A intolerância nas redes: a construção do discurso intolerante em comentários de internet
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Sobre este e-book
Discutir a questão da interatividade na internet é importante para verificar se esses discursos são realmente interativos ou são discursos surdos, que emudecem os outros.
A teoria semiótica de linha francesa foi a principal base para as análises desses discursos. Por meio dela é possível identificar as características que constituem esses textos, suas relações interacionais e discutir as questões de intolerância na internet.
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A intolerância nas redes - Denise Barros da Silva
1. CONCEITOS NORTEADORES
1.1. A S
emiótica Discursiva Francesa
Para a semiótica discursiva francesa os textos possuem uma lógica subjacente geral. Ou seja, há uma forma de organização comum a qualquer texto, independente das características que os individualizem. É sobre essa forma de organização geral dos textos que está focada a metodologia proposta pela semiótica greimasiana. Visto que a semiótica é uma teoria que busca entender e explicitar os diferentes mecanismos de construção de sentido nos textos, seus princípios teóricos e metodológicos serão utilizados para analisar como são construídos os comentários da página do jornalista Leonardo Sakamoto no blog e na rede social Facebook.
Para encontrar a organização de cada texto é necessário seguir metodologicamente um percurso gerativo de sentido no plano do conteúdo do objeto analisado. O percurso gerativo é formado por três etapas – fundamental, narrativo e discursivo –, distintas em suas formas de análise, mas dependentes entre si para o pleno entendimento do texto. Ele vai do nível mais simples e abstrato ao mais complexo e concreto.
No nível fundamental é estabelecida uma rede de relação entre termos contrários. Por exemplo, vida vs morte ou liberdade vs opressão. Nesse nível está a base estrutural do texto em que são analisadas as relações semânticas mais simples e abstratas. A identificação das oposições semânticas é o alicerce para a construção do sentido do texto.⁹ O nível seguinte trabalha a narratividade, entendida como uma sucessão de ações que levam à passagem de um estado a outro.¹⁰ No nível narrativo é descrita a estrutura da história contada, seus actantes e os papéis que representam, através da identificação de um sujeito e de um objeto, sendo que o sujeito mantém uma relação de transitividade com o objeto. A relação entre os dois actantes ocorre através do programa narrativo (PN) em que o enunciado de fazer rege um enunciado de estado. Como dito anteriormente, a narrativa é considerada a transformação de estados, portanto, nesse nível, um estado inicial de conjunção entre sujeito e objeto valor (Ov) pode terminar em um estado final de disjunção entre sujeito e objeto ou o contrário
Na organização narrativa há três percursos relacionados por pressuposição: o da manipulação, o da ação e o da sanção.
No percurso da manipulação, o destinador atribui ao destinatário-sujeito um querer e/ou dever-fazer. Essa configuração discursiva pode ser feita de quatro formas: por tentação, intimidação, provocação e sedução. O destinatário-sujeito manipulado recebe do destinador um saber e/ou poder-fazer.¹¹ A competência é o primeiro estado do sujeito, anterior ao da realização, antes, portanto, de acontecer alguma mudança em seu estado.
Na fase da manipulação são estudadas as relações entre sujeitos e tem-se a narrativa concebida como uma sucessão de instauração e rupturas de contratos. Tem-se, então, o estudo dos mecanismos de manipulação e, por outro lado, o estudo da sanção, pragmática e cognitiva.¹²
É no percurso da ação que ocorrerá ou não o fazer do destinatário manipulado. Nessa etapa o sujeito poderá alcançar por conta própria o objeto valor que deseja, desde que tenha alcançado a competência necessária.
O último percurso narrativo é a sanção, em que o destinador-julgador baseado no cumprimento ou não do contrato acordado no percurso da manipulação, julgará o sujeito e sua ação. A sanção pode ser positiva, caso o contrato tenha sido cumprido, ou negativa, caso o sujeito não cumpra o contrato.
É por meio de textos que a humanidade existe e a semiótica analisa a forma como se dá essa existência no mundo. ¹³
No nível discursivo, os mesmos elementos do nível narrativo são retomados com particularidades antes deixadas de lado, como o estabelecimento da enunciação no enunciado, os recursos persuasivos que o enunciador lança mão para manipular o enunciatário. Nessa etapa, estabelecem-se os temas, ou seja, a definição abstrata dos valores no patamar discursivo, e as figuras, que recobrem semanticamente os temas.¹⁴
A enunciação é responsável por fazer o intermédio entre estruturas narrativas e discursivas.¹⁵ Desse modo, no nível discursivo, o sujeito da enunciação definirá os atores, o espaço e o tempo do discurso, o que Benveniste denominou o aparelho formal da enunciação
.
Para a semiótica discursiva, quando o discurso é projetado em primeira e segunda pessoa, no tempo do agora
e no espaço do aqui
há uma enunciação enunciada, o que cria efeitos de aproximação e de subjetividade. O discurso organizado em terceira pessoa, no tempo do então
e no espaço do lá
é classificado como um enunciado enunciado, que projeta efeitos de distanciamento e objetividade. Esses mecanismos que estabelecem a pessoa, o tempo e o espaço no enunciado são denominados debreagem ou embreagem¹⁶. Existem três formas de denotar a existência do sujeito: a existência semiótica, determinada pela relação entre sujeito e objeto; a existência semântica, compreendida como a relação do sujeito com o valor, e a existência modal, na qual o sujeito se define pela modalização do seu ser e assume papéis patêmicos
¹⁷. Essa terceira forma de existência do sujeito está ligada aos estados de alma, em que o sujeito segue uma sequência de estados passionais tensos-disfóricos ou relaxados-eufóricos
¹⁸ de acordo com a paixão estabelecida no
