Toda nudez será castigada: Obsessão em três atos: tragédia carioca
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Toda nudez será castigada - Nelson Rodrigues
NELSON RODRIGUES
TODA NUDEZ
SERÁ CASTIGADA
Tragédia em três atos
1965
5ª edição
Posfácio: Renato Rosa
Logotipo Nova Fronteira© Copyright 1965 by Espólio de Nelson Falcão Rodrigues
Direitos de edição da obra em língua portuguesa no Brasil adquiridos pela editora nova fronteira participações s.a. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação etc., sem a permissão do detentor do copirraite.
Editora Nova Fronteira Participações S.A.
Rua Candelária, 60 — 7.º andar — Centro — 20091-020
Rio de Janeiro — RJ — Brasil
Tel.: (21) 3882-8200
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
R696t
Rodrigues, Nelson
Toda nudez será castigada / Nelson Rodrigues. – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2021.
128 p.
Formato: e-book com 1.5 MB
ISBN: 978-85-2093-923-9
1. Literatura brasileira. II. Título.
CDD: B869
CDU: 821.134.3(81)
André Queiroz – CRB-4/2242
SUMÁRIO
Capa
Folha de rosto
Créditos
Programa de estreia da peça
Personagens
Primeiro ato
Segundo ato
Terceiro ato
Posfácio
Sobre o autor
Colofão
Programa de estreia de Toda nudez será castigada,
apresentada no Teatro Serrador,
Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1965.
Aluizio Leite Garcia e Jofre Rodrigues
apresentam de
Nelson Rodrigues
Toda nudez será
castigada
Personagens por ordem de entrada:
herculano
Luís Linhares
nazaré
Jacyra Costa
patrício
Nelson Xavier
tia n.º 1
Elza Gomes
tia n.º 2
Antonia Marzullo
tia n.º 3
Renée Bell
geni
Cleyde Yaconis
odésio
Olegário de Holanda
serginho
Enio Gonçalves
médico
Alberto Silva
padre
Ferreira Maya
delegado
José Maria Monteiro
Direção de Ziembinski
Cenário e figurinos de Napoleão Moniz Freire
PERSONAGENS
Herculano
Nazaré
Patrício
Tia n.º 1
Tia n.º 2
Tia n.º 3
Geni
Odésio
Serginho
Médico
Padre
Delegado
PRIMEIRO ATO
(Herculano chega em casa. Tem um certo cansaço feliz.)
HERCULANO
(gritando) — Geni! Geni!
(Aparece a criada negra.)
NAZARÉ
— Veio mais cedo, dr. Herculano?
HERCULANO
— Nazaré, cadê d. Geni?
NAZARÉ
— Saiu.
HERCULANO
— Mas eu avisei! Telefonei do aeroporto dizendo que já podia tirar o jantar.
NAZARÉ
— Pois é.
HERCULANO
— Foi aonde?
NAZARÉ
— Não disse.
HERCULANO
(entre espantado e divertido) — Que piada!
NAZARÉ
— Ah, mandou entregar isso ao senhor.
(Ao mesmo tempo, Nazaré apanha em cima do móvel um embrulho.)
HERCULANO
(falando à criada) — Estou com uma fome danada! É um caso sério! Mas o que é?
NAZARÉ
— Isso aqui.
HERCULANO
(recebendo o embrulho) — E, nem ao menos, deixou recado?
NAZARÉ
— Comigo não deixou.
(Herculano, intrigadíssimo, abre o embrulho.)
HERCULANO
— Fita de gravação! (não entende) Boazinha!
NAZARÉ
— D. Geni disse para o senhor não deixar de ouvir o disco.
HERCULANO
— Que disco? Ah, a fita! (muda de tom) Nazaré, deixa de brincadeira. Ela está aí, não está aí?
NAZARÉ
— Não estou brincando.
HERCULANO
(num rompante) — Geni! Geni!
NAZARÉ
(rindo) — Juro!
HERCULANO
— Vai buscar o aparelho, vai. Isso é algum palpite. Apanha lá.
(Nazaré obedece.)
HERCULANO
— Agora me lembro. Me dá isso aqui. Geni me disse, no telefone, que tinha uma surpresa para mim, não sei o quê. Surpresa.
(Ao mesmo tempo que fala, Herculano está colocando a fita. Sem pressa e divertido.)
HERCULANO
(examinando o aparelho) — Ela está aí, sim. Aposto a minha cabeça. Quero ser mico de circo. De que você está rindo?
NAZARÉ
— Estou rindo, porque o senhor não está acreditando, dr. Herculano. Saiu!
(A fita está colocada. Herculano aperta pela primeira vez o botão. Sons esquisitíssimos de fita invertida. Para e vira-se para Nazaré.)
HERCULANO
— Olha, vai fazer um cafezinho rápido.
NAZARÉ
— Carioquinha?
HERCULANO
— Bem carioquinha.
NAZARÉ
— Melhorou do estômago?
HERCULANO
(entretido no aparelho) — Assim, assim. Esses médicos são umas bestas! (muda de tom) Melhor um pouco, sei lá. Mesma coisa. Chispa, vai buscar o café.
(Sai Nazaré. Então, sozinho, Herculano assovia e prepara-se para ouvir a gravação. Apaga-se o palco. Nas trevas, ouve-se a voz de Geni.)
GENI
— Herculano, quem te fala é uma morta. Eu morri. Me matei. (ao mesmo tempo que Geni fala, ilumina-se parte do palco. Aparecem Patrício e as tias. Enquanto durar a fala de Geni, Patrício e as tias permanecerão imóveis e mudos)
GENI
— Herculano, ouve até o fim. Você pensa que sabe muito. O que você sabe é tão pouco! (com triunfante crueldade) (violenta) Há uma coisa que você não sabe, nem desconfia, uma coisa que você vai saber agora, contada por mim e que é tudo. Falo pra ti e pra mim mesma. (dilacerada) (ressentida e séria) Escuta, meu marido. Uma noite em tua casa.
(Patrício lê jornal. Tias começam a falar.)
TIA Nº 1
— Vai depressa chamar o padre Nicolau!
PATRÍCIO
— É tarde pra chuchu!
TIA Nº 2
— Padre não tem hora!
TIA Nº 1
— Anda!
PATRÍCIO
— Não se pode nem ler jornal.
TIA Nº 3
— Ou você prefere que seu irmão morra?
PATRÍCIO
— Padre não é médico!
TIA Nº 1
— O que Herculano tem não é doença, é desgosto.
TIA Nº 3
— Basta de morte na família!
PATRÍCIO
— Mas titia! A senhora não achava bonito o viúvo que se mata? Viúvo que tem tanta saudade da mulher que mete uma bala na cabeça?
TIA Nº 3
— Não venha com seu deboche!
TIA Nº 2
— Herculano é o chefe da família. Não pode morrer.
PATRÍCIO
— Vou chamar o padre Nicolau!
TIA Nº 1
— Diz que vai e continua sentado!
TIA Nº 2
— Você não gosta de Herculano!
TIA Nº 3
— Odeia o irmão!
(Patrício abandonou o jornal. Ergue-se.)
PATRÍCIO
(com evidente ironia) — Mas odiar sem motivo? Ele nunca me fez nada! Só na minha falência é que Herculano podia ter evitado tudo com um gesto, com uma palavra. (incisivo) Mas não fez o gesto, nem disse a palavra. E eu fui pra cucuia! (ofegante) Mas são águas passadas!
TIA Nº 1
— Você vai ou não vai?
PATRÍCIO
— Vou. (sumário) Dinheiro pro táxi.
TIA Nº 1
(tirando uma nota do seio) — Toma, mas não demora!
PATRÍCIO
— Bye! Bye!
TIA Nº 3
— Não demora!
(Patrício sai e, em seguida, volta.)
PATRÍCIO
— Tive uma ideia genial! Me lembrei de uma mulher que talvez salve Herculano mais depressa que o padre. Uma mulher que.
TIA Nº 1
(rápida) — Espírita?
PATRÍCIO
(desconcertado) — Se é espírita? (disfarçando) Não vou entrar
