Doutrinas Centrais da Fé Cristã: Um guia teológico, claro, prático e acessível
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Sobre este e-book
• doutrina da verdadeira religião;
• doutrina da revelação;
• doutrina da Escritura;
• doutrina de Deus e da criação;
• doutrina do homem em relação a Deus;
• doutrina da pessoa e da obra de Cristo;
• doutrina da aplicação da obra da redenção;
• doutrina da igreja e dos meios de graça;
• doutrina das últimas coisas.
Organizado e subdividido de modo sistemático, direto e simples, Doutrinas centrais da fé cristã comprovou-se ideal para grupos de estudo, além de ser uma excelente introdução à teologia para o crente comum que quer se aprofundar no estudo da Palavra de Deus.
Ao final de cada capítulo, você encontrará listas de passagens bíblicas que dão embasamento a cada tópico abordado e, ao final delas, perguntas para estudo adicional e para revisão aumentam o valor prático do livro para o leitor.
Louis Berkhof
(1874-1957) He taught for thirty-eight years at CalvinTheological Seminary in Grand Rapids, Michigan.
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Teologia sistemática Nota: 5 de 5 estrelas5/5Manual de doutrina cristã Nota: 5 de 5 estrelas5/5Princípios de interpretação bíblica Nota: 5 de 5 estrelas5/5
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Doutrinas Centrais da Fé Cristã - Louis Berkhof
1. Religião
2. Revelação
3. Escritura
1
RELIGIÃO
1. A natureza da religião
2. O lugar da religião
3. A origem da religião
1. A Natureza da religião
A Bíblia informa que o homem foi criado à imagem de Deus. Ao cair em pecado, porém, ele não deixou totalmente de ser portador da imagem do Altíssimo. A semente da religião ainda está presente em todos os seres humanos, embora a natureza pecaminosa reaja constantemente contra ela. Os missionários atestam a presença da religião, de uma forma ou de outra, entre todas as nações e tribos da terra. Trata-se de uma das maiores bênçãos da humanidade, embora muitos a acusem de ser uma maldição. A religião não apenas afeta as mais profundas fontes de vida do ser humano, mas também controla seus pensamentos, sentimentos e desejos. Mas, afinal, o que é religião? Somente pelo estudo da Palavra de Deus é possível aprender acerca da natureza da verdadeira religião. A palavra religião
deriva do latim, e não de algum termo encontrado no original hebraico ou grego da Bíblia. A palavra é encontrada poucas vezes em nossas versões da Bíblia (At 26.5; Gl 1.13,14; Tg 1.26,27). O Antigo Testamento define religião como o temor do Senhor. Esse temor, contudo, não é um sentimento de medo, mas de respeito e reverência por Deus, algo semelhante ao sentimento de admiração combinado com amor e confiança. Trata-se, na verdade, da resposta dos crentes do Antigo Testamento à revelação da lei. No Novo Testamento, porém, religião é mais uma resposta ao evangelho do que à lei, assumindo a forma de fé e piedade.
À luz da Escritura, aprendemos que a religião consiste em uma relação do ser humano com Deus, uma relação na qual ele se conscientiza da majestade absoluta e do poder infinito de Deus, bem como da completa insignificância e da absoluta impotência do ser humano. A religião pode ser definida como um relacionamento consciente e voluntário com Deus, expresso em forma de adoração agradecida e serviço amoroso. No entanto, o modo desse serviço e dessa adoração religiosa não é deixado ao critério arbitrário do homem; esse modo é determinado por Deus.
2. O Lugar da religião
Existem várias opiniões equivocadas a respeito do lugar da religião no homem. Alguns concebem a religião, primordialmente como uma espécie de conhecimento, situando-a no intelecto. Outros, porém, a consideram uma espécie de percepção imediata de Deus, identificando que seu lugar está nos sentimentos. Outros ainda sustentam tratar-se, acima de tudo, de uma atividade moral, atribuindo-a, assim, à vontade. No entanto, todas essas opiniões são unilaterais e contrárias à Escritura, que nos ensina que religião é uma questão do coração. Na psicologia da Escritura, o coração é o órgão central da alma. Dele, procedem todas as fontes de vida, os pensamentos, sentimentos e desejos (Pv 4.23). A religião envolve o homem por inteiro: sua vida intelectual, emocional e moral. Esse é o único ponto de vista que faz jus à natureza da religião.
3. A Origem da religião
Nos últimos cinquenta anos, tem-se dispensado especial atenção à questão da origem da religião. Houve reiteradas tentativas de lhe atribuir uma explicação natural, todas, porém, sem sucesso. Alguns falaram dela como uma invenção de sacerdotes astutos e enganadores, que a consideravam uma fonte fácil de obter renda, mas hoje essa explicação está totalmente desacreditada. Outros sustentaram que ela teve início com a adoração de objetos inanimados (artefatos religiosos), ou com a adoração de espíritos, possivelmente espíritos de antepassados. Mas isso não se constitui em uma explicação, uma vez que a pergunta persiste: "De que modo as pessoas chegaram à ideia de adorar objetos inanimados ou vivos?". Outros ainda defenderam que a religião se teria originado na adoração da natureza, ou seja, na adoração de suas maravilhas e forças, ou na difundida prática de magia. Mas essas teorias não explicam, mais que as outras, como o homem não religioso se tornou religioso. Todas têm como ponto de partida o homem já religioso.
A Bíblia fornece o único relato confiável da origem da religião. Ela nos fala da existência de Deus, o único que é digno de adoração religiosa. Além disso, assegura-nos que Deus — a quem o homem nunca poderia descobrir por sua capacidade natural — revelou-se na natureza e, mais especificamente, em sua divina Palavra, requerendo do homem adoração e serviço, e também determinando o tipo de adoração e serviço que lhe agradam. Por fim, a Bíblia nos ensina que Deus criou o homem à sua própria imagem, dotando-o de capacidade para compreender essa revelação e responder a ela, e engendrou nele o anseio natural para buscar comunhão com Deus e glorificá-lo.
Para memorizar
Passagens da Escritura que dão embasamento bíblico sobre:
a. A natureza da religião
Deuteronômio
10.12.13 Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do Senhor e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?
Salmos
111.10. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre.
Eclesiastes
12.13. Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.
João
6.29. A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
Atos
16.31. Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.
b. O lugar da religião
Salmos
51.10. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.
Também o
versículo 17
: Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.
Provérbios
4.23. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.
Mateus
5.8. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
c. A origem da religião
Gênesis
1.27. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou.
Deuteronômio
4.13. Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos.
Ezequiel
36.26. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.
Para estudo adicional
a. Quais elementos da verdadeira religião são indicados nas seguintes passagens: Deuteronômio 10.12; Eclesiates 12.13; Oseias 6.6; Miqueias 6.8; Marcos 12.33; João 3.36; 6.29; Atos 16.31; Romanos 12.1; 13.10; Tiago 1.27?
b. Quais formas de falsa religião são indicadas nas seguintes passagens: Salmos 78.35,36; Isaías 1.11-17; 58.1-5; Ezequiel 33.31,32; Mateus 6.2,5; 7.21,26,27; 23.14; Lucas 6.2; 13.14; Gálatas 4.10; Colossenses 2.20; 2Timóteo 3.5; Tito 1.16; Tiago 2.15,16; 3.1?
c. Cite seis exemplos da verdadeira religião segundo estas passagens: Gênesis 4.4-8; 12.1-8; 15.17; 18.22,23; Êxodo 3.2-22; Deuteronômio 32.33; 2Reis 18.3-7; 19.14-19; Daniel 6.4-22; Lucas 2.25-35; 2.36,37; 7.1-10; 2Timóteo 1.5.
Perguntas para revisão
1. A religião se limita a determinadas tribos e nações?
2. De que forma é possível conhecer a real natureza da verdadeira religião?
3. Quais termos são usados no Antigo e no Novo Testamento para caracterizar a religião?
4. Como você definiria religião?
5. Quais conceitos equivocados existem a respeito de onde é o lugar da religião no homem?
6. De acordo com a Escritura, qual é o centro da vida religiosa?
7. Que diferentes explicações têm sido dadas para a origem da religião?
8. Qual é a única explicação satisfatória?
2
Revelação
1. Revelação em geral
2. Revelação geral
a. A insuficiência da revelação geral
b. O valor da revelação geral
3. Revelação especial
a. A necessidade da revelação especial
b. Os meios de revelação especial
(1) Teofanias ou manifestações visíveis de Deus
(2) Comunicações diretas
(3) Milagres
c. O caráter da revelação especial.
1. Revelação em geral
A discussão em torno da religião conduz, naturalmente, ao debate da revelação como origem da religião. Se Deus não tivesse se dado a conhecer, a religião teria sido impossível. O homem não obteria nenhum conhecimento divino se Deus não se revelasse, e assim, o homem nunca chegaria a conhece-lo. Aqui, distinguiremos entre a revelação de Deus na natureza e sua revelação na Escritura.
Certamente, ateus e agnósticos não acreditam em revelação. Os panteístas às vezes falam dela, embora realmente não haja lugar para ela em seu sistema de pensamento. Os deístas admitem a revelação de Deus na natureza, mas negam a necessidade, a realidade e até mesmo a possibilidade de alguma revelação especial como a que temos na Escritura. Cremos tanto na revelação geral como na revelação especial.
2. Revelação geral
Quanto ao tempo, a revelação geral de Deus é anterior à sua revelação especial. Ela não vem ao homem na forma de comunicação verbal, mas nos fatos, nas forças e nas leis da natureza, na constituição e na operação da mente humana, bem como nos fatos da experiência e da história. A Bíblia se refere a isso em passagens como Salmos 19.1,2; Romanos 1.19,20; 2.14,15.
a. A insuficiência da revelação geral
Enquanto os pelagianos, racionalistas e deístas consideram a revelação geral adequada às nossas necessidades atuais, os católicos romanos e os protestantes concordam que ela não é suficiente. A revelação geral foi obscurecida pelo flagelo do pecado que incide sobre a bela criação de Deus. O registro do Criador não foi inteiramente apagado, mas tornou-se nebuloso e indistinto. Agora, ele não comunica nenhum conhecimento inteiramente confiável de Deus e das coisas espirituais, e, por conseguinte, não nos fornece um fundamento fidedigno sobre o qual possamos edificar para nosso futuro eterno. A atual confusão religiosa dos que buscam fundamentar sua religião em uma base puramente natural prova claramente sua insuficiência. Ela nem mesmo fornece um fundamento adequado para a religião em geral, muito menos para a verdadeira religião. Até mesmo as nações pagãs apelam para uma suposta revelação especial. Por fim, a revelação geral é incapaz de atender às necessidades espirituais dos pecadores. Embora ela comunique algum conhecimento de bondade, sabedoria e poder de Deus, não transmite nenhum conhecimento de Cristo como único caminho da salvação.
b. O valor da revelação geral
Isso não significa, entretanto, que a revelação geral não tenha valor algum. Ela é responsável pelos elementos verdadeiros que ainda são encontrados nas religiões pagãs. Em virtude dessa revelação, os gentios se dão conta de que são geração de Deus (At 17.28) e buscam Deus, como se, porventura, tateando, pudessem encontrá-lo (At 17.27), contemplam na natureza o eterno poder e a divindade de Deus (Rm 1.19,20) e praticam por natureza os preceitos da lei (Rm 2.14). Embora vivam nas trevas do pecado e da ignorância, e pervertam a verdade de Deus, eles ainda participam da iluminação da Palavra (Jo 1.9) e das operações em geral do Espírito Santo (Gn 6.3). Além disso, a revelação geral de Deus também forma o pano de fundo para sua revelação especial. A última não poderia ser plenamente compreendida sem a primeira. A ciência e a história realmente iluminam as páginas da Bíblia.
3. Revelação especial
Além da revelação de Deus na natureza, temos sua revelação especial, que agora está incorporada na Escritura. A Bíblia é eminentemente o livro da revelação especial de Deus, uma revelação em que fatos e palavras caminham juntos — as palavras interpretando os fatos e os fatos dando substância às palavras.
a. A necessidade da revelação especial
Essa revelação tornou-se necessária por causa da entrada do pecado no mundo. O registro de Deus na natureza foi obscurecido e corrompido, e o homem foi ferido de cegueira espiritual, e este ficou sujeito ao erro e à incredulidade, e agora, em sua cegueira e perversidade, é incapaz de interpretar corretamente até mesmo os indícios remanescentes da revelação original, e não consegue compreender uma nova revelação de Deus. Portanto, tornou-se necessário que Deus reinterpretasse as verdades da natureza, provesse uma nova revelação da redenção e iluminasse a mente do homem, resgatando-a do poder do erro.
b. Os meios da revelação especial
Ao dar sua revelação especial ou sobrenatural, Deus empregou tipos diferentes de meios, como:
(1) Teofanias ou manifestações visíveis de Deus. Ele revelou sua presença no fogo e em nuvens de fumaça (Êx 3.2; 33.9; Sl 78.14; 99.7); em redemoinhos (Jó 38.1; Sl 18.10-16) e em um cicio tranquilo e suave
(1Rs 19.12). São todos sinais de sua presença, revelando algo de sua glória. Entre as aparições do Antigo Testamento, as do Anjo do Senhor, a segunda pessoa da Trindade, ocupou lugar proeminente (Gn 16.13; 31.11; Êx 23.20-23; Ml 3.1). O ponto mais alto da aparição pessoal de Deus entre os homens foi alcançado na encarnação de Jesus Cristo. Nele, o Verbo se tornou carne e habitou entre nós (Jo 1.14).
(2) Comunicações diretas. Por vezes, Deus falou aos homens em voz audível, como fez com Moisés e os filhos de Israel (Dt 5.4); outras vezes, apresentou suas mensagens aos profetas por meio de operações internas do Espírito Santo (1Pe 1.11). Além disso, ele se revelou em sonhos e visões, bem como por meio do Urim e do Tumim (Nm 12.6; 27.21; Is 6). No Novo Testamento, Cristo aparece como o grande Mestre enviado da parte de Deus para revelar a vontade do Pai; e, por seu Espírito, os apóstolos vieram a ser instrumentos de novas revelações (Jo 14.26; 1Co 2.12-13; 1Ts 2.13).
(3) Milagres. Os milagres da Bíblia jamais deveriam ser vistos como meros prodígios que enchem os homens de espanto, mas, sim, como partes essenciais da revelação especial de Deus. Eles são manifestações do poder extraordinário de Deus, sinais de sua presença peculiar, e normalmente servem para simbolizar verdades espirituais. São sinais do vindouro Reino de Deus e de seu poder redentor. O maior milagre de todos é a vinda do Filho de Deus em carne. Nele, toda a criação de Deus é restaurada e restabelecida à sua beleza original (1Tm 3.16; Ap 21.5).
c. O caráter da revelação especial
Essa revelação especial de Deus é redentora. Traduz o plano de Deus para a redenção dos pecadores e do mundo, e o modo que esse plano é realizado. Ela é fundamental para a renovação do homem, iluminando sua mente e inclinando sua vontade para o que é bom; essa revelação também o enche de santas afeições, preparando-o para seu lar celestial. Ela não somente nos traz uma mensagem de redenção, mas também nos familiariza com os fatos redentores. Ela não somente nos enriquece com conhecimento, mas também transforma vidas, transformando os pecadores em santos. Essa revelação é claramente progressiva. As grandes verdades da redenção aparecem, inicialmente, de forma indistinta, mas, aos poucos, vão aumentando em clareza e, por fim, aparecem no Novo Testamento, em toda a sua plenitude e beleza.
Para memorizar
Passagens da Escritura que dão embasamento bíblico sobre:
a. A revelação geral
Salmos
8.1. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!
Salmos
19.1.2. Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
Romanos
1.20. "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade,
