A trama da imagem: vias da psique rumo ao si-mesmo
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A trama da imagem - Denise Vourakis
Introdução
Carl Gustav Jung construiu, por intermédio de sua obra, uma vasta compreensão sobre o universo das imagens. Durante toda a sua vida, manteve um olhar atento, voltado para as formas de expressão que lhe surgiam. Dedicou-se ativamente à observação de seu mundo interno, de suas vivências pessoais. Na clínica de seus pacientes também ofereceu especial atenção aos sonhos e imaginações. Mergulhou em pesquisas relativas a diferentes culturas e religiões, reunindo imagens significativas. É evidente sua devoção incansável ao estudo dos inúmeros conteúdos, presentes nos elementos encontrados em suas pesquisas, sempre atento aos vestígios e pistas que o conduziriam às suas remotas origens. Jung foi um arqueólogo das imagens, deixou um legado que até hoje é examinado por aqueles que o sucederam, sendo complementado por novos sentidos e indagações. Sem dúvida, Jung foi alguém inspirado e inspirador.
A imagem é de extrema importância na clínica da Psicologia Analítica. Basicamente, é por meio do compartilhar imagens que um caminho realizável se constrói no espaço terapêutico. Seja por meio de sonhos, ou de uma determinada narrativa, nas metáforas, nas situações vividas ou por meio de recursos expressivos, como desenhos, pinturas, esculturas, modelagens, caixa de areia, imaginação ativa, entre outros. Jung e seus sucessores deixaram um vasto campo de possibilidades para acessarmos o universo das imagens.
Durante um longo período de sua vida, Jung mergulhou no universo de suas imagens internas, entre os anos de 1913 e 1928, aproximadamente. Em Memórias, sonhos e reflexões, sua autobiografia publicada em 1961, no capítulo Confronto com o Inconsciente
, estão descritas algumas de suas experiências. Sobre essa prática, ele relata:
Na medida em que conseguia traduzir as emoções em imagens, isto é, ao encontrar as imagens que se ocultavam nas emoções, eu readquiria a paz interior. Se tivesse permanecido no plano da emoção eu teria sido dilacerado pelos conteúdos do inconsciente. (JUNG, 1961, p. 221).
Suas criações, imagens elaboradas durante toda a sua vida, originadas de sua imaginação, de seu inconsciente, estão em O livro vermelho, obra póstuma, cujos manuscritos se mantiveram sob a proteção de seus herdeiros, foi publicado cerca de 50 anos após sua partida. Nesse livro, o foco não são os conceitos teóricos, mas sim a matéria-prima, que gerou a substância necessária para que seus textos e artigos fossem escritos e que provavelmente lhe forneceu o suporte psíquico necessário para seguir em sua trajetória fascinante.
Figura 1 – Detalhe de O livro vermelho
C:\Users\Denise\Pictures\livro vermelho (1).jpgFonte: Carl Gustav Jung
O percurso feito por Jung na direção da imagem, sua compreensão sobre sua atividade e sentido, é o principal motivador deste livro. Objetiva reunir as ideias presentes no conteúdo de suas obras compreendendo os conceitos teóricos que se inter-relacionam, incluindo autores que têm contribuído para essa reflexão com ideias complementares. Ampliar a compreensão dos conceitos teóricos utilizando analogias e exercitando a atitude simbólica. Ilustrar por meio de manifestações da imagem na natureza, nos sonhos e nas artes considerando sua relação com os movimentos da psique. Refletir sobre modos de abordagem das imagens dos sonhos e nas artes, especificamente a fotografia.
Capítulo 1
Primeiras ideias
Quando Jung publicou Tipos psicológicos, em 1921, vinha há alguns anos amadurecendo suas ideias e aprofundando sua prática clínica. O foco principal desse texto é a descrição dos tipos introvertido e extrovertido e das funções da consciência: sensação, pensamento, sentimento e intuição. Seu conteúdo despertou grande interesse do público. Neste volume há também um glossário, no qual conceitos estão definidos auxiliando a compreensão de seu trabalho terapêutico. No decorrer de sua trajetória, esses conceitos foram amplamente aprofundados e a base teórica densamente constituída. Ainda assim, são definições iniciais bastante importantes. Estabelece a psique como um conceito fundamental, em torno do qual todos os outros se organizam, compreendida como sendo a totalidade dos processos psíquicos, tanto conscientes, quanto inconscientes. Sobre a alma, refere-se a ela afirmando que está intimamente ligada à personalidade do indivíduo, embora aponte diferenças entre a alma e a personalidade. Como a persona, a alma é considerada como complexo. A alma como um complexo autônomo, possuidora de um caráter mais interno e a persona como complexo funcional, possuindo um caráter mais externo. Jung observa um contraponto entre as duas instâncias da personalidade, uma alternância; acrescenta que a personalidade varia de acordo com o contexto e a forma como o eu se identifica com a atitude do momento. A persona estaria presente nas adaptações necessárias em relação aos objetos externos. A alma conduz ao interior, ao inconsciente, concebe imagens e significados, necessitando se articular com o eu. Quando a alma está distante, a vida perde o brilho e a poesia.
A perda da alma significa arrancar uma parte do próprio ser, significa o desaparecimento e a emancipação de um complexo que, desse modo, vem a ser o usurpador tirânico da consciência que oprime
