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Neurodivergente, Eu? - Mariah Tijuco
INTRODUÇÃO
Durante muitos anos, não havia um nome, um conceito, uma designação que me explicasse. Havia somente eu.
A sensação de inadequação estava presente, mas sem causa visível. O esforço constante para me encaixar, não chamar atenção, parecer normal. Tudo era vivido com exaustão, muito antes de eu compreender que aquele cansaço não era natural.
Na infância, enfrentei o espanto dos adultos, a inquietação dos professores, a frustração dos meus pais. O que eu ouvia não era diagnóstico. Era julgamento: distraída
, birrenta
, desorganizada
, esquisita
.
Aprendi cedo que o melhor seria esconder. Controlar. Copiar os outros. Tornar-me outra. Com o tempo, a pessoa verdadeira foi se tornando quase irreconhecível, até mesmo para mim.
Chegar à vida adulta sem saber quem se é, depois de anos tentando corresponder ao que os outros esperavam, produz um vazio difícil de descrever — uma ausência de si.
E quando, por fim, o diagnóstico chegou, não trouxe apenas alívio. Trouxe também luto.
Com ele veio a constatação do que poderia ter sido diferente. Do que foi perdido. Das dores que talvez pudessem ter sido evitadas. Dos vínculos rompidos por mal-entendidos. Das culpas que carreguei à toa. Das promessas que nunca pude cumprir, porque me exigiam um funcionamento que eu não possuía.
Este livro nasce desse lugar. Não é um tratado, nem romance, nem tese. É um testemunho. É um mergulho, doloroso e honesto, nas camadas mais profundas de uma vida atravessada por uma diferença nunca nomeada a tempo.
É um olhar sem piedade, mas com compaixão, sobre o que é viver tentando se adaptar a um mundo que nunca nos considerou parte dele.
É um acerto de contas com minha história. E talvez, também, um gesto de reconciliação com minha própria existência.
Aqui, não busco explicações. Busco a verdade. pois, por mais dura que seja, só a verdade liberta. Apenas ela pode devolver à alma o direito de existir sem precisar se esconder.
Toda história esconde muitas reticências.
CAPÍTULO I
A INFÂNCIA
1.1 A primeira sensação de estar fora do lugar
Eu tinha oito anos. Era uma manhã qualquer, dessas em que a escola parece uma obrigação. A professora titular não compareceu, e uma substituta entrou na sala. Sem gritos ou ameaças, ela nos entregou uma folha de papel e disse: Escrevam uma poesia.
Não passou nenhuma instrução, nem deu nenhuma explicação. Era apenas isso: uma poesia.
Para a maioria da turma, foi uma chateação. Para mim, foi uma missão. Uma inspiração repentina se acendeu dentro de mim. Peguei o lápis e, com um fervor que ainda me lembro com nitidez, escrevi. E escrevi com uma fluidez que descobri que me pertencia. Quando terminei, olhei para o papel com orgulho. Aquilo não era só uma tarefa. Era revelação. Era beleza. Eu mesma, aos oito anos e vinda de um lar onde livros ainda não existiam, julguei perfeito.
A professora não leu. Na verdade, nem recolheu as tarefas, e seguiu adiante. Não houve comentário. Nenhuma reação. Muito frustrada, eu estava movida pelo desejo de mostrar, de ser lida por alguém que visse o que eu vi naquela poesia.
Em casa, mostrei para a mãe de uma colega. Depois de ler, ela me olhou com olhos de encantamento. Falou da minha sensibilidade, da minha inteligência e da beleza do que eu
