Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Propostas Pedagógicas Construídas nas Ações Formativas da UFFS
()
Sobre este e-book
Relacionado a Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa
Ebooks relacionados
Jogos Educativos para a Alfabetização Nota: 0 de 5 estrelas0 notasComo alfabetizar? Na roda com professoras dos anos iniciais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEducação infantil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLinguagem e o outro no espaço escolar (A): Vygotsky e a construção do conhecimento Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLimites e possibilidades de escuta na Educação Infantil Nota: 1 de 5 estrelas1/5Conversa com alfabetizadores Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDificuldades da aprendizagem ou da escola? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCorpo, atividades criadoras e letramento Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAprendizagem Conceitual na Educação Pré-Escolar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInfância e educação infantil Nota: 5 de 5 estrelas5/5Inclusão na Educação Infantil: do viver o preconceito da diferença ao (con) viver com a diferença Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMatemática através de brincadeiras e jogos (A) Nota: 5 de 5 estrelas5/5Educação Infantil na formação do pedagogo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEducação infantil e diferença Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLudicidade e o ensino da matemática (A) Nota: 5 de 5 estrelas5/5Psicopedagogia dos fantoches: Jogo de imaginar, construir e narrar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEducação infantil: Fundamentos e métodos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Lúdico na Escola (CICLADA): Do Ocaso ao Protagonismo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Jogos e brincadeiras na educação infantil Nota: 5 de 5 estrelas5/5O Jogo como espaço para pensar: A construção de noções lógicas e aritméticas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJogo, brinquedo, brincadeira e a educação Nota: 4 de 5 estrelas4/5Educação inclusiva: Jogos para o ensino de conceitos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Ética:: Pesquisa e práticas com crianças na educação infantil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDificuldade de aprendizagem: o pensar e o agir de professores da educação infantil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Matemática no cotidiano infantil: Jogos e atividades com crianças de 3 a 6 anos Nota: 3 de 5 estrelas3/5O Dilema da Indisciplina Escolar e as Práticas Pedagógicas: Um Olhar para Além da Escola Nota: 0 de 5 estrelas0 notasReflexões sobre alfabetização: Volume 6 Nota: 5 de 5 estrelas5/5Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Diálogos Teóricos Construídos nas Ações Formativas da UFFS Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEntre letras e números: A voz das crianças, dos educadores e da família Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Métodos e Materiais de Ensino para você
Ensine a criança a pensar: e pratique ações positivas com ela! Nota: 4 de 5 estrelas4/5Raciocínio lógico e matemática para concursos: Manual completo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Pedagogia do oprimido Nota: 4 de 5 estrelas4/5Como Convencer Alguém Em 90 Segundos Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Vida Intelectual: Seu espírito, suas condições, seus métodos Nota: 5 de 5 estrelas5/5BLOQUEIOS & VÍCIOS EMOCIONAIS: COMO VENCÊ-LOS? Nota: 4 de 5 estrelas4/5Como se dar muito bem no ENEM: 1.800 questões comentadas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Didática Nota: 5 de 5 estrelas5/5Física Quântica Para Iniciantes Nota: 5 de 5 estrelas5/5Consciência fonológica na educação infantil e no ciclo de alfabetização Nota: 4 de 5 estrelas4/5Hábitos Atômicos Nota: 4 de 5 estrelas4/5Psicologia Negra E Manipulação Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEstratégias didáticas para aulas criativas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade: Uma visão multidisciplinar Nota: 4 de 5 estrelas4/5O herói e o fora da lei: Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos Nota: 3 de 5 estrelas3/5Temperamentos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Kit Ritmos no Violão: Aprenda 33 Ritmos e 64 Batidas no Violão Nota: 4 de 5 estrelas4/5Sou péssimo em inglês: Tudo que você precisa saber para alavancar de vez o seu aprendizado Nota: 5 de 5 estrelas5/5Harmonização Neo Soul Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Bíblia e a Gestão de Pessoas: Trabalhando Mentes e Corações Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Arte da guerra Nota: 4 de 5 estrelas4/5Altas Habilidades, Superdotação: Talentos, criatividade e potencialidades Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPiaget, Vigotski, Wallon: Teorias psicogenéticas em discussão Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Avaliações de Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Zoraia Aguiar Bittencourt
1. CRIANÇAS NA BRINQUEDOTECA: ESPAÇO PARA GARANTIR EXPERIÊNCIAS E BRINCADEIRAS
Flávia Burdzinski de Souza¹
Milena Amabile Mortari²
Na manhã do dia 22 de maio de 2018, as formadoras locais do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) – Eixo Pré-Escola, que realizaram formação na Universidade Federal da Fronteira Sul/ UFFS – Campus Erechim, foram recepcionadas na brinquedoteca da Instituição com espaços sugestivos para investir no desenvolvimento de experiências e brincadeiras, que contemplaram diversos temas pertinentes aos estudos realizados durante o PNAIC, como, no caso aqui apresentado, os modos em que uma brinquedoteca ou os espaços brincantes das escolas de Educação Infantil podem ser organizados e por quê.
A brinquedoteca em que as professoras foram recebidas é um dos laboratórios de aprendizagem do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UFFS – Campus Erechim, curso esse ligado diretamente às ações de extensão do PNAIC. De acordo com o Projeto Pedagógico do Curso, este espaço:
(…) tem a intenção de propiciar aos futuros professores conhecimento sobre as teorias e as práticas que envolvem os brinquedos e brincadeiras, bem como ser um espaço em que as práticas educativas possam ser exercidas e refletidas. (UFFS, 2018, s.p.)
A brinquedoteca se torna um espaço privilegiado para projetar ações, propor espaços, brincadeiras, construir e colecionar materiais, observar a criança, seus interesses e curiosidades e desenvolver ações pedagógicas que atendam às necessidades dos sujeitos que a frequentam. Para isso, o espaço deve ter uma disponibilidade de acervos e de materiais de qualidade que instiguem brincadeiras potentes e criadoras, além de diferentes jogos e brinquedos, os quais servem como ferramentas e estratégias para interagir, brincar e aprender.
Conforme Santos (2000), na brinquedoteca é possível viver emoções, prazeres, explorações, criatividade e construções de conhecimento. A brinquedoteca é um espaço da criança por excelência, pois privilegia o brincar, linguagem primordial da infância. Brincar é o trabalho da criança e, se estamos formando sujeitos para atuar com criatividade, originalidade, espírito crítico e investigativo, precisamos reconhecer a importância deste trabalho infantil e dar espaço para que este direito seja garantido. Acreditamos que a brinquedoteca é um espaço acolhedor e produtor das culturas infantis, por isso consideramos que seja um espaço potente para a criação infantil.
Porém, para poder sensibilizar o adulto sobre os espaços que podem ser criados em prol do reconhecimento das crianças, é preciso investir em ações de formação que tragam o brincar para o centro do processo, resgatando a cultura lúdica que (às vezes) se perde em meio à vida adulta. Conforme Santos e Cruz (1997, p. 14):
O adulto que volta a brincar não se torna criança novamente, apenas ele convive, revive e resgata com prazer a alegria do brincar, por isso é importante o resgate dessa ludicidade, a fim de que se possa transpor essa experiência para o campo da educação (...).
Esta era nossa intenção ao provocar espaços brincantes para as professoras, que pudessem reviver, resgatar, relembrar o prazer e a alegria de brincar. No entanto, para muitas participantes, o vivido esteve ligado apenas à contemplação dos espaços, sem intervenções nos materiais, sem alteração na disposição, sem tocar, mexer, sentir ou brincar.
A organização do espaço e a não interferência das professoras formadoras nos provocou a pensar: seria por isso que não abrimos espaço para brincar cada vez mais nas escolas? Seria por isso que, às vezes, a brincadeira é considerada como só brincar
? Seria por isso que brincadeira e atividade
são momentos distintos na rotina das crianças? Seria por isso que o brincar não é levado tão a sério na escola? Por que nos afastamos tanto da criança que fomos? Por que brincar é coisa de criança e não tem importância? Muitas reflexões que nos fazem pensar que ainda precisamos de mais brilho no olhar, de mais sensibilidade e admiração pelo brincar, de mais fé na brincadeira como trabalho infantil, de mais envolvimento de adultos com orelhas verdes
³ em prol da infância.
Conforme normatizam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), os eixos norteadores do currículo da Educação Infantil são as interações e a brincadeira. Pela via das interações, as crianças estabelecem relações, convivem, participam, realizam intercâmbios com objetos, materiais, profissionais, familiares e amigos, aprendendo sobre si e o mundo. A brincadeira é uma atividade muito importante para a criança, pois:
Brincar dá à criança oportunidade para imitar o conhecido e para construir o novo, conforme ela reconstrói o cenário necessário para que sua fantasia se aproxime ou se distancie da realidade vivida, assumindo personagens e transformando objetos pelo uso que deles faz. (Brasil, 2009, p. 7)
Além disso, estruturar espaços brincantes permite garantir o cumprimento dos direitos infantis de participar, brincar, conviver, explorar, expressar e conhecer-se, direitos de aprendizagem e desenvolvimento assegurados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Este documento salienta que eles devem acontecer em situações nas quais as crianças:
possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural. (Brasil, 2018, p. 35)
Organizar espaços como uma brinquedoteca na escola permite que desafios, criações, iniciativas, linguagens, entre outros aspectos, sejam ampliados e desenvolvidos neste universo vivido pelas crianças, como pontuam as DCNEI:
As instituições de Educação Infantil precisam organizar um cotidiano de situações agradáveis, estimulantes, que desafiem o que cada criança e seu grupo de crianças já sabem sem ameaçar sua autoestima nem promover competitividade, ampliando as possibilidades infantis de cuidar e ser cuidada, de se expressar, comunicar e criar, de organizar pensamentos e idéias, de conviver, brincar e trabalhar em grupo, de ter iniciativa e buscar soluções para os problemas e conflitos que se apresentam às mais diferentes idades, e lhes possibilitem apropriar-se de diferentes linguagens e saberes que circulam em nossa sociedade, selecionados pelo valor formativo que possuem em relação aos objetivos definidos em seu Projeto Político-Pedagógico. (Brasil, 2009, p. 9)
Neste sentido, apresentamos, a seguir, os espaços organizados na Brinquedoteca da UFFS – Campus Erechim para inspirar as professoras formadoras a levar a brincadeira e as interações como direitos relevantes para a estruturação curricular na Educação Infantil.
Espaços brincantes na garantia das experiências da Educação Infantil
A Imagem 1 mostra um ângulo aberto da organização do espaço para contar história. Neste, foi montado um palco com o auxílio de mesas e outros materiais da brinquedoteca para a contação da história Qual o sabor da lua?
, de Michael Grejniec. A história foi contada por duas formadoras regionais do PNAIC, com um avental e animais de feltro, demonstrados na Imagem 2. Na Imagem 3 há a complementação deste espaço, um cubo feito com bambolês, que pode servir de suporte para materiais ou até mesmo para brincadeiras, como cabanas, móbiles para bebês, casinhas, refúgios, entre outros.
Imagem 1. Espaço montado para contação
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
Imagem%202.jpgImagem 2. Fantoches e avental da história
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
Imagem%203.jpgImagem 3. Cubo de bambolês
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
A Imagem 4 mostra uma visão ampliada da organização da brinquedoteca, onde, ao fundo, se visualiza espaços criados pelas acadêmicas do Curso de Licenciatura em Pedagogia do Campus, com o intuito de proporcionar diversos contextos de brincadeiras. Já nas mesas são disponibilizados vários materiais para provocar ideias de jogos e de brincadeiras nas professoras.
Imagem%204.jpgImagem 4. Visão panorâmica da brinquedoteca
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
Na Imagem 5, encontram-se jogos, como o de bilhar, cartas (uno, can-can, super trunfo), pega-varetas e de encaixe. Há também jogos, sendo estes de tabuleiro, alfabetização, estratégia, etc. Ambos os jogos provocam as crianças a aprenderem sobre conceitos do letramento matemático e da língua portuguesa, que se aproximam da garantia de algumas experiências expressas nos incisos III e IV do artigo 9º da Resolução CNE/CEB n. 5, de 17 de dezembro de 2009, a qual fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI):
III - possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais, orais e escritos;
IV - recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas, e orientações espaçotemporais. (Brasil, 2009, p. 21)
Imagem%205a.jpg Imagem%205b.jpg
Imagem 5. Mesas de jogos
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
A Imagem 6 mostra a exposição dos cadernos de 0 a 8 do Material Leitura e Escrita na Educação Infantil, utilizados nas formações do PNAIC. Esta foi a primeira vez que as professoras tiveram contato físico com o material, pois o mesmo não foi enviado para o desenvolvimento da formação. Por isso, julgamos importante organizar um espaço em que elas pudessem, juntas, tocar, folhear, ler e se apropriar dos cadernos que fizeram parte da formação ao longo de quase seis meses.
Na Imagem 7, foi montado um espaço para desenhos e pinturas, com a ajuda de materiais diversos de papelaria: canetinhas, tintas, giz de cera, carimbos, cola, régua, borracha, lápis, apontador, pincéis, caneta, massa de modelar, folhas de tamanho A3 e A4. Além do suporte da mesa, havia ainda um cavalete para provocar outra forma de apoio na realização de registros. Na Imagem 8, é possível observar a organização de diversos instrumentos musicais para provocar as professoras a barulhar e criar. Todos os instrumentos são semiprofissionais ou profissionais, assim todos eles evidenciam a sonoridade real que as ferramentas musicais podem provocar, afinal temos pensado muito sobre os instrumentos fabricados
na escola (com sucatas e materiais sem durabilidade e proposta) em que nada colaboram com a educação musical, com a investigação do som, pois, como estragam facilmente, se tornam propostas sem continuidade. Sem contar que, muitas vezes, servem apenas de mostra em exposições ou de mais um material que vai para aquela caixa de sucatas
na sala.
De acordo com o artigo 9º das DCNEI, espaços organizados para propor musicalidade, criação artística, expressão plástica e dramática estão garantindo experiências que:
II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;
IX - promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura. (Brasil, 2009, p. 21)
Imagem%206.jpgImagem 6. Cadernos adotados pelo PNAIC
Fonte: Acervo pessoal das autoras.
Imagem%207.jpgImagem 7. Materiais para desenhos
