Relações Étnico-Raciais no Contexto Quilombola Currículo, Docência e Tecnologia
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Relações Étnico-Raciais no Contexto Quilombola Currículo, Docência e Tecnologia - Ana Carolina Mota da Costa Batista
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS SOCIAIS
Dedico este livro àquele que tudo pode, tudo vê, tudo faz e aos anjos que colocou em meu caminho nesta emocionante jornada.
A Ele, toda honra e toda glória!
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Programa de Mestrado Profissional em Ensino de História, que representou um divisor de águas, não somente no campo profissional, como também no pessoal. Fui transformada e revigorada, não enxergo nada mais como antes, e agradeço imensamente por essa oportunidade. Nessa incansável trajetória, pude confirmar que o conhecimento empodera o professor, traz de volta aquilo que em algum momento da sua carreira se perdeu.
A cada especialista que ampliou meus horizontes, que me permitiu fazer escolhas tão relevantes. Aos professores Paulo Knauss, Martha Abreu, Hebe Mattos, Amílcar Pereira, Ana Maria Monteiro. Não tem como passar por eles e continuar indiferente a questões tão sensíveis para o Ensino de História abordadas em suas aulas. Mas a gratidão especial é por aquele que em algumas tardes ouviu minhas angústias e despertou um olhar tão apurado para a educação pública, Everardo Paiva, um verdadeiro educador. Agradeço também às professoras Nívea Andrade, Maria Aparecida e Marcella Albaine, pelo olhar crítico e especial que contribuiu de maneira profunda para esta discussão tão atual e necessária em nossos dias. Minha imensa gratidão pela equipe da E. M. Pastor Alcebíades Ferreira de Mendonça, sempre atenciosa, que forneceu informações valiosas para o desenvolvimento desta pesquisa.
A Deus, à minha amada e querida família, principalmente aos meus maiores apoiadores, meu esposo Iran, meus pais Valter e Denize e minha incansável sogra Rosemary. Sem vocês, eu não teria conseguido!
Enumerar aqui todos aqueles que me auxiliaram nesta caminhada não é fácil, mas registro a minha imensa gratidão por todos que, de alguma forma, estenderam suas mãos nessa fase tão especial da minha história.
Somente os utópicos podem ser proféticos; somente podem ser proféticos os portadores da esperança...
(Paulo Freire)
Sumário
INTRODUÇÃO 21
1
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO QUILOMBOLA NA TERRA
DE CESÁREA 27
Uma breve história 29
Educação em Sobara 35
2
CURRÍCULO E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS EM DEBATE 45
Currículo, relações étnico-raciais e sua ressignificação 51
Relações étnico-raciais: uma conversa sobre estereótipos 56
3
A VEZ DO PROFESSOR: CURRÍCULO, EXPERIÊNCIA E SABERES MOBILIZADOS 61
Currículo e professor: saberes mobilizados 63
Relações étnico-raciais em debate 68
4
PLATAFORMA A VOZ DO PROFESSOR
: PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTINUADA, UM ESPAÇO ON-LINE PARA CONTÍNUO DIÁLOGO ENTRE PROFESSORES 85
A escolha 88
A Plataforma 91
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS 99
FONTES E BIBLIOGRAFIA 103
APRESENTAÇÃO
Se me for perguntado há quanto tempo você é negra?
, eu responderia: há aproximadamente um ano. Por conhecimento de causa, penso que esse processo de afirmação da ancestralidade negra leva tempo, é gradual, e só é possível por meio da informação e do contato com o movimento negro. Não é nada fácil se reconhecer negro num país onde nascemos pretos, mas aprendemos que, em sociedade, ser negro é terrível; para início de conversa, a palavra negro tem as mesmas letras iniciais da palavra negar. Inconscientemente, crescemos com um sentimento inexplicável, fugimos o quanto podemos dessa identificação. Confesso, nunca tive o menor interesse em discutir a trajetória do negro no Brasil na graduação, nos cursos posteriores e, acredite, com os meus alunos. Mas a minha trajetória acadêmica, sem que eu sentisse, foi me orientando para esse caminho. O que quero dizer com tudo isso? Que se, para mim, professora de História, foi um processo longo esse autorreconhecimento, imaginem para pessoas como os remanescentes de quilombos, que estão descobrindo seus direitos e, a passos de tartaruga, sua ancestralidade, seu passado. Essa fala foi a resposta a uma questão que rodeou esta pesquisa durante todo o processo de sua construção. Pode representar um paradoxo o fato de remanescentes quilombolas lutarem pelo direito à terra que ocupam e, ao mesmo tempo, negarem sua ancestralidade escravagista ou elementos da sua ancestralidade africana?
Esta obra tem o compromisso de fazer ecoar ainda mais o combate ao racismo presente em nossa sociedade, a partir de reflexões e ações voltadas para o universo escolar. As palavras aqui presentes nos ajudam a responder à questão supramencionada. Discussão que envolve identidade, ressignificação, engajamento e conhecimento. Discutir relações étnico-raciais na educação não representa novidade alguma, mas é necessário aprofundar o debate nos espaços escolares e isso é fato que não cabe refutação. A novidade está na inovação das práticas que possibilitam alterações efetivas para a causa antirracista. Aqui, está sendo colocado tamanho desafio, o de oportunizar a professores da educação básica, principalmente, discutir, (re)pensar sua prática e compartilhar com seus pares experiências de sucesso ou fracasso que possam contribuir com a implementação das diretrizes curriculares na educação quilombola. Porém, a discussão aqui presente, diante da complexidade que exige o debate, não limita sua proposta, exclusivamente, à questão quilombola, mas a temáticas que também envolvem a dinâmica étnico-racial na educação brasileira. Como professores incorporam aos debates curriculares a questão, a partir de experiências vivenciadas no cotidiano do espaço escolar? A partir das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, a obra retoma discussões sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira no currículo, considerando a autonomia do fazer docente na sua construção de forma dialógica com processos históricos de resistência negra e de enfrentamento das diversas formas de racismo, sejam implícitas ou explícitas.
De acordo com o documento final da Conferência Nacional de Educação, em 2010, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios deverão garantir a construção de uma legislação específica para a educação quilombola, promovendo a participação do movimento negro quilombola, assegurando o direito à preservação de suas manifestações culturais e à sustentabilidade de seu território tradicional. Além disso, também promover a formação específica e diversificada (inicial e continuada) aos(às) profissionais atuantes em
