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O Ouvir da Misofonia - Daiane Barboza
Copyright © 2020, Daiane Barboza
Revisão: Grasiela Lima e Maria Eduarda Duarte
Diagramação digital: GL Editorial
Capa: GL Editorial
Daiane Barboza
O Ouvir da Misofonia
1ª ed.
Rio de Janeiro, 2020
Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total e parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo ainda o uso da internet, sem permissão de seu editor.
A violação de direitos autorais é crime previsto na lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação do autor, qualquer semelhança com acontecimentos reais é mera coincidência. Todos os direitos desta edição reservados pela autora.
ÍNDICE
Ícone Descrição gerada automaticamenteUma imagem contendo Forma Descrição gerada automaticamenteA história a seguir aborda transtornos sérios, os quais serão retratados com o devido cuidado, além disso, assuntos como relacionamentos abusivos e luto farão parte da narrativa. Como a autora acredita que a saúde mental vem em primeiro lugar, ela pede a todos que iniciaram a leitura dessa obra que estejam atentos a isso e respeitem seus limites.
Talvez liberdade não seja apenas poder ir e vir quando quiser, mas ter consciência de que as correntes que te prendem ao passado foram arrebentadas e agora só é preciso seguir adiante, entender que o futuro depende exclusivamente das suas decisões, mesmo que você não saiba ainda quais deve tomar!
No fim, a liberdade é uma escolha diária que só você pode fazer.
OM não é uma simples história adolescente como as que eu costumo escrever, antes de qualquer coisa, ela é uma história sobre superação, sobre encontros e traumas do passado.
O Ouvir da Misofonia une quatro personagens, mas não pelo possível romance que pode acontecer entre eles, e sim pelos seus segredos e medos.
Na vida de Carolina, Marcelo, Renato e Rubi, nada nunca foi como parecia ser e é entrando de cabeça nessa história que se pode descobrir os mistérios que os envolvem. É preciso ouvir as mais baixas ondas sonoras para se entender a frequência que move essa obra.
Fiquem à vontade, sentem em um confortável sofá, coloquem seus fones em um volume razoável e aproveitem a leitura.
A todos aqueles que tiveram seus diagnósticos errados, que passaram por momentos ruins e não tinham uma mão amiga para apoiar, um alguém em quem confiar. Dedico esta obra às pessoas misofônicas. Quero que saibam que eu me importo com vocês!
Carolina Sampaio sempre sentiu os sons de forma diferente. Sensível a eles, passou a evitá-los ao máximo, mesmo que para isso precisasse se esconder do mundo e das coisas boas que há nele.
O universo de Carol começa a mudar quando mãos grandes pegam seus fones antirruídos, porém, essa não é uma história de amor onde um mocinho salva a mocinha, mas também não quer dizer que não possa haver romance no ar, porque quando quatro almas quebradas se encontram, tudo pode acontecer, desde momentos positivos, até reviravoltas não tão bonitas assim.
O elefante roxo na sala é o silêncio. Na mesma medida que ele pode ser reconfortável, também pode ser um martírio. E Carol, Marcelo, Renato e Rubi vão descobrir esse fato, para o bem ou para o mal.
Uma imagem contendo Ícone Descrição gerada automaticamenteCondição, estado ou característica de quem ou daquilo que é ou que está quieto. Sensação de tranquilidade, de calma e de paz.
Toda manhã é sempre uma respiração pesada que vem antes do abrir de seus olhos.
Viver numa pensão cercada de gente quase que o tempo inteiro nunca foi o sonho de Carolina, mas, apesar de continuar não sendo, é tudo que ela tem, o que a faz muito grata por isso. Não é como se tivesse muitas escolhas, na verdade.
A vida de Carol é bem quieta e rotineira. O silêncio faz o convívio social ser limitado, e, muitas vezes, a taxa de arrogância aparecer, no entanto, em outras ocasiões, é o silêncio o único amigo presente, a única forma de não sofrer.
Os pássaros são silenciosos lá fora, as pessoas passam por ela e apenas acenam com a cabeça, tudo em total silêncio — abençoados sejam os fones de ouvido. A verdade é que, independentemente de ser bom ou ruim, o silêncio sempre foi a coisa mais presente em sua vida.
Um pouco antes de chegar à padaria, Carolina agradece mentalmente por não precisar enfrentar crianças chorando, ou dormindo com a cara nos pratos; várias pessoas conversando coisas aleatórias alto demais, e, claro, os inúmeros barulhos dos quais ela tanto tenta se livrar na pensão.
Mesmo assim, ainda há o fato de que, apesar dos fones que usa quando precisa sair de casa terem a função de minimizar os ruídos exteriores, em algumas situações, mesmo que os sons não cheguem aos seus ouvidos, basta a cena se passar diante dos seus olhos e o seu cérebro acaba por reproduzir
o que causa tamanha sensibilidade. Resumindo, é tudo uma droga.
Chegando à padaria, ela escolhe o de sempre: um pão doce com goiabada, dois pães de queijo e uma xícara grande de café por seu Ricardo especialmente para ela. Seu pedido é costumeiro e todos que trabalham aqui já sabem.
Carolina está sentada perto de uma janela próxima à saída, esperando seu pedido em silêncio como todos os dias.
Logo uma sombra fica à sua frente e a jovem pensa ser algum funcionário trazendo seu pedido, como nesses casos ninguém costuma falar nada, apenas colocar o pedido na mesa, Carolina continua contemplando a vista pela janela e agradecendo o tranquilo silêncio do lugar.
Algumas coisas acontecem no segundo seguinte: uma mão toca o ombro de Carolina — uma mão grande e que não é a de seu Ricardo —, uma quase queda é provocada devido ao susto, e, para fechar com chave de ouro, os fones estão com o mão grande
.
— Perdão. Não quis te assustar. Eu te chamei várias vezes e você parecia não me ouvir!
Não é pra isso que servem os fones?
Pobre mulher assustada com a mudança repentina.
O silêncio é rotina e paz, mas o momento atual não representa isso.
Ricardo põe a cabeça curiosa para fora da cozinha e checa se a sua cliente está bem. Bem
não é uma palavra adequada agora.
O rapaz diz algo que Carolina não entende, pois Mimi (apelido carinhoso que a misofonia não merece, porém, tem) fica agitada, querendo que ela preste atenção em como o cliente ao lado bate incessantemente a colherzinha contra a xícara de café e no jeito que a mulher do outro lado come um biscoito de polvilho.
— Você está bem, moça? — O desconhecido estala os dedos três vezes em frente aos olhos de Carolina.
Três bombas explodindo.
Três piscadas fortes.
O ar falta em seus pulmões. O susto ainda está passando e os barulhos ao redor começam a tomar conta da sua cabeça.
O ruído de um teclado de computador vem de alguma mesa próxima, os biscoitos de polvilho parecem estar sendo mastigados dentro do seu cérebro e a colher que antes mexia o café, agora ecoa nos seus ouvidos vezes e vezes sem pausa.
O que a pobre poderia fazer além de fugir? Óbvio que ela corre!
Seu café da manhã foi estragado, seus fones roubados, sua paz tirada... Fugir é uma ótima opção! Dentre todas as cenas de caos possíveis, só existe uma suportável: o caos conhecido.
Após o (não) café, Carol vai até seu quarto e o arruma milimetricamente, rega as flores que estão em pequenos vasos nas janelas e vai ao jardim da pensão fazer o mesmo com o restante. Tenta organizar sua mente enquanto faz tudo, porque perder o controle não é uma opção.
Carol termina seu dia sem fones e ainda nervosa com essa história. A pobre já sente que as coisas são difíceis mesmo com os fones, sem eles para auxiliar em situações extremas, não sabe o que pode acontecer.
Ela não costuma falar com muitas pessoas e hoje não é diferente, porque tudo o que menos deseja é contato com quem quer que seja. Na maior parte das vezes, Carol não vê as pessoas, ou só não as escuta falar. Nos almoços de domingo que Dona Rute organiza para os moradores, Carolina geralmente não aparece, nas reuniões da pensão, muito menos.
Veja bem, não é que Carol não goste dos vizinhos
, só é difícil para
