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Teoria e Clínica Inspiradas em Sándor Ferenczi
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Teoria e Clínica Inspiradas em Sándor Ferenczi
E-book270 páginas6 horas

Teoria e Clínica Inspiradas em Sándor Ferenczi

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Sobre este e-book

Falar de Ferenczi, bem como pensar construções a partir de seu pensamento, em primeiro lugar, exige o mínimo de sensibilidade. Não estou falando daquela sensibilidade romântica, idealizada, mas me refiro a um afeto que bordeja a empatia e o bom senso. Em segundo lugar, a perspectiva de Ferenczi está ligada à originalidade que, de maneira alguma, ignora a tradição. E, em terceiro (e último) lugar, debruçar-se sobre a obra ferencziana demanda certo grau de ousadia que, por sua vez, destoa completamente da arrogância. Todas essas características são abarcadas por Marcos de Moura Oliveira neste livro, que se propõe a nos apresentar uma clínica inspirada em Ferenczi de maneira honesta, rigorosa e bastante original. Tais atributos são essenciais para uma psicanálise viva e pulsante, e vale lembrar que: em tempos de tanta repetição, o leitor tem em suas mãos um deleite ao nosso ofício (im)possível! Alexandre Patrício de Almeida Psicanalista, mestre, doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e finalista do prêmio Jabuti (2023).
IdiomaPortuguês
EditoraEditora Appris
Data de lançamento15 de dez. de 2024
ISBN9786525069463
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    Pré-visualização do livro

    Teoria e Clínica Inspiradas em Sándor Ferenczi - Marcos de Moura Oliveira

    Introdução

    Mas não se equivoque comigo. Nenhum escritor é inocente, eu também não... Confesso que quero mesmo é fazer sua cabeça [...]. E, apesar de mim, me queira bem. (Darcy Ribeiro, em O Brasil como problema).

    Inicio com a inspiradora fala de Darcy Ribeiro ([1995] 2023), para relembrar o caminho contrário à neutralidade do analista, tão caro e tão presente aos leitores de Ferenczi. Em tempos atuais, para além de ‘não neutra’, poderíamos acrescentar ao interesse da psicanálise a contrariedade às questões supostamente apolíticas.

    Alguns poderiam dizer que o desejo do analista, do professor, do escritor, de querer influenciar de alguma forma para ter validadas suas ideias, vai contra a psicanálise como prática emancipadora. Quanto a isto, poderia simplesmente argumentar o impossível de educar, governar e analisar (Freud [1937a] 2006), dado que as aptidões necessárias ao desempenho dessa função são humanamente inatingíveis, e que, em nossos melhores momentos, aproximamo-nos do objetivo tal qual a pedra de Zenão¹.

    Por outro lado, em um espírito profundamente ferencziano, sabemos que a vida, o desejo e a intenção do analista são muito importantes para que o processo ocorra. Não para fazer do sujeito que recebe a análise, ou a escrita, um vassalo, mas muito pelo contrário. O processo de construção se faz entre duas pessoas vivas. É extremamente necessária a vivacidade do escritor e do analista para que o leitor ou paciente possa, em uma relação de confiança, escolher e interpretar se e como deve integrar os elementos ofertados a si.

    Se, conforme José Bleger (1988) defende, as instituições performam o mal ao qual se propõem a combater, é no encobrimento das próprias aspirações que analistas e escritores acabam, muitas vezes em contrariedade ao próprio desejo, colaborando para a formação de uma nova geração neutra, normopata e, um dos maiores males da atualidade, isenta.

    Poderia dizer que desde o término da graduação em psicologia eu realizo a escuta psicanalítica em consultório particular. Isso seria uma meia-verdade que injustamente me daria um mérito que não condiz com as ideias apresentadas neste livro. Um período de cinco meses separa a colação de grau do início de minhas atividades clínicas. Em março de 2018, ingressei no curso de pós-graduação lato sensu em Psicanálise: teoria e técnica da Universidade do Vale do Paraíba, no qual hoje faço parte do corpo docente. Nesse curso, conheci Felipe de Paula, um amigo para a vida.

    Entre intervalos de aulas, certa vez Felipe me disse: "abre uma clínica, mano, você é bom!". Todas as vezes que lembramos disso em alguma conversa ele fala como se essas palavras fossem muito pouco, mas não são. Em maio do mesmo ano, comecei a exercer a escuta psicanalítica. Nesse mesmo ano, conheci a psicanálise de Sándor Ferenczi, e, de lá para cá, foram ininterruptos os estudos, novos projetos, novas amizades, e uma satisfação enorme de sentir que encontrei um lugar onde posso ser eu mesmo.

    Se pensarmos em uma psicanálise mais ortodoxa, guiada pela neutralidade do analista, pode parecer contraditória esta descrição: um lugar onde posso ser eu mesmo. Por outro lado, este é o eixo motivador para a escrita de uma clínica inspirada em Sándor Ferenczi.

    Recordo-me que, no início deste percurso em psicanálise, eu tinha uma sensação constante de que as pessoas não ensinavam, ou sequer comentavam sobre o que o analista faz em uma sessão de análise além da tal escuta e recortes bem definidos de interpretações e intervenções bem-sucedidas. Tinha a impressão constante de que os psicanalistas queriam esconder o ouro, guardar o segredo de suas atuações apenas para si mesmos. Mesmo em supervisão, via de regra, você abre seus segredos ao supervisor para que este analise sua condução, mas sem uma troca genuína de experiências por parte de quem está no poder.

    Hoje, talvez um pouco mais maduro, e tendo conquistado a intimidade de alguns colegas que me falam sobre suas clínicas, percebo, tanto que essa regra tem suas exceções, quanto que há outro motivo muito mais potente para esta inibição em falar abertamente sobre o exercício da psicanálise que esconder o ouro: o medo da retaliação.

    Seja na perna psicanalítica da análise pessoal, da supervisão, ou da transmissão por meio de estudos, o analista é visto como detentor do suposto saber. A totemização da figura mais experiente acarreta sua desumanização, uma não tolerância a falhas. Qualquer praticante de psicanálise, dos iniciantes aos mais experientes, sabe, em seu íntimo, que muitas vezes precisamos rebolar com situações difíceis para poder sustentar a clínica psicanalítica, e este histórico inclui tanto improvisos, quanto erros ocasionais. Mas a constante apresentação recortada em vinhetas clínicas de sucessos dos nossos pares, somadas à masturbação teórica que reproduz citações sem uma tradução real de seu significado à prática clínica, constrange qualquer narrativa que se afaste disto ao silêncio.

    Poderíamos dizer que a psicanálise, ao longo de sua história, encarregou-se de desmentir, no sentido ferencziano, tudo aquilo que pudesse revelar suas fragilidades.

    Por outro lado, já em 1900, oito anos antes de Sándor Ferenczi iniciar seu trabalho em psicanálise, ele publicou um inspirador ensaio chamado Dois erros de diagnóstico, no qual declara:

    As tradições mais antigas fingem que os erros estão na base do aprendizado mais profícuo. De fato, guardamos zelosamente para nós mesmos as lições que tiramos de nossas experiências com o objetivo de parecermos sábios e infalíveis aos olhos de nossos pares. Isso se aplica à vida social, mas é igualmente verdade para a prática médica. A maioria dos estudos de caso publicados em revistas especializadas são prestações de contas cujos diagnósticos são estabelecidos com um grande rigor e precisão, sempre preparados na hora certa e acompanhados de observações minuciosas. É muito raro falarmos dos erros que cometemos na nossa prática cotidiana e, quando é o caso, preparamo-nos para acumular desculpas defensivas, quando é evidente que, no preciso momento em que tudo foi estabelecido, outro diagnóstico era simplesmente impensável (Ferenczi, [1900] 2022, p. 39).

    Por temor ao erro, e de um possível ridículo que o acompanha, a ousadia é comprometida, e seguimos, cada um, solitários em suas clínicas observando os sucessos declarados uns dos outros, encobrindo quaisquer métodos alheios à cartilha psicanalítica a qual fomos submetidos, tal qual uma foto com o melhor ângulo para ser postada no Instagram.

    Pergunto-me o porquê das barreiras colocadas a uma psicanálise verdadeiramente implicada e humanizada. Desde o século XVIII, com Phillipe Pinel, sabemos que o tratamento humanizado auxilia na melhora dos quadros psicológicos. Também não é segredo que um tratamento humanizado se faz de humano para humano, horizontalmente, não de humano para mestre.

    Infelizmente a terapia moral de Pinel não se sustentou por razões econômicas. Custava caro manter uma equipe médica capaz de tratar os pacientes de forma humanizada, e era bem mais barato manter a política manicomial (cf. Barlow; Durand, 2015). Estariam os psicanalistas abrindo mão da humanização do tratamento por economia da própria pulsão? Sem dúvidas é mais econômico não se implicar com a dor do outro.

    A clínica de Ferenczi, por outro lado, é marcada pela experimentação, pelo rompimento com a neutralidade e assepsia do analista. Quando Felipe me deu sua aprovação para me lançar à clínica, ganhei forças, pois me sentia extremamente inadequado. Eu, um jovem de cabelos compridos e cheio de tatuagens, poderia mesmo ocupar este lugar tão majestoso do analista?

    Do mesmo modo, conhecer Ferenczi me salvou de outro sentimento de inadequação. Eu transitava dentre pares conservadores da boa e velha psicanálise, quando, secretamente, importava-me profundamente com meus pacientes, exercia a empatia, por vezes fazia coisas que eram consideradas excessos, como atender uma ligação de uma pessoa em surto aos domingos, ou acompanhar um paciente adicto até a porta de sua casa ao final da sessão, para fortalecê-lo frente ao seu medo de parar em um bar. Foi libertador descobrir que havia na história da psicanálise alguém que se permitia tais ações, senti-me finalmente autorizado quanto ao que fazia. Devo salientar também, sobre essa autorização, a importância do posfácio O Fim?, escrito por Luís, com quem tenho uma história de percurso clínico, dado que ninguém poderia melhor endossar as ideias que embasam a clínica de um analista do que alguém em sua posição.

    De lá para cá alguns anos se passaram. Os escritos que compõem esta obra retratam recortes de um movimento de exercício clínico das teorias inspiradas em Ferenczi. Após compilados, a ordem e a linguagem foram planejadas para que a fluidez possa ser sentida tanto na leitura ordenada quanto em ordem de interesse, de acordo com os títulos. Assim, nos textos que se seguem, originais em livro, vocês encontrarão uma tentativa de descrever esta prática clínica que se inspira sobretudo em um animus sanandis (Avello, 2013), um desejo genuíno de curar. Mas, sobretudo, encontrarão um esboço de teoria psicanalítica voltado aos inadequados, aos insatisfeitos que desejem realmente se implicar ativamente em suas psicanálises.


    ¹ Jacques Allain-Miller retoma o raciocínio matemático de Zenão de Eleia para formular a ideia de ‘pedra de Zenão’, que, conforme o autor, é aquela que impede qualquer ser que se move de chegar ao seu alvo (Miller, 1998, p. 23), pois, conforme a estória proposta pelo filósofo, o herói Aquiles e a tartaruga decidiram apostar uma corrida. Sendo Aquiles mais veloz, a tartaruga recebeu uma vantagem, começando a corrida em um determinado trecho adiante do herói. O paradoxo acontece porque, nessa formulação, não importa o quanto Aquiles tenha percorrido, a tartaruga também terá se movimentado, não estando mais no seu ponto de partida. Embora matematicamente esse raciocínio seja falho, filosoficamente ele representa a proximidade a que podemos chegar de um objetivo inatingível, como o bom exercício do governo, da educação e da psicanálise.

    A confluência de línguas

    ²

    Não poderia deixar de iniciar esta apresentação falando da honra que é estar aqui. No ano de 2018, como psicólogo recém-formado, conheci por meio de cursos, disciplinas de pós-graduação e grupos de estudos, a obra de Ferenczi. Nesse mesmo ano, acompanhei, com olhar atento, a movimentação dos mais proeminentes pesquisadores e comentaristas do psicanalista húngaro aqui do Brasil para se unirem como grupo, com o objetivo de representarem nosso país na 13ª International Sándor Ferenczi Network, em Florença. Desta união nasceu o Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi, que se encarregou de sediar nosso atual evento, e do qual hoje posso dizer que sou integrante, ao lado dos mesmos nomes ilustres os quais tive o privilégio de ter como professores.

    Quanto ao trabalho que apresento a vocês, devo dizer que ele é o reflexo de minha prática clínica nos últimos anos, somada ao estudo contínuo da obra de Ferenczi. Este percurso já resultou em outros textos sobre a mesma temática, entretanto, conforme nossa clínica avança no perfazer do analista por meio de seu tripé, trago hoje o que é a versão mais atual possível da confluência de línguas.

    Recordo-me que no primeiro percurso de estudos ferenczianos que participei, a cada novo texto que eu lia, ficava maravilhado. Recordo-me também que, até então, em minha clínica que era apoiada em Lacan, por vezes eu realizava intervenções que eram lidas como erradas, ou não analíticas, representando um excesso de cuidado com os pacientes, ou mesmo uma implicação que não condizia com a neutralidade do analista. E assim como muitos de vocês, senti um grande alívio ao encontrar em Ferenczi uma descrição muito aproximada do que eu fazia. Havia um lugar para a forma que eu desejava direcionar a clínica.

    Entretanto uma grande tristeza que senti foi, ao ler Confusão de língua (Ferenczi, [1933b] 2011), perceber que havia muito mais a ser dito sobre o tema. A morte de Ferenczi, há décadas de distância do meu nascimento, doeu-me, porque eu gostaria de saber mais acerca daquele assunto. Quando examinamos atentamente o texto publicado nas obras completas da editora Martins Fontes, embora o subtítulo descrito seja A linguagem da ternura e da paixão, sobre essas línguas não se fala de forma direta.

    Ferenczi, em seu desenvolvimento último da teoria dos traumas, do desmentido e do ‘sentir com’, fala-nos de uma ‘fase da ternura’ e uma ‘fase da paixão’, com suas peculiaridades, expressões próprias e a possibilidade de um trauma como resultado entre a confusão das línguas faladas por pessoas influenciadas por essas duas fases, a criança e o adulto. A partir disso, passei a me indagar quais outros ganhos a compreensão dessas línguas poderiam trazer para o campo da psicanálise, afinal, se as línguas são expressões de fases constitutivas, da ternura e da paixão, elas não estariam presentes em outros contextos?

    Mas o que são enfim essas línguas que se encontram? O que dizem? O que querem? A conceituação original determina que são línguas voltadas à busca por uma transformação, sendo a língua da ternura de natureza autoplástica e a língua da paixão de natureza aloplástica. Transformação plástica é um termo extraído da mecânica, e diz respeito à deformação que um material sofre após o empreendimento de alguma tensão, como uma folha de papel, que após amassada muda sua forma, ou o vidro quando se quebra. Assim temos em ambas as línguas um sentido comum: a transformação.

    Através dos prefixos esclarecem-se os alvos das transformações pretendidas: a língua da ternura visa à transformação do próprio sujeito, enquanto a língua da paixão pretende transformar algo da realidade externa a ele. Acrescentada a isso, não esqueçamos a função da qual se tratam as línguas, sistemas simbólicos de comunicação. A língua fala, e se fala, fala a alguém, conforme o desenvolvimento ferencziano de uma metapsicologia que dá lugar de destaque às relações.

    Chamo de confluência de línguas a articulação harmônica da comunicação segundo a leitura a partir das línguas propostas por Ferenczi. Entretanto é primordial que seja exposta a conceituação dessas línguas, as quais tanto mencionamos.

    A língua da ternura é proposta como uma língua autoplástica, voltada às transformações internas. É a língua que podemos articular com o conceito de autoerotismo, dada a natureza das transformações. Poderia ser um evocador de confusões pensarmos em uma língua como instrumento de autorregulação, visto que a língua fala a alguém. Claro que essa questão poderia ser igualmente sanada com certa facilidade se adentrássemos o campo lacaniano a partir do inconsciente estruturado como linguagem. Mas nenhum dos dois será o caminho aqui adotado.

    Ferenczi deu-nos pistas valiosas ao longo de seus anos como psicanalista. Sabemos que a língua da ternura é uma expressão da autorregulação. Sabemos também que ela é enunciada ao outro, visto que o trauma é uma confusão de língua entre a criança e os adultos. Mas de que forma ela se manifesta?

    Pensando especificamente no trauma, tais manifestações podem ocorrer de formas variadas, desde o pedido explícito de ajuda em idioma nativo, o choro, o retraimento corpóreo, até mesmo a alucinação. Nisto, convido os colegas a pensarem esse pedido de socorro, independentemente de sua forma, não como um desdobramento de um raciocínio crítico da criança acerca de um evento inadequado, mas como a defesa contra uma invasão externa ao primado de seu reinado interno. Está ameaçada a onipotência infantil.

    Em O desenvolvimento do sentido de realidade e seus estágios ([1913b] 2011), Ferenczi descreve a onipotência infantil como a a impressão de ter tudo o que se quer e de não ter mais nada a desejar (p. 48). E a língua da ternura cumpre facilmente o papel da saciedade do desejo a partir da autoplastia. Nisto, a compreensão das formas da língua da ternura pode ser lida vinculada à organização dos estágios de onipotência que precedem a formação do princípio de realidade, e são eles quatro: 1) Onipotência absoluta, que ocorre no período intrauterino. Qualquer falta é inexistente, visto que todas as necessidades do feto são saciadas via cordão umbilical e pela proteção do líquido amniótico. 2) Período da onipotência alucinatória mágica. Nesse período, o bebê já sente corporalmente as faltas, entretanto, a partir de um ambiente suficientemente bom que adivinhe suas demandas, ele permite-se alucinar a saciedade, e assim, manter-se onipotente. 3) Período da onipotência com a ajuda de gestos mágicos. Nesse período, a criança gesticula, indicando ao seu meio para que providencie o necessário às suas aspirações, e assim, manter-se onipotente. 4) Período dos pensamentos e palavras

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