Tudo (absolutamente tudo) é espiritual: Encontrando sua paz num mundo turbulento
De Rob Bell
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Sobre este e-book
Desde jovem, Bell tinha a sensação de que havia algo maior acontecendo aqui. Que o planeta não é um lugar frio ou morto, mas que está vivo e de maneira misteriosa. Este livro é sobre dar vazão a esse sentido: ouvir, seguir e confiar nele. Algumas vezes, essa busca pode ser devastadora; outras, emocionante, mas ambas fazem parte da compreensão sobre nós mesmos e crescimento individual.
Perceber todas as forças gigantescas que estão acontecendo ao nosso redor que afeta a nossa vida diária, como o movimento dos planetas, as rotações da terra, os ciclos da vida, é o convite que o autor nos faz. Descobrir as relações entre os eventos pessoais, os sentimentos, e suas conexões com o mundo. Entender essa ligação vai mudar sua forma de enxergar a vida, a fé e o universo.
Rob Bell faz um convite para você descobrir as relações entre os eventos pessoais, os sentimentos, e suas conexões com o mundo. Todas as coisas estão conectadas!
E tudo – absolutamente tudo – é espiritual. E quando você finalmente escutar, o barulho do mundo não te interrompe mais.
Rob Bell é capaz de pegar os antigos ensinamentos religiosos e a ciência moderna e combiná-los em uma sabedoria que faz bastante sentido. Suas reflexões mexem com meu intelecto, confortam meu coração e me fazem acreditar que em todo o caos assustador do universo ainda há um lugar sagrado. Seu trabalho é um presente para o mundo.
Elizabeth Gilbert – autora do best-seller Comer, rezar, amar
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Tudo (absolutamente tudo) é espiritual - Rob Bell
everything is spiritual
text copyright © 2020 by rob bell
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copyright © faro editorial, 2021
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Diretor editorial
pedro almeida
Coordenação editorial
carla sacrato
Preparação
fernanda belo
Revisão
célia regina e gabriela de avila
Capa
renato klisman | saavedra edições
Diagramação e produção digital
saavedra edições
Logotipo da EditoraPense nos grandes movimentos que você já fez,
de uma única célula a um ser humano.
Mantenha-se ágil e siga em frente.
Rumi
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Créditos
Dedicatória
Minha avó guardava o dinheiro no sutiã.
Eu conto tudo isso sobre o lugar de onde vim, de quem venho, porque você é como eu.
Cresci em uma fazenda. Mais ou menos.
Areia, solo, água, árvores, cachorros, pedras, ursos, florestas, fardos de feno, meus pés deslizando pela superfície do lago: cresci com uma sensação visceral de conexão com a terra.
Quando eu era criança, meus pais me levavam à igreja. Não achava muito inspiradora grande parte do que era dito, mas as histórias de Jesus mexiam comigo.
Não acho que eu tenha articulado dessa maneira quando criança; é provável que apenas tenha dito que senti que havia mais coisas acontecendo ali.
A família do meu melhor amigo da escola tinha uma cabana perto da nossa.
E então eu vi a Midnight Oil.
É no fim de nós mesmos que novos futuros se abrem.
A curiosidade é subestimada.
Há uma humildade embutida na curiosidade.
A curiosidade é um antídoto contra o desespero.
O nome da minha mãe é Helen, e ela cresceu no sul da Califórnia.
Um dia, estava sentado no anfiteatro do seminário, ouvindo um conceituado estudioso britânico falar sobre um assunto muito importante. Então, ele fez uma pausa e disse: algarismo romano quatro. Em seguida, continuou falando.
Lembrava um pouco uma borboleta. Você pode capturar uma e fixar suas asas para estudar as cores, a forma e o desenho. No entanto, o momento em que ela fica imóvel e você consegue fazer as observações mais precisas e detalhadas é quando a borboleta não pode mais voar.
E então Kristen Childress apareceu em Los Angeles.
Ed Dobson foi criado em Belfast, na Irlanda do Norte. Ele era baixo, tinha mãos enormes e falava lentamente com uma voz grave.
Tudo estava ficando cada vez mais interessante.
Ed, descobriu-se, tinha um segundo escritório.
Viemos de comunidades.
E então existem aqueles momentos em que alguma coisa surge dentro de você. Uma coceira, uma dor, uma ideia, uma inquietação, um desejo por mais. Uma convicção de que existe mais para você e que não está ali. Você pode ignorar, negar, fingir que não existe. Mas, ao fazer isso, algo dentro de você morre.
O terapeuta se inclina, olha nos meus olhos e diz:— Você tem corrido muito rápido, muito forte, há muito tempo.
Por volta daquela época, em um corredor nas entranhas de uma arena em Atlanta, na Geórgia, um homem que eu acabara de conhecer me disse que sua empresa fazia pesquisas de sermões para pastores famosos de megaigrejas — ele enumerou diversos deles —, e gostaria de me contar mais sobre como sua empresa poderia me ajudar.
Somos feitos da mesma matéria de todo o resto.
É como se sempre existisse alguém desde muito cedo apontando para uma escada e nos dizendo para subir.
Percebo agora o que aquela dor estava me ensinando ao participar daquelas reuniões; sentia aquela angústia ao saber que eu tinha um caminho a percorrer que não era aquele. Eu estava aprendendo sobre a alma.
Minha versão de uma história muito antiga:
Havia uma mulher na igreja chamada Carol, com quem eu conversava de vez em quando. Ela era professora de literatura em uma universidade local. Num domingo de manhã, pouco antes do início do culto, ela se aproximou de mim e disse: — Você é um místico.Em seguida, apontou para as pessoas que estavam ocupando seus lugares e acrescentou: — E eles ainda não perceberam.
O Espírito precisa de forma. Aquela era uma verdade gigante que eu tateava. O Espírito precisa de forma e a forma precisa do Espírito. Aquela era outra verdade que eu descobria. Ambas são necessárias.
A última coisa que Jesus veio fazer foi criar outra religião.
Estava com uma mãe e um pai cujo filho lutava pelo Exército americano no Iraque. Nós nos reunimos porque nos domingos anteriores eu tinha ministrado uma série de ensinamentos em protesto contra aguerra. Esses pais tinham muitas perguntas para mim.
Continuei lendo a Bíblia e ela continuou me lendo.
E então o presidente George Bush pousou no convés daquele porta-aviões, declarou que a missão estava cumprida e citou um versículo da Bíblia.
Eu não precisava me afastar do que moldou e fortificou minha vida de inúmeras maneiras porque alguém, em algum lugar, a depravou e blasfemou.Eu podia apostar nisso.
Insistir que as coisas são assim mesmo é deixar de ver que a grande dádiva da existência humana é seu poder de mudança.
Comecei a frequentar uma academia de boxe.
No entanto, esse não é um obstáculo que superamos, mas uma verdade com a qual fazemos as pazes.
Concretude — a realidade sólida e material em que você pode confiar porque consegue segurá-la, vê-la e senti-la —, as coisas e a matéria são, no final, relações de energia.
No entanto, agora sabemos que não existe linha.
Este universo que chamamos de lar é um fenômeno participativo.
Eu tinha ouvido histórias a respeito de um padre irlandês chamado Jack durante anos.
Quando nos levamos muito a sério, isso atrapalha o que estamos tentando fazer com tanta seriedade.
Ofereça o dom e renuncie ao resto.
Você não terá mais nada a oferecer além do que entregou a si mesmo.
Seu poder é importante.
Em abril de 2011, Kristen e eu estávamos em uma festa em Nova York. Então, um homem se aproximou e começou a conversar conosco. Ele era encantador e gentil, e me fez muitas perguntas. Algo nele me era familiar, mas não consegui identificar o quê.
O Espírito costuma estar à espreita naquilo que você mais detesta.
Os fins costumam ser ruins. Dolorosos. Embaraçosos. Desagradáveis. Os fins também podem ser bons.
Esses padrões reforçam a verdade para nós, um ano depois do outro, de que tudo tem começo e fim, e de que isso é uma parte natural das coisas.
O Espírito costuma expor as suposições com as quais vivíamos e também aquelas das quais não tínhamos consciência.
O Espírito costuma nos mostrar as maneiras pelas quais nos submetemos sutilmente à crença de que as coisas são assim mesmo.
O Espírito nos mostra novas possibilidades.
Em novembro de 2012, atravessei o país de avião para falar em um evento. Estava no palco fazendo o que faço e não estava indo bem. Estava mandando mal.
Elizabeth Gilbert e eu estávamos sentados lado a lado em um palco, no estacionamento de uma arena, respondendo a perguntas do público. Alguém fez uma pergunta pessoal particularmente difícil. Houve uma pausa, Liz se virou para mim e disse: — Bem, pastor Rob, o que você tem a dizer sobre isso?
Forjamos essas identidades e em seguida nos apegamos a elas, as agarramos porque nos dão uma sensação de segurança. E então as deixamos ir e novas identidades se formam, às vezes em torno de quem somos e outras vezes em torno de quem não somos.
Mas eu sou, Ser em Si, nos convida a possuir cada centímetro quadrado de nossa história.
Início de 2016, estava em uma turnê na Austrália e fui ao teatro para a passagem de som. Ao subir no palco, vi que havia um vão à frente que descia de seis a nove metros, criando um imenso abismo entre o nível do palco e a primeira fileira de assentos.
Alguma vez achei que chegaria a um ponto em que me moveria sem esforço? Ou que não haveria interações estranhas, obstáculos inesperados e situações bizarras para as quais não teria me preparado?
Estamos todos descobrindo infinitamente.
No princípio, há cerca de 13,8 bilhões de anos, o universo era um único ponto de massa infinitamente comprimida.
Pertencer é o estado natural do universo.
Todas as exclusões só ocorreram dentro de uma inclusão maciça.
Há uma direção no que tem acontecido no universo.
O vir a ser é seu estado natural.
Seria mais fácil se alguém simplesmente nos contasse.
Seria mais fácil se alguém simplesmente descobrisse por nós.
Seria mais fácil se o universo fosse um lugar mais estático para chamar de lar.
Alguém pode só me mostrar o mapa?
É fácil se conformar com terreno sólido.
Passamos muito tempo procurando e ansiando por terreno sólido, mas acabamos descobrindo que há algo melhor do que isso.
Como você chama isso?
As formas animadas não ficam presas em si.
Tudo faz parte.
O seu testemunho do sofrimento afetou a experiência de sofrimento do seu amigo.
Há chuveiros na praia perto de onde eu surfo.
Cada parte em todos os lugares existe dentro de um todo. Todas as divisões ocorrem dentro de uma unidade.
Alguma coisa não está funcionando no modo como organizamos nossa vida em comum para um número crescente de pessoas.
Porque, se não está funcionando para algumas pessoas, no final das contas, não está funcionando para ninguém.
Temos um problema com as escadas. Elas estão encostadas nos prédios errados. Algumas não estão encostadas em nada.
Você parou de enxergar partes isoladas e começou a vê-las como um todo, em que tudo está relacionado com todo o resto.
No outono de 2017, escrevi uma peça. Nunca tinha escrito uma peça antes.
Aos poucos, comecei a ver que tudo está planejado em favor do nosso crescimento.
Estou aprendendo que a vida se encontra em tudo isso.
Em janeiro de 2019, tive uma ideia para um livro.
Quando eu olhar fundo o bastante dentro de você, vou me encontrar. Quando eu olhar fundo o bastante dentro de mim, vou encontrar você.
Mais tarde, naquele verão, fui para São Francisco em uma das escalas da minha turnê de palestras. Estava sentado em uma banqueta e recebi pessoas que chegaram duas horas mais cedo para uma sessão de perguntas e respostas antes da apresentação.
O momento em que eu me encontro em você e você se encontra em mim.
Anos atrás, falei em um evento em Chicago organizado pela revista Time.
Porém, a morte não entra abruptamente quando a vida acaba, a morte está presente em toda a criação, em cada passo do caminho.
Porque os fins sempre geram começos.
Se chamamos de amor o que acontece em estágios avançados das formas mais complexas, como sua mãe e seu pai e você e eu, devemos chamar de amor o que acontece antes, com formas menos complexas, como átomos e moléculas?
É agosto de 2019 e estou em uma zona rural na Dinamarca, observando o campo que termina no mar.
Agradecimentos
Faro Editorial
Minha avó guardava o dinheiro no sutiã.
Eu pedia a ela vinte dólares, e ela enfiava a mão no bojo, tirava algumas notas e perguntava:
— Tudo bem uma de dez e duas de cinco?
Em meados dos anos 80, quando eu estava no ensino médio, costumava visitá-la na fazenda dela. Morávamos no subúrbio de Lansing, capital de Michigan, situada no centro do estado. Eu dirigia o nosso Oldsmobile até a zona rural e parava na entrada da garagem da sua antiga casa de fazenda, cercada por celeiros, pastagens e campos. Então, Gunner, o cachorro, dava uma volta ao redor do carro e fazia xixi nos quatro pneus. Minha avó costumava preparar o jantar e depois nos sentávamos na varanda, em cadeiras de vime.
Lembro-me do vento que soprava pelos campos e movia os carrilhões pendurados nos beirais da varanda. Às vezes, conversávamos; outras, ficávamos sentados em silêncio por longos períodos. Eu estava naquele intervalo de tempo entre ser menino e ser homem, tentando entender quem eu era e para onde estava indo, cercado por todos os dramas e insanidades do colégio.
Tudo ao meu redor era classificado. Havia os melhores alunos, os melhores atletas e os garotos mais descolados, que eram convidados para as festas. Para onde quer que eu olhasse, havia alguém melhor. Alguém mais inteligente, alguém mais rápido, alguém mais sintonizado com os códigos ambíguos que separavam quem os entendia dos outros. Vivia com a angústia permanente de que estava meio passo atrás, acossado por algumas perguntas:
Tenho o que é preciso? Algum dia encontrarei o meu lugar? Sou bom o suficiente?
Mas então eu me sentava ali, em uma daquelas cadeiras de vime, e essas dúvidas desapareciam temporariamente. Ficava ouvindo o vento e, naquele lugar, tudo parecia bem, mesmo que não estivesse.
Em um sublime estado de graça, sentia a ausência de palavras ali na varanda, em que a presença do outro comunicava um mundo de verdade sem a necessidade de palavras.
Às vezes, minha avó me contava sobre o grande amor de sua vida: seu primeiro marido, Preston, pai do meu pai. Na Segunda Guerra Mundial, Preston serviu em um porta-aviões no Oceano Pacífico. No dia em que voltou da guerra, ele entrou em casa, cumprimentou sua família, deixou suas malas e saiu de casa para encontrar um emprego, para o qual ele foi logo pela manhã seguinte. As histórias que minha avó contava sobre Preston eram como aquela: cheias de ação e propósito. Não era um homem que ficava sentado esperando as coisas acontecerem. Ele ficou com câncer durante a guerra e morreu aos trinta e quatro anos.
Segundo meu pai, ninguém contou a ele nem ao seu irmão, Douglas, a gravidade da doença do pai deles. Certo dia, o tio do meu pai apareceu e disse que precisava levá-lo a um lugar. Meu pai se sentou no banco traseiro do carro, viu seu primo ao seu lado e perguntou:
— Para onde estamos indo?
— Seu pai morreu. Estamos indo para a funerária — o pri-mo respondeu.
Quando chegaram à funerária, disseram ao meu pai que ele não podia chorar porque todos estavam felizes de o pai dele estar no céu naquele momento.
Na época, meu pai tinha oito anos e Douglas, seis.
Aos dezessete anos, meu pai se envolveu em um acidente junto com meu tio. Douglas ficou gravemente ferido, e o resgate veio atendê-lo. Antes de a ambulância sair para o hospital, minha avó embarcou com meu tio, deixando meu pai no local. Na manhã seguinte, ele ficou sabendo que o irmão tinha morrido. No enterro, disseram ao meu pai para ele não derramar nenhuma lágrima, porque estavam felizes de Douglas estar no céu.
Eileen era o nome da minha avó e Rob o do meu pai. Desde muito jovem, eu podia sentir a história entre eles. Era de amor, sim. De lealdade, com certeza. Mas também existia uma melancolia persistente, um pesar silencioso que pairava entre os dois. Na cultura de onde vinham, as pessoas não falavam dos seus sofrimentos. As principais mensagens assimiladas eram mais no sentido de seja bom, siga em frente, cumpra as regras e confie que tudo isso é algum tipo de plano divino.
Assim eles fizeram.
Juntos, haviam sofrido uma perda indescritível, que os unira, mas era uma união marcada para sempre por essa perda.
Assimilei todo aquele pesar silencioso flutuando entre minha avó e meu pai, e desde muito jovem só queria fazê-los rir.
É disso que me lembro. Que eu fazia minha avó rir. Fazia meu pai rir. Se conseguisse fazê-los dar risada até chorarem de rir, sabia que tinha feito algo bom.
Eileen acabou se casando de novo, mais ou menos na época em que meus pais se casaram. Seu novo marido era fazendeiro.
Ele era um homem bom, mas não muito presente. Ele já desistira havia muito tempo.
Eileen e eu ficávamos sentados naquela varanda e ouvíamos o vento, enquanto ele ficava sentado em sua cadeira dentro da casa, vendo televisão.
Ali ela ficava, naquela fazenda, com um homem que passava a maior parte de seus dias sentado numa cadeira.
E então eu aparecia, irrompendo com toda a minha angústia, dor, curiosidade e risadas naquela casa de fazenda silenciosa, naquele casamento sem vida. Eu via o que estava acontecendo ali, o que éramos um para o outro.
Eileen não era uma pessoa efusiva, mas eu
