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Hóspedes
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E-book141 páginas1 hora

Hóspedes

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Sobre este e-book

Hóspedes é um livro de crônicas íntimas e viscerais, em que Murillo Nascimento escancara as portas da própria mente como quem convida para entrar em casa. Sala, cozinha, quarto, sótão — cada texto é um cômodo, uma memória, um pensamento atravessado pelas camadas do cotidiano, das emoções e das paranoias. Não é um livro de respostas. É um convite à convivência. Aqui, o leitor se hospeda no universo do autor — e talvez reconheça o seu próprio.
IdiomaPortuguês
EditoraClube de Autores
Data de lançamento8 de ago. de 2025
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    Hóspedes - Murillo Nascimento

    M U R I L L O N A S C I M E N T O

    Hóspedes

    Por Murillo Nascimento

    1

    Lhes convido a entrar, se acomodar e conhecer minha casa.

    É um espaço qualquer e, por aqui, vocês vão esbarrar não só em memórias de uma vida ordinária, mas também serão convidados a interagir e se relacionar com as minhas concepções mais íntimas.

    Aqui, ofereço alguns dos meus cômodos. Nem tudo é limpo, nem tudo é claro. Mas tudo é meu.

    Cômodos

    Quarto

    O espaço mais íntimo da casa — e da cabeça. Aqui moram os pensamentos mais privados e os sentimentos que a gente quase esconde até de si mesmo.

    1. Diagnóstico

    2. Criolo, eu perdi a fé na humanidade e tô mais feliz assim do que antes

    3. Quando a gente tromba a felicidade e mesmo assim não consegue interagir com ela

    4. Coragem, o cão covarde

    5. A vida é um sopro e nem acenderam nossas velas 6. Dividir não é se perder

    7. Sobre a agonia de ser mediano

    Sala

    O lugar onde recebemos os outros — mas ainda somos nós mesmos. Aqui, a vida social e os dilemas cotidianos aparecem com humor, ironia e algum constrangimento.

    8. O inacreditável impacto que a feiura ou ausência de uma beleza incontestável tem na nossa vida 9. Meio que o equívoco precisa ser compreendido como algo que tem um potencial interessante de representar o imbecil que a gente é

    3

    10. Se louva-deus é sorte, ateu tá fodido?

    11. Essa provavelmente foi a maior e mais patética

    loucura de amor que já fiz por alguém 12. O medo de perder que eu já perdi

    Cozinha

    Onde se nutre o corpo e a memória. Neste cômodo, o cotidiano é temperado com encontros inusitados e faltas que viram afeto.

    13. A décima primeira viagem como motorista de aplicativo de uma senhora daltônica

    14. O dia em que eu só não morri porque fui salvo pelo meu maior inimigo na Terra

    15. Quando a gente fica íntimo do que falta 16. O Camp Rock nunca me quis

    Sótão

    As lembranças guardadas, as dores esquecidas e as revelações que só aparecem

    quando a gente sobe lá em cima pra procurar outra coisa.

    17. Britney Spears

    18. Da moeda só sobrou a cara, meu coroa foi embora 19. O dia em que descobri que eu era feio. Ou, pelo menos, não tão bonito quanto eu pensava que eu era

    20. Château Margaux

    4

    Varanda

    Um lugar de observação.

    21. Ângela

    5

    Quarto (27 de setembro 2023) Diagnóstico

    Eu não sei se eu gosto de mim depois de tanto tempo sendo eu. Não sei se essa é a versão mais engraçada, mais confiável ou mais sagaz minha. Com o tempo, a gente pode perder a graça, ter um caráter mais duvidoso e até ficar mais burro. A tendência é que não seja assim, mas até calça saruel e segregação racial já foram tendência também.

    Há uns anos, escrevi um texto dizendo que estava cansado das intermináveis nuances do meu humor, e sinto que posso ter passado a impressão errada. Eu não sou bipolar, não tenho borderline, nem ansiedade, nem nada disso que o jovem tem. Antes fosse, me ajudaria a me localizar. Eu só quis dizer que minha disposição para viver e fazer as minhas paradas oscila demais entre um dia e outro, e isso me torna uma pessoa extremamente estagnada. Acho que 6

    vai ser assim pra sempre, o que me incomoda, mas não me tira o sono mais. Porém, se tem algo que me incomoda além de ter deixado de gostar de beterraba, é ter perdido a capacidade de ser carinhoso com as pessoas.

    As amizades que construí de uns tempos pra cá me veem como alguém frio, que não sabe expressar emoções. E não é porque eu sou indiferente ou misterioso, nada disso.

    Antes fosse, teria um charme, até. É um bagulho desengonçado, mesmo. É vergonhoso. Vai desde não saber reagir a um elogio até não conseguir dizer que eu amo minha mãe sem ficar com vergonha. Eu definitivamente não gosto disso e não quero ser assim mais. O problema é que eu tô disposto a mudar isso hoje, mas e amanhã?

    Eu queria poder me vestir melhor, ser mais magro, ter um sorriso mais bonito e um Fox preto. Hoje eu posso dizer que só tenho uma namorada linda e inteligente que 7

    corajosamente me ama e um notebook que consigo abrir duas abas sem travar. Levando em consideração o que eu tinha antes, a percepção é de que pelo menos houve uma melhora.

    Eu não sei se eu sou feliz ou se eu sou alegre. Acho que a única certeza que tenho sobre mim é que, apesar de tudo, consigo ser sempre gentil. Costumo ser legal com as pessoas. Se eu tenho um caráter da hora ou uma integridade foda, eu não sei. Principalmente porque ainda não defini ao certo o que significa ter um bom caráter ou manter uma integridade admirável.

    Pensando bem, acho que eu nunca fui tão esperto, mas eu ainda não sou esperto o suficiente pra me fazer ganhar mais dinheiro, por exemplo. E ainda tenho que conviver com o

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