns dos headliners[9]desses festivais para outras cidades. No Sul e Sudeste, Curitiba e Porto Alegre passaram a ter uma maior frequência de shows. Timidamente, algumas poucas cidades do Nordeste também começaram a receber alguns artistas.
Nessa mesma época, as gravadoras e seus grandes lançamentos dominavam o mercado e controlavam a indústria de entretenimento com a comercialização de CDs, uma mídia física que deixou sua assinatura tecnológica, com valores mais acessíveis ao público.
A virada do milênio e os anos 2000
O entretenimento ao vivo passa a ser visto como um grande negócio. Junto com ele chegam os grandes competidores do mercado que, mais tarde, abriram espaço na cauda longa da música para promotores menores. Um novo nicho de mercado, profissionalizado e gerando cada vez mais empregos, passa a ganhar força no Brasil.
Essa época coincide com a explosão do fenômeno da internet com as constantes brigas e questionamentos sobre a música digital e pirataria, o que popularizou artistas e estilos musicais que até então tinham menos exposição na mídia. O boom das gravadoras é substituído por uma queda em vendas por conta da disponibilização de músicas na internet e então, a indústria fonográfica passa a tentar entender seu momento e a pensar em soluções para sair da queda livre nas vendas em que se encontrava.
Década de 2010
É nessa década que os serviços de streaming ganham força e chegam como uma alternativa à pirataria de músicas, revolucionando o mercado.
Os shows passam a ter uma importância ainda maior no mundo inteiro. No Brasil, isso se refletiu no volume de apresentações. Artistas que deixavam o Brasil de lado no momento de fechar suas rotas compreenderam que as dimensões e gostos do consumidor de música brasileiro permitem turnês de portes diferentes.
A partir de 2011, a América do Sul finalmente entra na sazonalidade oficial dos artistas, que atualmente comportam-se como passarinhos: voam para onde o sol bate mais forte. O primeiro semestre recebe alguns artistas, mas o segundo semestre, especialmente nos antigos anos ímpares (anos de Rock in Rio) os shows internacionais passam a invadir as grandes capitais, expandindo seus horizontes para cidades que recebiam apresentações com menos frequência como Brasília e Fortaleza.
Desde 2014, porém, o mercado de entretenimento foi ameaçado por uma série de crises políticas e econômicas, e o país experimentou a incerteza dos promotores: nomes que poderiam ser sucessos de vendas acabaram se tornando shows fracassados em termos de lucro; investimento em cotas de shows e festivais tornaram-se opções atraentes para as marcas e, de certa maneira, acabam salvando parte desse mercado. A partir daí, casos de live marketing[10]de grandes marcas ganharam força.
O ano de 2017 acabou por surpreender todo o mercado: recordes de público no festival Lollapalooza,[11] vendas de quatro shows do U2 esgotam-se em tempo recorde[12] e um segundo semestre carregado de shows bem-sucedidos, num ano em que o Brasil buscava a saída para a recessão em que mergulhou. Nesse mesmo ano, a Live Nation, que cumpria um contrato de parceria de 10 anos com a Time For Fun, abre oficialmente operações no país e em 2018, adquire parte do Rock In Rio,[13] mantendo, no entanto, a família Medina à frente do negócio.
A pandemia de COVID-19
Em 2015, o Brasil ficou em primeiro lugar no ranking dos maiores mercados de entretenimento e música da América Latina. Como vimos anteriormente, a década de 2010 trouxe avanços e bons números para o nosso entretenimento ao vivo. No ranking global, o país ocupava a oitava[14] posição e, em 2020, esperava-se que subisse um degrau no ranking.
É inegável que a pandemia de COVID-19 teve impactos econômicos significativos e transformou radicalmente o entretenimento ao vivo no mundo. Esse setor da economia foi o primeiro a interromper suas atividades após a declaração de pandemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em março de 2020. Junto com as indústrias de turismo, hotelaria e serviços, o entretenimento ao vivo foi o mais atingido pelo cancelamento repentino de shows, feiras, exposições, espetáculos e musicais, resultando em prejuízos quase incalculáveis.
O efeito cascata de cancelamentos foi devastador no mercado mundial. No início de abril de 2020, uma pesquisa do Data Sim[15] revelou que o Brasil teve prejuízos de mais de 480 milhões de reais em cerca de um mês de pandemia. Na Alemanha, um dos quatro maiores atores no mercado musical global, o gasto mensal total do consumidor com música diminuiu mais de 45% em comparação com a pré-pandemia
.[16] Já a indústria musical estadunidense, a maior do mundo, perderia no mínimo 10 bilhões de dólares só nos primeiros 6 meses de cancelamentos de shows por conta do COVID-19.[17]
Todos os setores sofreram: artistas dispensaram seus funcionários e usaram ‘lives’ em plataformas digitais para seguirem próximos de suas bases de fãs. Essa foi a maneira encontrada para manter o mercado aquecido. As lives foram a transformação do palco do mundo físico para os pixels da tela dos dispositivos eletrônicos.
Profissionais desse mercado saíram de cena prematuramente, o que deixou uma lacuna para uma nova geração de produtores; a transformação tecnológica avançou de forma acelerada para atender aos anseios do público, que ficou sem opções de lazer por quase dois anos.
Com isso, artistas, seus músicos, parte dos funcionários e uma parcela reduzida da cadeia produtiva do entretenimento ao vivo sobreviveram no primeiro ano da pandemia, que, sem dúvida, foi o mais desafiador para a economia. Marcas também conseguiram comunicar suas mensagens patrocinando esses eventos remotos, com resultados surpreendentes.
Aos poucos, a indústria do entretenimento
