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Debaixo Do Silêncio - Alo. Araujo
Debaixo do silêncio
Debaixo do silêncio
Onde o desejo se esconde e a
memória sussurra verdades
esquecidas
Por ALO. Araujo
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Debaixo do silêncio
ÍNDICE
CAPÍTULO 1: O Silêncio da Casa
CAPÍTULO 2: Memórias Fragmentadas
CAPÍTULO 3: A Regressão
CAPÍTULO 4: O Eco do Silêncio
CAPÍTULO 5: Cartas Escondidas
CAPÍTULO 6: O Labirinto da Mente
CAPÍTULO 7: Encontros Simbólicos
CAPÍTULO 8: Reverberações da Infância CAPÍTULO 9: Desejo Proibido
CAPÍTULO 10: O Confronto
CAPÍTULO 11: A Conexão Inesperada
CAPÍTULO 12: Renascimento no Silêncio 3
Debaixo do silêncio
Prefácio
Lhe dou as boas vindas a este espaço único – baseado em fatos da clínica psicanalítica – onde as próximas páginas te convidam a mergulhar em uma jornada profundamente humana, emocional e visceral. Você está prestes a adentrar no universo da Psicanalista Alice, uma mulher que ao retornar à casa da infância após a perda de sua mãe, enfrenta não apenas o passado, mas também as emoções que há muito estavam guardadas sob o silêncio. Prepare-se para sentir cada nuance do que esse retorno provoca: a nostalgia, a tensão, as memórias que dançam na mente como folhas ao vento.
Aqui, cada capítulo se entrelaça como uma esteira de experiências e sentimentos, proporcionando um vislumbre honesto das lutas, das descobertas e das transformações de Alice. Conforme você se aventura nas memórias fragmentadas que ela traz, perceberá como os ecos do passado moldaram sua identidade e suas relações. As cartas escondidas, os encontros simbólicos e os labirintos da mente não são apenas detalhes de uma história; são reflexões da complexidade de ser humano, da dor e do amor que, muitas vezes, se escondem nas entrelinhas do silêncio.
Sinta-se à vontade para se deixar levar por esta leitura. Aqui, as emoções são palpáveis, os sentimentos são profundos e as histórias têm um eco familiar. Você poderá encontrar partes de si mesmo nas vivências de Alice, nas suas conquistas e desafios.
Perceba como ela lida com seus desejos reprimidos e como o silêncio, gradualmente, se transforma de um peso em um espaço de renascimento e aceitação. Esse é um convite para se conectar com aqueles aspectos da vida que frequentemente evitamos, mas que, no fundo, são essenciais para entendermos quem somos.
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Debaixo do silêncio
Então, respire fundo e venha, com o coração aberto, explorar os muros e corredores desta casa, e ao mesmo tempo, os labirintos da própria alma. Que sua leitura seja reconfortante, inspiradora e, acima de tudo, transformadora.
Com carinho,
ALO. Araujo
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Debaixo do silêncio
Capítulo 1: O Silêncio da Casa
Alice parou na entrada da casa que havia sido seu lar na infância. O piso de madeira, velho e rangente, a cumprimentou com um toque familiar sob os pés descalços. Era como se o próprio chão quisesse sussurrar histórias que ele guardava, histórias de risos infantis e lágrimas silenciosas. O ar estava impregnado de um cheiro de nostalgia, uma mistura de poeira e perfume de flores que, há muito, deixaram de existir. A luz suave da tarde entrava pela janela, quase como um abraço acolhedor, mas ao mesmo tempo, havia uma sombra que pairava sobre seu coração.
Ao olhar ao redor, Alice sentiu uma onda intensa de emoção tomar conta dela. Na estante, a velha boneca de pano, com um sorriso desbotado, parecia olhar diretamente para ela, trazendo à tona lembranças de tardes passadas imaginando mundos fantásticos. E havia também aquele caderno de anotações, agora amarelado, que era seu refúgio nos dias chuvosos — tanta coisa escrita ali, tantas confidências tornadas palavras. A conexão que esses objetos despertavam era profunda; não havia como escapar.
Como se a casa estivesse vivenciando uma reunião de almas — a dela e de cada um daqueles detalhes que compunham seu passado.
Mas, ao mesmo tempo, sentia um frio na barriga. Será que conseguiria suportar o peso das memórias que aquela casa guardava? Uma parte dela desejava se perder naquelas recordações; outra parte queria desesperadamente fugir. A beleza da infância, com suas cores vibrantes e promessas de felicidade, contrastava com o véu da dor que cobria certos momentos.
Lembrava-se, por exemplo, da última vez que saiu correndo daquela casa, com o coração quebrado após uma discussão. As paredes testemunharam segredos, sonhos desfeitos e amores perdidos.
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Debaixo do silêncio
E aqui estava ela, de volta, como se o tempo tivesse parado.
A sensação era quase surreal. Cada canto pedia para ser explorado, mas havia uma resistência interior. Esse lugar é um labirinto de emoções
, pensou. caminhar por aqueles corredores significaria enfrentar não apenas o passado, mas também as feridas que teimavam em não cicatrizar. O teto baixo da sala a fazia lembrar das tardes quentes em que se espremia ali, contando histórias, rindo com os amigos. O eco de risadas ainda estava presente, mesmo que apenas como um fio sutil na memória.
Enquanto Alice revisitava aqueles espaços, teve a sensação de que cada objeto, cada móvel, era um fiel guardião dos instantes vividos. O retrato empoeirado na parede do velho sofá parecia oferecer uma acolhida silenciosa, como se dissesse: "Está tudo bem.
Você pode estar aqui." E, ao mesmo tempo, outras partes daquela casa pareciam gritar em silêncio, invocando uma dor antiga. Uma conversa com sua mãe ou uma briga com um irmão ressoavam em sua mente, fazendo-a balançar entre a felicidade e a angústia.
Era uma dança complicada, essa relação com o lugar que havia conhecido como lar. E assim, lentamente, com lágrimas nos olhos, ela começou a caminhar pelo corredor, cada passo provocando flashes do que um dia fora sua vida. Desvelar as memórias a fez sentir-se viva, ainda que a intensidade fosse um pouco assustadora. Já parou pra pensar se nossos passados não são como um espelho, refletindo não apenas quem somos, mas também o que ainda precisamos curar? Alice apenas suspirou ao perceber que ali estava seu caminho de volta. Uma jornada de reencontro e autodescoberta começava, e a casa, com suas paredes desgastadas e objetos empoeirados, seria o pano de fundo dessa nova narrativa que aguardava para ser escrita.
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Cada passo de Alice pela casa da infância traz à tona uma avalanche de lembranças. Enquanto explora os cômodos, um misto de nostalgia e vulnerabilidade a envolve com intensidade quase palpável. O ar empoeirado, como que guardando segredos, parece sussurrar as histórias de um passado que ela teve a sorte – ou o infortúnio – de viver. Ela entra no quarto que um dia foi seu refúgio, agora sufocado pela poeira e pelo silêncio. Ali, cada objeto revela uma parte de sua história, como a velha boneca, com os cabelos emaranhados, que ela notara pendurada na prateleira. O que antes era um brinquedo querido agora parece um eco do tempo, e a sensação que a invade é uma mistura de alegria e tristeza. Com um leve sorriso, ela se lembra da primeira vez que tentou dar vida àquela boneca, vestindo-a com roupas que tinha feito.
A sala, que costumava ser o cenário de intermináveis risadas e histórias, agora parece um palco abandonado. Os sofás, com seus tecidos desbotados, guardam impressões de momentos compartilhados. Ela consegue sentir, quase como uma aura, a presença das pessoas que amava. As conversas, os segredos sussurrados, tudo reverbera com uma intensidade que a deixa emocionada. Uma parte dela questiona por que deixou esses momentos tão distantes e, ao mesmo tempo, se pergunta se valeria a pena trazê-los à tona novamente. Por um instante, Alice se vê em um diálogo imaginário com sua mãe, tentando - em vão - captar as respostas que nunca foram dadas. Mãe, como lidamos com o que foi perdido?
, ela pergunta em seus pensamentos, e a resposta parece flutuar no ar, cheia de amor mas marcadamente e evasivamente distante.
O cheiro de bolo recém-assado, que evoca lembranças da cozinha, atravessa suas lembranças como uma brisa quente.
Imaginando a mãe preparando algo especial, Alice revive o momento em que, com um pedaço de bolo ainda quente, sorriu ao 8
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receber os elogios que aqueceram seu coração. A cozinha era o centro de tantos encontros significativos, e ela agora se sente quase como uma estranha naquele lar. Ali, cada canto possui um valor sentimental que transcende os objetos. É um local que, apesar da poeira e do abandono, pulsa com a vida que ali existiu.
Enquanto
suas
mãos
deslizam
pelas
superfícies
empoeiradas, uma visão súbita a atinge. O salão, onde ela um dia dançou ao som da música que ecoava da velha vitrola, revela-se como uma cápsula do tempo armazenada em lembranças de infância. Como numa ilusão, Alice pode ouvir as risadas de amigos, as promessas de amizade eterna que pareciam ser o selamento de um pacto. Aqueles dias, imunes ao passar dos anos, a envolviam em um abraço caloroso. A casa fala, mas não com palavras. Fala por meio da presença dos momentos, das emoções entrelaçadas nos detalhes.
Em cada cômodo que visita, Alice se torna uma exploradora de sua própria história. Ela visualiza a luz suave do fim da tarde que iluminava rostos felizes e sorrisos cúmplices. O passado, como um organismo vivo, reveste tudo ali, e a percepção de que aquela casa guardava partes dela mesma a toca de forma surpreendente. O
antigo sofá, o quadro na parede que retratava um pôr do sol vibrante, tornam-se símbolos de um amor que não se apaga, mas que pode parecer distante e até mesmo inatingível.
As ondas de emoção que a invadem a conduzem a uma reflexão profunda. Ronaldo, aquele que ela amara na juventude, agora surgido como um fantasma nas memórias. Em momentos íntimos, eles apenas riem, almas jovens entrelaçadas numa dança de descoberta e ingenuidade. Alice percebe que a beleza das memórias é tanto um presente quanto uma carga, um milagre e um fardo que carrega consigo. Como pode a saudade de dias tão 9
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simples fazer seu coração ficar tão pesado, ao mesmo tempo em que é uma fonte de calor reconfortante?
Enquanto continua sua exploração, uma pergunta paira no ar: o que será que essa casa realmente guardou? Ela se dá conta de que cada canto guarda não apenas objetos, mas histórias de superação e dores. É um labirinto, não só de paredes e móveis, mas de emoções cruas que precisam ser sentidas verdadeiramente.
Aceitar essa jornada é, na verdade, permitir-se abrir as portas do passado e deixar que a casa decida até onde a memórias podem levá-la.
Alice se permitiu caminhar pelas salas da
