A ética profissional em Psicologia: temas e dilemas contemporâneos
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A ética profissional em Psicologia - Joseth Jardim
ÉTICA PROFISSIONAL EM PSICOLOGIA: O EXERCÍCIO DA PRÁXIS EM SALA DE AULA
Joseth Jardim
RESUMO
Este ensaio teórico tem como objetivo apresentar, de forma sintetizada, algumas reflexões acerca da ética profissional em Psicologia a partir de uma experiência envolvendo os acadêmicos que frequentaram a disciplina de Ética Profissional em uma instituição privada de ensino nos últimos dois anos. As aulas foram conduzidas por meio de ações metodológicas distintas, tais como levantamento de literatura, fóruns de discussão, trocas de experiências, debates sobre dilemas éticos que envolvem a prática profissional e a elaboração de ensaios acadêmicos acerca de temas inerentes à ética profissional em Psicologia. O resultado da experiência evidencia possibilidades de trabalho que podem, cada vez mais, aproximar os acadêmicos de temas e dilemas inerentes à prática do profissional de Psicologia, independentemente do contexto em que ele atua. Além disso, é discutida a pertinência de uma metodologia de trabalho que procura, no decorrer do processo, articular teoria e prática.
Palavras-chave: Ética Profissional. Psicologia. Ensino. Ensaio acadêmico. Fóruns de discussão.
INTRODUÇÃO
O processo de formação durante a graduação tende a oportunizar uma riqueza de estudos e experiências cujo objetivo é orientar o estudante para a prática profissional. Nessa perspectiva, na disciplina de Ética Profissional inserida na matriz curricular do curso de Psicologia da instituição privada de ensino onde eu leciono, temos procurado promover um espaço de acesso aos conhecimentos relativos à ética em Psicologia por meio do levantamento de literatura, fóruns de discussão, trocas de experiências, debates sobre dilemas éticos que envolvem a prática profissional e a elaboração de ensaios acadêmicos. Elegemos como instrumentos balizadores para a realização dos trabalhos e discussões o Código de Ética Profissional do Psicólogo (BRASIL, 2005) e as Normas Técnicas e/ou Resoluções publicadas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pelos Conselhos Regionais de Psicologia (CRP).
As primeiras aulas da disciplina objetivaram favorecer uma aproximação dos acadêmicos com a terminologia ética profissional
focando na responsabilidade e no compromisso necessários a uma postura ética. Essa postura ética precisa estar presente nas atitudes e tomadas de decisão do profissional desde o início de sua formação acadêmica. Nesse sentido, pouco a pouco, conduzi os acadêmicos a perceber que, quanto mais refletimos sobre o que é a ética e seus fundamentos, mais nos conscientizamos acerca da complexidade dessa questão. Talvez por isso mesmo essa discussão exija que estejamos diretamente implicados com temas e/ou situações em que a ética se evidencie — por meio de ações ou práticas de um grupo de pessoas ou de uma pessoa apenas.
Com o propósito de envolver os acadêmicos nesse processo, eles foram conduzidos a pensar sobre temas que, no âmbito das intervenções em Psicologia, independentemente da área de atuação, exigem do profissional o exercício reflexivo na realização do trabalho, seja porque envolvem diretamente a vida de outras pessoas, seja porque colocam o profissional frente a situações dilemáticas que precisarão ser solucionadas.
A partir da lista dos temas propostos, os alunos foram distribuídos em grupos de trabalho e orientados a realizar um levantamento de literatura sobre os temas eleito. Após sistematizarem os conhecimentos obtidos com as produções científicas, os estudantes se prepararam para coordenar fóruns de discussão. As intervenções dos colegas foram feitas por meio de posicionamentos sobre os temas apresentados, relatos de experiências, colocações embasadas na literatura e/ou indicações de situações dilemáticas relativas aos temas apresentados. Para Picoli et al. (2012, p. 119), se não tivermos interesse sobre nós, sobre o que nos rodeia, sobre nosso trabalho, se não buscarmos mais informações, principalmente para qualificarmos nossa atuação profissional, não vamos crescer, nem aprender
— daí a importância do envolvimento e comprometimento dos alunos nesse processo.
Após a participação de cada grupo de trabalho na coordenação dos fóruns de discussão, os alunos elaboraram ensaios acadêmicos sobre os temas discutidos nos fóruns. Essa atividade configurou mais uma etapa da formação em ética profissional que exigiu protagonismo, proatividade e capacidade de elaborar o pensamento sobre o tema trabalhado por meio da produção de conteúdo e visões de mundo. Tudo isso envolveu um compromisso ético com o saber construído que, dessa forma, passou a ser compartilhado.
De acordo com Foucault (1996), vivemos um tempo em que as verdades estão em suspenso. Esse posicionamento nos remete à importância de práticas pedagógicas que convoquem os acadêmicos, cada vez mais, para resolver problemas e enfrentar situações dilemáticas presentes na realidade concreta. Isso os desafia a resolver os próprios problemas e, ao mesmo tempo, faz com que eles busquem o seu próprio aprendizado. O lugar do aluno nesse processo de aprendizagem é o principal (PICOLI et al., 2012).
FÓRUNS DE DISCUSSÃO – UMA ESTRATÉGIA PARA AQUECER O DEBATE SOBRE TEMAS PERTINENTES
[...] na escola e mesmo na vida, primeiramente precisamos experimentar, tentar o novo, o diferente, e em alguns momentos até errar, para então atingir os objetivos (PICOLI et al., 2012, p. 118).
De acordo com Paloff e Pratt (2004), fóruns de discussão são espaços privilegiados para o exercício de relações dialógicas
abertas e plurais sobre temáticas propostas, troca de experiências e feedbacks, seja entre o professor e estudantes, seja apenas entre os estudantes. Os autores argumentam, ainda, que as interações que ocorrem nestes espaços intersubjetivos de diálogos e trocas de conhecimentos permitem aos sujeitos ativos estabelecer as pontes necessárias entre os saberes que já conhecem e os considerados necessários e importantes a serem apreendidos. Para Silva et al. (2015), os fóruns de discussão motivam a experiência de aprendizagem dos alunos e, além disso, a discussão é normalmente considerada uma poderosa ferramenta para desenvolver habilidades pedagógicas, como o pensamento crítico, colaboração e reflexão
(SILVA et al., 2015, p. 1190). Embora o foco da abordagem dos autores citados seja o ambiente virtual, é possível transpor a metodologia para as aulas presenciais e utilizar os fóruns de discussão como instrumento de avaliação do percurso e da aprendizagem dos estudantes
, pois isso muito pode contribuir na percepção dos estudantes e professores em relação aos avanços concebidos durante os processos construtivos de conhecimento pertinente
(MARTINS; ALVES, 2016, p. 107). Dessa forma, os fóruns de discussão na modalidade presencial podem se configurar como importantes instrumentos na condução metodológica dos conteúdos pretendidos, uma vez que inserem nos debates as inquietações, experiências de vida pessoal e profissional, contribuições advindas de pesquisas a partir de várias fontes (internet, leituras, movimentos sociais, ciência etc.) e interações e intervenções de maneira dinâmica. Além disso, os fóruns possibilitam a participação de forma crítica e ética, com respeito e tolerância à pluralidade dos discursos que possam emergir dos debates e embates (SILVA, 2009).
Para Picoli et al. (2012), o professor tem o papel fundamental nesse processo tanto ao propor pesquisas e buscas sobre as curiosidades que seus alunos apresentam quanto ao chamar a atenção para as questões presentes no âmbito social. Assim, o professor estimula os alunos a encontrar respostas para suas dúvidas, questionando o que poderia ser uma certeza para criar uma problematização e uma nova possibilidade de aprendizado
(PICOLI et al., 2012, p. 118). Sobre a atuação do professor como mediador desse processo, Martins e Alves (2016) argumentam sobre a relevância de se criar situações didáticas que possibilitem o envolvimento dos alunos nas discussões, intensificando-se assim maior interação e interatividade entre os participantes e uma maior qualidade nas trocas intersubjetivas
(MARTINS; ALVES, 2016, p. 107).
Nesse sentido, a sala de aula passa a representar um lugar de construção de sentidos e um canto
onde novos saberes se interrelacionam numa rede elaborada e de forma colaborativa. Nessa perspectiva, a aprendizagem a partir das interações entre os participantes ocorre mediante a internalização de situações vividas e observadas por meio dos discursos, da colisão de ideias e confrontos com o outro. Além disso, conforme Martins e Alves (2016), os fóruns de discussão não apenas podem colaborar para melhorar a qualidade da aprendizagem dos estudantes — quando estes passam a conhecer os critérios a serem levados em consideração durante o percurso da aprendizagem —, mas também podem funcionar como termômetro tanto para educadores como para educandos estarem revendo constantemente os próprios processos construtivos de conhecimentos
(MARTINS; ALVES, 2016, p. 120).
ENSAIO ACADÊMICO – A IMPORTÂNCIA DE REGISTRAR IMPRESSÕES SOBRE TEMAS E FENÔMENOS PRESENTES NA REALIDADE
O ensaio, desde as suas origens na literatura, costuma ser categorizado como a mais livre, a mais fugidia das formas de reflexão. Não propõe respostas acabadas, mas a inquietação, a abertura, a dúvida (ALMEIDA, 2016, p. 2).
Numa belíssima alusão ao Prefácio dos Ensaios de Montaigne, Ponte (2013) nos convida a refletir sobre a dimensão dos ensaios elaborados a partir da percepção dos fenômenos que envolvem a vida. As impressões e as vivências dos percursos de pessoas e coisas do mundo tendem a impactar aquele que escreve, e isso faz com que os ensaios escritos transmitam a habilidade do escritor de pôr no papel esses fenômenos, produzindo ensaios que traduzam essa sensibilidade. Mais adiante, numa análise acurada sobre as inegáveis contribuições do filósofo, Ponte chama a atenção para o que pode ser considerado o principal propósito dessa forma de escrita: conduzir aquele que escreve a perceber a si e as aprendizagens advindas do viver
(PONTE, 2013, p. 70). Em outros termos, o próprio exercício da escrita remeterá ao autor a compreensão de que, nessa atividade, ele está exteriorizando suas percepções, impressões e inquietações acerca das coisas, tal como o fez o filósofo:
Certamente, Montaigne poderia ter dado às suas reflexões algum outro título mais pomposo. Contudo, crítico de qualquer tipo de presunção desnecessária, percebeu que aquilo que escrevia mostrava o inacabamento e finitude própria de seus pontos de vista em sua existência, também finita. Ele teve a sensibilidade
