Meu coração desnudado
De Charles Baudelaire e Tomaz Tadeu
4/5
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Sobre este e-book
Quanto a mim, digo: a volúpia única e suprema do amor está na certeza de fazer o mal. E o homem e a mulher sabem, desde o nascimento, que no mal se encontra toda a volúpia.
Charles Baudelaire
Charles Baudelaire (1821–1867) was a French poet who also produced notable work as an essayist and art critic. His poems exhibit mastery in the handling of rhyme and rhythm, contain an exoticism inherited from Romantics, but are based on observations of real life. His most famous work, a book of lyric poetry titled Les Fleurs du Mal (The Flowers of Evil), expresses the changing nature of beauty in the rapidly industrializing Paris during the mid-nineteenth century. Baudelaire’s highly original style of prose-poetry influenced a whole generation of poets including Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, and Stéphane Mallarmé, among many others. He is credited as the first Modernist and believed to have coined the term modernity (modernité) to designate the fleeting, ephemeral experience of life in an urban metropolis, and the responsibility of artistic expression to capture that experience.
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Meu coração desnudado - Charles Baudelaire
Charles Baudelaire
Meu coração
desnudado
TRADUÇÃO E NOTAS
Tomaz Tadeu
Apresentação
As séries conhecidas por Meu coração desnudado [Mon cœur mis à nu] e Rojões [Fusées] têm origem numa coleção de notas escritas em papéis soltos, encontrados entre os manuscritos deixados por Charles Baudelaire. Após a morte da mãe, Caroline Aupick, em 1871, a maior parte desses manuscritos foi entregue a Charles Asselineau, que preparava uma biografia de CB. Asselineau, por sua vez, deixou-os para Auguste Poulet-Malassis, que havia sido editor de várias publicações de CB. Esses papéis soltos, sem qualquer ordem aparente, estavam assinalados, em cabeçalho, pelo próprio Baudelaire, de acordo com uma das duas mencionadas rubricas. Seguindo essa classificação, Poulet-Malassis, sem alterar a sequência na qual os tinha recebido, reuniu-os em dois maços, colou-os em páginas maiores, algumas delas contendo mais de um desses papelitos, numerando consecutivamente tanto cada uma das páginas-suporte quanto os papelitos individuais. Há, portanto, uma dupla numeração – das páginas de suporte e dos papelitos individuais, assinalada, respectivamente, em várias das edições das duas séries, por números romanos (na parte superior do conjunto correspondente a cada página) e por números arábicos (na margem direita da nota correspondente a cada papelito individual). Ver, mais adiante, nota sobre o formato adotado na presente edição.
Há, na verdade, uma terceira série, que, na edição Pichois, recebe o título Higiene. Nas primeiras edições, seguindo a organização de Poulet-Malassis, elas apareciam incorporadas à série Meu coração desnudado. Nas edições atuais, como na de Pichois, são apresentadas em seção separada, logo após a série Rojões, mas continuando a numeração de Meu coração desnudado. Aqui, Higiene vem logo após Meu coração desnudado.
De acordo com Crepet e Blin, as notas intituladas Fusées abrangeriam o período 1855-1862, enquanto as notas correspondentes a Mon cœur mis à nu seriam do período 1859-1866.
Os títulos
O título Journaux intimes [Diários íntimos] tem sido frequentemente aposto ao conjunto das duas séries, tendo sido cunhado por Eugène Crepet, em 1887, ao publicá-las, expurgadas das passagens por ele consideradas mais ofensivas, em Obras póstumas e correspondências inéditas (Paris, Quantin). Esse título, impróprio, tanto por não ter sido jamais sugerido por CB como por não corresponder à natureza de nenhuma das duas séries, foi mantido em muitas das edições posteriores.
A rubrica Mon cœur mis à nu teria sido inspirada em Edgar Allan Poe, que, em seu Marginalia, escreve:
Se algum homem ambicioso sonha em revolucionar, num esforço, o mundo universal do pensamento humano, da opinião humana e do sentimento humano, essa oportunidade está à sua disposição – o caminho para o renome imortal está à sua frente, aberto e livre. Tudo o que ele tem a fazer é escrever e publicar um livro muito breve. Seu título deve ser simples, umas poucas e diretas palavras – My Heart Laid Bare. Mas esse livro breve deve ser fiel a seu título.
Sugere-se que também o título Fusées teria sido inspirado em Marginalia, de Poe, mas não há concordância quanto a isso. Enquanto se pode encontrar, na correspondência de Baudelaire, referências explícitas à influência de Poe na escolha da rubrica Mon cœur mis à nu, o mesmo não pode ser dito quanto a Fusées. De qualquer maneira, a passagem de Marginalia que supostamente teria sugerido esse título a CB seria esta:
A expressão alemã Schwærmerei, não exatamente humbug [impostor], mas skyrocketing [lançamento de foguete] parece ser o único termo pelo qual se pode convenientemente designar aquele peculiar estilo de crítica que entrou recentemente em moda [...].
Formato da presente edição
Permiti-me, no formato da presente edição, algumas liberdades. Em primeiro lugar, abandonei a numeração romana correspondente às páginas-suporte, mantendo apenas a numeração arábica correspondente aos papelitos individuais. O uso dos colchetes abraçando os números é simplesmente questão de escolha estética. Há uns poucos papelitos sem qualquer numeração, assinalados na edição Pichois pela notação sem numeração
ou simplesmente pela ausência de numeração, sem nenhuma outra observação. Nesses casos, numerei-os com o mesmo número do papelito anterior, acrescentado de letra em ordem alfabética.
Também tomei a liberdade, novamente, por uma questão estética, de suprimir a repetição, em cada nota, dos cabeçalhos Meu coração desnudado
e Rojões
, bem como as diferentes variações dos títulos que encabeçam a série Higiene. Anoto, aqui, os casos em que o cabeçalho (fornecido, abaixo, após o número do respectivo fragmento) não coincide com o título da série, bem como aqueles em que as notas não apresentam qualquer título.
Rojões
4. Planos. Rojões. Projetos.
5. Rojões. Sugestões.
6. Rojões. Sugestões.
9. Sugestões. Rojões.
13. Notas. Rojões.
19. Rojões. Sugestões.
21. Rojões. Sugestões.
Sem título: 7, 8, 10, 11, 12, 14.
Higiene
86. Rojões. Higiene. Projetos.
87. Higiene. Moral.
88. Higiene. Conduta. Moral.
90. Notas preciosas.
91. Higiene. Conduta. Moral.
92. Higiene. Conduta. Método.
93. Higiene. Conduta. Método.
93a. Higiene. Conduta. Método.
Sem título: 91a, 93b.
Edições e traduções consultadas
1. Edições francesas
Journaux intimes. Fusées. Mon cœur mis à nu. Carnet. Edição crítica estabelecida por Jacques Crépet e Georges Blin. Paris: José Corti, 1949.
Journaux intimes
. In: Œuvres. Edição de Y.-G. Le Dantec. Paris: Gallimard, 1951. p. 1181-1229.
Mon cœur mis à nu
. In: Œuvres complètes. Edição de Marcel A. Ruff. Paris: Seuil, 1968. p. 622-642.
Journaux intimes
. In: Œuvres complètes. Edição de Claude Pichois. Paris: Gallimard, 1975. p. 649-708.
Fusées. Mon cœur mis à nu. La Belgique déshabillée. Edição de André Guyaux. Paris: Gallimard, 1986.
2. Traduções
Meu coração desnudado. Trad. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio: Nova Fronteira, 1981.
Escritos íntimos. Trad. Fernando Guerreiro. Lisboa: Estampa, 1982.
O meu coração a nu precedido de Fogachos. Trad. João Costa. Lisboa: Guimarães, 1988.
Projéteis
e Meu coração a nu
. Trad. Fernando Guerreiro. In: Charles Baudelaire. Poesia e prosa. Rio: Nova Aguilar, 1995. [Embora o tradutor seja o mesmo, há diferenças entre esta tradução e a da edição portuguesa da Editoral Estampa.]
Intimate Journals. Trad. Christopher Isherwood. Nova York: Dover, 2006.
Tomaz Tadeu
Rojões
[1] Mesmo que Deus não existisse, a Religião ainda seria Santa e Divina.
Deus é o único ser que, para reinar, nem sequer precisa existir.
O que é criado pelo espírito é mais vivo do que a matéria.
O amor é o gosto da prostituição. Não existe, na verdade, prazer nobre que não possa ser relacionado à Prostituição.
Num espetáculo, num baile, cada um desfruta de todos.
O que é a arte? Prostituição.
O prazer de estar no meio da multidão é uma expressão misteriosa do gozo da multiplicação do número.
Tudo é número. O número está em tudo. O número está no indivíduo. A embriaguez é um número.
O gosto da concentração produtiva deve substituir, num homem maduro, o gosto do desperdício.
O amor pode provir de um sentimento generoso: o gosto da prostituição; mas é logo corrompido pelo gosto da propriedade.
O amor quer sair de si, confundir-se com sua vítima, tal como o vencedor com o vencido e, contudo, conservar privilégios de conquistador.
As volúpias de quem mantém uma amante são, ao mesmo tempo, as do anjo e as do proprietário. Caridade e ferocidade. Elas são, na verdade, independentes do sexo, da beleza e da espécie animal.
As trevas verdes nas tardes úmidas da bela estação.
Profundeza imensa de pensamento nas locuções vulgares – buracos escavados por gerações de formigas.
Anedota do caçador, relativa à estreita ligação entre a ferocidade e o amor.
[2] Da feminilidade da Igreja, como razão de sua onipotência.
Da cor violeta (amor contido, misterioso, velado, cor de canonisa).
***
O padre é imenso porque faz uma multidão acreditar em coisas espantosas.
Que a Igreja queira tudo fazer e tudo ser: trata-se de uma lei do espírito humano.
Os povos adoram a autoridade.
Os padres são os servidores e os sectários da imaginação.
O trono e o altar, máxima revolucionária.
***
E. G. OU A AVENTUREIRA SEDUTORA.
***
Embriaguez religiosa das grandes cidades. – Panteísmo. Eu sou todos; Todos são eu. Turbilhão.
[3] Acho que já escrevi nas minhas notas que o amor é muito parecido com uma tortura ou uma operação cirúrgica. Mas esta ideia pode ser desenvolvida da maneira mais amarga. Mesmo que dois amantes estejam apaixonadíssimos
