Anarquismo e Ação Direta: Persuasão e Violência na Modernidade
()
Sobre este e-book
Autores, teóricos e militantes do anarquismo, como Proudhon, Bakunin, Malatesta, Pelloutier e outros, foram referências na pesquisa para reconstituir a teia de significados, relações, referentes e ressonâncias da ação direta dentro do movimento social e operário e, particularmente, no sindicalismo revolucionário e no movimento anarquista.
O autor analisou historicamente os escritos de Malatesta, que caracterizam o anarquismo como uma organização política que rejeita certos tipos de autoridade, fazendo um uso ético da violência.
A sua pesquisa permitiu considerar a ação direta como uma estratégia ético-política, que se utiliza tanto da violência quanto da persuasão através da "pedagogia revolucionária", da "propaganda pela ação", das greves, dos boicotes, das sabotagens, enfim, das revoltas em que os dois polos de dispositivos políticos (violência e persuasão) se relacionam entre si.
Assim, o estudo da ação direta empreendido por Adonile A. Guimarães possibilita a compreensão do campo político para além dos parâmetros da democracia liberal e abre para novas formas de se fazer e compreender a política na modernidade.
Relacionado a Anarquismo e Ação Direta
Ebooks relacionados
Reconstruindo Lênin: Uma biografia intelectual Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDo anarquismo ao pós-anarquismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHegel e a liberdade dos modernos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPoder e desigualdade: O retrato do Brasil no começo do século XXI Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Estado eficaz: Respostas do liberalismo para a desigualdade e a miséria Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDuas táticas da social-democracia na revolução democrática Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHumanidades e pensamento crítico: processos políticos, econômicos, sociais e culturais: Volume 1 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPeixe-elétrico #08: Guerra Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEstado e Capital: fundamentos teóricos para uma derivação do Estado Nota: 0 de 5 estrelas0 notasColeção: O Que É - Socialismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA questão da organização em Anton Pannekoek Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA crise estrutural do capital Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDemocracia e luta de classes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLeandro Konder Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória e dimensões do imperialismo: A crescente dependência externa do Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEntre camponeses Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA questão comunista: História e futuro de uma ideia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDemocracia e Socialismo: A Experiência Chilena Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRevolução e liberdade: Cartas-de 1845 a 1875 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAnarquia pela educação Nota: 5 de 5 estrelas5/5Ásia contemporânea em perspectiva Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória das idéias e movimentos Anarquistas: A Idéia (Volume 1) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCisões e Paradoxos na Política Brasileira: Efeitos para o Sujeito Nota: 0 de 5 estrelas0 notasViolência: Seis reflexões laterais Nota: 4 de 5 estrelas4/5Escritos revolucionários Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA revolução boliviana Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO capital - Livro 2 - Vol. 3: O processo de circulação do capital Nota: 4 de 5 estrelas4/5
História para você
Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva Nota: 5 de 5 estrelas5/5Umbandas: Uma história do Brasil Nota: 5 de 5 estrelas5/5Èṣù O Onipresente Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA história da ciência para quem tem pressa: De Galileu a Stephen Hawking em 200 páginas! Nota: 5 de 5 estrelas5/5Os persas: A era dos grandes reis Nota: 5 de 5 estrelas5/51914-1918: A história da Primeira Guerra Mundial Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória do Catolicismo no Brasil - volume I: 1500 - 1889 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA história de Jesus para quem tem pressa: Do Jesus histórico ao divino Jesus Cristo! Nota: 5 de 5 estrelas5/5Independência do Brasil: As mulheres que estavam lá Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória da Amazônia: Do período pré-colombiano aos desafios do século XXI Nota: 5 de 5 estrelas5/5Viver nos tempos da inquisição Nota: 0 de 5 estrelas0 notasQuebrando Maldições Geracionais: Reivindicando Sua Liberdade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasColetânea De Rezas Fortes E Antigos Feitiços Nota: 0 de 5 estrelas0 notasViver e morrer no candomblé: moralidade yorubá e ensino de História Nota: 5 de 5 estrelas5/5As costureiras de Auschwitz: A verdadeira história das mulheres que costuravam para sobreviver Nota: 0 de 5 estrelas0 notasArariboia: O indígena que mudou a história do Brasil - Uma biografia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória Da Prostituição Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAs Cartas de Plínio Nota: 1 de 5 estrelas1/5Mulheres e caça às bruxas Nota: 5 de 5 estrelas5/5O quilombismo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Museu e museologia Nota: 5 de 5 estrelas5/5Se liga nessa história do Brasil Nota: 4 de 5 estrelas4/5Mulheres que inspiram Nota: 0 de 5 estrelas0 notasManuscritologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória da Inglaterra: Da invasão de Júlio César à Revolução de 1688 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistória medieval do Ocidente Nota: 5 de 5 estrelas5/5Rito Adonhiramita Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Avaliações de Anarquismo e Ação Direta
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Anarquismo e Ação Direta - Adonile A. Guimarães
I. POLÍTICA – A GUERRA CONTINUADA POR OUTROS MEIOS
Permita também analisar as instituições atuais em termos de enfrentamento e de guerra...
Michel Foucault ⁴
AÇÃO DIRETA: A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DO POLÍTICO
Neste trabalho, tenho a intenção de investigar o conceito de ação direta e a sua importância na formação do anarquismo como movimento revolucionário, a partir de meados do século XIX. Para tanto, utilizo alguns instrumentos de análise empregados por Foucault, principalmente, em seus cursos no Collège de France, em meados dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Foucault, nesse momento, procurava estudar o campo do político, munido de outros paradigmas. Para ele, as análises do poder não poderiam ser mais investigadas apenas em termos de soberania, que se formava a partir da dominação econômica de uma classe, pois era preciso ir além, captar os circuitos de poder em suas várias ligações. É nesse sentido que Foucault vai questionar a validade do esquema contrato-soberania e vai propor uma análise do campo político em termos de guerra. O poder, por meio dessa perspectiva, seria constituído por redes, e seu exercício seria fluído e instável, não mais fixo e central, deixando, assim, de ser consequência apenas dos efeitos de soberania.
Foucault desloca a análise de poder da sua constituição para o seu exercício efetivo. Dessa forma, o poder não se dá em termos de direito, contrato e/ou soberania, mas em termos de técnicas, táticas e estratégias. A estratégia, um conceito importante neste trabalho, atua nos vários circuitos de força, no emaranhado de redes de exercícios de poderes e se constitui na relação intermitente de manipulações de homens e máquinas (ou bastaria dizer apenas máquinas?.... máquinas desejantes
), visando determinados fins.
Uma estratégia seria, portanto, uma manipulação das relações de força procurando desenvolvê-las em uma dada direção para bloqueá-las, estabilizá-las ou simplesmente utilizá-las. Assim, o que se investiga em uma análise em termos de relações de força não é o poder entendido como conjunto de instituições e aparelhos garantidores da sujeição dos cidadãos em um Estado
, não é o poder como modo de sujeição que, por oposição à violência, tenha a forma da regra
, enfim, não é tampouco o poder como um sistema geral de dominação exercida por um elemento ou grupo sobre outro e cujos efeitos, por derivações sucessivas, atravessam o corpo social inteiro. A análise em termos de poder não deve postular, como dados iniciais, a soberania do Estado, a forma da lei ou a unidade global de uma dominação; estas são apenas e, antes de mais nada, suas formas terminais
. Segundo Foucault, não são os efeitos periféricos
do poder que permitem tornar seu exercício inteligível. Sua inteligibilidade não se encontra em seu ponto central, na fonte da sua soberania ou no lugar de onde se supõe que partam suas formas derivadas e descendentes. É muito mais seu suporte móvel, suas múltiplas formas ascendentes de correlações de forças que, devido a sua desigualdade, induzem continuamente estados de poder, mas sempre localizados e instáveis
. E, afinal, aquilo que seria o poder não passaria de um "efeito de conjunto, esboçado a partir de todas essas mobilidades, encadeamento que se apoia em cada uma delas e, em troca, procura
