Cuidado vigilante: Intervenção psicossocial com famílias em situação de maus-tratos e violência sexual
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Sobre este e-book
Partindo de sua experiência de mais de três décadas lidando com famílias em situação de vulnerabilidade social, Marlene Marra elaborou um protocolo para atendê-las em instituições. A base de seu trabalho é o cuidado vigilante (CV), abordagem criada pelo psicólogo Haim Omer e adotada com sucesso em vários países. Além do CV, a autora recorre a conceitos como resistência parental não violenta, pensamento sistêmico e construcionismo social. Para facilitar a aplicação do protocolo, Marlene utiliza técnicas do psicodrama, como o duplo e o ego auxiliar. O resultado prático das intervenções pode ser acompanhado neste livro. Se, de início, as famílias chegam ressabiadas e temerosas, aos poucos o diálogo se instala e o medo dá lugar ao diálogo e à ressignificação de histórias. Utilizando os conceitos aprendidos ao longo dos atendimentos, pais, filhos, avós e apoiadores constroem uma nova relação, baseada no cuidado, na presença e na esperança.
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Pré-visualização do livro
Cuidado vigilante - Marlene Magnabosco Marra
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
M322c
Marra, Marlene Magnabosco
Cuidado vigilante [recurso eletrônico] : intervenção psicossocial com famílias em situação de maus-tratos e violência sexual / Marlene Magnabosco Marra. – 1. ed. – São Paulo : Ágora, 2020.
recurso digital.
Formato: epub
Requisitos de sistema: adobe digital edition
Modo de acesso: world wide web
ISBN: 978-85-7183-276-3 (recurso eletrônico)
1. Violência doméstica. 2. Vítimas de abuso sexual. 3. Violência - Aspectos psicológicos. 4. Crime sexual contra crianças. 5. Livros eletrônicos. I. Título.
20-66900CDD: 364.15554CDU: 364.633-053.2
Meri Gleice Rodrigues de Souza – Bibliotecária - CRB-7/6439
05/10/2020 08/10/2020
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100%Intervenção psicossocial com famílias em situação de maus-tratos e violência sexual
Marlene Magnabosco Marra
CUIDADO VIGILANTE
Intervenção psicossocial com famílias em situação de maus-tratos e violência sexual
Copyright © 2020 by Marlene Magnabosco Marra
Direitos desta edição reservados por Summus Editorial
Editora executiva: Soraia Bini Cury
Assistente editorial: Michelle Neris
Projeto gráfico: Crayon Editorial
Capa: Alberto Mateus
Imagem de capa: Pezibear/Pixabay
Diagramação: Spress Diagramação & Design
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Impresso no Brasil
Sumário
Prefácio – Haim Omer
Apresentação – Marilene A. Grandesso
A razão de ser deste livro
Introdução
1. Autoridade sem violência: a presença assertiva dos pais e os desafios da parentalidade
2. As origens do protocolo do cuidado vigilante
Teoria da resistência não violenta ou resistência pacífica
Pensamento sistêmico
Construcionismo social
Método psicodramático
Um diálogo entre teoria e prática: articulando aportes teóricos
3. Adaptação do cuidado vigilante para o atendimento a famílias que convivem com maus-tratos e violência sexual
4. A proposta metodológica: o protocolo do cuidado vigilante
Procedimentos
Sessões e temas
Reflexões sobre a experiência
Adaptação a outras populações
Considerações finais
Referências
Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.
Martin Luther King Jr.
Prefácio
Este livro de Marlene Marra apresenta o primeiro protocolo do cuidado vigilante para famílias vítimas de abuso sexual. Tal trabalho pioneiro constitui uma importante contribuição à prática segundo os métodos da resistência não violenta. As ideias desse protocolo surgiram em uma série de encontros entre mim e Marlene durante os meses que ela passou em Israel. Para mim, esses encontros foram uma aventura especial, tanto por me haverem propiciado um conhecimento mais direto desse tipo de violência quanto porque me aproximaram do ambiente brasileiro, o que me fazia uma falta profunda, pois vivo em Israel desde os 18 anos de idade. Assim, foi com grande prazer que recebi o convite para prefaciar este livro.
Na leitura, encontrei coisas que eu conhecia bem e outras totalmente novas para mim. Fiquei contente de ver como a ideia do apoio telefônico feito por estagiários foi utilizada nesse protocolo. Esse apoio, utilizado em Israel, não se generalizou na aplicação da resistência não violenta em outros países. Para mim, esse é um elemento importante, porque cria um paralelo entre o nosso objetivo de aumentar a presença parental e o exemplo que damos de uma presença terapêutica constante. Os estagiários que telefonam às famílias semanalmente transmitem mensagens como estamos aqui
, pensamos em vocês
, lembrem-se de nós
.
Fiquei emocionado quando li as mensagens e soube do presente simbólico dado pelas mães aos seus filhos: uma pulseira. Lembro-me de quando Marlene falou dessa manifestação muito especial de presença, que está lá, o tempo todo, no braço da criança.
Também gostei muito de ver quanto a nossa abordagem pode ganhar quando aliada ao psicodrama. A utilização de um ego auxiliar para aprofundar o diálogo e enfatizar as mensagens de presença é para mim um exemplo de integração terapêutica bastante convincente. Fiquei bastante satisfeito de ver a importância que esse protocolo confere à mobilização de apoiadores de fora da família nuclear.
Creio que a publicação deste livro será um bom ponto de partida para que os leitores em geral – e os profissionais brasileiros, em particular – comecem a conhecer nossa abordagem e suas aplicações não só com famílias vítimas de abuso sexual e maus-tratos, mas também com todos os outros problemas e tipos de violência que tratamos. Esta obra está sendo lançada em paralelo com o livro Pais corajosos, escrito por mim e por Heloisa Fleury e publicado pela Editora Ágora. Espero que os dois se promovam e se engrandeçam mutuamente!
Agradeço a Marlene por ter-me dado a oportunidade de trabalhar com ela e também por ter-me ajudado a reencontrar o Brasil e o público brasileiro.
Haim Omer
Tel Aviv, julho de 2020
Apresentação
Há uma fenda em tudo. É assim que a luz entra.
Leonard Cohen
Poucos temas são tão desafiadores para famílias e profissionais como a violência e o abuso sexual, sobretudo quando praticados contra crianças e adolescentes. Cerceados pelo silêncio, pelo medo e pela vergonha, crianças e adolescentes submetidos a práticas abusivas, assim como suas famílias, que deveriam garantir-lhes proteção e cuidado, acabam vivendo sentimentos de impotência e imobilismo. Sem saber o que está acontecendo, o que fazer, como fazer, com medo das consequências de uma denúncia, as famílias que poderiam protegê-los e romper o ciclo de violência e abuso acabam por perpetuá-lo ao ocultar os atos e até mesmo o sofrimento.
A violência começa quando se encerra a palavra. Se as vítimas de violência perdem a voz e a vez, não há como tornar públicos os maus-tratos, de modo que elas se submetem a relações de poder que causam danos ao corpo e à alma. Quando crianças e adolescentes são diretamente atingidos, tal ocultação viola seus direitos básicos de cidadãos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990).
Quando ocultam os fatos e se isolam, as famílias deixam de respeitar e proteger os filhos e de lhes garantir um desenvolvimento saudável, em condições de segurança e afeto. O que atinge um familiar acaba por atingir toda a família de alguma forma.
Portanto, para combater as práticas abusivas, temos de ampliar o foco para incluir, além da própria criança e do adolescente, sua família e a dinâmica de suas relações. Assim, qualquer iniciativa precisa contar com a colaboração de diferentes esferas sociais. Da justiça à educação e à saúde, pressupõe-se uma ação conjunta que avalie a complexidade do fenômeno e otimize o alcance e a eficácia do cuidado e da prevenção.
Profissionais da área da saúde, como Marlene Marra e eu, no contato direto com crianças, adolescentes e famílias submetidos a violência
