Maria Junqueira Schmidt: Um Projeto de Fé em Favor da Família
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Maria Junqueira Schmidt - Joana Gondim Garcia Skrusinski
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE
AGRADECIMENTOS
Como esperei por este momento para expressar a intensidade com que vivi esses meses que se desenrolaram antes e durante a finalização desta obra. Como poderia descrever momentos em meio a tantas lágrimas, alegrias e descobertas sem me mostrar infantil?
Quero, aqui, pedir licença aos leitores para descrever parte desses momentos, na tentativa de trazer algumas das sensações que vivenciei em meu interior procurando ser verdadeira e transparente em minhas emoções, assim como sempre privilegiei em minhas atitudes. Talvez esse momento signifique algo muito maior em mim do que significaria para outras pessoas, pois pude superar limitações que não eram mensuradas em avaliações ou documentos, barreiras emocionais impostas por anos de entraves, medos e inseguranças que nem mesmo eu imaginava que se encontravam em meu interior.
Primeiramente, quero agradecer a quem devo toda honra e glória por ter me concedido a vida e a oportunidade de vivenciar essa experiência maravilhosa e a tantas outras que acredito que poderei desfrutar a partir desse momento, a quem sempre acreditei e acredito estar ao meu lado em toda e qualquer situação, a Deus.
Agradeço a confiança da minha orientadora, professora doutora Evelyn de Almeida Orlando, que me possibilitou estar diante de tantas novas descobertas, a valorização dos pequenos sorrisos e gestos que traziam simplicidade e paciência ao compreender tamanha estranheza diante da responsabilidade que eu tinha perante a pesquisa apresentada aqui neste livro.
Agradeço aos meus queridos professores, por quem pude passear e desfrutar de momentos semelhantes às experiências de um parque de diversão: em que alguns dos brinquedos nos levavam às alturas e grandes emoções; outros nos proporcionavam gargalhadas e momentos em que olhamos para além dos espelhos curvos e convexos, enxergando uma paisagem ampliada ou um céu não tão estrelado. Meus singelos agradecimentos à professora Rosa Lydia, com quem, mesmo com todo seu ar de seriedade e experiência, pude observar a doçura e a responsabilidade dispensada à educação em meio às dificuldades vividas nesse período. Não mediu esforços para nos levar a águas mais profundas e essenciais para o aprofundamento de conteúdos imprescindíveis para esta pesquisa. Agradeço ao professor Lindomar Boneti, que me surpreendeu com sua humildade, sempre disposto a ouvir e aprender com seus estudantes. Ao professor Peri Mesquida, que deveria ter como complementação de seu nome as palavras: simplicidade e gentileza. Como me deliciei em suas teorias e com o desprendimento de todo seu conhecimento. Como não me maravilhar ao perceber que o amor à profissão faz parte da sua vida? À professora Alboni Marisa Dudeque Pianovski Vieira, que indiretamente me incentivou a estar aqui desde os meus 17 anos, quando iniciei no curso de Pedagogia. Meu agradecimento sincero à Pontifícia Universidade Católica do Paraná e a todos os seus profissionais, que demonstraram a qualidade e a excelência em diferentes atividades.
Agradeço às colegas que me acompanharam desde a minha chegada ao mestrado, sempre com paciência e conversas agradáveis, divertimo-nos e sentimos por vezes as mesmas aflições. Respeitaram minhas dores, ouviram minhas reclamações, confiaram em mim e me incentivaram quando não tinha mais força para continuar. Uma delas não posso deixar de agradecer profundamente todo o apoio de mãe: Vera! Sempre junto, nunca me esqueceu, confiou e cuidou de mim como uma filha de coração e alma. Disposta a ler comigo, perder noites de sono, carregou-me no colo quando as forças haviam se esvaído. Foi lindo perceber que tenho uma mãe/conselheira/amiga/parceira e que não mede esforços em trabalhar e se empenhar a favor dos que ama.
Agradeço à minha família, a quem devo todo respeito. Primeiramente, meus pais, pessoas que passaram por diversas lutas e dificuldades, mas que são os grandes responsáveis por quem eu me tornei. Aprendi desde muito jovem com minha mãe o que era ser uma mulher empoderada, mesmo sem que ela percebesse ou soubesse o que isso significava, ajudou-me e se orgulhou das minhas decisões e posicionamentos. Às minhas irmãs, embora distantes, sempre estão juntas comigo e por quem tenho tanto amor e respeito. Ao meu irmão, que hoje não está mais entre nós, mas a quem eu encontrei mentalmente nos corredores da universidade e que, com toda certeza, estaria orgulhoso deste caminho que estou construindo.
Agradeço aos meus eternos amores, Pedro Henrique e Bernardo, que tantas vezes me impulsionam nesta caminhada. Sei que tudo o que plantei nesta estrada foram árvores de que somente daqui a alguns anos vocês colherão os frutos e flores, desfrutarão de seus sabores e perfumes, e em outros momentos talvez os dissabores. Quanto orgulho tenho dos meus pequenos grandes meninos, respeitaram-me e também me ensinaram em pequenos gestos a necessidade de parar para um beijo, um abraço, que era necessário respirar para continuar. Em alguns momentos, fizeram-me parar e secar minhas lágrimas para perceber que realmente o amor supera o isolamento em que a leitura e a escrita nos colocam, as quais por vezes foram interrompidas pelas cartinhas encontradas no travesseiro ou no computador (agora, objeto de trabalho), fazendo com que eu valorizasse o sono agarradinho, sentindo o cheiro gostoso e suave do amor de uma mãe com sua cria
.
Agradeço ao Meu Bem, meu esposo, que foi um grande guerreiro... nunca entendeu em profundidade a minha paixão pelo estudo, mas sempre respeitou a minha busca por mais e mais desde a faculdade. Caminhou comigo nesse longo percurso e continua caminhando, lutando, incentivando-me e ajudando a decifrar os códigos da minha alma. Secou por diversas vezes minhas lágrimas, chorou comigo, tirou-me do abismo de tristeza e isolamento, levou-me à realidade em momentos em que eu via só neblina. Não poderia ter amigo melhor e parceiro mais especial.
Agradeço à querida e tão especial família da minha Junqueira
, como gosto de chamá-la, que me recebeu com todo carinho e respeito, sem mesmo me conhecer. Apoiaram a pesquisa e sempre se colocaram com grande disposição em todas as solicitações.
Mesmo sem destacar outros tantos nomes que fizeram parte deste momento, a minha eterna gratidão e a certeza de que tudo valeu a pena, pois hoje enxerguei que não poderia ter superado tudo o que superei se não enfrentasse o medo e a segurança de uma vida com muita dedicação, superando constantemente os desafios de estudar em um país tão desigual. Realmente, hoje tenho a certeza de que me tornei uma nova mulher, muito mais forte e decidida a vivenciar novas escaladas nessa vida linda e cheia de desafios que ainda me esperam.
E encerro estes agradecimentos com uma frase de Cora Coralina que representa a construção desta obra e de quem me tornei dia após dia com minhas leituras...
Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida
removendo pedras e plantando flores.
CORA CORALINA
Prefácio
O presente livro, que vem agora a público, é resultado de uma dissertação de mestrado defendida pela autora em 2018, no âmbito de um projeto mais amplo, voltado para discutir a relação entre Educação, Gênero e Cristianismo. O projeto, ainda em curso, tem foco privilegiado na presença das mulheres na história da educação como intelectuais e os múltiplos caminhos empreendidos por elas, tendo a religião como fio condutor de suas ações.
Foi nessa teia que o trabalho realizado por Joana ganhou corpo e lançou luz ao projeto de educação familiar empreendido pela intelectual Maria Junqueira Schmidt. A educação das famílias já vem sendo discutida no campo da História da Educação, mas ainda de maneira incipiente. Todavia, atentar para essa problemática em uma perspectiva histórico-educacional nos possibilita ir além das habituais questões científicas que nos levam a buscar compreender os territórios de disputa pelo controle da narrativa e os discursos que serviram de modelos para que as famílias se orientassem. Permite-nos, talvez, operar também no âmbito educativo com o tensionamento da reprodução cultural dessas representações e como elas são endereçadas a diferentes gerações, sem a devida atenção para o momento histórico em que foram produzidas e para os seus efeitos sociais – reflexão que carece ainda de maiores investimentos no campo acadêmico e que precisa ecoar para além dos muros da universidade.
Do ponto de vista da pesquisa, olhar para o projeto de educação familiar empreendido por Maria Junqueira nos permite pensar diferentes problemáticas que se constroem de modo interdependente. Em primeiro lugar, nos permite compreender o movimento que vinha se construindo desde o início do século XX no Brasil, no sentido de orientar as famílias em relação à educação dos filhos a partir de balizas científicas e morais, e como esse movimento vai se reorganizando, ao longo do tempo, a partir das demandas que surgem como novos problemas a serem enfrentados.
Em segundo lugar, nos permite perceber os atores envolvidos nesse processo, o jogo de negociações que aparece nas disputas narrativas, os saberes enunciados postos em circulação, os diálogos transnacionais e os modelos culturais e pedagógicos que inspiraram muitas das ações empreendidas nesse sentido no Brasil.
Em terceiro lugar, permite pensar nas mulheres como intelectuais, produtoras e mediadoras culturais, que participaram ativamente do jogo político e demarcaram um espaço no campo intelectual, ainda obscurecidas pela historiografia. No intuito de garantirmos esse reconhecimento, temos nos esforçado para destacar seus modos de ser e estar no mundo, contar suas histórias e garantir maior visibilidade à sua presença como sujeitos históricos. Mas, em larga medida, essas histórias têm sido contadas à parte, quase em um universo paralelo, muitas vezes relacionadas ao discurso do feminino
ou do feminismo
. Isso nos leva a um certo gueto historiográfico, porque, apesar de falarmos das mulheres, elas continuam à margem, utilizando aqui uma expressão cunhada por Natalie Zemon Davis para se referir àqueles sujeitos cujas histórias raramente faziam parte do escopo de temas interessantes para a consagrada historiografia. Pensar as mulheres como intelectuais não pode prescindir da categoria de gênero, porque essa é uma das balizas que orienta suas ações no campo intelectual. Todavia, não basta pensar o que é ser intelectual, no feminino. É preciso pensar como esse feminino se constitui como sujeito no campo intelectual e como as mulheres se configuram como intelectuais em relação aos homens no interior do campo, as disputas travadas não apenas com os homens, mas também entre si, as negociações tácitas que empreendem uma vez que estão fora do território que lhes é prescrito, e os micropoderes que exercem a partir daí.
Em quarto lugar – e acho que poderíamos ir além, mas vou parar por aqui – esse projeto de educação familiar analisado por Joana nos permite pensar no uso dos livros como instrumentos pedagógicos, este um tema mais explorado em nosso campo, com diferentes recortes e ênfases. O uso dos impressos para educar a população – sobretudo, a população letrada, mas não apenas – corrobora com o poder da escrita, mais ainda o poder do impresso, para instaurar como legítimos determinados saberes que não devem ser questionados. Livros como os de Maria Junqueira exerceram a função do que Marta Carvalho chamou de Guias de Aconselhamento, do ponto de vista da organização da narrativa; mas também funcionaram como verdadeiros Tratados Pedagógicos, pelo selo simbólico que a autoria lhes imprimia. O uso dos impressos pelos intelectuais para educar a população – sobretudo, quando consideramos suas reedições – permite apreender os saberes que ganharam legitimidade no campo educacional brasileiro – não apenas no âmbito escolar – e que contribuíram para reforçar determinadas representações no âmbito da cultura junto à sociedade.
Nesse sentido, é com muita satisfação que vejo este trabalho de Joana vir a público, agora em outro suporte, extrapolando as fronteiras do mundo acadêmico e seguindo os caminhos imperscrutáveis dos livros, chegando a outros leitores/as, adquirindo novos significados e produzindo, quem sabe, novas representações a partir do conhecimento por ele veiculado. Uma importante leitura para todos que desejam compreender um pouco mais sobre a família educada brasileira dos anos de 1950 e 1960.
Evelyn de Almeida Orlando
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
APRESENTAÇÃO
Hoje é dia 08 de março de 2020, o dia internacional da mulher
. Interessante notar que inexiste o dia internacional do homem
e, talvez por isso, eu tenha passado muitos anos me indagando da real necessidade da lembrança desta data. Com quase 50 anos de vida, todavia, após ter degustado inúmeros momentos inoportunos de uma cultura ainda francamente machista, percebi o quão relevante é recordar daquele dia e parabenizar as tantas mulheres brilhantes, genuínas e verdadeiramente agregadoras à sociedade, como foi Maria Junqueira Schmidt.
É com enorme prazer e orgulho, destarte, que escrevo as singelas linhas que seguem, homenageando essa fascinante mulher, no âmbito da interessante, cativante e encantadora obra de Joana Gondim Garcia Skrusinski. Foi um inenarrável desfastio compreender ainda melhor, e sob um olhar acadêmico, a grandeza de seu caráter, de sua força e de sua capacidade, e como ela se manifestou contundentemente e com sabedoria, dentre outros temas, pela recuperação do espaço que a igreja havia perdido com a República e pela implementação de diversos projetos educacionais – inimagináveis de serem exercidos em seu tempo por uma pessoa do sexo feminino.
Obrigada pela oportunidade, Joana, de poder apresentá-la ao leitor pela perspectiva de uma sobrinha que, de tamanha admiração, optou por casar-se em 20 de setembro, dia de seu aniversário. Sua presença em minha vida, portanto, jamais será olvidada e seu aniversário, nunca será obliterado.
Tia Maria foi vanguardista, que, como pouquíssimas batalhadoras, abriu caminho para a presença do sexo feminino em espaços políticos e na gestão junto ao Estado. Ela foi simplesmente uma pessoa e uma profissional exemplar. Nasceu em 1900 em São Paulo e faleceu aos 82 anos, em 18 de dezembro de 1982, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Apesar de paulista, optou por residir no Rio, onde se fixaram muitos de seus irmãos (intelectuais, a maioria), e escolheu por habitar em um confortável apartamento no bairro mais boêmio da cidade carioca, onde afloravam artistas e intelectuais por todas as esquinas, bares e rincões.
Pedagoga, psicóloga, escritora, educadora, professora, linguista, literária e historiadora, tia Maria, devido à sua privilegiada inteligência e aos seus generosos talentos, influenciou toda uma geração de intelectuais brasileiros e propôs com sucesso alguns dos programas educacionais do país. Para além de seus estupendos aspectos profissionais e de seus influentes projetos educacionais reinantes entre os anos 20 aos 80, tia Maria sempre foi um ser humano terno, calmo e harmonioso dentro e fora do núcleo familiar. De voz suave, ainda que imponente, de passos leves, ainda que firmes, e de palavras doces, ainda que fortes; minha tia era puro amor e bondade com o próximo. Na verdade, esses eram traços dela e de todos os seus 11 irmãos. Nunca deixou de exercer seu dom maior, que era o de ensinar. Nunca se furtou em participar de um bom debate, mesmo ao lado de influentes debatedores de seu tempo. Além disso, sempre compreendeu que seus melhores atos religiosos se davam fora da igreja, no seu cotidiano, no uso diário dos ensinamentos de Deus. Era dessa forma que melhor pregava a palavra Dele.
Conquanto tenha passado dez anos na Europa e podendo ter permanecido por lá, foi pelo Brasil – sua pátria amada, ocupada por uma sociedade pobre, iletrada e extremamente desigual – que escolheu lutar. Lutar pela educação do povo e pelo uso minucioso do método científico no aprendizado. Lutar pela importância de manter qualquer núcleo familiar equilibrado. Lutar pela religião proativa, aquela que esbanja amor e dispensa recompensa. Lutar pelo Brasil amado.
A obra de Joana discorre sobre quatro dos seus espetaculares livros sobre educação religiosa para as famílias (que fazem parte da Coleção Família). Tia
