O palácio japonês
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Sobre este e-book
Por isso, assim, do nada e de repente, num logradouro público de uma gigantesca metrópole, surge um palácio japonês. Poucos escolhidos o veem. Em O palácio japonês, José Mauro de Vasconcelos resgata a criança de Pedro de sua adulta realidade. Nesta fábula, um adulto ganha de volta a capacidade de criar mundos (que as crianças dominam). De sair para a eternidade de mãos dadas com o menino que lhe devolvera a capacidade de amar a vida.
Nova edição com suplemento de leitura de Luiz Antonio Aguiar.
José Mauro de Vasconcelos
José Mauro de Vasconcelos nasceu no Rio de Janeiro em 1920 e faleceu em São Paulo em 1984. Descendente de portugueses, o autor teve vários empregos durante a adolescência, viajando depois por todo o Brasil e por vários países europeus. O seu primeiro grande êxito foi Rosinha, Minha Canoa (1962). Em 1968 publicou o seu livro mais conhecido, O Meu Pé de Laranja Lima, adaptado para televisão, cinema e teatro. Pelo conjunto da sua obra, é considerado um autor clássico da literatura juvenil do século XX. Em 1967, recebeu o Prémio Jabuti de Romance, o mais importante prémio literário brasileiro.
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Pré-visualização do livro
O palácio japonês - José Mauro de Vasconcelos
JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS
O Palácio
JapoNês
Ilustrações
Jayme Cortez
Laurent Cardon
Suplemento de leitura
Luiz Antonio Aguiar
- SUMÁRIO -
Capa
Folha de rosto
Sumário
Dedicatória
Primeira parte
A FLOR DA VIDA
Primeiro Capítulo
Segundo Capítulo
Terceiro Capítulo
Quarto Capítulo
Quinto Capítulo
Segunda parte
A OUTRA FLOR
Primeiro Capítulo
Segundo Capítulo
Terceiro Capítulo
Quarto Capítulo
Quinto Capítulo
Sexto Capítulo
A literatura de O Palácio Japonês
José Mauro de Vasconcelos
Créditos
Landmarks
Cover
Body Matter
Table of Contents
Copyright Page
- PARA os meus sobrinhos -
Brasinha da Nilce do Hélio de Porto Alegre
Cacá do André de Campinas
Celsinho do Nelson
Daniel do Jacques
Dorivalzinho do Dodô
Huguinho do Clemente
João Paulo (queridão) do Thomaz
Lico e Totó do Gut
Marcelo e Sérgio do Horácio
Márcio do seu Artur (Francisco) de Jundiaí
Marco Antônio do Ireno de Ubatuba
Maurício do dr. Biagio Motta
Pedrinho, Joãozinho e Arnaldinho do Arnaldo
Ricardo do Marcello
Paulo do Moysés Wainer
Tarcizinho do dr. Tarcízio de Natal
- E mais os meninos grandes -
Décio Diêgoli
Jamil Francisco
Alcyr Zabeu
Oswaldo Bouças
José Higino
Marcos Flávio
Armando
João Roberto
e
Júlio
e para
Elvira Barcelos Sobral (Madrinha Vivi)
Quando em sua vida aparecer o Palácio Japonês, toque a sua flauta da alegria com modulações de ternura.
Sabedoria
ao sabor oriental
- Primeira parte -
A Flor da Vida
[ Primeiro Capítulo ]
se havia chuva ele se encolhia mais na sua tristeza e não tinha vontade de fazer nada. Parecia até que a preguiça se colava na ponta de cada dedo de sua monotonia e a rede da alma armava-se nos ganchos da indiferença. Ficava horas e horas com o rosto atrás da única vidraça da única janela do seu modesto quarto. Rosto colado contra o vidro a ver a chuva se derreter em gotas sobre as folhas do jardim maltratado. Achava bonito na sua pequena contemplação que numa terra igual nascessem duas árvores diferentes. E que flores assim vizinhas fossem tão diversas no seu formato e no colorido.
Se o dia se tornava cinza, feio e friorento, saía de casa, com as mãos no bolso, gola do paletó levantada escondendo o rosto magro. Os cabelos lisos e loiro-acinzentados caíam-lhe sobre a testa emoldurando-lhe os traços finos, os olhos quase azulados. Andava sem vontade de nada. Caminhava ao comprido das ruas, metia-se no meio da multidão se confundindo ao nada para também nada ser. Se tinha dinheiro comia melhor. Se tinha pouco dinheiro, alimentava-se de uma simples média e dois pães sem manteiga por ser mais econômico. Ou então deixava o estômago no vácuo até que encontrasse algum conhecido, uma pessoa amiga que lhe oferecesse dinheiro emprestado. Isso sem pedir. Sem pedir era mais uma garantia de que não precisava pagar.
O quarto da pensão, às vezes atrasava um pouco. Mas quando conseguia um bom negócio adiantava vários meses. A sua senhoria tinha pena dele e achava-o um bichinho de casulo, não incomodando em nada e sorrindo de uma maneira que só os anjos deveriam sorrir.
No atelier a sorte ainda o protegia mais. Porque o velho português, seu Matias, vaticinava que mais dias menos dias ele seria um grande artista e seus quadros valeriam muito. Por isso não se incomodava de receber um desenho, um quadro em paga de um aluguel bastante modesto.
– Um dia a mais, um dia a menos!...
Recebia em paga do consolo o mesmo sorriso que enchia de luz o seu rosto.
Mas hoje o dia estava lindo. O mês de abril aparecera naquele equilíbrio encantador. Dono de todo o azul do céu, trazendo o primeiro beijo do frio. Trazendo até um pouco de ânimo ao coração. Assim, sim. Dava vontade de procurar o atelier e trabalhar um pouco assobiando uma cantiga qualquer que ficava horas e horas repetidas na sua distração.
Acabava de se vestir e tentava colocar o cabelo no lugar, penteando-se. Antes mesmo de chegar à rua ele escorregaria pela testa, achando que aquele era mesmo o seu lugar.
Abriu a porta do quarto e decidiu sair. Antes mesmo de fechar a porta teve o cuidado de espiar se eles
o seguiam. Os seus fantasmas da infância. Quando deixava passar o trenzinho e a canoinha, aí, sim. Caminhava pela rua, atravessava os sinais com cautela para que nada acontecesse aos seus fantasminhas imaginários que o seguiam abrigando-se na sombra da sua ternura.
No mais, Pedro era assim. Assim mesmo.
