A cidade inexistente
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Pré-visualização do livro
A cidade inexistente - José Rezende Jr.
Sumário
Prólogo
O fim do mundo
O último trem
A guerra do cu do mundo
Tinham razão as cabras
Lugar nenhum
O cachorro, o menino e o velho
Os infinitos ermos
O matador de cidades
Greve de fome
Seu francisco
O fogo diz adeus
O padre voador
A metamorfose
Destino de cão
A moça
Ludimila primeira e única
E quando vierem as águas?
O passarinho inexistente
Carta de despedida
O coração, cadê?
O cachorro mais solitário do mundo
A plateia inexistente
A falta que faz um doido
Os ventos
Todos órfãos
Bodas de sangue
Cabra cabriola
A noiva fantasma
A extinção das cabras
O advogado fantasma
A peleja do santo com a bestaferadodemo
Striptease [1]
Striptease [2]
Antes continuassem lobos
O casamento do velho e da moça
Para morrer basta um cachorro
A soma de todos os medos
Gran circo
Caboclos-d’água
Travessia
O mundo acaba em água
Um avesso revirado êxodo
Recomeçados
Epílogo
Texto de orelha
Sobre o autor
Nada em rigor tem começo e coisa alguma tem fim,
já que tudo se passa em ponto numa bola;
e o espaço é o avesso de um silêncio
onde o mundo dá suas voltas.
joão guimarães rosa
Eu me lembro das coisas, antes delas acontecerem...
j. g. r
para: déia
e lula.
prólogo
Os homens do governo botando no caminhão as tralhas da família, a família fritando no sol do meio-dia, o caminhão tossindo cuspindo fumaça, e o velho na derradeira hora dizendo eu daqui não arredo o pé
, e então o cachorro em ato de desobediência civil escapando do colo do menino e saltando da carroceria feito filhote fosse, sendo que igualmente velho era o que de fato era, e entrando de volta na casa e se espichando aos pés do velho, a língua de fora e o olhar canino anunciando: eu daqui não arredo as patas
.
Aí os homens do governo coçam as respectivas cabeças em movimentos involuntários e quase sincronizados, e olham em volta com inveja dos outros homens do mesmo governo que lograram embarcar em outros caminhões diferentes outras famílias, os embarques pacíficos e ordeiros. Os demais caminhões já ganhando a estrada, longo comboio de paus de arara carregados de retirantes famílias, os homens, as mulheres, as crianças e os bichos feito fossem da seca fugitivos sendo que fogem do justo contrário, o aguaceiro que está por vir. Não demora o governador, com a bunda sentada lá na capital, aperta o controle remoto e abre as comportas da hidrelétrica e inunda esse cu de mundo onde autoridade nenhuma do estado jamais sujou a sola do sapato – e que os cidadãos cudemundenses não enchessem por demais o saco, mandou avisar o governador, visto que o governo pagou indenização, a contragosto mas pagou, e ainda por cima fez construir léguas adiante uma cidade nova idêntica, cópia fiel da cidade velha.
Órfão de cachorro e avô, o menino desembarca do caminhão seguido pela mãe, cada qual carregando no peito o engolido choro. Mudo, quieto, calado, amuado e ofendido, por último desembarca o pai e sem dizer palavra entra de novo na casa que lhe viu nascer o avô, o pai e os filhos. É uma casa já quase sem vida, despida de gente e mobília, a não ser uma cadeira velha, um velho sentado na cadeira velha e um cachorro velho deitado aos pés do velho dono. Um minuto nem demora o pai e já volta do colóquio com o velho balançando a cabeça e anunciando o que era do conhecimento até da longínqua nuvem de poeira levantada pelo último caminhão-retirante que a esta hora rumava com destino à cidade nova: o velho não vai
.
Aos homens do governo, que mesmo em do governo sendo despossuem autoridade para arrancar de dentro de casa um vivente, ou dois, contando o cachorro, e enfiar à força na carroceria dum caminhão, não resta alternativa a não ser solicitar reforços, que chegam num piscar de olhos. Uma dezena de PMs armados até os dentes, despachados dias antes da capital com ordens expressas de debelar todo e qualquer foco subversivo.
A disparidade de forças salta aos olhos, visto que o foco subversivo em questão não passa de um homem velho e um velho cachorro. Mas ordens são ordens e subversão é subversão, tendo por grave agravante o fato que o cachorro rosna e exibe os dentes, ainda que poucos os restantes dentes, a quem da porta da casa pense em para dentro entrar.
Se não sai por bem sai por mal
, decide o governo, ali representado por um sargento e seus nove praças, a coesa tropa já de prontidão para executar a ordem de desintegração de posse. Abrigo de quatro gerações da família que vai embora, a casinha simples acabara de ser promovida a Área de Relevante Interesse Nacional, e os bravos militares ali justo estavam para defender os interesses da pátria até o último homem, nem que para isso fosse preciso defender a pátria do último velho e do último cachorro.
Mas eis que à beira da inglória batalha, o advogado dos direitos humanos surge do nada e
