Clínica psicanalítica na universidade:: Interfaces, desafios e alcances
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Clínica psicanalítica na universidade: - Maíra Bonafé Sei
Apresentação
Esta obra nasceu do interesse de docentes implicados com a clínica psicanalítica e com a produção acadêmica, a partir de projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos no Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina - UEL. Também se vincula aos primeiros frutos do Laboratório de Estudo e Pesquisa em Psicanálise - LEPPSI¹ em sua parceria com o Curso de Especialização em Clínica Psicanalítica da UEL. Nesse sentido, apresenta trabalhos em diferentes perspectivas sobre o campo psicanalítico, sobretudo, desenvolvidos em projetos de extensão, em que predomina a vertente clínica em diversos contextos de intervenção. Trata-se de uma coletânea da produção de um departamento alinhado com a necessidade de reflexão e diálogo com as premissas psicanalíticas.
O livro conta com nove capítulos e, antes do capítulo final, apresenta um trabalho no campo da avaliação psicológica, proposto por docentes integrados a um departamento cuja predominância é a orientação psicanalítica. Além dos trabalhos dos docentes do Departamento da UEL, traz uma contribuição de pesquisadores vinculados à Universidade de São Paulo e à Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Inicia-se com o trabalho das Professoras Maíra Bonafé Sei, Maria Ângela Fávero-Nunes e Sandra Aparecida Serra Zanetti, a partir de um projeto de extensão que oferece atendimento psicológico, seguindo referencial winnicottiano, a famílias encaminhadas para a Clínica Psicológica da UEL. Além do atendimento, este projeto de extensão busca promover conhecimentos teórico-metodológicos aos estudantes participantes, capacitando-os a observar e intervir junto às famílias, ampliando o olhar acerca do paciente, deslocando-o para o grupo familiar como um todo nos casos em que esse deslocamento se faz pertinente.
A seguir, a Professora Sílvia Nogueira Cordeiro nos apresenta a intervenção precoce na relação mãe-bebê como uma modalidade clínica que aponta para a possibilidade de trabalho com a prevenção primária em saúde mental. Através do projeto de ensino Clínica Psicanalítica na Primeira Infância: Vínculo e Formação Subjetiva do Sujeito, busca ampliar as discussões teórico-práticas sobre a Psicanálise na primeira infância.
A Professora Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis descreve sua trajetória de pesquisa na Universidade Estadual de Londrina, buscando compreender os processos de individualização em gêmeos. O referido texto ressalta o comprometimento da pesquisadora com o tema escolhido e as demandas da instituição universitária - dificultando ou impulsionando a realização da investigação almejada -, ilustrando o percurso trilhado cujo foco recai mais no campo da pesquisa em Psicanálise do que no da clínica psicanalítica.
Sobre o tema da adolescência, as Professoras Carla Maria Lima Braga, Maíra Bonafé Sei e Sandra Aparecida Serra Zanetti tratam da escrita dos atendimentos clínicos e dos procedimentos técnicos que possam nos auxiliar na compreensão dos conflitos e angústias vividas na adolescência, segundo o referencial da Psicanálise winnicottiana.
Ainda sobre o tema das vicissitudes na adolescência, a Professora Rosemarie Elizabeth Schimidt Almeida, ao trilhar o percurso de seus trabalhos sob o ponto de vista psicanalítico, no que se refere à escolha vocacional e profissional de adolescentes em atendimentos de grupo, propõe uma reflexão inovadora sobre essa temática, na medida em que, além de trabalhar com autores experientes da Psicanálise sobre a adolescência, integra, por meio de sua própria experiência, conceitos teórico-técnicos. Tem-se um destaque para a proposta de pensar a questão do espaço transicional como um espaço temporal-transicional a partir da própria temporalidade do adolescente frente à questão temporal da família e da sociedade e na escolha de uma profissão. Esse espaço temporal-transicional é, então, exercitado no holding² criado pelo grupo de orientação vocacional e profissional com o adolescente e seu grupo de pares.
A seguir, temos dois trabalhos que discutem os desdobramentos da Psicanálise em cenários distintos de sua criação original. A Professora Claudia Maria de Sousa Palma pesquisa a aproximação entre a clínica psicanalítica lacaniana e a clínica psiquiátrica, indicando algumas vicissitudes para a formação clínica do discente no cenário institucional, bem como a relevância dos dispositivos de tratamento específicos da clínica psicanalítica para o tratamento de pacientes psiquiátricos ambulatoriais.
Já a Professora Selmara Merlo Londero traz em seu texto reflexões importantes sobre as contribuições da Psicanálise para o campo da Educação, especificamente a interferência do pulsional no plano pedagógico, propondo uma prática mais atenta e efetiva às necessidades que ultrapassam as queixas pedagógicas.
No que concerne o campo da Avaliação Psicológica, tem-se o capítulo de Fabiano Koich Miguel, Katya Luciane de Oliveira, Cibely Francine Pacífico e Patrícia Silva Lúcio. Esses autores realizam uma contextualização do campo da Avaliação Psicológica e seu ensino em território nacional, ilustrando as atividades desenvolvidas na Universidade por meio de um caso.
Finalizando os trabalhos, convidamos a Professora Livre Docente Tânia Maria José Aiello Vaisberg, docente da Universidade de São Paulo e da PUCCamp, juntamente com Fabiana Follador e Ambrosio, Diretora do Núcleo de Estudos Winnicottianos de São Paulo (NEW), para nos apresentar sua proposta de contribuição à expansão do campo de atuação de uma clínica orientada por preceitos psicanalíticos. Seu trabalho destaca vertentes psicoterapêuticas e psicoprofiláticas, sublinhando os benefícios oriundos do desenvolvimento científico para as camadas desfavorecidas da população. O trabalho se inscreve em uma expansão no campo de atuação do psicólogo e contribui com o avanço científico.
Claudia Maria de Sousa Palma
Maíra Bonafé Sei
¹ O Laboratório de Estudo e Pesquisa em Psicanálise foi organizado a partir do Projeto de Ensino 00482, Implantação do Laboratório de Estudo e Pesquisa em Clínica Psicanalítica do Departamento de Psicologia e Psicanálise
, cadastrado junto à PROGRAD/UEL e com coordenação da Profª. Adjunta Sílvia Nogueira Cordeiro.
² O termo holding, segundo o tradutor Davi Litman Bogomoleetz (1989), em nota introdutória à tradução do livro Natureza Humana
, publicado em 1990, de Winnicott, pode ser entendido como: segurar, acolher. Porém, o tradutor explica (p. 12), O termo holding, um gerúndio que aqui funciona como substantivo, de abundante presença na obra de psicanalistas da Escola Inglesa, às vezes tem que ser traduzido pelo popular
levar ao colo, às vezes
por segurar (o bebê)
.
Arteterapia e Psicanálise com famílias na Universidade
Introdução
A regulamentação da Psicologia enquanto profissão ocorreu em 1962, por meio da Lei n. 4.119, de 27/08/1962 (Brasil, 1962), que dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão do psicólogo. Apontam-se, enquanto atividades de formação desse profissional, não apenas atividades teóricas mas também os estágios supervisionados como oportunidades de articulação teórico-prática que, para Matos (2000), configura-se como um primeiro ensaio do futuro exercício profissional.
A atuação em Psicologia engloba áreas diversas, tais como Clínica, Escolar e Trabalho, a partir de variados referenciais teóricos, como Cognitivo-Comportamental, Humanismo e Psicanálise. Com isso, os cursos de graduação em Psicologia devem contemplar disciplinas e práticas que abarquem ao menos parte dessa diversidade. Contudo, ao se observar a grade curricular, percebe-se limites que implicam a necessidade de escolhas, de estabelecimento de prioridades, que se podem dar a partir de variáveis como o projeto pedagógico elencado pela Instituição de Ensino Superior, pelo corpo docente pertencente a essa IES, pela carga horária disponível, entre outras.
A partir desse contexto, considera-se que nem sempre é fácil a mudança da grade curricular para a inserção de novas disciplinas e/ou estágios que enriqueceriam a formação do futuro psicólogo. Na Universidade Estadual de Londrina, o currículo é complementado pela oferta de projetos de ensino, pesquisa e/ou extensão propostos pelos docentes da instituição. Por meio deles, tem-se uma gama de atividades que convidam os estudantes a ampliarem seus conhecimentos, instrumentalizando-os para a atuação em campos nem sempre abarcados por outras instâncias.
Tendo em vista esse panorama, objetiva-se, então, relatar reflexões e experiências advindas do Projeto de Extensão Atendimento Psicológico a Famílias Por Meio de Recursos Artístico-expressivos com Base no Referencial Winnicottiano, desenvolvido junto ao Departamento de Psicologia e Psicanálise, com atendimentos a famílias realizados na Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina. Esse projeto tem como objetivos, por um lado, a oferta de atendimento psicológico, a partir de um referencial winnicottiano, e, por outro, a promoção de conhecimentos teórico-metodológicos aos estudantes participantes do projeto, capacitando-os para observar e intervir junto às famílias. Aos estudantes ainda proporcionará a ampliação do olhar acerca do paciente que chega ao serviço, identificado como aquele que carrega a principal problemática, para o entendimento da organização da dinâmica familiar como um todo, quando se verifica que a família também precisa de auxílio psicológico.
Nesse sentido, busca-se ofertar conhecimentos teórico-metodológicos aos alunos participantes do projeto, capacitando-os para a análise de diversos aspectos presentes na dinâmica familiar, ampliando o olhar do paciente identificado para a família como um todo. Espera-se também treinar e qualificar os alunos para o atendimento psicológico a famílias, focalizando o grupo familiar como o paciente do processo terapêutico; treinar e qualificar os alunos para uma compreensão e atenção psicológica a partir do viés winnicottiano; treinar e qualificar os alunos a ofertarem recursos artístico-expressivos com o objetivo de facilitar expressão de pensamentos e sentimentos das famílias no atendimento terapêutico; ofertar à comunidade um atendimento familiar que almeja a contemplação do grupo familiar como um todo, e um trabalho com os vínculos estabelecidos pelos familiares, sem o foco específico no paciente identificado.
O projeto foi proposto após a percepção de uma lacuna na formação do psicólogo clínico, que, frequentemente, não dispõe de disciplinas e estágios direcionados especificamente para o atendimento psicológico a famílias. Como exposto, o projeto tem, igualmente, a particularidade de refletir sobre o emprego de outras estratégias de comunicação no setting³ terapêutico, qual seja, o uso de recursos artístico-expressivos. Essa opção se apoia na literatura científica sobre o tema, que indica que o emprego de técnicas e materiais artístico-expressivos facilita a comunicação da família no atendimento e diminui a distância cognitiva existente entre os membros da família, facilitando o processo terapêutico (KWIATKOWSKA, 2001; SEI, 2009; SEI, 2011).
Psicanálise e Famílias
A partir do conhecimento desse modus operandi da Universidade e da averiguação da demanda crescente por atendimentos que contemplassem as questões familiares, construiu-se o projeto anteriormente mencionado, tomando por base o referencial teórico da Psicanálise.
Verifica-se, atualmente, que muitos estudos psicanalíticos abordam questões relacionadas à dinâmica familiar. Incluem-se, além dos aspectos intrapsíquicos, aqueles concernentes à influência da intersubjetividade na construção dos relacionamentos dos indivíduos. Os conhecimentos advindos de teorias psicanalíticas contemporâneas consideram fundamental o aspecto que se refere à vida das pessoas nos seus vínculos, não apenas com seus objetos internos, mas também com aqueles que estão presentes no entorno, interagindo constantemente.
Podemos dizer que Winnicott (1978) possibilitou a criação de certas bases para a compreensão desses aspectos intersubjetivos, semeando um terreno fértil para a posterior elaboração de intervenções com famílias. Estudando profundamente o relacionamento familiar, esse psicanalista introduziu o fator ambiente como componente imprescindível para o crescimento e desenvolvimento da criança. Acreditava que, a princípio, o bebê vive um estado de não integração marcado por experiências desconexas e difusas, que acarretam uma descontinuidade em seu existir, caso não possa experienciar um ambiente que sustente o indivíduo em seu processo de vir a ser. Nessa etapa evolutiva precoce do desenvolvimento infantil, a mãe ocupa uma posição central, à medida que, geralmente, é a responsável pelo fornecimento direto de cuidados e atenção às necessidades básicas do bebê. Gradualmente, a mãe ferece oportunidades de relacionamentos que possibilitam ao self⁴ incipiente do bebê emergir. Ainda concernente à teoria winnicottiana, enfatiza-se o papel da mãe (que Winnicott denomina mãe-ambiente) no oferecimento de um ambiente de acolhimento. Para cumprir essa função altamente especializada, a mãe (ou seu substituto) não precisa ser perfeita, mas empática e sintonizada com as necessidades da criança (uma mãe suficientemente boa).
Reflete-se também acerca do papel da família no desenvolvimento de um novo membro. A família funciona como um espaço de acolhimento e sustentação às demandas da criança. Para Winnicott (1975), o papel dos pais na constituição psíquica do bebê é essencial, tanto provendo cuidados e alimento, quanto disponibilizando suporte às vivências emocionais nos seus primeiros anos de vida. Nesse sentido, a família representa o primeiro espaço de promoção da saúde emocional. Vale pontuar que, caso a família não apresente um funcionamento suficientemente bom, tal fato pode se configurar como algo desorganizador para a criança.
A dinâmica familiar envolve, portanto, o exercício das relações parentais e a construção da filiação, isto é, da relação pais-filho. Segundo Eiguer (2000), essa relação é adquirida pelo interfuncionamento longamente amadurecido entre a criança e seus pais. Assim, várias funções são assumidas no interior de uma família por cada membro desse grupo. Das funções de cada progenitor, Berenstein (1996) aborda o lugar da mãe
como aquele que provê vida material e emocional ao filho, ajudando com as funções de autoconservação e de representação mental dele mesmo como diferente. A mãe também se instala como objeto de desejo para o filho e transmite a intuição de outro sujeito presente. Esse sujeito compreende assumir a identificação com a função paterna, proibindo e aceitando
