Letramento - Um tema em três gêneros
De Magda Soares
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Letramento - Um tema em três gêneros - Magda Soares
Magda Soares
LETRAMENTO
UM TEMA EM TRÊS GÊNEROS
3ª edição
Apresentando a coleção
LINGUAGEM & EDUCAÇÃO
O CEALE, Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da UFMG, criado em 1991, tem procurado produzir e socializar o conhecimento sobre a alfabetização, a leitura, a escrita e o ensino da língua portuguesa e da literatura brasileira nas escolas. Para isso tem realizado cursos, seminários, conferências, debates, assim como viabilizado diferentes tipos de publicações que possibilitem essa socialização.
A Coleção Linguagem & Educação, que o CEALE inaugura – em parceria com a Editora Autêntica – com o livro Letramento: um tema em três gêneros, propõe-se a socializar estudos a respeito das relações entre os fenômenos da linguagem, a escola e a sociedade, realizados por pesquisadores tanto da UFMG como de outras instituições nacionais e do exterior. Coloca-se, assim, como um espaço aberto para interlocuções nessa área de estudos.
A decisão pela escolha do tema letramento para inaugurar o primeiro número da coleção apoia-se na necessidade de se responder a inquietações sobre os usos da leitura e da escrita, cada vez mais colocadas pelas sociedades atuais. O número restrito de trabalhos sobre o tema, e a excelência dos textos da professora Magda Soares, respeitada pesquisadora na área de linguagem e educação, justifica plenamente a nossa escolha.
CEALE
Apresentação
UM TEMA, TRÊS GÊNEROS
Ler um texto, como você está fazendo agora, é instaurar uma situação discursiva. Aliás, no caso deste texto que você lê agora, essa situação discursiva já se iniciou no momento mesmo em que você tomou nas mãos este livro, observou a capa, uma ilustração, certas cores, um título, um nome próprio, o da autora, folheou as primeiras páginas, viu um sumário, que anuncia três textos… e, sob a influência desses elementos, chega a esta página e começa a ler esta Apresentação – que leitura estará você produzindo deste texto?
É a relação que agora se está estabelecendo entre nós – entre mim, autora, e você, leitor ou leitora – que construirá o sentido deste texto. Mas eu busco controlar esse sentido que você construirá tomando as minhas precauções: estou escrevendo este texto para um certo leitor, não para um qualquer leitor genérico e abstrato, e é buscando interagir com esse leitor, que imagino e pretendo, que escrevo este texto como o estou escrevendo – neste estilo, com esta organização, distribuindo assim as ideias, dividindo-as em períodos e parágrafos assim como estou fazendo, lançando mão de certos protocolos de leitura
. O gênero desta Apresentação está sendo o resultado da função que atribuo a ela e das condições específicas em que a produzo; estou supondo: alguém tomou este livro nas mãos, e estará se perguntando: um tema em três gêneros? que sentido terá gênero
aqui? e por que um mesmo tema em três gêneros? para quê? Porque atribuo a esta Apresentação a função de responder a essas perguntas e porque estou supondo um certo leitor, com certos interesses, com certos conhecimentos prévios, com certa disposição para ler esta Apresentação e folhear este livro, escrevo aqui como estou escrevendo: neste gênero.
Os dois parágrafos anteriores terão deixado claro que gênero aqui tem o sentido que lhe dá Bakhtin: cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso
. E terão deixado claro também que o gênero do discurso, no caso da interação por meio da escrita, é resultado da função que o autor atribui ao texto, do leitor específico para quem o autor escreve, das condições de produção do texto. Por isso, um mesmo tema pode ser desenvolvido em diferentes gêneros discursivos. Indo além daquilo que é mais frequente dizer-se quando se discute, numa perspectiva discursiva, o texto escrito – que, de um mesmo texto, diferentes leitores constroem diferentes leituras – pretendeu-se aqui evidenciar outra coisa: que sobre um mesmo tema podem (devem?) ser produzidos, em diferentes situações discursivas, diferentes textos para diferentes leitores, em função dos seus objetivos, interesses, características – um mesmo tema em diferentes gêneros.
Um mesmo tema – letramento, este novo conceito recém-introduzido no campo da Educação, das Ciências Sociais, da História, das Ciências Linguísticas.
Três gêneros – três diferentes textos produzidos em três diferentes condições discursivas, com três diferentes funções e objetivos, para três diferentes grupos de leitores, anteriormente publicados em três diferentes portadores.
Em primeiro lugar, um texto produzido para o leitor-professor com o objetivo de esclarecer o significado de letramento; mais especificamente, um texto informativo, descritivo e crítico, produzido para a seção Dicionário crítico da Educação
de uma revista pedagógica – o tema letramento no gênero verbete.
Em segundo lugar, um texto produzido para o professor-leitor-estudante, envolvido em atividades de aperfeiçoamento e atualização profissional; mais especificamente, um texto que procura provocar e orientar a reflexão do professor, buscando suscitar e acompanhar os diversos e nem sempre previsíveis caminhos do processo de aprendizagem, texto produzido para utilização em cursos, seminários, oficinas de formação continuada – o tema letramento no gênero texto didático.
Finalmente, um texto destinado a profissionais responsáveis por, em diferentes instâncias, avaliar e medir letramento e alfabetização, publicado originalmente como uma monografia elaborada para um organismo internacional (Unesco), portanto, para um técnico-leitor internacional em busca de suporte teórico para suas atividades de avaliação e medida de letramento e alfabetização; mais especificamente, um texto analítico, argumentativo, questionador, em que ideias são submetidas a cuidadoso escrutínio – o tema letramento no gênero ensaio.
Informações mais detalhadas sobre os objetivos e condições de produção de cada um desses textos precedem cada um deles; mas cabe aqui ainda responder a uma última questão que o leitor desta Apresentação certamente gostaria de ver respondida: que objetivo tem este livro em que se propõe um só tema em três gêneros? Ou, dizendo de outra forma: a que leitor se destina este livro? Há duas respostas a essa pergunta.
A primeira resposta é que, embora os textos sejam, de certa forma, recorrentes, não se repetem: a especificidade da relação autor-leitor em cada texto conduz a uma situação discursiva diferente, que constrói um texto também diferente; assim, os textos antes se somam que se repetem, cada um ampliando, na sequência em que são apresentados, o tema único letramento.
A segunda resposta é que o que neste livro se pretende é não apenas discutir uma conceituação de letramento e alfabetização, em suas diferentes facetas e dimensões, mas também sugerir ao leitor a possibilidade de interações discursivas diferenciadas sobre o mesmo tema, em textos escritos, em função de diferentes relações autor-leitor e diferentes condições de produção, gerando textos de diferentes gêneros.
O leitor pretendido para este livro é, assim, aquele que se interessa por letramento e alfabetização, por habilidades e práticas sociais de leitura e escrita, e que também se interessa por uma análise discursiva das práticas de produção de texto e de leitura, e busca compreender as relações autor – texto – leitor, e suas consequências na produção de diferentes práticas discursivas e diferentes gêneros discursivos.
Letramento é palavra recém-chegada ao vocabulário da Educação e das Ciências Linguísticas: é na segunda metade dos anos 80, há cerca de apenas dez anos, portanto, que ela surge no discurso dos especialistas dessas áreas. Uma das primeiras ocorrências está em livro de Mary Kato, de 1986 (No mundo da escrita: uma perspectiva psicolínguística, Editora Ática): a autora, logo no início do livro (p.7), diz acreditar que a língua falada culta é consequência do letramento
(grifo meu).¹ Dois anos mais tarde, em livro de 1988 (Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso, Editora Pontes), Leda Verdiani Tfouni, no capítulo introdutório, distingue alfabetização de letramento: talvez seja esse o momento em que letramento ganha estatuto de termo técnico no léxico dos campos da Educação e das Ciências Linguísticas. Desde então, a palavra torna-se cada vez mais frequente no discurso escrito e falado de especialistas, de tal forma que, em 1995, já figura em título de livro organizado por Ângela Kleiman: Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita (grifo meu, ver referência na nota 1).
O que explica o surgimento recente dessa palavra? Novas palavras são criadas (ou a velhas palavras dá-se um novo sentido) quando emergem novos fatos, novas ideias, novas maneiras de compreender os fenômenos. Que novo fato, ou nova ideia, ou nova maneira de compreender a presença da escrita no mundo social trouxe a necessidade desta nova palavra, letramento?
Se a palavra letramento ainda causa estranheza a muitos, outras palavras do mesmo
