Sobre este e-book
Desde sua publicação, Noites Brancas tem sido reconhecida por sua sensibilidade lírica e profunda análise psicológica. Através de um enredo simples, Dostoiévski explora temas universais como o amor idealizado, a solidão e o desejo de conexão, tornando a novela um retrato atemporal da condição humana. A narrativa em primeira pessoa, com tons confessionais, intensifica o vínculo entre o protagonista e o leitor, conferindo uma autenticidade única aos sentimentos expressos.
A relevância duradoura da obra reside na sua capacidade de capturar as nuances das relações humanas e os dilemas emocionais que surgem no limiar entre sonho e realidade. Ao retratar o impacto fugaz, mas transformador, de um encontro, Noites Brancas convida os leitores a refletirem sobre a efemeridade da felicidade e a resiliência das esperanças, mesmo diante das inevitáveis frustrações da vida.
Fiódor Dostoiévski
Escritor y filósofo, Dostoievski estudió Ingeniería Militar, pero en cuanto quedó huérfano renunció a su carrera en el ejército para dedicarse a la literatura. Comenzó traduciendo a Honoré de Balzac o Friedrich Schiller, y con apenas veinte años dio a luz sus primeros títulos, entre ellos nuestro Noches blancas, muy influido por la corriente romántica. Poco después, en 1849, fue arrestado por participar en un círculo progresista y condenado a pasar cinco largos años de trabajos forzados en Siberia. Tanto este como otros tristes sucesos en su peripecia vital dejaron huella en sus títulos más destacados: Memorias del subsuelo, Crimen y castigo, El idiota... Murió a causa del enfisema pulmonar que padecía, poco después de publicar su última obra maestra: Los hermanos Karamazov.
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Noites Brancas - Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoievski
NOITES BRANCAS
Título original:
White Nights
Primeira edição
img1.jpgSumário
INTRODUÇÃO
NOITES BRANCAS
PRIMEIRA NOITE
SEGUNDA NOITE
TERCEIRA NOITE
QUARTA NOITE
A MANHÃ
INTRODUÇÃO
img2.jpgFiódor Dostoievski
1821-1881
Fiódor Dostoievski foi um escritor russo amplamente reconhecido como um dos maiores romancistas da história da literatura. Nascido em Moscou, Dostoiévski é famoso por suas obras que exploram temas como moralidade, sofrimento humano, psicologia e questões existenciais profundas, influenciando gerações de escritores, filósofos e artistas. Suas narrativas mergulham nos dilemas éticos e nas complexidades da alma humana, consolidando-o como uma figura central da literatura universal.
Primeiros Anos e Formação
Fiódor Dostoievski nasceu em uma família de classe média. Seu pai, um médico rigoroso, teve grande influência na infância do autor, marcada por disciplina rígida e episódios de tragédia. Após a morte de sua mãe, Dostoiévski foi enviado para a Escola de Engenharia Militar em São Petersburgo, onde estudou para seguir uma carreira técnica. Contudo, sua verdadeira paixão era a literatura, e ele logo começou a dedicar-se à escrita, publicando sua primeira obra, Gente Pobre (1846), que foi bem recebida pela crítica, destacando-o como um novo talento literário.
Carreira e Contribuições
A obra de Dostoiévski é caracterizada por sua profundidade psicológica e seu realismo intenso. Entre suas principais obras estão Crime e Castigo (1866), Os Irmãos Karamázov (1880), O Idiota (1869) e Memórias do Subsolo (1864). Seus romances exploram as lutas internas de seus personagens, frequentemente situados em contextos de pobreza, desespero e dilemas morais.
Em Crime e Castigo, Dostoiévski narra a história de Raskólnikov, um jovem estudante que comete um assassinato sob a justificativa de um ideal filosófico, mas é consumido pela culpa e pelo remorso. A obra é uma análise penetrante da moralidade, da redenção e do impacto psicológico do crime. Já em Os Irmãos Karamázov, o autor aborda temas como fé, razão, família e responsabilidade, criando um romance considerado por muitos como sua obra-prima.
Impacto e Legado
Dostoievski foi um pioneiro na exploração das profundezas da mente humana, influenciando campos como a psicologia e a filosofia. Ele é frequentemente citado como precursor do existencialismo, tendo inspirado pensadores como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Paul Sartre. Sua capacidade de revelar as nuances do sofrimento humano e os conflitos internos de seus personagens tornou suas obras atemporais, reverberando nos dilemas contemporâneos.
Suas narrativas são notáveis pela habilidade de combinar questões sociais e políticas com análises psicológicas e espirituais. A Rússia de sua época é retratada como um microcosmo das lutas humanas universais, e suas obras frequentemente apresentam uma crítica ao materialismo e à alienação da modernidade.
Dostoiévski faleceu em 1881, aos 59 anos, devido a complicações de saúde causadas por epilepsia e problemas pulmonares. Apesar das dificuldades financeiras e dos desafios pessoais que enfrentou ao longo da vida, seu legado literário permanece vivo. Ele é considerado um dos maiores escritores da literatura mundial, e suas obras continuam sendo amplamente estudadas e admiradas por sua profundidade e relevância.
Hoje, Dostoiévski é celebrado por sua capacidade de abordar questões universais da condição humana, criando personagens complexos e tramas que desafiam o leitor a refletir sobre temas como moralidade, liberdade e o sentido da existência. Suas contribuições para a literatura e a filosofia consolidam seu lugar entre os maiores gênios da história.
Sobre a obra
Noites Brancas é uma delicada exploração das emoções humanas, dos sonhos e das desilusões, ambientada na atmosfera melancólica de São Petersburgo. Fiódor Dostoievski constrói uma narrativa introspectiva que revela os anseios de um jovem sonhador, cuja vida solitária ganha cor ao conhecer Nástienka, uma jovem igualmente marcada por esperanças e tristezas. A obra reflete sobre a natureza transitória dos encontros e o impacto dos sonhos no confronto com a realidade.
Desde sua publicação, Noites Brancas tem sido reconhecida por sua sensibilidade lírica e profunda análise psicológica. Através de um enredo simples, Dostoiévski explora temas universais como o amor idealizado, a solidão e o desejo de conexão, tornando a novela um retrato atemporal da condição humana. A narrativa em primeira pessoa, com tons confessionais, intensifica o vínculo entre o protagonista e o leitor, conferindo uma autenticidade única aos sentimentos expressos.
A relevância duradoura da obra reside na sua capacidade de capturar as nuances das relações humanas e os dilemas emocionais que surgem no limiar entre sonho e realidade. Ao retratar o impacto fugaz, mas transformador, de um encontro, Noites Brancas convida os leitores a refletirem sobre a efemeridade da felicidade e a resiliência das esperanças, mesmo diante das inevitáveis frustrações da vida.
NOITES BRANCAS
PRIMEIRA NOITE
Era uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos, querido leitor. Estava um céu tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar se seria possível que debaixo de um céu daqueles pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a verdade, só é costume levantar-se quando somos novos, mesmo muito novos, querido leitor. Prouvera a Deus que pudésseis reviver com frequência essa idade na vossa alma! Enquanto ia pensando assim em várias pessoas, é claro que acabava por recordar-me involuntariamente do panegírico que a mim próprio eu tinha tecido, nesses tempos.
Já desde a manhã que se tinha apoderado de mim uma estranha disposição de espírito. Vinha-me a impressão de que vivia tão sozinho, de que havia ainda de chegar a ver-me abandonado por toda a gente, que todos haviam de vir a afastar-se de mim. Naturalmente todos têm agora o direito de perguntar-me: Bem, vejamos: quem vêm a ser esses todos?
Mas eu já há oito anos que vivo em Petersburgo e, apesar disso, nunca me pareceu que tivesse arranjado um só amigo. E para que queria eu os amigos? Eu sou amigo de toda a cidade de Petersburgo. Mas precisamente por isso é que me parece que todos me abandonam e que toda a cidade se dispõe a partir com a chegada do verão. Chego quase a ficar preocupado com o fato de ficar sozinho, e já há três dias que ando muito triste, a dar voltas pela cidade, sem conseguir compreender o que se passa no meu íntimo. Na Niévski, no Jardim de Verão, nos cais¹, já não era possível descobrir nenhuma das caras que costumava encontrar diariamente à mesma hora, nos mesmos lugares. Evidentemente que os outros não me conheciam a mim; mas eu... eu os conheço a eles. Conheço-os até muito bem; tenho estudado as suas fisionomias e fico contente quando os vejo contentes, e aflijo-me quando os vejo preocupados. Sim, posso dizer que uma vez cheguei quase a fazer uma amizade: foi com um homem já de idade, com o qual costumava encontrar-me todos os dias à mesma hora, no Fontanka. Tinha uma cara muito séria e pensativa, e movia constantemente os maxilares, como se ruminasse qualquer coisa; abanava um pouco o braço esquerdo e trazia sempre na mão direita uma grande bengala de nós, encimada por um castão de ouro. Também tinha reparado em mim com interesse. Estou certo de que, quando ele não me encontrava
