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As imagens de Jesus: Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil
As imagens de Jesus: Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil
As imagens de Jesus: Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil
E-book178 páginas2 horas

As imagens de Jesus: Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil

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Sobre este e-book

O objetivo da catequese crismal é a educação da fé para o seguimento de Jesus. É fazer que alguém se ponha em comunhão íntima com Jesus Cristo: somente ele pode nos conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida trinitária. O estudo dos diversos manuais de crisma do Brasil levou a três esquemas mais frequentes: Jesus amigo, Salvador e Revelador do Pai. Correspondem ao ser de Jesus Cristo em sua dimensão humana e divina; à função salvadora como ação de Deus por nós; à vida e à missão de Jesus que o revelam como o enviado para nos apresentar o Pai. O livro aprofunda a imagem de Jesus Cristo na catequese de Confirmação; avalia seus méritos e limites para que seja mais bíblica e, ao mesmo tempo, mais próxima dos anseios da juventude.
IdiomaPortuguês
EditoraPaulinas
Data de lançamento23 de mai. de 2016
ISBN9788535641738
As imagens de Jesus: Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil

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    As imagens de Jesus - Vicente Frisullo

    Abreviaturas

    CIC – Catecismo da Igreja Católica

    CR – Catequese Renovada

    CT – Catechesi Tradendae

    CRm – Cathecismus Romanus

    DC – Documentation Catholique

    DGC – Diretório Geral para a Catequese

    DECAT – Departamento de Catequese do Celam

    DNC – Diretório Nacional de Catequese

    EA – Ecclesia in America

    EN – Evangelii Nuntiandi

    GS – Gaudium et Spes

    LG – Lumen Gentium

    RSR – Recherches de Science Religieuse

    SC – Sacrosanctum Concilium

    S.Th – Summa Theologica

    Introdução

    O título As imagens de Jesus. Leitura a partir dos manuais de Confirmação do Brasil pode parecer estranho, considerando-se que no centro da catequese de Confirmação está a Pessoa do Espírito Santo e seus dons. Esta perplexidade foi-me manifestada pelo Prof. Dr. Hervé Le Grand, diretor do Centro de Estudos de Doutorado da Universidade Católica de Paris (CED), quando lhe apresentei o projeto da minha tese doutoral. O mais lógico seria estudar a pneumatologia mais do que a cristologia. Na realidade, o título é mais pertinente do que parece, pois no centro da catequese, seja ela qual for, está sempre o mistério de Cristo,¹ e o seu objetivo é fazer discípulos de Jesus. Nesse sentido, além de pertinente, é necessário o estudo da cristologia nos manuais de catequese para a Confirmação.

    O longo trabalho de assessor diocesano de catequese e de professor de pastoral catequética me levou ao estudo dos diversos manuais de catequese de Confirmação existentes do Brasil, disponíveis nas livrarias ou não. Num segundo momento, através de uma pesquisa realizada em todas as paróquias do estado de São Paulo, pelas respostas ao questionário proposto, avaliei os manuais mais usados na preparação para a Confirmação. Logo percebi que, apesar dos diversos pontos de vista e da articulação bastante diferentes dos manuais, nesta catequese sempre havia como ponto de convergência a Pessoa de Jesus Cristo.

    Além disso, um fato que me chamou a atenção: as equipes de catequistas que não utilizavam um texto específico para a catequese de Confirmação tinham elaborado uma apostila própria, em que emergia a apresentação de um Cristo jovem, cujas atitudes levantavam desafios, tentando, assim, responder às expectativas dos jovens. Nisso percebi que tal catequese de Confirmação compartilhava plenamente as preocupações da Pastoral da Juventude, assim como foi relançada pelo Documento de Puebla: Apresentar aos jovens o Cristo vivo, como único Salvador, para que, evangelizados, evangelizem e contribuam, como em resposta de amor a Cristo, para a libertação integral do homem e da sociedade, levando uma vida de comunhão e participação.²

    Percebi também que tudo isso não era simplesmente uma questão de estratégia pastoral, mas que tocava a essência da catequese de Confirmação. Se a orientação catequética era, de fato, essencialmente cristológica, um aprofundamento se fazia necessário. Por outro lado, a dimensão cristológica, mesmo se não de maneira exclusiva, é um dos traços próprios da catequese cristã e continua a chamar a atenção dos documentos da Igreja sobre a catequese.

    Numa passagem do documento sobre a educação, o Concílio Vaticano II afirmava que a instrução catequética tem a tarefa de nutrir a vida segundo o Espírito de Cristo, indicando com isso ao mesmo tempo as dimensões pneumatológica e cristológica.³

    O Diretório Geral para a Catequese de 1971, falando da mensagem cristã, sublinhava, de uma maneira mais explícita, o cristocentrismo da catequese, pois o Cristo é a razão suprema pela qual Deus intervém no mundo e se manifesta aos homens, para concluir peremptoriamente: Assim sendo, a catequese deve ser necessariamente cristocêntrica.⁴ Em seguida, apresentando uma lista dos elementos mais importantes da mensagem cristã, o Diretório dedica a Jesus Cristo quatro dos oitos parágrafos sobre o mistério de Deus.⁵

    O novo Diretório Geral para a Catequese, no parágrafo sobre a finalidade da catequese, afirma que toda a ação evangelizadora tem o objetivo de favorecer a comunhão com Jesus Cristo.⁶ Na Segunda Parte, dedicada ao conteúdo da catequese, há um longo parágrafo sobre o cristocentrismo da catequese.⁷

    O Catecismo da Igreja Católica, marcado por um forte cristocentrismo trinitário, coloca no centro do mistério de Deus a pessoa de Jesus Cristo, Filho único de Deus, por ele enviado, concebido pelo Espírito Santo, feito homem no seio da Virgem Maria para ser o Salvador da humanidade. Ele é, portanto, a fonte da fé. Ele está presente com sua ação salvadora na Igreja e nos sacramentos. Pela sua graça, ele é modelo e sustento do agir cristão e, pelo seu Espírito, ele é o mestre e o inspirador de nossa oração ao Pai.

    A exortação apostólica Catechesi Tradendae sublinha com força o cristocentrismo da vida cristã e da catequese, pois o objeto essencial e primordial da catequese [...] é o ‘Mistério de Cristo’, e acrescenta: [...] e tudo o resto sempre em relação com ele; [...].⁸ Isso nos documentos da Igreja universal.

    Quanto ao que concerne à América Latina e ao Brasil, basta lembrar alguns documentos entre os mais importantes. O Documento de Puebla, falando do conteúdo da evangelização, não hesitou em incluir toda a catequese sob o mistério de Deus no capítulo: A verdade a respeito do Cristo Salvador que anunciamos.

    O Diretório Latino-Americano de Catequese afirma que a dimensão cristocêntrica da Revelação deve, necessariamente, assimilar e distinguir com clareza toda a forma da catequese, pois a Palavra de Deus, antes de ser algo, é alguém: Jesus de Nazaré. Jesus de Nazaré, na plenitude de sua pessoa e de seu mistério, se situa como o fio condutor da revelação e da fé. E conclui: Por isso, é o centro indiscutível da proclamação catequética e o ponto essencial de referência ao qual deve, finalmente, convergir o conteúdo da catequese.¹⁰

    O documento da CNBB Catequese Renovada, depois de ter afirmado que a unidade do conteúdo da Catequese se faz ao redor da pessoa de Jesus Cristo,¹¹ retoma o esquema de Puebla, dividindo o conteúdo da catequese em três partes: a verdade sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja e sobre o homem, que constitui o capítulo sobre o desígnio da salvação de Deus.¹²

    O Estudo n. 53 da CNBB, sobre Textos e manuais de catequese, não contém orientações sobre a cristologia da catequese, mas envia à Terceira Parte de Catequese renovada, em que se acha o conteúdo básico da reflexão cristã.¹³

    Finalmente, o Diretório Nacional de Catequese, falando do primeiro anúncio e da evangelização, afirma que "o centro do primeiro anúncio (querigma) é a pessoa de Jesus",¹⁴ e a finalidade da catequese é aprofundar o primeiro anúncio do Evangelho: levar o catequizando a conhecer, acolher e vivenciar o mistério de Deus, manifestado em Jesus Cristo, que nos revela o Pai e nos envia o Espírito Santo.¹⁵ E ainda, passando a falar dos elementos essenciais na explicitação do primeiro anúncio, dos indicados, quatro falam de Jesus.¹⁶

    Podemos concluir que, em todos os documentos, Jesus Cristo aparece como o princípio unificador da catequese. Portanto, um estudo da dimensão cristológica é mais do que pertinente, e diz respeito a todas as formas de catequese, incluída a catequese de Confirmação.

    A dimensão cristológica de toda catequese vem do fato de que a própria fé cristã é cristológica, pois ela não é uma das tantas visões do mundo ou interpretações da história. Para um cristão, a fé é encontro com Jesus de Nazaré, Deus feito homem, condenado à morte na cruz, mas que Deus ressuscitou dos mortos para a nossa salvação. Na pessoa e na história de Jesus Cristo, o Deus longínquo e invisível se aproxima de todo ser humano, num inesperado e gratuito gesto de amor.

    O presente livro é constituído de cinco capítulos. A partir dos três esquemas cristológicos presentes na grande maioria dos manuais de Confirmação, o primeiro capítulo tem como tema Jesus amigo; o segundo capítulo aborda o tema Jesus Cristo salvador; e o terceiro capítulo, "Jesus Cristo revelador do Pai". Esses constituem os três esquemas cristológicos mais recorrentes na maioria dos manuais de Confirmação.

    A designação Jesus amigo se coloca na ontologia, o ser de Jesus Cristo na dúplice dimensão humana e divina, questão capital da cristologia. A designação Jesus Cristo revelador do Pai se coloca no terreno da história, ao Jesus de Nazaré e à sua pregação. A designação Jesus Cristo salvador se coloca no plano da soteriologia para detectar a sua função de salvador.

    Com a preocupação, sobretudo pastoral, ao analisar esses esquemas cristológicos, o trabalho sublinha a relevância deles para a catequese de Confirmação. Como esses esquemas podem ajudar na educação da fé dos crismandos, fazendo deles discípulos missionários alegres e generosos.

    O quarto capítulo é sobre A cristologia nas definições sobre a Confirmação, tanto nas definições dos documentos da Igreja quanto nas dos manuais de Confirmação estudados, nos quais se vê claramente a dimensão cristológica da catequese de Confirmação.

    O quinto capítulo traça as consequências que os três esquemas cristológicos trazem para a catequese.

    Este trabalho visa a dar sua contribuição na questão que é capital para a catequese enquanto educação da fé, que é o seguimento de Jesus. Pois, se

    o objeto essencial e primordial da catequese [...] é o Mistério de Cristo [...] em todas as suas dimensões [...] a finalidade definitiva da catequese é a de fazer que alguém se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: somente ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade.¹⁷

    Este estudo é também importante para ver qual é a imagem de Jesus Cristo que a nossa catequese transmite aos jovens; ver seus méritos e seus limites e, se for o caso, rever nossa catequese para que seja mais bíblica e, ao mesmo tempo, esteja mais perto dos anseios da juventude atual. Nesse sentido esta obra pretende ser um instrumento de formação permanente dos catequistas.

    Enfim, este livro pretende ser um auxílio para a elaboração de novos manuais de catequese para a Confirmação, levando em conta as exigências específicas desta catequese.

    1

    Jesus amigo

    A dimensão afetiva da catequese, que apresenta Jesus como amigo, é uma constante nos manuais de Confirmação. CT havia já sublinhado que [...] no centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a Pessoa de Jesus de Nazaré, [...].¹⁸ Ora, a pessoa é sujeito e objeto de relações, e, como tal, Jesus se torna contemporâneo e companheiro pelas suas palavras e pelas relações que estabelece com quantos o seguem e se deixam por ele interpelar.

    Falar de Jesus como amigo significa falar da sua práxis, pois é pelo seu comportamento e suas atitudes que ele revela seu ser e sua missão. Em Jesus, pessoa e mensagem se identificam, pois é ele mesmo o Evangelho do Pai. Jesus Filho de Deus, como pessoa humana, é inserido no tempo e no espaço, fazendo-se contemporâneo de todos. Sem dúvida que isso é fruto do Espírito, mas a catequese deve dar sua indispensável contribuição pedagógica, pois, se toda obra educativa deve basear-se nas aspirações dos jovens,¹⁹ a catequese enquanto educação da fé não pode se dispensar deste esforço. Ora, entre as aspirações mais profundas, a amizade exerce um papel determinante entre os jovens.

    Falar de alguém como amigo não é somente falar de suas atitudes, mas, de uma certa maneira, do seu ser, pois os gestos que fazem alguém amigo são reveladores de algo que diz respeito à sua identidade, à sua pessoa. A amizade de Jesus o revela como "um ser para

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