Crônicas Sepeenses: das vivências locais às inquietações universais
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Sobre este e-book
São "vivências traduzidas em textos nos quais a autora, além do delicado trato literário dado a conteúdos diversificados, expõe suas posições em defesa da natureza, o respeito à história das cidades e de seus habitantes" (Maria de Fatima Felix Rosar).
A defesa da natureza, a memória da cidade e de seus habitantes, o cotidiano particular transfigurado em sentimento universal.
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Crônicas Sepeenses - Maria Aparecida Dellinghausen Motta
Ciranda de letras
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Motta, Maria Aparecida Dellinghausen
Crônicas sepeenses [livro eletrônico]: das vivências locais às inquietações universais /
Maria Aparecida Dellinghausen Motta. – Campinas, SP: Ciranda de Letras, 2015.
2 Mb ; ePUB.
ISBN 978-85-62018-23-7
1. Crônicas brasileiras I. Título.
15-09903
CDD-869.8
Índice para catálogo sistemático:
1. Crônicas : Literatura brasileira
869.8
Edição digital – novembro de 2015
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Editora
Maria Aparecida Motta
Diretor Executivo
Flávio Baldy dos Reis
Coordenação Editorial
Érica Bombardi
Revisão
Rafaela Santos Lima
Cleide Salme Ferreira
Márcia Labres
Design de Capa
Maísa S. Zagria
Desenho da Capa
Vista da Praça das Mercês – S. Sepé, RS
Benjamim Saviani
Produção de ebook
S2 Books
www.abdr.org.br
abdr@abdr.org.br
denuncie a cópia ilegal
Aos sepeenses
do passado,
do presente
e do futuro.
Minha gratidão
Ao Dermeval, pelo amor incondicional (a recíproca é verdadeira!), pela paciência de ouvir-me e ajudar-me na preparação deste livro e pelas belas e amorosas palavras expressas no prefácio.
Ao Benjamim, amado filho, pelo cuidado impecável na elaboração da capa e sugestões para a composição deste livro.
Às minhas irmãs Nóra e Helena, pela leitura e comentários e especialmente à Helena pela dedicada busca de fotos e dados históricos.
À Maria de Fatima Felix Rosar, pela amizade e pelo incentivo a registrar as memórias que eu narrava em meio às nossas conversas.
À Zoraide Guazina Machado (in memoriam), pela amabilidade em fornecer-me dados sobre episódios familiares.
Sumário
Capa
Folha de rosto
Créditos
Dedicatória
Prefácio
Apresentação
Aldeã
Água, a fonte da vida
Banhos
Águas de março
Vivências
O escolar
Mãe admirável!
Lições de vida
Era uma vez...
Viagens me dera Deus!…
Meu livro Queres ler?
Divino: a corte e a festa
Infância
Primeira arqueologia
Aroeira dá coceira?
Personagens
Minha professora
Padre Otávio
Ventura da Silva
Dona Eponina
Um médico para além da medicina
Um brasileiro chamado Oscar
Vitualhas
O leite e o poço
Gemadas e uma casa antiga
Fortificantes
Milho debulhado
O avô e o mel
A controvérsia da abóbora
Natureza
Abril em flor
Que não silenciem as primaveras
Consciência
Escolhas
Natureza morta
Moderno Midas
Inquietações
Finados
Coroas
Pezinhos carmelitas
Cinema
Meia-entrada
de saudade
Cinema mudo
Comunicações
Correios e telégrafos
Uma encomenda, via Barin
Comércio
Viajantes
Patrícios
Casa Motta
Três leituras
Antes do passado
Tupancy: traços de sua história
São Sepé de ontem, de hoje e de amanhã
Memória
Triste é a história de um povo sem sua memória
Para onde foram as flores?
Epílogo
Esperanças
Prefácio
Fui introduzido nas paisagens e na alma de São Sepé, passadas já três décadas, pelo amor da autora deste belo livro de crônicas. Assim, a par das visitas frequentes à cidade e além de me manter atualizado pela leitura constante dos jornais locais, em especial A Fonte, do qual mantemos uma assinatura digital, volta e meia me encantava com episódios e pequenas histórias que Maria Aparecida contava descontraidamente. Dessa forma, fui me familiarizando com personagens emblemáticos de São Sepé como o Padre Otávio, Dona Eponina, Dona Maruquinha, Doutor Inocêncio e Vó Zeca, a exímia contadora de histórias; com episódios e fatos pitorescos como os banhos no Lajeado do Moinho, viagens me dera Deus
, fortificantes infantis, as lições de vida do pai e da mãe admirável, o livro Queres ler?, o moderno Midas
, o leite e o poço
, o Cine Alvorada com a meia-entrada da saudade, entre tantos outros.
Para sistematizar essas vivências que vinham enriquecendo minha memória, tive acesso a dois outros instrumentos: o instrutivo livro de José do Patrocínio Motta, o nosso Tio José
, São Sepé de ontem, de hoje e de amanhã, que descreve a topografia da cidade, a participação dos sepeenses nas lutas políticas nacionais e as tradicionais famílias de São Sepé; e o programa São Sepé, sua história, sua gente, transmitido todos os domingos ao meio-dia pela rádio local. Dessa forma, quando estávamos em São Sepé, sintonizávamos a Rádio Cotrisel nas manhãs domingueiras e ficávamos ansiosos à espera do meio-dia para beber as palavras dos apresentadores e de seus convidados. E, residindo em Campinas, acessava religiosamente, a cada domingo, o programa pela internet. Mas, lamentavelmente, anunciou-se que o programa seria encerrado em outubro de 2012. Com isso perdemos esse precioso momento dominical que me permitia acercar-me cada vez mais das fascinantes histórias e gentes dessa cidade iluminada pelo Lunar de Sepé.
Sim, o Lunar de Sepé
. Na primeira vez em que soube da existência dessa cidade com o nome de São Sepé, fiquei intrigado: que santo é esse que não consta da lista dos milhares de nomes canonizados pela Igreja católica? Mas eis que tive acesso ao lindo poema O Lunar de Sepé
. De intrigado, tornei-me fascinado. Pois não é que esse extraordinário poema não tem autoria identificada, ou seja, é uma produção popular, recolhida por J. Simões Lopes, que, após ouvir sua récita pela boca de Maria Genórica Alves, mestiça descendente dos índios missioneiros, o incluiu em seu livro Contos gauchescos e lendas do Sul, publicado em Porto Alegre, em 1926, e reproduzido por Ivan Alves Filho, em Brasil, 500 anos em documentos (1999, Rio de Janeiro, Mauad, p. 110-112). Deu-se, então, a revelação: o próprio povo me explicou, pelo poema, que Sepé tornou-se santo por todos os títulos, com valor ainda maior que a canonização da Igreja, já que sua santificação deu-se não por decisão hierárquica, mas por um processo de canonização instaurado no âmago do imaginário popular, como lemos em Alves Filho (idem, p. 112), na 29ª estrofe:
Então, Sepé foi erguido
Pela mão de Deus-Senhor,
Que lhe marcara na testa
O sinal do seu penhor!
O corpo, ficou na terra...
A alma, subiu em flor!...
E se explicita nos dois últimos versos do poema:
Sepé-Tiaraiú ficou santo
Amém! Amém! Amém!...
Que privilégio, o meu, ter encontrado uma linda prenda, o amor de minha vida, oriunda de uma querência portadora de história tão fascinante!
Nesse contexto, a ideia de objetivar num livro de crônicas as histórias vividas e contadas por Maria Aparecida impôs-se como uma exigência, pois deixava de se constituir como um mero desejo ou veleidade de alguém que amava seu torrão natal e, por isso, queria divulgar o que sentia. Não! Não se trata apenas disso. Com a interrupção do programa São Sepé, sua história, sua gente, não temos mais um espaço para reavivar a memória da vida sepeense. Nessa circunstância, a publicação dessas vivências (sua socialização e ampla divulgação) apresentou-se como uma necessidade de ativar os laços que unem os cidadãos e habitantes de São Sepé numa comunidade de destinos a partir da qual possam alçar-se à condição gaúcha e brasileira, projetando-se para o conjunto do universo humano.
Eis por que, da motivação originada nas vivências sepeenses, as crônicas se expandem para tratar de temas como um brasileiro chamado Oscar
e cinema mudo
, que celebra os grandes diretores da cinematografia mundial, sendo que esse sentimento de universalidade pode ser sintetizado na abordagem contida na crônica Escolhas
, na qual podemos ver assim enunciada a grande questão da atualidade: como poderemos sustentar a nossa vida dentro do mundo atual (pequeno astro do universo que infinitamente executa seu movimento ao redor do Sol) se este se apresenta com sinais evidentes de desgaste?
.
Das vivências locais às inquietações universais, eis o percurso que o leitor fará ao ler essas crônicas.
Ao aceitar o convite para prefaciar este livro, moveu-me o desejo de transmitir aos leitores o mar de sentimentos e emoções que me provocou a leitura de seu conteúdo. Creio que, se as histórias e episódios narrados, se as ideias desenvolvidas neste livro tiveram tanta força para provocar a mente e o coração de alguém que veio a conhecer São Sepé apenas na maturidade, com certeza, sentimentos ainda mais fortes serão provocados nos leitores cujos liames com essa cidade vêm sendo construídos desde o nascimento.
É tempo, enfim, de deixar que os leitores desfrutem da leveza da forma e da densidade do conteúdo das crônicas que compõem esta obra.
Campinas, 7 de dezembro de 2013
Dermeval Saviani
Apresentação
Reúno, neste livro, crônicas que escrevi despretensiosamente, movida pelos fortes laços afetivos que me ligam à minha cidade natal. Há bastante tempo não moro em São Sepé, mas aqui retorno algumas vezes ao ano pelas relações familiares e afetivas. Costumo dizer que aqui deixei a metade de minha alma
. Escrevi a maioria destas crônicas em caráter intimista, isto é, narrados na primeira pessoa, porque muitos dos fatos foram presenciados ou vivenciados diretamente por mim.
É quase impossível reproduzir inteiramente em palavras nossas situações vividas em momentos idos. A memória guarda intocados os lugares vividos, lugares estes que permanecem, resistindo às violações da vida que se vão fazendo na medida do tempo. E a infância tem o privilégio de recolher para si essas vivências, sejam elas boas ou ruins. Permanecem, por exemplo, os contos de fadas, que vão sendo contados ao longo dos tempos; alterações sutis podem ocorrer (quem conta um conto aumenta um ponto
), porém fica a essência. É assim que, cada vez que mencionamos fatos passados, o núcleo essencial não se desfaz.
Quando narramos fatos do que já se tornou passado (e a memória já os reteve entre parêntesis), não somos mais aquela pessoa, ou melhor, aquela criança que fomos. O nosso olhar já engendrou tantos flashes da vida, mas a essência do vivido pode ser trazida por aproximação.
Porém, as crônicas aqui registradas não são exclusivamente reflexos da memória vivida, mas se estendem a outras inquietações do tempo presente, assumindo, por vezes, posições críticas, ou mesmo refletem os tempos vislumbrados num futuro muitas vezes incerto. Em muitos momentos teci reflexões mais abrangentes, quiçá, de caráter universal. E pergunto-me como pode uma simples filha de um povoado encravado no interior gaúcho ousar manifestar inquietações universais a partir de vivências locais? Diante dessa hesitação reconfortou-me a lembrança do dito do grande escritor russo Leon Tolstói: Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia
. É, pois, nessa condição de aldeã que apresento aos leitores este conjunto de crônicas.
São Sepé, 15 de janeiro de 2014
Maria Aparecida Dellinghausen Motta
Aldeã[1]
Trago dentro da alma este sentimento de aldeã,
por mais que a cidade grande tente me amoldar
por trás de seus muros.
É este sentimento que me faz transpor as muralhas,
pois a aldeia sempre deu-me o
