Avaliação psicológica: Um novo olhar para a clínica terapêutica
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Avaliação psicológica - Demerval Guilarducci Bruzzi
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Bruzzi, Demerval Guilarducci Avaliação psicológica : um novo olhar para clínica terapêutica / Demerval Guilarducci Bruzzi. -- 1. ed. -- São Paulo : Vetor Editora, 2020.
Bibliografia.
1. Psicologia 2. Avaliação I. Título.
20-52301 | CDD-150
Índices para catálogo sistemático:
1. Psicologia 150
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
ISBN:978-65-86163-55-1
CONSELHO EDITORIAL
CEO - Diretor Executivo
Ricardo Mattos
Gerente de produtos e pesquisa
Cristiano Esteves
Coordenador de Livros
Wagner Freitas
Diagramação
Rodrigo Ferreira de Oliveira
Capa
Rodrigo Ferreira de Oliveira
Revisão
Rafael Faber Fernandes e Paulo Teixeira
© 2020 – Vetor Editora Psico-Pedagógica Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer
meio existente e para qualquer finalidade, sem autorização por escrito
dos editores.
Este livro é dedicado à pessoa que nos últimos anos foi mais que uma mentora e é a fonte de minha motivação no estudo aprofundado da psicologia.
Obrigado, Dra. Sônia M. Hueb.
SUMÁRIO
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
1. AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Introdução
Como saber se um teste padronizado é válido?
2. O QUE A NEUROPSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO?
3. MAS O QUE É AVALIAÇÃO TERAPÊUTICA?
Introdução
A fenomenologia como uma das bases da teoria
Subjetividade: a segunda base da teoria
Humanismo: a terceira base da teoria
4. INICIANDO O PROCESSO
Introdução
Sessão inicial
Clínica de entrevista anamnética
Conversando com o paciente (levantamento da demanda)
Testes padronizados
Intervenção
Resumo e discussão
Entrega e devolutiva por escrito
Próximo passo – acompanhamento do paciente após sua alta
5. A AVALIAÇÃO PODE E DEVE SER COLABORATIVA
6. A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA VERSUS AVALIAÇÃO TERAPÊUTICA
7. QUANDO O PACIENTE É DEFENSIVO OU INVALIDA O PROCESSO AVALIATIVO
8. QUAIS TESTES UTILIZAR?
9. DEPOIMENTOS
Introdução
Autorrelato de R.S.S.
Autorrelato de B.L.A.P.
Autorrelato de D.C.B.
Autorrelato de R.S.A.
Relato da Psicóloga Lígia Nunes – CRP 01/21390
Relato da Psicóloga Elizete Ferreira Samuel – CRP 01/21661
10. CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
SOBRE O AUTOR
PREFÁCIO
Há aproximadamente dois anos, ministrei um módulo na pós-graduação lato sensu em avaliação psicológica (AP) na cidade de Brasília, onde tive a honra de conhecer, entre outros(as) engajados(as) alunos(as), o psicólogo Demerval Bruzzi. Na época, lembro-me bem, Demerval estava iniciando sua prática clínica e, desse modo, sugeria bastante entusiasmo ao compartilhar certas vivências em sala de aula a respeito dos casos que vinha acompanhando. Pude sentir que sua curiosidade, bem como seu interesse genuíno pela integração da AP aos atendimentos clínicos, foram ainda mais instigados quando o apresentei à metodologia colaborativa denominada avaliação terapêutica (AT), uma proposta que transcende a coleta de dados tradicionalmente praticada, incorporando intervenções meticulosamente planejadas ao processo avaliativo.
Deixei claro, durante o referido módulo, que a AT era uma metodologia um tanto quanto recente, em especial no Brasil, o que, por conseguinte, inviabilizaria a obtenção de extensos referenciais teóricos de leitura em nossa língua. Contudo, estimulei que todos os presentes que, assim como Demerval, relataram interesse em aprofundar seus conhecimentos nessa prática, adquirissem a obra do psicólogo norte-americano Stephen Finn, sistematizador da AT. Indubitavelmente, ele o fez, passando a estudar com dedicação a proposta de Finn, o que lhe permitiu melhor entender as discussões que eu propusera previamente em sala de aula.
Como o próprio Finn defende em sua obra, psicólogos(as) devem sentir-se suficientemente confortáveis após internalizar o potencial terapêutico de uma AP, para realizar certos ajustes na estrutura metodológica por ele sistematizada. As mudanças que se fizerem necessárias visarão melhor atender às demandas contextuais em que exercem seus trabalhos, bem como as peculiaridades de cada cliente. Essa liberdade concedida pelo psicólogo norte-americano permite-nos, de certo modo, absorver os princípios subjacentes da AT ou mesmo algumas de suas técnicas, para então assimilar tais elementos à nossa forma de atuação.
Foi seguindo essa orientação que Demerval buscou ajustar sua postura como psicólogo avaliador. Cada novo cliente recebido por ele em seu consultório particular passou a ser engajado no processo de AP de maneira ativa, estimulando-o a verbalizar sua experiência e sua história de vida entre uma sessão de aplicação de teste e outra. Pequenas intervenções, ou mesmo discussões clínicas elucidativas, tornaram-se recorrentes nos processos de avaliação que Demerval era designado a realizar. Assim sendo, sua vivência clínica foi sendo gradualmente transformada, fazendo que seu deslumbre inicial pela AP se tornasse ainda mais consistente, haja vista perceber na prática o quanto o trabalho tende a impactar positivamente a vida de todos os envolvidos.
Impulsionado por sua empolgação diante do trabalho que vem desenvolvendo com seus clientes, Demerval compartilha um pouco a respeito de seu modo de praticar a AP no decorrer deste livro. Avaliação psicológica: um novo olhar para a clínica terapêutica convida o(a) leitor(a) a refletir sobre a possibilidade de se conduzirem intervenções, de certo modo, psicoterápicas, paralelamente à coleta de dados padronizados por meio de testes psicológicos. Lançando mão de um linguajar acessível e envolvente, o autor ilustra como tem conduzido seus atendimentos em AP, exemplificando suas discussões com diversos trechos de casos clínicos por ele atendidos. Cada capítulo traz informações básicas, que vão gradualmente evoluindo, para facilitar a compreensão dos(as) psicólogos(as) que não têm vasta experiência na área. Ademais, apresenta relatos de alguns de seus clientes, que validam o quão transformadora a AP pode se tornar quando o(a) psicólogo(a) se propõe a enfatizar a importância do cliente em detrimento de escores de testes psicológicos isolados.
Dr. Philipe Gomes Vieira
Doutor em Avaliação Psicológica
INTRODUÇÃO
Ainda durante meu estágio na área da psicologia, quando iniciamos os atendimentos clínicos, eu insistia com meus professores na utilização de testes psicológicos, em especial, os de personalidade e inteligência.
De alguma maneira, eu percebia que a utilização de tais testes poderia facilitar e muito meu vínculo com o paciente, uma vez que teria uma espécie de radiografia
de seu eu
naquele momento.
Como tinha doutorado em área correlata à psicologia, e de acordo com as normas legais, pude fazer, em paralelo com minha graduação, uma pós na área de avaliação psicológica, tempo em que, por intermédio do professor Philipe Vieira, tomei conhecimento da metodologia proposta por Stephen Finn – Avaliação Terapêutica.
Apaixonado e inspirado pela metodologia, comecei, ainda no estágio de psicologia, a utilizar seus conceitos, e os resultados eram sempre assombrosos, pois em curto espaço de tempo pude ajudar os pacientes graças à utilização dos testes psicológicos de maneira terapêutica, e não apenas diagnóstica. Apesar disso, devo confessar que o resultado poderia ter sido o mesmo se os pacientes tivessem procurado o atendimento para avaliação psicológica em vez de um processo terapêutico. Porém, depois, provavelmente necessitariam de uma terapia, o que, com a metodologia empregada, não foi mais necessário.
Na busca por mais referências, deparei com o único livro em português a respeito do assunto (Finn, 2017). Encontrei também alguns poucos artigos sobre o tema, com destaque para o texto de Villemor-Amaral e Resende (2018).
Em pesquisa no Google Acadêmico desde 2007 até os dias atuais 2020, encontrei 853 artigos correlacionados ao nome Stephen Finn e 158 quando utilizo Avaliação Terapêutica – Stephen Finn
, o que corrobora minha percepção de escassez de material em português abordando o tema.
Diante dessa percepção, e ainda encantado pela metodologia, iniciei a criação deste livro, com o intuito de facilitar a vida daqueles que, como eu, demoraram a ter contato com essa nova maneira de trabalhar. Pretendo não apenas proporcionar um primeiro contato, em especial para estudantes, mas também, inspirado por Finn, apresentar uma nova visão do trabalho com a avaliação psicológica, mas com um viés terapêutico, mais ideográfico e menos monotético.
Nesse sentido, a objetividade será meu norte nesta jornada. Entretanto, fazem-se necessárias algumas paradas em portos já conhecidos, como avaliação psicológica, algumas teorias clássicas, etc.
É preciso acrescentar que existe também uma releitura pessoal da metodologia. Entendo que releitura usualmente pressupõe apresentação de acréscimos à obra original. Contudo, quero deixar claro que não se trata disso. A releitura, neste caso, advém de minha própria prática e da experiência adquirida tanto com a clínica terapêutica como com a avaliação psicológica e neuropsicológica, ou seja, por meio do entendimento da obra de Finn, proponho um novo olhar para a avaliação psicológica.
No entanto, você, como psicólogo e leitor, pode ficar tranquilo, pois a base central – ou, como gostam de chamar alguns autores, a espinha dorsal – da obra de Finn não foi alterada. Na verdade, a releitura a que me refiro é o incremento de mais etapas ao processo de avaliação psicológica tradicional, com base em minha prática, possibilitando ao psicólogo uma retroalimentação do processo até que se esgotem as queixas e demandas do paciente.
Outro ponto importante é que, quando estiver me referindo à metodologia de Stephen Finn, na medida do possível, utilizarei o termo Avaliação Terapêutica (com iniciais em letras maiúsculas), como o próprio Finn faz em sua obra original, e, quando me referir a minha atual proposta, utilizarei o termo com letras minúsculas, avaliação terapêutica.
Por fim, apesar de querer divulgar a metodologia e trazer uma série de reflexões, com base na releitura já informada, minhas
