O grande amor da minha vida: Diálogos revolucionários com uma esposa. Psicanálise e transformação
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Sobre este e-book
Dentre tantas outras obras, Adriana conclui mais esta pérola: “O grande amor da minha vida. Diálogos revolucionários com uma esposa. Psicanálise e transformação”, que a partir da necessidade percebida por ela das mulheres (inclusive das que a procuram), generosamente então nos presenteia com uma síntese surpreendente daquilo que tantas de nós viemos procurando – respostas para os porquês de nossas angústias e anseios sutilmente escondidos ou disfarçados nos recônditos da alma, precisamente os relacionados ao amor.
A leitura deste livro me sacudiu de tal maneira, que não sou mais aquele pensamento antigo e estático sobre homem e mulher. Meus olhos se abriram ao que ainda não enxergava, e alertaram ao que ainda preciso ver, sobre mim e sobre o outro, mas começando por mim.
(Raquel Miranda Lima, psicanalista, Curitiba/PR)
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O grande amor da minha vida - Adriana Tanese Nogueira
Parte I • O sentido do matrimônio
1. O grande amor da minha vida
2. O que é um matrimônio?
a. Perspectiva antropológica
b. Perspectiva histórica
c. Perspectiva religiosa
d. Perspectiva social
e. O caso de Laura
f. Perspectiva psicanalítica (C. G. Jung e S. Montefoschi)
3. A sagrada união entre o masculino e o feminino
4. Feminismo, machismo e poder
5. O caso de Agatha
1. O grande amor da minha vida
Em algum momento da adolescência surge o sonho do amor. Pegamo-nos fantasiando de olhos abertos. Detalhes de filmes ou de conversas ouvidas capturam a nossa atenção de formas que sequer entendemos. Falas, olhares, situações reverberam dentro da gente, ecoando anseios dos quais desconhecemos a origem, mas nos envolvem e nos levam para um mundo imaginário dos contornos vagos e intensos. Sinais externos que saltam aos nossos olhos nos alertam que estamos buscando algo. Sentimo-nos atraídas por alguém que ainda sequer conhecemos. Um estranho pressentimento despertou em nós e nos impulsiona numa direção ignota. O coração ouve um chamado que a mente não entende e às vezes sequer percebe. E nos vemos fazendo coisas que não entendemos.
O amor é como o vento, você não pode vê-lo, mas pode senti-lo.
Nicholas Sparks
Nossa vida, de repente, parece incompleta. Começamos a buscar, por vezes afoitas e confusas, outras disfarçadamente, a pessoa à qual corresponde ao chamado. Na verdade, não temos a menor ideia de quem seja. Nossa mente, porém, poluída por estereótipos culturais e pelos nossos complexos, nos leva a correr atrás de personagens que são o produto híbrido do conhecimento oculto de nossa alma, das questões problemáticas da nossa família e das figuras populares da mídia e do nosso meio (cada pessoa na proporção de seu nível de consciência e de autoconhecimento). Desses três âmbitos surge inicialmente a nossa cara-metade
.
É compreensível que fiquemos perplexas com o desenrolar das coisas. Algumas acham com extrema (e suspeita) facilidade o grande amor
, outras têm extrema (e suspeita) dificuldade em se vincular a alguém. Admitindo ou não, todas, porém, buscamos, nesse florescer da juventude, o amor da nossa vida
. Porque disso se trata: de encontrar o amor da nossa vida. O Amor.
Aquele amor que só pode se realizar com o outro. Com aquela pessoa junto à qual tudo vai fazer sentido
. Um amor que preenche o céu, o dia-a-dia, que ilumina as sombras, afasta as dúvidas, encarna a alegria da vida e do mundo. Aquele amor em sintonia com a beleza harmoniosa da natureza e que nos doa paz.
Que o amor seja tudo o que existe é tudo aquilo que sabemos do amor.
Emily Dickinson
Ansiamos pelo amor, pela condição do amor. Amar é estar mergulhados no amor, naquela vibração do ser que faz tudo parecer suportável e também bonito, resplandecente, leve. No amor, o nosso ser se expande, a alma parece respirar e estamos naquele lugar celestial onde tudo é bom e possível.
Amar não significa nutrir um sentimento por alguém, mas viver no amor e fazer todas as coisas com amor: falar, caminhar, comer, respirar, estudar.
Omraam M. Aïvanhov
Claro que nesse meio tempo, já estamos com vários traumas familiares, limitações, receios, medo de amar e mais. Há quem irá se vincular ansiosamente a alguém assim que possível e lá ficar, afixada, apoiada, até mudar de apoio. Há as que ponderam e as que não querem pensar ou conferir. Os percalços no caminho pela busca do amor não anulam, porém, essa busca e não podem banalizá-la. Precisamos tomar cuidado para não cairmos no racionalismo sarcástico que despreza, por pura vingança, aquilo que não conseguiu alcançar.
O coração tem razões que a razão não compreende.
Blaise Pascal
Uma intuição sutil como um perfume nos lembra que há algo mais e nos atiça para um estado de comunhão com o outro que possivelmente desconhecemos nessa vida e que não podemos reduzir ao Freud explica
. Em meio à patologia do amor há o amor de verdade. Ele não existe separado numa condição pura e incontaminada. Por isso parecemos obcecadas
. Naquele que aos outros parece um caos tóxico tem algo que pressentimos, um eco do que buscamos. Antecipamos em nós essa realidade, almejamos chegar nela e… nos jogamos.
De qualquer coisa sejam feitas as nossas almas, a minha e a tua são feitas da mesma coisa.
Emily Brontë
E começam as desilusões. Quando o amor se encarna em duas pessoas, ele assume as conotações das realidades internas e externas dos dois e se manifesta na configuração que cada psique permite. Geralmente se trata de modalidades limitantes do amar. São estruturas de relação, identidades, expectativas que vão aprisionar o amor. Como a água, o amor preenche todos os espaços e quando não tem para onde ir, quando se vê constrangido em lugares estreitos demais, mentalidades claustrofóbicas, temores sabotadores, dúvidas delirantes e memórias obsessivas, o amor rompe as barragens e cria turbulência, conflito e caos.
O amor quer tudo e tem razão.
Ludwig van Beethoven
Não entendendo o que está acontecendo, nos desesperamos e acreditamos termos nos enganado. Lembramos as palavras da mãe, da amiga, de um livro, de uma autoridade qualquer que nos dá munições para encontrarmos uma saída
que geralmente consiste em um mea culpa
, em racionalizações sensatas
ou aloucadas acusações e manobras para resolvermos
a situação. E botamos tudo a perder. Pois já nos sentimos perdidas – e condenadas.
Ame, ame loucamente, ame mais que puder. E se te disserem que é pecado, ama o teu pecado e será inocente.
William Shakespeare
Paremos por aqui. Paremos o devaneio do medo, da dor e da confusão.
O amor precisa ser respeitado. O amor é um senhor que demanda nossa atenção e dedicação. Amor não é férias, amor é trabalho. É investimento. É um convite à uma jornada de transformação. Que você queira ou não, goste ou não, uma vez que for fisgada pelo amor, você terá que se trabalhar nem que seja para sair de uma relação que não serve mais. E nunca feche seu coração.
Amor é o fato que você é para mim a faca com a qual eu vasculho em mim mesmo.
Franz Kafka
Vamos agora embarcar na viagem à procura de como materializar aquele Grande Amor em nossa vida real, concreta, cotidiana, pequena, grande e contraditória. Desde que seja Amor, tudo vale a pena, pois o amor é o artífice de todas as coisas
(Platão). Mas antes, vamos entender como chegamos às relações que temos hoje, à estrutura de relação conhecida. Vamos investigar o relacionamento em suas camadas mais profundas, históricas e simbólicas. As coisas não foram sempre do jeito que se apresentam hoje. A relação de casal tem uma história e é uma que vai numa específica direção, não é casual ou corriqueira. É, na verdade, o coração do mundo.
2. O que é um matrimônio?
O matrimônio é, e permanecerá sempre, a viagem de descoberta mais importante que o homem pode realizar.
Søren Kierkegaard
Vamos partir da etimologia da palavra matrimônio, que tem origem no radical mater
, que significa mãe e monium
, que significa tarefa, sendo assim, matrimônio é a tarefa da mãe
. O termo matrimônio, com relação a outros termos que estão corretamente usados e com significado parecido, coloca desde sua origem uma maior ênfase na finalidade de procriação da união. A própria etimologia, portanto, faz referência à tarefa de mãe mais do que àquela de mulher, considerando que a completa realização da união entre um homem e uma mulher ocorre com o ato da procriação, com o tornar-se mãe
da mulher, o que gera no interior do vínculo matrimonial filhos legítimos.
Já a palavra casamento, vem do latim casamentum
e significa terreno com uma habitação instalada
, o que representa um dos principais passos para uma união estável. O casamento é, portanto, uma instituição e não necessariamente uma união amorosa, ou seja, a ênfase está posta em sua função social. A união entre um homem e uma mulher existe em função da formação da família que, como já devem ter ouvido, constitui a célula fundamental da sociedade.
As coisas não começaram com um casal se apaixonando e fazendo família. O amor como vínculo e motor que leva à união estável é uma realidade muito recente na história da humanidade. Para sermos realistas, precisamos inverter nossa visão e colocá-la, por assim dizer, com os pés no chão. O chão da nossa realidade concreta.
Então, concretamente, olhando para a história da humanidade, que é a única referência que temos, observamos algumas etapas importantes, analisemo-las rapidamente sob algumas perspectivas.
a) Perspectiva antropológica
A importante obra de Friederick Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado¹, lançada em 1884, retrata, entre outras coisas, a origem do matrimônio. Trata-se de um estudo aprofundado baseado nas descobertas de campo do antropólogo, etnólogo e escritor norte-americano Lewis Henry Morgan (1818-1881) e em seu livro A sociedade Antiga (Ancient Society, 1877). Morgan foi adotado por uma das tribos Iroqueses (os Sêneca), que estudou, e de onde vem grande parte de seus achados.²
Utilizando-se desse material Engels repercorre o que ele chama de estágios culturais
da humanidade, que são três.
O primeiro é o Estágio Selvagem, que se divide em três etapas:
1. Fase inferior . Esta é a infância da humanidade. Os homens viviam em árvores, se nutriam de frutos, nozes e raízes. Forma-se nesse tempo a linguagem articulada. Não temos provas diretas da existência desse período, mas, diz Engels, se admitimos que o homem procede do reino animal, devemos aceitar, necessariamente, este estado transitório.
2. Fase média . O peixe entra a fazer parte da dieta (incluindo crustáceos, moluscos e outros animais aquáticos) e há o fogo porque, nota Engels, o peixe só pode ser plenamente empregado como alimento graças ao uso do fogo.
Com esta nova alimentação, continua ele, os homens se tornaram independentes do clima e da localidade. Espalham-se sobre a superfície da Terra. Estamos na chamada Idade da Pedra
, o Paleolítico com seus toscos instrumentos de pedra sem polimento
. Surgem a clava e a lança e, com elas, a caça.
3. Fase superior . Começa com a invenção do arco e da flecha, graças aos quais, afirma Engels, os animais caçados passam a ser um alimento regular e a caça uma das ocupações normais. O uso desse instrumento pressupõe larga experiência acumulada, faculdades mentais desenvolvidas, bem como o conhecimento simultâneo de outras invenções.
Surgem os primeiros utensílios de madeira, primeiras casas e pirogas feitas de um só tronco de árvore.
O segundo é o Estágio da Barbárie, em duas etapas:
1. Fase inferior . Inicia-se, diz Engels, com a introdução da cerâmica. É nessa fase que os dois lados do mundo se diferenciam: a Europa e Ásia seguem um caminho diferente do das Américas. Engels analisa o consumo diferente de vegetais, raízes, carne. É no Oriente (Europa e Ásia) que ocorre a domesticação de animais, surgindo os pastos e o cultivo de forragem para os animais. A criação de rebanhos levou à vida pastoril. "Talvez, escreve Engels, a evolução superior dos arianos e semitas se deva à abundância de carne em sua alimentação e, particularmente, pela benéfica influência desses alimentos no desenvolvimento das
