Mulher, isso tem nome!: Guia científico para combater a discriminação de gênero nas carreiras
De Ligia Carolina Oliveira-Silva, Elziane Bouzada Dias Campos, Lorena Amorim Piedade e Deniel Gomes Frutuoso
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Mulher, isso tem nome! - Ligia Carolina Oliveira-Silva
Autoras
Ligia Carolina Oliveira-Silva. Doutora e Mestre em Carreira e Realização Profissional pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da UnB. É atualmente professora adjunta de Psicologia Organizacional e do Trabalho e Gestão de Pessoas na Universidade Federal de Uberlândia. Suas atuais pesquisas envolvem os temas: carreira, realização profissional, calling, colocação profissional, metas de carreira e carreira de mulheres em profissões predominantemente masculinas. É a idealizadora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Trabalhando com as Marias.
Elziane Bouzada Dias Campos. Doutora em Comportamento Empreendedor e Mestre em Aprendizagem Humana e Desenvolvimento Organizacional pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da Universidade de Brasília. Pela Campos Futuros, atua como mentora de carreira e consultora em Estudos de Futuros para o desenvolvimento de experiências educacionais, programas de mentoria e estratégias de aprendizagem antecipatória.
Lorena Amorim Piedade. Psicóloga clínica e Mestranda em Psicologia Social, Organizacional e do Trabalho na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Fundadora do Geni Psicologia, grupo formado por psicólogas, o qual oferece serviços voltados para a saúde mental de mulheres no trabalho. Suas pesquisas envolvem saúde mental e gênero, sexismo no trabalho, feminismos e desenvolvimento de carreira.
Deniel Gomes Frutuoso. Doutorando em Psicologia Social, Organizacional e do Trabalho pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Psicologia, Gênero e Carreira (UFU) e Graduado em Psicologia (UFU). Membro do grupo Trabalhando com as Marias. Seus interesses envolvem desenvolvimento de carreira, avaliação e medidas em psicologia, orientação profissional e diversidade nas organizações.
Adri Alves Fernandes. Psicólogo pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias e do grupo de pesquisa Gestão Baseada em Evidências. Pesquisador na área de gênero, carreira e empreendedorismo. Suas áreas de interesse envolvem competências de carreira, transição de carreira, empreendedorismo feminino e interseccionalidade de gênero. Também possui interesse na área de neuropsicologia e de psicologia clínica, em particular na terapia cognitivo-comportamental.
Ana Júlia Calegari Torres. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Pesquisadora na área de gênero e carreira, com foco em maternidade e profissões predominantemente masculinas. Suas áreas de interesse envolvem mulheres em STEM, progressão de carreira e fenômenos de exclusão de gênero. Também possui interesse na área da psicologia clínica, com foco na terapia cognitivo-comportamental para adultos e adolescentes.
Beatriz Diniz Lopes. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de Trabalhando com as Marias. Suas áreas de interesse envolvem: diversidade e inclusão e relações étnico-raciais.
Bruna Marina Melo Martins. Doutoranda em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações na Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Psicologia Organizacional e do Trabalho pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Psicóloga pela mesma instituição.
Catarina Ribeiro. Mestranda em Psicologia Organizacional e do Trabalho pela Universidade Federal de Uberlândia e Psicóloga pela mesma instituição. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Pesquisadora na área de diversidade, equidade e inclusão no mercado de trabalho, com foco em pessoas LGBTQIA+ e microagressões. Atua na área de Cultura, Clima e DE&I. Suas áreas de interesse envolvem interseccionalidades, microagressões em profissionais LGBTQIA+, DE&I e cultura organizacional.
Danielli Rocha Barros. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de Trabalhando com as Marias. Atualmente trabalha com processos e estratégias de gestão de pessoas. Possui interesse em assuntos relacionados a vieses inconscientes, cultura e diversidade.
Dyeinne Pereira Fernandes. Psicóloga clínica e Mestranda em Processos Psicossociais em Saúde e Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Tem experiência em orientação profissional e planejamento de carreira com adolescentes em primeira escolha profissional, universitários e profissionais em transição de carreira. Foi membro do grupo Trabalhando com as Marias. Atualmente realiza atendimentos online de psicoterapia e orientação profissional e de carreira em consultório particular.
Gabriela Perle do Carmo. Pós-graduanda em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Psicóloga graduada pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas áreas de interesse envolvem carreira, papéis de gênero, liderança, diversidade e inclusão.
Julia Nizzato Oliveira Miranda. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas áreas de interesse envolvem cultura, instituições, carreira, liderança, mulheres, fenômenos de exclusão de gênero. Atualmente trabalha no ramo organizacional.
Kátia Gonçalves dos Santos. Graduanda em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas pesquisas e interesses envolvem: economia do cuidado, carreira de mulheres e papéis de gênero.
Laísla Araújo Pontes. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Pesquisadora na área de diversidade e inclusão, com foco em gênero, carreira e questões étnico-raciais. Suas áreas de interesse envolvem carreira, interseccionalidades, intervenções em grupo, fenômeno da impostora e microagressões raciais de gênero. Tem experiência em psicologia clínica e social e atuou em projetos de enfrentamento à violência de gênero no ambiente universitário.
Laura Gonçalves Alves. Psicóloga graduada pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas áreas de interesse envolvem papéis de gênero, percepção de barreira e suporte para mulheres em suas carreiras.
Leonora Debs Diniz. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas áreas de interesse envolvem inclusão de minorias sociais no mercado de trabalho, com ênfase em pessoas com deficiência e mulheres. Como psicóloga clínica, lida com as questões delicadas advindas do sofrimento ocupacional, inclusive em relação a mulheres com deficiência.
Letícia Barbosa-Silva. Doutoranda e mestre em Psicologia, Carreira e Gênero pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias e fundadora do Geni – Psicologia e Trabalho, uma clínica psicológica de atendimento para mulheres. Atua como psicóloga clínica, orientadora de carreira e consultora em Diversidade, Equidade e Inclusão. Trabalha também com planejamento, execução e avaliação de impacto de intervenções de carreira, como programas de mentoria e demais ações de Treinamento e Desenvolvimento, e realiza pesquisas com foco na promoção da equidade de gênero no mercado de trabalho.
Letícia Carolina Boffi. Doutoranda em Psicologia pelo programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Mestra em Ciências na área de Psicologia da Saúde e do Desenvolvimento pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia. Atua também como psicóloga clínica. Membro do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Psicologia da Saúde (LEPPS). Cordenadora do Grupo de Ação e Pesquisa em Diversidade de Gênero e Sexualidade - VIDEVERSO. Pesquisadora de Gênero e Sexualidade. As atuais pesquisas apresentam ênfase em transexualidade e saúde, em especial, transmasculinidades.
Olívia Pillar Perez Miziara. Mestranda em Carreira e Gênero pela Universidade Federal de Uberlândia e graduada em Psicologia pela mesma instituição. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias e fundadora do Geni – Psicologia e Trabalho, uma clínica psicológica de atendimento para mulheres. Suas atuais pesquisas envolvem os temas: carreira de mulheres imigrantes, empreendedorismo feminino, liderança, intervenções de carreira, diversidade e inclusão nas organizações, psicometria, autoconceitos e microagressões de gênero.
Pricila de Sousa Zarife. Doutora e Mestra em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília. Psicóloga pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Professora adjunta de Psicologia Organizacional e do Trabalho e Gestão de Pessoas na Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolve estudos sobre diversidade, inclusão e saúde nas organizações, microagressões, tendências em gestão de pessoas, construção e adaptação de medidas e psicologia positiva.
Rafaella Andrade Vivenzio. Mestranda em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Psicóloga graduada pela Universidade Federal de Uberlândia. Integrante do Laboratório de Pesquisa em Práticas Dialógicas e Colaborativas da Universidade de São Paulo (DIALOG-USP).
Suzanna Araújo Preuhs. Doutoranda em Psicologia Organizacional e do Trabalho pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Avaliação Psicológica e Psicometria pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Psicóloga pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Suas atuais pesquisas envolvem psicometria, avaliação psicológica, adaptação e validação de escalas, gênero, liderança, carreira, mulheres no mundo do trabalho e mentorias em Empresas Juniores.
Ully Carolina Rodrigues Guahy. Mestra pela Universidade de São Paulo e graduada em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense. Membro do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias. Pesquisadora na área de gênero e carreira, com foco em maternidade e paternidade. Suas áreas de interesse envolvem trabalho, carreira, mulheres, parentalidade e fenômenos de exclusão de gênero. Também é psicóloga clínica e orientadora profissional e de carreira.
Víctor Gabriel dos Santos Tomaz. Mestrando em Psicologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras - USP Ribeirão Preto e graduado em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia. Membro do grupo de estudos, pesquisa e extensão Trabalhando com as Marias e do Laboratório de Psicologia Organizacional e do Trabalho USPRP. Monitor bolsista e colaborador de divulgação científica na Paidéia (Ribeirão Preto). Bolsista de mestrado pela pela FAC (Fundação de Apoio às Ciências: Humanas, Exatas e Naturais) e responsável pela tutoria e supervisão de alunos no curso de pós graduação Psicologia Organizacional e do Trabalho e Gestão de Pessoas
da USP. Suas pesquisas envolvem carreira, autoeficácia, adaptabilidade, papéis de gênero e viés inconsciente.
Apresentação
Ligia Carolina Oliveira-Silva
Este livro é fruto do trabalho contínuo do grupo de pesquisa Trabalhando com as Marias
, fundado em 2017 no Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia. Ao longo dos anos, o grupo foi crescendo e muitos alunos e colegas que passaram por ali deram suas contribuições para a causa que decidi me dedicar enquanto acadêmica e pesquisadora - a igualdade de gênero no mundo do trabalho. Após a fundação do grupo, tive a alegria de contar com muitas aliadas e aliados, na figura de alunas e alunos de graduação, mestrado, doutorado, assim como colegas professoras e profissionais, de maneira que boa parte deles ofereceu sua contribuição neste livro, seja como organizadoras, seja como autores e coautores dos capítulos.
As motivações que culminaram na idealização deste livro têm origem em diversos incômodos que foram canalizados em energia construtiva. O maior dos nossos incômodos se resume na seguinte pergunta: Como eliminar as desigualdades de gênero no mundo do trabalho e das organizações? Tal pergunta se desdobra em várias outras em que fomos, num verdadeiro trabalho de formiguinha, tentando responder com os nossos estudos, pesquisas e projetos de extensão no Trabalhando com as Marias.
No decorrer do desenvolvimento de vários projetos de pesquisa sobre mulheres e carreira, percebemos a escassez de literatura na língua portuguesa sobre os tantos fenômenos de exclusão de gênero que já eram amplamente conhecidos na literatura internacional. Logo, decidimos que era necessário oferecer ao Brasil e outros países de língua portuguesa uma obra que traduzisse o que havia de mais atual e consolidado na área de estudos de gênero e trabalho. Aliado a isso, queríamos poder oferecer uma síntese de todos os fenômenos que pesquisadores em diferentes partes do globo identificaram e mapearam.
Entendemos que conhecimento é poder. Sendo assim, como forma de responder aos desafios que se põem até os dias de hoje para as diversas mulheres e seus diferentes papéis no mundo do trabalho, queremos que este livro seja uma ferramenta de poder. Logo, nosso objetivo é apresentar todas as informações necessárias para que qualquer pessoa possa reconhecer e combater o sexismo e a misoginia, considerando o que há de mais robusto na literatura científica ao redor do mundo. Queremos que as leitoras e leitores deste livro possam experimentar momentos de epifania ao ler um capítulo e se dar conta de que sim, aquilo que tanto incomoda, machuca e magoa mulheres já é conhecido, mapeado e tem um NOME, além de estratégias de enfrentamento. Queremos que as leitoras e leitores tenham clareza de que não, não é impressão nossa - muitas e muitos de nós já passamos por situações semelhantes ou vimos colegas, irmãs, amigas, primas, tias, mães, avós, professoras, alunas ou chefes sendo submetidas a fenômenos de exclusão de gênero.
Porém, outro incômodo que nos afetava com frequência era a lacuna entre o que era produzido na academia e o que era praticado no dia a dia das organizações e ambientes de trabalho. Muitos fenômenos que já eram há tempos nomeados, classificados e investigados por pesquisadores na área de gênero permaneciam desconhecidos para as pessoas nas organizações. Uma vez que a popularização e disseminação do conhecimento científico e a aproximação entre universidade e sociedade representam alguns dos principais objetivos do Trabalhando com as Marias, pensamos em propor uma obra que extrapolasse a linguagem muitas vezes complexa e fria dos artigos científicos. Queríamos propor uma obra que conversasse com as pessoas, e principalmente as mulheres, da maneira mais direta possível.
Sendo assim, a Parte 1 do livro foi pensada para fornecer bases. Ela tem como objetivo apresentar, de maneira simples e objetiva, porém embasada cientificamente e criticamente, as mais importantes premissas, teorias e abordagens que norteiam a experiência das mulheres e grupos minoritários no mundo do trabalho. Já a Parte 2 pretende apresentar uma espécie de glossário sobre os principais fenômenos de exclusão de gênero no trabalho já identificados na literatura, fornecendo exemplos e estratégias para identificá-los e combatê-los.
A principal missão do Trabalhando com as Marias consiste em propor estratégias para que as mulheres possam se inserir, permanecer e progredir em suas carreiras, contribuindo para o empoderamento econômico feminino e redução das desigualdades. Neste sentido, esperamos que esta obra possa servir como um guia para todas e todos que estejam dispostos a lutar por um mundo com menos desigualdade de gênero, contribuindo para que as mulheres ocupem cada vez mais espaços e tenham mais oportunidades. Obrigada por apoiar nossa causa e se somar a nós nesta luta!
Prefácio
Michelle K. Ryan
É um prazer ter sido convidada a escrever o prefácio para este maravilhoso livro.
Todas as evidências, tanto da pesquisa quanto da prática, deixam claro que as mulheres continuam enfrentando discriminação e sexismo no local de trabalho. De fato, é evidente que a misoginia e o patriarcado ainda são forças negativas que afetam os locais de trabalho nos dias de hoje. Embora estejam conceitualmente interligados, no sentido de que ambos lidam com a desigualdade de gênero, o sexismo e a discriminação, é importante diferenciá-los. A misoginia refere-se a atitudes e comportamentos negativos dirigidos às mulheres, como linguagem sexista, objetificação, diminuição e tratamento desigual. Em contraste, o patriarcado refere-se à estrutura social predominante que concede aos homens mais poder e controle na sociedade. O patriarcado inclui uma distribuição hierárquica e desigual de poder, de modo que os homens têm mais probabilidade de ocupar posições de liderança e ter um maior acesso a recursos, oportunidades e tomada de decisões. O patriarcado molda nossas instituições (incluindo nossos locais de trabalho), nossas leis e nossas práticas culturais, de maneiras que frequentemente reforçam os papéis de gênero e as desigualdades de gênero. Embora a misoginia possa existir tanto em culturas patriarcais quanto não patriarcais, é a existência do patriarcado que perpetua a misoginia.
Neste contexto de misoginia e patriarcado, esta obra reúne de forma inteligente a pesquisa acadêmica e a prática organizacional em um só lugar. Ao fazê-lo, fornece àqueles que têm interesse na igualdade de gênero no local de trabalho (funcionários, gerentes, profissionais de diversidade e inclusão, estudantes, pesquisadores e acadêmicos) uma descrição atualizada e rigorosa do estado da arte da pesquisa relacionada às desigualdades de gênero no local de trabalho.
Cada um dos capítulos deste livro articula uma compreensão integrada das diferentes formas que a desigualdade no local de trabalho pode assumir. Esses capítulos se baseiam no trabalho seminal de Alice Eagly (1987) sobre a teoria do papel social e a importância dos papéis e estereótipos de gênero na criação da divisão de trabalho por gênero e na subsequente discriminação de gênero que decorre desses papéis.
A Parte 1 do livro nos fornece uma compreensão rigorosa de muitos dos conceitos fundamentais que desempenham um papel na desigualdade de gênero no local de trabalho. Na primeira seção, são explorados fatores-chave que formam a base das desigualdades de gênero: a persistência dos papéis de gênero (Capítulo 1); a onipresença dos estereótipos, dos preconceitos de gênero e da discriminação (Capítulo 2); a insidiosidade dos preconceitos inconscientes (Capítulo 3); e as diferentes faces do sexismo, incluindo formas mais sutis e mais explícitas de sexismo (Capítulo 4).
O capítulo 5 aprofunda-se em maneiras específicas em que o sexismo e a discriminação se manifestam. Explora-se o impacto das microagressões de gênero, aquelas ações, comentários ou comportamentos frequentemente não intencionais que comunicam mensagens negativas às mulheres. Examina também como essas microagressões podem prejudicar carreiras e ter um impacto na saúde mental e física.
Os capítulos finais da Parte 1 examinam a maneira como as desigualdades de gênero se cruzam com as desigualdades enfrentadas por membros de outros grupos marginalizados. No Capítulo 6, discutem-se os desafios específicos no local de trabalho e na carreira enfrentados pelas mulheres com deficiência. Aqui também explora-se um tema central que tem moldado o debate contemporâneo sobre a equidade de gênero: a interseccionalidade (Capítulo 7). Este capítulo lança luz sobre as formas como o sexismo e a discriminação de gênero podem ser afetados por identidades interseccionais, como aquelas baseadas em raça e etnia, indigenismo, classe, sexualidade, identidade de gênero e deficiência. Isso amplia de forma útil nossa compreensão do que significa ser uma mulher e explora como o sexismo é moldado pelo colonialismo, imperialismo, capitalismo, racismo, homofobia e capacitismo. Além disso, são abordadas as camadas e nuances da conduta discriminatória em torno do debate sobre a LGBTQIA+fobia (Capítulo 8) e seus impactos no local de trabalho.
Por fim, o Capítulo 9 concentra-se na economia do cuidado, examinando os papéis de cuidado (remunerados e não remunerados), nos quais as mulheres estão amplamente representadas. As desigualdades em relação à economia do cuidado foram exacerbadas durante a pandemia de COVID-19, destacando a contribuição desproporcional das mulheres para o cuidado e o fato de que tais papéis frequentemente são desvalorizados e tornados invisíveis.
A Parte 2 deste volume explora as metáforas variadas e matizadas que são evocadas para transmitir a complexidade das desigualdades de gênero no local de trabalho. Estas incluem o Teto de Vidro
, que aborda como trajetórias de carreira das mulheres são obstaculizadas por uma barreira invisível (Capítulo 10); o Chão Pegajoso
, que mantém as mulheres em papéis menos valorizados (Capítulo 11) a Escada Rolante de Vidro
, que explicita como os homens aceleram suas carreiras (Capítulo 12); o Penhasco de Vidro
e a associação Pense Crise - Pense Mulher
, segundo o qual as mulheres e outros membros de grupos minoritários enfrentam posições de liderança arriscadas e precárias (Capítulo 13); e a Dupla Perda
que as mulheres enfrentam quando são consideradas ou competentes demais ou calorosas demais, e os estereótipos subjacentes à representação das mulheres na liderança, incluindo a associação Pense Gestor - Pense Homem
(Capítulo 14).
A Parte 2 também examina diferentes tipos de desigualdades que as mulheres enfrentam, incluindo a Lacuna Salarial de Gênero (Capítulo 15); o Efeito Matilda
, que denuncia como as conquistas das mulheres são ignoradas (Capítulo 16); inclui descrições do Efeito Tesoura
, que aborda como a representação das mulheres diminui à medida que se sobem os degraus da carreira (Capítulo 17); e a Lacuna de Gênero em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (Capítulo 18).
Finalmente, a Parte 2 termina com uma exploração da Síndrome do Impostor, que demonstra como os indivíduos se sentem como impostores (Capítulo 19); a Síndrome da Abelha Rainha, que ilustra quando as mulheres mais experientes não apoiam as mulheres que estão surgindo atrás delas (Capítulo 20); como a maternidade impacta a carreira das mulheres (Capítulo 21); e finalmente, o Labirinto de Cristal
, que ilustra como as mulheres enfrentam caminhos de carreira circulares e complexos (Capítulo 22). Cada um dos 13 capítulos incluídos na Parte 2 fornece uma análise atualizada de um fenômeno diferente, juntamente com dicas práticas sobre como identificar essas formas de discriminação.
Ao apresentar a evidência científica, este livro fornece tanto uma base de evidências rigorosas quanto um rico apoio para líderes e profissionais garantirem a eficácia das iniciativas de igualdade de gênero que são implementadas nas organizações. Ele também funciona como um guia realista e prático para aqueles que podem enfrentar desigualdades de gênero em seu local de trabalho, ajudando indivíduos a identificar e diagnosticar as situações discriminatórias em que podem se encontrar em suas interações diárias no local de trabalho e ao seguir seus caminhos de carreira.
Sumário
PARTE I: TEORIAS FUNDAMENTAIS
1 Papéis sociais: Como o comportamento é socialmente construído
Gênero: um conceito em construção
O que são papéis de gênero?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como os papéis de gênero podem afetar as mulheres?
Referências
2 Estereótipos de gênero: o preconceito e a discriminação estão em uma linha tênue entre agrupar e julgar
O que são estereótipos?
A relação entre os estereótipos e os papéis sociais
O que mostram as pesquisas sobre o tema?
Como os estereótipos de gênero podem afetar as mulheres?
Referências
3 Vieses inconscientes: além daquilo que é explícito
O que são vieses inconscientes?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como os vieses inconscientes podem afetar as mulheres?
Referências
4 Sexismo Ambivalente: nem sempre o sexismo é escancarado
O que é sexismo ambivalente?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como o sexismo ambivalente pode afetar as mulheres?
Referências
5 Microagressões: quando as agressões podem passar despercebidas
O que são microagressões?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como as microagressões podem afetar as mulheres?
Como reagir a uma microagressão?
Referências
6 Mulheres com deficiência: a experiência de carreira de corpos subjugados
A população com deficiência e sua integração/inclusão
Barreiras invisíveis que impedem o avanço de corpos físicos
Referências
7 Interseccionalidade: quando gênero, raça e classe se entrecruzam
O que é interseccionalidade?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como a interseccionalidade pode afetar as mulheres?
Referências
8 Cisheteronormatividade e LGBTfobia: efeitos no âmbito do trabalho para as mulheres
O que é cisheteronormatividade e LGBTfobia?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como a LGBTfobia pode afetar as pessoas?
Referências
9 Economia do cuidado: o trabalho invisível do cuidar
O que é economia do cuidado?
O que dizem as pesquisas sobre o tema?
Como a economia do cuidado pode afetar as mulheres?
Referências
PARTE II: FENÔMENOS DE EXCLUSÃO NO TRABALHO E NA CARREIRA
10 Teto de vidro: a redoma invisível que impede as mulheres de chegarem ao topo
O que é o Teto de Vidro?
Exemplos de como o Teto de Vidro pode estar presente no ambiente de trabalho
Como saber se isso acontece comigo?
Como enfrentar o Teto de Vidro?
Referências
11 Chão pegajoso e a horizontalidade do trabalho feminino: até onde é possível sonhar com os pés presos no chão?
O que é o Chão Pegajoso?
Exemplo de como o Chão Pegajoso pode estar presente no ambiente de trabalho
Como saber se isso acontece comigo?
Como enfrentar o Chão Pegajoso?
