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A revolução de outubro
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A revolução de outubro

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Sobre este e-book

"A Rússia, ainda nos dois primeiros meses de 1917, era a monarquia dos Romanov. Oito meses mais tarde os bolcheviques apoderaram-se do leme; eles que, no princípio do ano, eram desconhecidos e cujos líderes, no momento mesmo do acesso ao poder, foram acusados de alta traição. Não encontramos na História outro exemplo de uma reviravolta tão brusca, sobretudo se nos lembrarmos de que se trata de uma nação com 150 milhões de habitantes. Claro está que os acontecimentos de 1917 - de qualquer prisma que os consideremos - merecem ser estudados."

Assim Trotski abriu sua monumental História da Revolução Russa, em três volumes, escrita em 1930, quando já não estava no poder. Antes desse grande e completo relato, fez um primeiro esboço - cujo resultado é o precioso livro que as editoras Boitempo e Iskra trazem ao leitor brasileiro no 90º aniversário da Revolução Russa -como introdução ao processo a que Eric Hobsbawm se referiu com estas contundentes palavras: 'A Revolução de Outubro teve repercussões muito mais profundas e globais que a Revolução Francesa (1789) e produziu, de longe, o mais formidável movimento revolucionário organizado da história moderna.'
IdiomaPortuguês
EditoraBoitempo Editorial
Data de lançamento18 de dez. de 2017
ISBN9788575596005
A revolução de outubro

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    A revolução de outubro - Leon Trótski

    PRÓLOGO À EDIÇÃO RUSSA

    Passaram-se mais de oito meses desde a Revolução de Outubro. O regime, do qual muitos políticos devotos previam a morte dentro de alguns dias, já é muito mais longo do que os dois regimes revolucionários anteriores: o puramente burguês e o de coalizão.

    O regime soviético já tem, além da sua rica história, uma lenda tão rica quanto. A história será estudada posteriormente – por dezenas de anos; mas a lenda está sendo criada e difundida agora: pelos inimigos conscientes da classe trabalhadora revolucionária, pelos bisbilhoteiros e pelos charlatões contratados da imprensa amarela. Neste livrinho está recriada – em traços mais gerais – a história do surgimento e os pequenos quatro meses do regime soviético. O livrinho foi escrito especialmente para apresentar aos trabalhadores estrangeiros o sentido e os objetivos do regime soviético, saindo no presente momento em várias línguas. Se, ao mesmo tempo, eu o edi-to em russo, é justamente para opô-lo à lenda que está sendo criada (pelos charlatões e bisbilhoteiros).

    Conforme indicado no prólogo às edições estrangeiras, o livrinho não foi escrito a partir de documentos, mas da memória. Entretanto, dificilmente há nele erros de caráter factual. Porém, de maneira alguma se trata de uma narração completa. Assim, as medidas sociais do regime soviético quase não são tocadas: sua narração e sistematização deveriam ser objeto de um trabalho muito mais elaborado e minucioso. Tivemos de nos limitar quase que exclusivamente às questões da luta política interna e externa dos operários e camponeses pelo poder. Foi justamente nessa área que trabalharam com mais energia: o telégrafo, o radiotelégrafo e outras armas da mentira imperialista internacional...

    O estilo despojado desta brochura, pelo qual peço desculpas ao leitor, explica-se pelo fato de que o livrinho não foi escrito em uma mesa, mas foi ditado a um estenógrafo. Ainda levará muito tempo até que a história retorne às suas margens e crie as condições para um trabalho mais planejado e elaborado.

    Leon Trótski

    Moscou, 16 de julho de 1918

    PRÓLOGO

    A maior parte desta brochura foi escrita em circunstâncias pouco propícias para um trabalho sistemático: alguns dos capítulos que compõem este ensaio foram esboçados em Brest-Litovsk, durante o tempo livre que me restava entre uma e outra sessão da Conferência de Paz[1], com o objetivo de explicar ao proletariado de todos os países as razões, o desenvolvimento e o sentido da Revolução Russa de Outubro[2].

    Quis a história que os delegados do regime mais revolucionário que a humanidade já conheceu tivessem que tomar assento na mesma mesa de conferências que os enviados da casta mais reacionária entre todas as que formam as classes dominantes. Nas sessões da Conferência de Paz, não perdemos de vista nem por um momento a lembrança de que somos representantes de uma classe revolucionária. Nossos discursos se dirigiam aos operários de todos os países esmagados pela guerra. E nossa energia se manteve incólume graças à profunda convicção de que a última palavra nesse assunto da liquidação da guerra, como em todas as questões atuais, não poderia ser pronunciada senão pelo proletariado da Europa. Enquanto dialogávamos com Kühlmann e Czernin[3], lembrávamos e pensávamos em amigos e partidários como Karl Liebknecht e Friedrich Adler[4]. O tempo livre era empregado na preparação desta brochura, destinada a circular entre os operários da Alemanha, da Áustria-Hungria e de outros países.

    A imprensa burguesa de toda a Europa é unânime quando se trata de propagar as mentiras e as calúnias contra o regime do proletariado da Rússia, para cuja condenação não considera suficientes as mais ignominiosas injúrias. E a imprensa do socialismo patriótico, desencorajada, descrente e sem ideia do que é a sua própria obra, demonstra uma incapacidade completa para compreender e interpretar o verdadeiro caráter da Revolução Russa. Com esta brochura, queremos ajudá-los.

    Cremos que os operários revolucionários da Europa e de todas as partes do mundo nos compreenderão. Cremos que muito em breve realizarão o mesmo trabalho que realizamos. Apoiando-se na sua experiência mais rica e nos meios mais avançados em termos de ideias e tecnologias de que dispõem, realizarão seu trabalho com mais eficácia e nos ajudarão a superar todas as dificuldades.

    Brest-Litovsk, 12 de fevereiro de 1918


    [1] Brest-Litovsk: cidade na fronteira da Rússia com a Polônia onde se assinou o tratado de paz, em 3 de março de 1918, entre a Rússia revolucionária e a Alemanha imperialista. As negociações duraram de 22 de dezembro de 1917 até 10 de fevereiro de 1918. Os termos do tratado eram estritamente desfavoráveis ao governo soviético. Trótski prolongou as negociações o máximo possível para desenvolver as posições revolucionárias e permitir que o proletariado alemão saísse do clima criado pela guerra. A revolução de novembro de 1918 na Alemanha e a derrota desta na Primeira Guerra Mundial permitiram à União Soviética (URSS) recuperar a maioria de seus territórios.

    [2] Revolução Russa de Outubro: até a Revolução o antigo calendário russo (calendário juliano, instituído por Júlio César no ano 46 a. C.) era diferente do usado no Ocidente (calendário gregoriano, promulgado pelo papa Gregório XIII em 1582). Entre ambos havia uma diferença de doze dias no século XIX e de treze dias no século XX. O 7 de novembro determina, no calendário ocidental, a data correspondente ao 25 de outubro do calendário russo, no qual triunfou a insurreição que ficou internacionalmente conhecida como a Revolução de Outubro ou Outubro russo.

    [3] Richard von Kühlmann (1873-1948): representante alemão nas negociações de paz de Brest-Litovsk ao lado do general Hoffmann. Ottokar G. Czernin (1872-1932): ministro das Relações Exteriores do Império Austro-Húngaro, assinou o Tratado de Brest-Litovsk como representante da delegação austríaca.

    [4] Karl Liebknecht (1871-1919): deputado social-democrata no Reichstag (parlamento alemão) quando do início da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ter votado com seu partido o orçamento de guerra, em 4 de agosto de 1914, logo repudiou essa política. Esteve preso de 1916 a 1918 por sua atividade contra a guerra. Fundou, com Rosa Luxemburgo, a Liga Spartakus. Ambos foram assassinados por ordem do governo social-democrata, como dirigentes da insurreição de janeiro de 1919. Friedrich Adler (1879-1960): secretário do Partido Social-Democrata Austríaco de 1911 a 1916, quando assassinou o primeiro-ministro austríaco e foi preso. Libertado pela revolução, em 1918, defendeu a unificação da Internacional Dois e Meio com a Segunda Internacional, em 1923, assumindo o cargo de secretário.

    1

    A INTELLIGENTSIA[1] PEQUENO-BURGUESA NA REVOLUÇÃO

    Em nossa época, os acontecimentos sucedem-se com tamanha rapidez que é difícil reconstruí-los na memória mesmo em sua simples ordem cronológica. Atualmente não dispomos de jornais nem de documentos. As interrupções periódicas no curso das negociações de Brest-Litovsk proporcionam, entretanto, um tempo livre que, dadas as circunstâncias em que nos encontramos, não se repetirá. É por isso que me proponho a escrever este relato dos acontecimentos da Revolução de Outubro, confiando em minhas recordações e reservando-me o direito de mais tarde completá-lo e corrigi-lo com o auxílio de documentos.

    O que caracterizou nosso partido desde os primeiros momentos da revolução foi a firme convicção de que a dinâmica dos acontecimentos o levaria à tomada do poder. Não me refiro aos teóricos do nosso partido que, muitos anos antes dessa revolução e mesmo antes da de 1905[2], analisando as relações entre as classes sociais russas, afirmavam que uma vitória da revolução levaria necessariamente o proletariado ao poder, apoiado pelas amplas massas de camponeses pobres. Essa previsão se apoiava fundamentalmente na insignificância da burguesia democrática, no caráter concentrado da indústria e, por consequência, na enorme importância social do proletariado russo. A insignificância da democracia burguesa não é senão a outra face do poder e da importância do proletariado. A guerra gerou ilusões a esse respeito, em primeiro lugar nos grupos dirigentes da burguesia democrática. A guerra outorgou ao Exército um papel decisivo nos acontecimentos da revolução; e o antigo Exército eram os camponeses. Se a revolução tivesse se desenvolvido em condições mais normais, se tivesse começado em tempo de paz, como o que prevalecia em 1912[3], o proletariado teria assumido o posto dirigente desde o primeiro momento e teria arrastado gradualmente os camponeses para o redemoinho revolucionário. A guerra, porém, impôs outra dinâmica aos acontecimentos. O Exército uniu os camponeses, não política, mas militarmente. Antes que as reivindicações e as ideias revolucionárias os unificassem, eles já estavam organizados em regimentos, divisões, corpos de exército e exércitos. Os grupos da democracia pequeno-burguesa espalhados nesse exército, que do ponto de vista militar e intelectual cumpriam um papel de destaque, encontravam-se em sua maioria tomados pelo espírito da pequena--burguesia revolucionária. O profundo descontentamento social das massas agravou-se e começou a transbordar graças, principalmente, ao desastre militar do tsarismo[4]. Assim que teve início a revolução, a vanguarda do proletariado fez reviver a tradição de 1905 e incitou as massas a se organizar em organismos representativos, os conselhos de delegados[5].

    O Exército teve de enviar representantes às instituições revolucionárias antes que sua consciência política se elevasse minimamente à altura dos acontecimentos revolucionários que estavam em curso. Quem os soldados poderiam enviar como delegados? Naturalmente, apenas os intelectuais e os semi-intelectuais que se encontravam entre eles, os que possuíssem ao menos um mínimo de conhecimentos políticos e fossem capazes de expressá-los.

    Desse modo, a intelligentsia pequeno-burguesa foi elevada, subitamente e por vontade do Exército em seu despertar, às alturas. Médicos, engenheiros, advogados, jornalistas e profissionais liberais que antes da guerra levavam uma vida absolutamente ordinária e não teriam pretendido nenhum papel proeminente, tornaram-se de golpe representantes de corpos de exército e de exércitos inteiros e sentiam-se os condutores da revolução[6]. A imprecisão de suas ideias políticas correspondia exatamente ao estado amorfo da consciência revolucionária das massas. Esses grupos – do alto de sua arrogância – diziam-nos sectários, nós, que havíamos formulado as reivindicações sociais dos trabalhadores e dos camponeses com total clareza e resolução.

    Ao mesmo tempo, a democracia pequeno-burguesa, debaixo de seu orgulho de revolucionária, escondia uma profundíssima desconfiança em relação a si mesma e em relação às massas que a elevaram inesperadamente àquela alta posição. Mesmo se dizendo socialistas e considerando-se como tais, na realidade conservavam um respeito mal dissimulado pela potência política da burguesia liberal, seus conhecimentos, seus métodos. Daí a aspiração dos dirigentes da pequena-burguesia a concretizar a todo custo a colaboração, a aliança e a coalizão com a burguesia liberal. O programa do Partido Socialista Revolucionário[7], cheio de fórmulas de um vago humanitarismo e de lugares-comuns sentimentalistas e elucubrações morais, com as quais ele substitui os métodos da luta de classe, era a carapuça intelectual mais adequada a essa camada de dirigentes ad hoc do movimento. Seus esforços para suprir sua impotência intelectual e política por meio da ciência e da política burguesas encontraram uma justificação teórica na doutrina menchevique[8].

    Os mencheviques afirmavam que a revolução em curso era de caráter burguês e não podia, portanto, realizar-se sem a participação da burguesia no governo. Constituiu-se, assim, o bloco natural dos socialistas revolucionários com os mencheviques, como expressão simultânea do espírito político vacilante da intelligentsia pequeno-burguesa, e de sua atitude servil diante do liberalismo imperialista.

    Para nós era absolutamente claro que a lógica da luta de classes, mais cedo ou mais tarde, destruiria aquela combinação provisória e colocaria de lado os dirigentes desse período de transição. A hegemonia da intelligentsia pequeno-burguesa, no fundo, nada mais era que a tradução material do fato de os camponeses – empurrados pelo mecanismo da guerra a participar de forma organizada da vida política – superarem numericamente a classe operária e ocuparem provisoriamente seu posto. Além disso, o fato de que os dirigentes da pequena-burguesia tenham sido elevados a tão alta posição pelo caráter de massas do Exército fazia com que o próprio proletariado, com a exceção de sua minoria dirigente, não pudesse lhes negar uma certa consideração política e buscasse manter com eles uma ligação política, sob pena de se separar do campesinato. A velha geração operária não havia esquecido as lições de 1905, a derrota sofrida então pelo proletariado porque, no momento decisivo, as amplas massas camponesas não entraram em cena a tempo.

    Foi por essa razão que, durante o primeiro período da revolução, o proletariado esteve, também ele, suscetível à influência da política dos socialistas revolucionários e dos mencheviques. A isso se somava o fato de que revolução havia despertado o conjunto das massas proletárias atrasadas, até então adormecidas, e fazia assim do amorfo radicalismo intelectual uma espécie de escola preparatória.

    Nessas condições é que os sovietes de operários, soldados e camponeses estiveram marcados pelo triunfo do amorfismo camponês sobre o socialismo proletário, e do radicalismo intelectual sobre o amorfismo camponês.

    Se o edifício dos sovietes ganhou com tanta rapidez uma altura tão considerável, foi, em grande medida, graças ao papel dirigente dos intelectuais, com seus conhecimentos técnicos e suas relações com a burguesia.

    Mas para nós era claro que essa imponente construção repousava sobre conflitos internos mais profundos e que seu desmoronamento era totalmente inevitável no curso da etapa seguinte da revolução.


    [1] Intelligentsia: a classe dos intelectuais na Rússia tsarista no século XIX, especialmente sua vanguarda política; por extensão, nome dado à vanguarda intelectual ou artística de qualquer país.

    [2] Revolução de 1905: depois do Domingo sangrento, quando uma manifestação pacífica dos operários de São Petersburgo foi reprimida, com centenas de mortos e milhares de feridos, o proletariado revela-se como uma força social fundamental. A crise econômica e, mais adiante, a política, arrastarão centenas de milhares de operários para todo tipo de greves. Depois dos motins do Exército e da Marinha – entre os quais se destaca a célebre rebelião do navio de guerra Potemkin –, a agitação culmina no mês de outubro com uma greve geral. O tsar publica um manifesto que atende as reivindicações políticas essenciais da burguesia, que logo passa para o seu lado. Os operários de Moscou lutam sozinhos de 7 a 17 de dezembro, porém são violentamente reprimidos. A derrota, no entanto, deixa profundas lições.

    [3] Entre 1906 e 1912 vigorou na Rússia uma situação reacionária, como resultado da derrota da Revolução de 1905. Em 1912 começou uma ofensiva de greves. Entretanto, a Primeira Guerra Mundial ainda não havia começado.

    [4] Regime caracterizado pelo poder absoluto do tsar.

    [5] Deste ponto em diante nós nos referiremos aos conselhos como sovietes. Os sovietes surgiram pela primeira vez em outubro de 1905, na cidade de São Petersburgo. Sua representação era constituída com base nas unidades de produção. Elegia-se um delegado para cada quinhentos operários, e seu mandato era revogável. Garantiu na prática a liberdade de imprensa, organizou patrulhas para a proteção dos cidadãos, apoderou-se em parte dos correios, dos telégrafos e dos trens e buscou estabelecer de fato a jornada de oito horas. Foi a organização mais adequada para a classe operária em sua luta independente e mostrou sua potencialidade como organismo de poder operário, como alicerce para um novo tipo de Estado.

    [6] Refere-se à Revolução de Fevereiro de 1917, que derrubou a autocracia tsarista. A ofensiva de greves e as manifestações de massas tiveram início em Petrogrado. O movimento expande-se pelas cidades. O tsar cai. Formam-se os sovietes de deputados operários, soldados e camponeses e toma posse o governo provisório liderado pelos liberais cadets.

    [7] Partido Socialista Revolucionário: fundado em 1900, chegou a ser a principal expressão política de todas as correntes populistas que existiam na Rússia, e foi o partido que mais influência conquistou entre os camponeses antes da revolução.

    [8] Mencheviques: fração do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR); opunha-se aos bolcheviques e depois à Revolução de Outubro.

    2

    A QUESTÃO DA GUERRA

    A revolução surgiu diretamente da guerra. A guerra foi também a pedra de toque de todos os partidos e de todas as forças revolucionárias.

    Os líderes intelectuais estavam contra a guerra, e sob o tsarismo muitos deles se consideravam parte da ala esquerda da Internacional e figuravam entre os zimmerwaldianos[1]. Mas bastou se encontrarem em posições de responsabilidade para que tudo mudasse.

    Colocar em prática a política revolucionária e socialista era, nessa época, romper com a burguesia, a russa e a aliada. Mas, como já dissemos, a impotência política dos intelectuais e semi-intelectuais pequeno-burgueses buscava cobertura na aliança com o liberalismo burguês. Daí o lamentável papel, verdadeiramente vergonhoso, desempenhado

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