A emoção na sala de aula
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Sobre este e-book
Tomando por base as pesquisas do psicólogo francês Henri Wallon, discute-se a necessidade, por parte da escola, de compreender o aluno em sua totalidade. Se a responsabilidade dos educadores é contribuir para a formação da personalidade do estudante, não há como atentar apenas à construção do conhecimento. Simultaneamente, é imprescindível construir a afetividade infantil.
De maneira fluente, esse livro sustenta que a ausência de uma educação que aborde a emoção na sala de aula traz prejuízos irremediáveis à ação pedagógica. Demonstra ainda que um professor disposto a conhecer a relação antagônica entre emoção e desempenho cognitivo terá um importante instrumento para atuar com desenvoltura em situações tipicamente emocionais sem se deixar dominar por elas.
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A emoção na sala de aula - Ana Rita Silva Almeida
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QUEM É HENRI WALLON
Dados sócio-históricos da vida e da obra de Henri Wallon
Nove anos após a proclamação da Terceira República, exatamente quando a França reerguia-se das ruínas provocadas pelo império de Napoleão III, nasce em Paris, numa família republicana, Henri Wallon. Esse autor dedicou sua vida a viver para os outros. Além de acadêmico, foi um homem político. Mesmo trazendo de berço a tradição política herdada do deputado e seu avô, também chamado Henri Wallon, sua participação na humanidade foi marcada mais por sua dedicação como pesquisador do que propriamente pelos cargos políticos que chegou a assumir. Seus estudos têm como principal objetivo decifrar o homem, isto é, desvelar como um recém-nascido, com toda a sua imperícia, transforma-se em um adulto. Com essa preocupação, atribuiu um papel básico à emoção e sobre ela elaborou uma teoria psicogenética que ocupa um lugar fundamental em toda a sua obra.
Do seu nascimento, em 13 de junho de 1879, até os 20 anos, conviveu com inúmeros acontecimentos políticos que marcaram a história da Terceira República francesa. No início do século, quando debutava como acadêmico, a Europa estava às portas da Primeira Grande Guerra. Segundo Silva (1955), até 1914, a Europa mantinha um duvidoso regime de paz, mantido graças à Tríplice Aliança, formada entre Alemanha, Itália e Áustria-Hungria e a Tríplice Entente
, em que se uniam França, Inglaterra e Rússia. Contudo, 25 anos depois, deflagra-se a Segunda Guerra Mundial e novamente Wallon convive com uma França invadida pelos alemães. Nessa época, já com 60 anos, é professor do Collège de France e, em 1944, assume a Secretaria Geral da Educação Nacional.
Sob seus olhos sucederam as duas grandes guerras de 1914 e 1939, sendo que, na primeira, participou como médico do Exército francês, cuidando de feridos de guerra. Essa experiência permitiu aprimorar as pesquisas que vinha desenvolvendo e que, em 1925, foram publicadas sob o título L’enfant turbulent. O próprio Zazzo comenta, em seu livro Psicologia e marxismo (1ª edição, 1975) que as análises dessa pesquisa, iniciadas antes da guerra, foram modificadas em virtude das experiências realizadas com os feridos de guerra.
Como exemplo, cita que, em 1922, no Journal de Psychologie, Wallon registra as observações que fez acerca do comportamento de um soldado vítima de um raptus[3] durante um bombardeio. Em seu retorno para casa, esse soldado volta a ter as crises, que passam a se repetir sem motivo aparente, provocando fugas a ponto de ser afastado do serviço. Mais tarde, em 1934, no livro Les origines du caractère chez l’enfant, Wallon retoma esse exemplo para discutir o antagonismo das emoções e do automatismo.
De acordo com Zazzo (1978), tudo leva a crer que, possivelmente, essas observações realizadas com soldados, se não constituíram o motivo, ao menos serviram como complemento para os estudos das emoções no comportamento humano. Essa observação feita pelo autor parece se confirmar quando Wallon, em 1934, comenta que a guerra ofereceu a oportunidade de verificar dois efeitos inversos do medo, o ictus e o raptus.
A participação política de Wallon foi coroada em 1946 na sua eleição para deputado. Nesse período da Quarta República, a França procurava reconstruir a sua economia, enfrentando guerras coloniais e instabilidade política. Foi em meio a esse contexto histórico que a maioria de sua produção científica foi construída e pouco a pouco foi se delineando o referencial que orienta a sua obra, o seu pensamento. Analisando cronologicamente a obra walloniana, poderíamos dizer que a primeira parte dos trabalhos diz respeito às questões da afetividade e a segunda parte, aos estudos da inteligência.
Foi exatamente quando começaram suas primeiras investigações sobre a afetividade que Wallon foi acusado de organicista. Como médico, ele reconhece a base material das coisas. Afirma Zazzo (idem) que se o orgânico foi a base sobre a qual estabeleceu os princípios de que deriva a sua teoria do desenvolvimento da personalidade, o modelo de raciocínio que utilizou para chegar até ela foi o materialismo dialético, o qual possibilita a compreensão das coisas em seu movimento de formação e transformação. Essa postura veio expressar-se pela criação de uma teoria de desenvolvimento da personalidade, que concebe o homem em seu constante devir biológico e social. Para Wallon, existe entre o ser e o meio uma relação recíproca, cuja influência sobre o indivíduo não é do domínio biológico inteiramente, mas também do social.
A íntima ligação entre os dois [ser e meio] é primária e fundamental. Já não se trata de estabelecer separadamente as propriedades de um e de outro consoante a sua natureza particular. Trata-se de processos de que são os dois constituintes complementares. E essa substituição da propriedade pelo processo, da substância pelo ato, constitui precisamente a revolução que a dialética introduziu no nosso modo de conhecer. (1963a, p. 33)
Houve quem duvidasse do caráter materialista-dialético dos trabalhos de Wallon. Em princípio, afirma Zazzo (1978), Bergéron (1950), em seu artigo Les conceptions psycho-biologiques de M. Henri Wallon
, contestou a fidedignidade da dialética walloniana. O fundamento dessas contestações tem sua origem na reflexão neurológica que herdou de sua formação em medicina e cuja utilização rotulou-o por muitos anos de organicista.
Opondo-se a quem acusa Wallon de organicista, Zazzo (idem) defende sua posição materialista dialética, afirmando que a compreensão sobre a relação ser e meio é de uma incessante interação recíproca. Essa concepção das coisas é exatamente contrária aos princípios do organicismo, já que para o organicismo, é o orgânico tomado isoladamente que se coloca na origem de todos os fenômenos próprios de vida e de todos quantos são próprios da sociedade
(p.
