Avaliação escolar: Vários enfoques e uma só finalidade: melhorar a aprendizagem
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Avaliação escolar - Adriana Patrício Delgado
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Revisão: Stephanie Andreossi
Capa: Renato Arantes Santana de Carvalho
Diagramação: Renato Arantes Santana de Carvalho
Edição em Versão Impressa: 2015
Edição em Versão Digital: 2017
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Conselho Editorial
Profa. Dra. Andrea Domingues (UNIVAS/MG) (Lattes)
Prof. Dr. Antonio Cesar Galhardi (FATEC-SP) (Lattes)
Profa. Dra. Benedita Cássia Sant’anna (UNESP/ASSIS/SP) (Lattes)
Prof. Dr. Carlos Bauer (UNINOVE/SP) (Lattes)
Profa. Dra. Cristianne Famer Rocha (UFRGS/RS) (Lattes)
Prof. Dr. José Ricardo Caetano Costa (FURG/RS) (Lattes)
Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes (UNISO/SP) (Lattes)
Profa. Dra. Milena Fernandes Oliveira (UNICAMP/SP) (Lattes)
Prof. Dr. Ricardo André Ferreira Martins (UNICENTRO-PR) (Lattes)
Prof. Dr. Romualdo Dias (UNESP/RIO CLARO/SP) (Lattes)
Profa. Dra. Thelma Lessa (UFSCAR/SP) (Lattes)
Prof. Dr. Victor Hugo Veppo Burgardt (UNIPAMPA/RS) (Lattes)
Prof. Dr. Eraldo Leme Batista (UNIOESTE-PR) (Lattes)
Prof. Dr. Antonio Carlos Giuliani (UNIMEP-Piracicaba-SP) (Lattes)
Paco Editorial
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Sumário
Apresentação
CAPÍTULO 1
A educomunicação e a avaliação nos novos cenários do ensino-aprendizagem
Profª Nádia Conceição Lauriti
CAPÍTULO 2
Um panorama sobre ciclos, promoção automática e progressão continuada: história e concepção sob a perspectiva da avaliação de aprendizagem
Adriana Patrício Delgado
Regina Célia Montefusco Florindo Pessoa
CAPÍTULO 3
Refletindo sobre avaliação: da educação básica ao ensino superior
Marie Rose Dabul
Niuza Barone Peres
CAPÍTULO 4
Avaliar na educação infantil: o que é e como fazer isso?
Kézia Costa de Oliveira Rocha Carvalho
CAPÍTULO 5
Avaliação: mudança dos instrumentos ou o do olhar?
CAPÍTULO 6
A avaliação da aprendizagem e as técnicas de si
Rosiley Teixeira
CAPÍTULO 7
Avaliação institucional e de sistemas: questões relevantes
Sandra da Costa Lacerda
CAPÍTULO 8
SARESP: O sistema de avaliação da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo
Simone Santoro Romano
CAPÍTULO 9
A Prova Escrita na Avaliação da Aprendizagem
Maria do Socorro Taurino
APRESENTAÇÃO
A avaliação formativa cruza o trabalho pedagógico desde seu planejamento até a sua execução, coletando dados para melhor compreensão da relação entre ensino e aprendizagem, possibilitando, assim, orientar a intervenção didática para que seja qualitativa e pedagógica.
Léa Depresbiteris, 2011
A avaliação, [...] é uma forma de autoconhecimento da própria sociedade que procura conhecer a si mesma através da identificação do que prevalece em uma de suas principais instituições a -escola-, que é responsável por sua continuidade.
O fracasso refletido em uma avaliação representa, na realidade, o próprio fracasso da sociedade em concretizar seus objetivos.
Heraldo Marelim Viana, 2005
Começamos a apresentação deste volume, o 14 da Coletânea Pedagogia de A a Z, lembrando a contribuição de dois apaixonados pelas questões de avaliação educacional, mencionados em epígrafe, conhecidos nacional e internacionalmente, no meio acadêmico, e entre os estudiosos desta instigante e polêmica área de conhecimento. A professora Léa seria autora de um dos capítulos, sob o título O significado da avaliação para o aluno
e o professor Heraldo, certamente escreveria esta apresentação, considerando não apenas as nossas relações de amizade mas, pela admiração e respeito mútuos que pautaram as nossas trajetórias. Os dois nos deixaram nos primeiros anos desta década de 2010. A eles, a nossa carinhosa e saudosa homenagem.
As citações acima foram selecionadas para mostrar a avaliação no seu sentido técnico e também no sentido social e político. Assim, a Professora Léa assumidamente humanista, aparece defendendo a questão dos instrumentos de coleta de dados. Por outro lado, o Professor Heraldo reconhecido pelas competências técnicas de analista de instrumentos e de dados estatísticos, aparece preocupado com questões sociais.
O resumo, ainda um esboço, do capítulo que completaria este volume, chegou a nos ser enviado, pela professora Léa, conforme segue:
Muito se tem falado da importância do significado para a aprendizagem do aluno, qualquer que seja o nível de escolaridade. Ausubel (1963, p.58) diz que a aprendizagem significativa é o processo através do qual uma nova informação (um novo conhecimento) se relaciona de maneira não arbitrária e substantiva (não-literal) à estrutura cognitiva do aprendiz. É no curso da aprendizagem significativa que o significado lógico do material de aprendizagem se transforma em significado psicológico para o sujeito. Qual é o significado psicológico mais comum que os alunos têm sobre a avaliação? Alguns sentem medo, outros, indiferença, outros pensam em julgamentos, notas. Mas e se, nós educadores, tentássemos mudar essa representação social dos educandos? É uma ação viável? Creio que sim, e pretendo nesse artigo indicar algumas estratégias com potencial para transformar significados restritos ou pejorativos em outros que mostrem a avaliação como meio de melhoria de uma pessoa e da coletividade. Descreverei algumas estratégias como as de: mediação, metacognição e autorregulação, avaliação participativa e avaliação democrática, que em minha experiência como educadora, me têm sido de enorme valia. O artigo busca, igualmente, despertar no professor a vontade de ousar na elaboração dos instrumentos de avaliação da aprendizagem. Evidentemente essa ousadia não pode ser aleatória. A elaboração e aplicação de instrumentos de avaliação é um momento crucial do processo de ensino e aprendizagem, porque possibilita a coleta indicadores para analisar e interpretar os desempenhos dos alunos. Trata-se de pensar em instrumentos mais criativos, mais desafiadores, com maior significado para os alunos. (Depresbiteris, Fevereiro de 2012)
Neste volume, o primeiro capítulo trata da Educomunicação e a Avaliação nos Novos Cenários do Ensino-Aprendizagem, de autoria da Professora Nádia Conceição Lauriti que aponta a comunicação, a educação e a avaliação como áreas absolutamente interligadas pelo fato de pedirem constante negociação de significados e ressignificações de sentidos.
O segundo capítulo intitula-se Um Panorama Sobre Ciclos, Promoção Automática e Progressão Continuada: História e Concepção sob a Perspectiva da Avaliação de Aprendizagem, cujas autoras Adriana Patrício Delgado e Regina Célia Montefusco Florindo Pessoa discutem como estas reformas educacionais colocam em evidência o tema avaliação, propondo novos modos de concebê-la e praticá-la no dia a dia da escola com implicações no currículo, na didática e na formação de professores.
No terceiro capítulo, Refletindo Sobre Avaliação: da Educação Básica ao Ensino Superior as autoras Marie Rose Dabul e Niuza Barone Peres apresentam diferentes formas de avaliação bem como instrumentos e técnicas utilizadas, considerando as faixas etárias e os níveis de escolarização dos alunos, as tendências educacionais e os avanços tecnológicos na sociedade contemporânea.
No quarto capítulo, Kézia Costa de Oliveira Rocha Carvalho apresenta o tema Avaliar na Educação Infantil: o Que é e Como Fazer Isso? A avaliação na educação infantil, requer da parte do educador muito compromisso e ética, por entender a necessidade de um olhar cuidadoso, sensível e reflexivo para a criança desta faixa etária e que o compromisso e a ética não serão apenas direcionados ao objeto que avaliamos, mas acima de tudo a nós mesmos.
Neuza Abbud, no capítulo cinco discute Avaliação: Mudança dos Instrumentos ou do Olhar? A autora considera o processo avaliativo como a manifestação de juízos de valores, em que se supõem uma tomada de decisão por parte do professor e uma resposta do aluno frente ao seu próprio desempenho e indaga se os instrumentos utilizados estão efetivamente cumprindo sua função em termos dos critérios, enquanto praticados.
O sexto capítulo intitula-se A Avaliação da Aprendizagem e as Técnicas de Si. Nele, a autora Rosiley Teixeira analisa a avaliação como prática pedagógica que visa constituir sujeitos de um certo tipo
e acrescenta que estão em pauta a relação reflexiva do educando, em busca do autoconhecimento, da autoconsciência e do autogoverno.
Sandra da Costa Lacerda, no sétimo capítulo, apresenta Avaliação Institucional e de Sistemas: Questões Relevantes. A autora discute como o acompanhamento dos desempenhos obtidos pelas redes ou sistemas de ensino podem, mediante seu tratamento, possibilitar a verificação do que ocorre e permitir, que políticas públicas sejam reorientadas para o alcance das metas almejadas.
No oitavo capítulo, Simone Santoro Romano discute o SARESP: O Sistema de Avaliação da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, analisando o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP), o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP) e o Programa de Qualidade da Escola (PQE). A autora ressalta a importância da utilização dos dados apresentados, nestas avaliações externas, para o desenvolvimento do trabalho na escola, tendo como foco a aprendizagem dos alunos e a melhoria da qualidade do ensino.
Por fim, Maria do Socorro Taurino, no nono capítulo, analisa A Prova na Avaliação da Aprendizagem, tendo em vista construir uma base de sustentação que permita planejar a elaboração da prova, tornando-a capaz de mostrar os resultados obtidos pelos alunos, bem como realizar uma análise que forneça subsídios para a compreensão do que acontece com a turma, em geral, e com cada aluno em particular, em vista de detectar problemas e buscar soluções para eles.
A partir do exposto, depreende-se o significado e o contexto do presente volume, tentando mostrar a avaliação por diversos ângulos e pontos de vista, mas firme na ideia de que o seu valor se encontra no potencial de melhorar processos e resultados educacionais.
São Paulo, março de 2015
Maria do Socorro Taurino
CAPÍTULO 1
A educomunicação e a avaliação nos novos cenários do ensino-aprendizagem
Profª Nádia Conceição Lauriti
Introdução
O conceito de educomunicação vem se firmando há algumas décadas no Brasil (Soares, 1995; 1999; 2000) para designar um novo campo de conhecimento e de intervenção social que se delineia na interface entre a Comunicação e a Educação.
Soares (2000) circunscreve essa nova área emergente no campo do planejamento e da execução das políticas de comunicação educativa, tendo como objetivo a criação e o desenvolvimento de ecossistemas comunicativos mediados pelos processos de comunicação e por suas tecnologias.
O autor define a educomunicação como
(...) o conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e a fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais (tais como escolas, centros culturais, emissoras de TV e rádio educativos, centros produtores de materiais educativos analógicos e digitais, centros coordenadores de educação a distância ou ‘e-learning’, e outros...), assim como o coeficiente comunicativo das ações educativas, incluindo as relacionadas ao uso dos recursos da informação no processo de aprendizagem. (Soares, 2000, p. 63)
O educomunicador é visto como um profissional que deve estar preparado para enfrentar as contradições inerentes a um campo ainda em formação e atuar em todas as atividades em que se faz necessária a utilização dos processos e recursos da comunicação, a partir de uma perspectiva pedagógica adequada ao momento histórico.
Em sua abordagem, o autor identifica algumas áreas que não se excluem, nem se sobrepõem, mas aglutinam diferentes ações possíveis de serem exercidas pelo educomunicador. São elas:
a) Área da gestão comunicativa nos espaços educativos, voltada para o planejamento, execução e avaliação de projetos, programas, processos e procedimentos que se articulam no âmbito da Comunicação, da Cultura ou da Educação;
b) Área da mediação tecnológica nos processos educativos, que abrange os procedimentos em torno dos múltiplos usos das tecnologias da informação e da comunicação na educação a distância;
c) Área da educação para a comunicação (Media Education ou Media Literacy) que é a mais antiga área que aproxima a Comunicação da Educação e refere-se ao estudo da relação entre os polos vivos do processo de comunicação (estudos de recepção), assim como, no campo pedagógico, à formação de receptores autônomos e críticos frente aos meios de comunicação;
d) Área da expressão artística mediada pela produção midiática;
e) Área da pesquisa e reflexão epistemológica sobre a inter-relação Comunicação/Educação como fenômeno cultural emergente que corresponde tanto aos estudos voltados para o entendimento e para a legitimação desse novo campo, quanto para todos os projetos de pesquisa voltados para cada uma das vertentes arroladas acima.
É a aproximação dessas quatro áreas que delineia o desenho do campo da educomunicação, a partir de um substrato comum que é a ação comunicativa nos espaços educativos, contemplando a comunicação interpessoal, a grupal, a organizacional e a massiva, utilizadas com o objetivo de produzir e desenvolver ecossistemas comunicativos por meio de ações educativas e formativas.
Assim, este artigo insere-se na área de pesquisa e reflexão epistemológica sobre o campo da educomunicação, tendo por hipótese que a análise e a discussão das interações educomunicativas em qualquer uma das suas dimensões não podem afastar-se das metanarrativas da avaliação. Comunicação, educação e avaliação estão visceralmente interligadas por serem áreas que sempre pedem constante negociação de significados e ressignificações de sentidos, além do exercício permanente dos movimentos avaliativos (Lauriti, 2001, p.57).
Nos tempos-espaços atuais da educação, a necessidade dessa inter-relação vem se consolidando cada vez mais intensamente, em consequência do vertiginoso crescimento dos novos cenários educativos criados pelos ambientes virtuais de ensino-aprendizagem.
Considerando-se essa perspectiva, para contribuir com essa discussão, centramos esta reflexão em dois eixos: na necessidade de avaliação e validação do material educativo que é utilizado nos ambientes virtuais de ensino-aprendizagem e no papel da educomunicação nos processos avaliativos do ensino-aprendizagem, ressaltando-se a importância do feedback dos resultados nesse contexto.
1. A gestão educomunicativa e a necessidade de validação de material instrucional em ambientes virtuais de
aprendizagem
Conforme delineada acima, a educomunicação pode revelar-se como uma perspectiva produtiva para que se analisem os processos avaliativos associados ao ambiente virtual de aprendizagem que os cercam e podem condicionar a sua eficácia. Por essa razão a perspectiva ampliada proposta, que aproxima Educação, Comunicação e Avaliação, estaria inscrita tanto na área de reflexão epistemológica, quanto na área de gestão da comunicação nos espaços educativos. Esta última constitui o componente pragmático do processo, explicado teoricamente pela reflexão epistemológica e talvez seja essa a área que, operacionalmente, mais necessite dessa aproximação com os processos avaliativos, considerando-se a sua importância e utilidade nos ambientes voltados tanto para as ações educativas formais (presenciais ou a distância), quanto para os dedicados ao desenvolvimento de ações não formais de educação (como as emissoras de rádio e televisão educativas, as editoras e centros produtores de material didático, as instituições que trabalham programas de educação a distância, os centros culturais que desenvolvem programas educacionais, entre outros).
É necessário que sejam criados instrumentos e procedimentos avaliativos com indicadores precisos de qualidade que possam levar ao aperfeiçoamento de cada um desses processos.
Considerando-se que a gestão educomunicativa é definida como
(...) todo processo articulado e orgânico voltado, a partir de uma intencionalidade educativa, para o planejamento, execução e avaliação de atividades destinadas a criar e a manter ecossistemas comunicacionais, entendidos como ambientes regidos pelo princípio da ação e do diálogo comunicativo. (Soares, 2000, p. 38)
É de se esperar que o educomunicador desenvolva-se também como avaliador, sendo técnica e teoricamente preparado, para analisar a natureza e o grau da efetividade educativa das ações comunicativas que ele planeja, executa ou analisa.
Por essa perspectiva estaria entre as funções do profissional da educomunicação orientar o processo de validação de material educativo, seja ele instrucional (como em um curso a distância) ou não, (como um produto, um programa de rádio ou de televisão), com a finalidade de detectar deficiências, falhas e fragilidades desse material, para tornar possível a sua revisão e aprimoramento, de forma a assegurar a sua eficiência e eficácia.
Diante da necessidade de utilização de um determinado material educativo, em uma determinada situação, é importante sua prévia avaliação para que se decida, de acordo com os resultados obtidos, se o material é adequado ou não e se identifique quais são os aspectos que precisam ser aprimorados para assegurar sua qualidade.
Uma importante contribuição para essa discussão é dada por Chadwick (1974 e 1980) que sugere e descreve etapas, modalidades e procedimentos para a validação de material educativo, focando tanto a avaliação formativa, cujo propósito é de aprimoramento da qualidade do material ou do funcionamento do produto, quanto a avaliação somativa, realizada com o objetivo de validar o material após ter sido testado e revisado nas três primeiras etapas, cujos procedimentos seguem sintetizados no quadro abaixo:
Quadro 1. Etapas de avaliação
