Psicossomática: Uma visão simbólica do vitiligo
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Psicossomática - Marisa Campio Muller
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Müller, Marisa Campio Psicossomática: uma visão simbólica do vitiligo/ Marisa Campio Müller — São Paulo: Vetor, 2005.
Bibliografia.
1. Medicina e psicologia 2. Medicina e psicossomática 3. Vitiligo – Diagnóstico 4. Vitiligo – Etiologia 5. Vitiligo – Tratamento. I Título.
05-3363 | CDD- 155.916
Índices para catálogo sistemático:
1. Vitiligo como doença psicossomática: Psicologia 155.916
ISBN: 978-65-89914-21-1
CONSELHO EDITORIAL
CEO - Diretor Executivo
Ricardo Mattos
Gerente de produtos e pesquisa
Cristiano Esteves
Coordenador de Livros
Wagner Freitas
Diagramação
Patricia Figueiredo
Capa
Tânia Menini
Revisão
Mônica de Deus Martins
© 2005 – Vetor Editora Psico-Pedagógica Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer
meio existente e para qualquer finalidade, sem autorização por escrito
dos editores.
Sumário
Agradecimentos
Apresentação
INTRODUÇÃO
1. A PELE
1.1. Estrutura funcional da pele
1.2. Funções da pele
2. PSICODERMATOLOGIA
2.1. A pele e seus diferentes significados psicológicos
2.2. A psicossomática na dermatologia
2.3. Os chamados distúrbios psicocutâneos pela área dermatológica
3. VITILIGO
3.1. Aspectos históricos
3.2. Definição médica de vitiligo
3.3. Diagnóstico
3.4. Etilogia
3.5. Curso e prognóstico
3.6. Tratamento
3.7. Comorbidade
3.8. Considerações sobre a literatura revisada
4. MODELO ANALÍTICO NA PSICOSSOMÁTICA PROPOSTO POR RAMOS
4.1. Psicoterapia breve
4.2. Técnica de visualização e, psicoterapia
5. PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
5.1. A pesquisa
5.2. Sobre as participantes
5.3. Instrumentos
5.4. Procedimentos
5.5. Análise de informações
6. Estudos de caso ilustrativos do modelo de intervenção
6.1. Pacientes que receberam acompanhamento integrado médico e psicológico
Paciente Laura
Paciente Beatriz
Paciente Paula
6.2. Pacientes que receberam somente tratamento médico
Paciente Valquíria
Paciente Roberta
Paciente Adelaide
7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
7.1. Situação de estresse
7.2. Situações de perda
7.3. Dificuldade de relacionamento com figuras parentais
8. Considerações da autora
Referências bibliográficas
Referências complementares
Agradecimentos
Muitos são os agradecimentos, de modo que se torna difícil fazê-lo de forma particular.
À Profa. Dra. Denise Gimenez Ramos, pelo privilégio de tê-la como orientadora, bem como pela confiança, carinho e incentivo ao meu trabalho.
À Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pelo incentivo recebido, e a CAPES, pelo apoio financeiro.
À Sociedade de Dermatologia Integrativa, em especial à Dra. Núbia Rosseti e ao Dr. Roberto Azambuja, pela amizade e pelo muito que aprendi com eles.
A meu Grupo de Pesquisa: Cristina Haag, Juliana Tigre da Silva, Karine Farias, Leonardo da Silva, Prisla Calvetti, Roberta Boanmigo e Roberta Brauner – seres especiais colocados no meu caminho.
Às pacientes deste trabalho, que confiaram a mim suas dores.
O indivíduo é a realidade única.
Quanto mais nos afastamos dele para nos
aproximarmos de idéias abstratas sobre o
Homo sapiens, mais probabilidades temos de erro.
Nesta época de convulsões sociais e mudanças
drásticas é importante sabermos mais a respeito do
ser humano, pois muito depende das suas qualidades mentais e morais. Para observarmos as coisas na sua justa perspectiva precisamos, porém, entender tanto
o passado do homem quanto o seu presente.
Daí a importância essencial de
compreendermos mitos e símbolos.
Jung, O homem e seus símbolos
Apresentação
Este livro traz um modelo de intervenção utilizado em pacientes com vitiligo, com base em um entendimento mais integrado de ser humano, saúde e doença. Apresenta uma pesquisa realizada com pacientes com vitiligo, cujos objetivos foram investigar se o vitiligo poderia ser uma manifestação simbólica da relação psique/soma; se a intervenção psicoterápica aliada ao tratamento médico aumentaria a condição de repigmentação e, por fim, analisar a história de vida de cada paciente baseando-se na psicologia analítica de Carl Gustav Jung.
Todas as pacientes foram avaliadas por um médico dermatologista antes e após o período de seis meses de duração do estudo, evidenciando a importância de intervenções multi e interdisciplinares.
Antes da apresentação dos casos, há uma parte introdutória sobre estrutura e funções da pele, discussões sobre a psicossomática na dermatologia e a psicodermatologia. Especificamente sobre o vitiligo, são retomados aspectos históricos de seu surgimento, diagnóstico e prognóstico, bem como sobre os aspectos simbólicos. Em seguida, são apresentados em detalhes o modelo de intervenção proposto pela autora e os resultados mais relevantes sobre o grupo de mulheres pesquisadas.
Os resultados indicam que o tratamento integrado médico e psicológico proporcionou um índice de repigmentação de até 80%, enquanto as pacientes sem o tratamento integrado, somente com o tratamento médico, repigmentaram 20%. Foi possível também identificar a manifestação simbólica na origem do vitiligo, como será apresentado nos estudos de caso que compõem este livro.
INTRODUÇÃO
O pensamento científico moderno tem buscado desenvolver um modelo mais integrativo de homem, que diz respeito à interação da mente, do corpo e do ambiente. Nessa perspectiva, somente a análise desses multifatores possibilitam o entendimento da natureza humana.
Também a relação saúde/doença tem recebido um novo entendimento. Como cita Ramos (1995), a doença passa a não ser ausência de saúde, mas polaridades que se intercambiam, e o reconhecimento de uma interdependência fundamental entre corpo e psiquismo em todos os estágios da saúde e da doença.
Com base nessa visão mais integrativa do homem, é importante que se mude o enfoque:
• de doença para doente;
• de doença como intrusa para doença como resultado de um conjunto de causas que culminam em desarmonia e desequilíbrio;
• da relação de dependência (o profissional é que cura) para cooperação, na qual o paciente é também responsável pela sua recuperação. Para isso, é necessário que o paciente reconheça que, se ele compreender o processo que contribuiu ao seu adoecimento, também poderá participar de seu processo de cura.
É dentro desse enfoque que projetamos nosso trabalho, entendendo a doença como resultado de vários fatores, entre eles: predisposição genética, história de vida, ambiente, características de personalidade.
Nesse sentido, o entendimento da teoria analítica junguiana sobre a relação saúde/doença vem enriquecer a sustentação teórica.
Para Jung (apud RAMOS, 1995), a doença pode ser uma representação simbólica de algo reprimido que necessita ser integrado à consciência. O inconsciente se faria representar por meio de uma linguagem corporal, revelando aspectos não conscientes que necessitam ser clarificados (RAMOS, 1995).
Buscou-se investigar a doença vitiligo tendo em vista a alta incidência de aparecimento após estresse emocional (VILELLA; RAMIRES, 1988; CAO, 1991). Para tanto, realizamos ampla busca nas publicações científicas nacional e internacionalmente, nas áreas: a) médica, b) psicossomática, c) psicológica, assim como uma entrevista com Dr. Carlos Miyares Cao, Diretor da Clínica Histoterapia Placentaria de Havana, Cuba.
Nesse encontro, Dr. Cao (informação verbal)[1] reafirma o que 77% dos seus pacientes relacionavam o aparecimento do vitiligo após a ocorrência de uma situação estressante (CAO, 1991). Ele afirma também que os demais pacientes dizem não lembrar, por serem muito pequenos, quando surgiu o vitiligo ou não lembram por ser algo muito penoso, pode ser um drama moral e não querem falar
. Refere a importância do tratamento psicológico, afirmando que se a pessoa está nervosa, assustada ou preocupada, o medicamento faz menos efeito
. Quanto ao tratamento, este é à base de melagenina. O tratamento para vitiligo, com melagenina, foi desenvolvido pelo Dr. Cao. Esse medicamento é extraído da placenta humana "e possui a capacidade de estimular a reprodução dos melanócitos" (OSA, 1996, p. 39). Dr. Cao explica que não tem efeitos colaterais, podendo ser usado por crianças, idosos ou até mesmo durante a gravidez sem risco algum. Pode também ser usado, por anos, sem causar danos. Segundo suas pesquisas, ele atribui a etiologia do vitiligo a uma substância anormal que o sistema nervoso produz e que mata o melanócito: (...) e esse transtorno acontece depois que convulsiona o sistema nervoso.
Dr. Cao completa, dizendo ser por um conflito muito sério acontecido ou um susto, enfim, por algum estresse emocional. Aponta também para o sofrimento emocional das pessoas acometidas por vitiligo. A pessoa com esta doença geralmente não vive, a vida é um suplício.
Pela entrevista realizada com Dr. Cao, profissional reconhecido internacionalmente, pelo trabalho que desenvolve com pacientes de vitiligo, pode-se pensar que essa doença está relacionada a situações estressantes, e que o acompanhamento psicológico poderia contribuir não só para aliviar o sofrimento emocional do paciente, como auxiliar numa melhor resposta ao próprio medicamento usado.
Apesar dessa constatação dos aspectos emocionais envolvidos no vitiligo, há um número muito reduzido de pesquisas nessa área.
1. A PELE
A pele foi chamada de órgão, pela primeira vez, em 1777, por Annaneus Charles Lorry, que viveu no período de 1726 a 1783 (HOLUBAR, 1989). É o mais antigo e mais sensível de nossos órgãos, nosso
