Tornar-se Psicoterapeuta: A escolha da Abordagem
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Sobre este e-book
Mas não são apenas as pessoas que buscam terapia que fazem essa pergunta. Os estudantes de psicologia e psicoterapia também se questionam sobre quais referências e teorias irão seguir. E essa busca por respostas começa cada vez mais cedo, muitas vezes já no primeiro semestre da faculdade. Alguns escolhem uma abordagem única, outros preferem estar abertos para mais de uma orientação.
Para ajudar nessas escolhas, e contribuir para essa discussão, ainda incipiente na formação acadêmica, o psicoterapeuta Ricardo Penna reuniu, neste livro, declarações e entrevistas de diferentes profissionais da área, que relatam como fizeram suas escolhas, como foi o processo de aprendizagem, as limitações e experiências que tiveram ao longo de sua prática.
Embora direcionado aos futuros psicoterapeutas, a obra também serve de referência para aqueles que têm interesse nesse fascinante assunto e desejam conhecer um pouco mais sobre o "universo da terapia".
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Tornar-se Psicoterapeuta - Ricardo Penna
Entrevistados
Amanda Raña – psicóloga clínica graduada pela Faculdade Ruy Barbosa, mestre em teoria e pesquisa do comportamento pela Universidade Federal do Pará (UFPA), doutoranda em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo (USP).
Isael Sena – psicólogo (UNIFACS), psicanalista, mestre em psicologia social (UFBA), doutor em ciências da educação (UFMG/Université Paris 8), pós-doutor em psicanálise e educação (Université Paris 8) e professor do curso de psicologia (UCSAL).
Alexandre Coimbra Amaral – psicólogo, escritor, palestrante e consultor de saúde mental em empresas e escolas. Colunista do Jornal Valor Econômico, autor de Cartas de um Terapeuta para seus momentos de crise, supervisor clínico e formador de terapeutas familiares.
André Batista – graduado em psicologia pela Universidade Federal da Bahia (2007), formação em gestalt-terapia (2007), mestre em desenvolvimento humano e responsabilidade social pela Faculdade Visconde de Cairu (2013), docente em cursos de psicologia e atendimento clínico individual e de grupos.
Heloísa Longo – pesquisadora, professora, psicóloga clínica (Rui Barbosa/BA), terapeuta familiar (Humanitas/BA), mestre em recursos humanos (FGV/SP), master avatar (Star’s Edge/EUA), consteladora sistêmica (ISPAB/Alemanha), analista junguiana (SBPA/BR – IAAP/Suíça). Atende individualmente, casais e famílias online.
Rosita Barral – psicóloga graduada pela UNESP, mestre em psicologia pela USP, doutoranda do programa de pós-graduação em psicologia da UFRGS. Atua como psicoterapeuta na perspectiva fenomenológico-existencial, é professora do Instituto de Psicologia da UFBA.
Carlos Seixas – psicólogo graduado pela Universidade Franciscana UFN (2006), especialista em terapia cognitiva comportamental pela WP (2008), professor e orientador de supervisão clínica do curso de graduação em psicologia da ULBRA campus Santa Maria – RS, mestre em psicologia da saúde pela Universidade Federal de Santa Maria – RS (2014) e membro da Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas desde 2008.
Introdução
Escolher uma linha quando se decidia fazer uma terapia
já foi uma marca identitária de estudantes de psicologia e psicoterapia. A pluralidade de abordagens psicoterápicas era indiferente ao público leigo. Em décadas recentes, as práticas em psicoterapia têm conquistado certa notoriedade e, se o público assistido já está mais familiarizado com a multiplicidade de referências, os estudantes, futuros psicoterapeutas, por sua vez, iniciam cada vez mais cedo suas buscas por respostas sobre variadas questões, dentre elas, como conseguir escolher a sua abordagem.
Como uma forma de contribuir para esta discussão, ainda pouco explicitada nas formações em Psicoterapia, este livro reúne entrevistas com profissionais da área, que relatam como se deu o seu processo de escolha, a construção da sua identidade profissional, aprendizagens e limitações descobertas ao longo da sua prática. Assim, este livro é direcionado aos candidatos a futuros Psicoterapeutas, podendo servir também para os demais interessados em conhecer esse universo.
Os profissionais entrevistados representam as linhas da Psicanálise (aqui não diferenciada como Psicoterapia), Análise Comportamental, Gestalt-terapia, Terapia Familiar Sistêmica, Fenomenologia-existencial, Cognitiva e Junguiana. Todos estes profissionais foram escolhidos por serem referências nas suas atuações, inclusive pelo contínuo pensar sobre sua prática. Infelizmente, não tínhamos como contemplar profissionais de todas as linhas, pois isso se transformaria numa tarefa exaustiva e talvez até repetitiva para o leitor. Assim, outras abordagens igualmente importantes, como Psicodrama, Abordagem centrada na pessoa, Bioenergética, Logoterapia, dentre outras, infelizmente, não estão aqui representadas.
As entrevistas realizadas transitaram por diferentes formatos. Foi enviado para os profissionais o roteiro de perguntas. Alguns escolheram responder no formato pergunta e resposta (Isael Sena, Amanda Raña, André Batista e Rosita Barral), outros fizeram do roteiro um norteador para um depoimento escrito contendo reflexões sobre sua escolha (textos de Heloísa Longo e Carlos Seixas). Foi realizada ainda uma entrevista oral com o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral. A variedade do formato, a fim de realizar análises comparativas, pode causar estranhamento para quem espera linearidade. Em nossa compreensão, entretanto, a diversidade do formato pode trazer a atenção para como cada profissional se autoriza em sua singularidade.
Quando falamos em escolha da abordagem como Psicoterapeuta, pode ser necessário entender que estamos lidando com questões complexas, que se aproximam da escolha de uma profissão. Nesse sentido, escolher uma ocupação dentre tantas possibilidades tem sempre seu desafio, pois é preciso lidar com idealizações, preconceitos e visões até obsoletas sobre cada ofício. Além disso, é preciso dispor sobre si mesmo um suficiente conhecimento para poder escolher e, sobretudo, construir um projeto de vida mais coerente com quem se é e com quem se deseja vir a ser.
Dessa forma, o tema da escolha da abordagem oportuniza refletir sobre como cada um dos psicoterapeutas lidou e ainda lida com a sua escolha, no sentido de reafirmá-la ou aprimorá-la. Talvez seja mais correta a percepção de que esta relação entre o profissional e a sua abordagem está longe de ser uma experiência ausente de conflitos. Como veremos nas entrevistas, o percurso é trilhado na companhia de dúvidas, inquietações constantes e certa capacidade de se reinventar.
Em um livro sobre escolha da abordagem não poderiam faltar aqueles que não escolheram
. Talvez seja mais apropriado dizermos que, em alguns casos, se escolheu por mais de uma orientação. E isso é possível? Pelo que vimos, sim, mas não sem pagar preços. A tarefa exige do profissional o discernimento necessário para saber com quais sistemas de pensamento dialogar e, ainda assim, reconhecer pontos de encontros e desencontros. O fato é que não se pode negar essa modalidade como mais uma opção na maneira como tantos terapeutas se organizam em sua prática. Até mesmo aqueles que escolheram uma linha não estão isentos de serem influenciados por outras referências, a depender da situação ou do paciente.
Faz-se necessário pontuar que algumas das visões aqui apresentadas pelos profissionais sobre as abordagens podem refletir concepções pessoais e compreensões diversas sobre um mesmo conceito ou escola de pensamento. Essas representações oportunizam a percepção do quanto esse processo pode ser permeado por fatores subjetivos, contendo posições que não são unânimes dentre os profissionais da área. Além disso, estas concepções não estão imunes às revisões e às mudanças de posicionamento ao longo do tempo. Esta última pontuação é especial para este livro, considerando que as entrevistas aqui apresentadas foram realizadas entre os anos de 2013 e 2018, podendo não mais contemplar o que determinado profissional pensa a respeito.
Por fim, este livro é um projeto que nasceu anos atrás, quando o psicoterapeuta e professor Ricardo Penna percebeu, junto aos seus alunos, a demanda sobre este assunto sempre presente. Em 2013, ele começou a realizar entrevistas nos modelos oral e escrito, com psicólogos de diferentes linhas. O projeto ficou parado após um ano e só foi retomado quando, em 2016, mais dois psicólogos, Diego Sant’anna e Rene Azevedo, entraram em cena. Não poderia findar esta apresentação sem agradecer a esses últimos por tal importante parceria, bem como agradecer a todos os Psicoterapeutas entrevistados pela confiança e disponibilidade no projeto.
Ricardo Penna
Psicólogo e Psicoterapeuta Humanista
Análise Comportamental
Por Amanda Raña
1. Qual a importância de se escolher uma abordagem na Psicologia?
É difícil dar minha opinião para esta pergunta sem assumir que ela já é influenciada pela abordagem psicológica da minha escolha. Esse é o primeiro pressuposto a ser admitido para o que eu acho ser um discurso honesto: é aquele que não se propõe isento de influências. A partir deste ponto, pode-se colocar o questionamento: a minha história pessoal influenciou minha escolha por uma abordagem ou a minha escolha influencia minha história pessoal? Se considerarmos o critério tempo, cairei na obviedade. Claro que minha história pessoal
