O Lado Esquerdo Da Dor
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O Lado Esquerdo Da Dor - Eunice S. Coelho
© 2020 por Eunice S. Coelho. Todos os direitos reservados.
O Lado Esquerdo da Dor
Eunice S. Coelho
Revisão: Camila Silvestre
Diagramação, Capa e ePub: Hugo Olevario
Imagem da Capa: Imagem de SplitShire por Pixabay
1ª Edição: 2020
É PROIBIDA A REPRODUÇÃO
Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida em quaisquer meios existentes sem prévia autorização da autora.
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Sumário
Dados Biográficos
Os Poemas
A Mulata
A um Alguém de Afiadas Palavras
Abrigo que Não Tenho
Alucinações de um Louco
Desconsolo de um Louco
Disse Adeus...
Dizer Não
Embalado de Presente
Eu e Meus Livros
Hoje... Eu e Você
Insano Amor
Neste Amanhã
Por Sua Partida...
Sensação
Simplicidade da Folha
Um Momento
Haverá... um Dia
Carta Poética
Inúteis Frases
Meu Querer
Lembrares de Mim...
Nós Duas...
Nossa Prisão
Academia de Letras
Relacionamento dos Meus Sonhos
Quem Sou
Ser Triste
Acostumei-Me com Aqueles Toques...
As Prosas
A Importância de Cada um de Nós
A Reza
Às Vezes me Cabe Fingir que Estou Bem
Angústia Trazida do Dia
Aquela Estação
Desencontro
Meu Coração Não Aprende
Às Vezes...
Assim Não
Capinando o Coração
Decepção
O que me Deixou
Tudo que Tenho
Presa Sobre Amarras do Passado
Não Dá... Sabes que Não Dá...
As Pessoas que se Humilham por Alguém
O Que é Ativo, Passivo e Relativo?
Tudo Muda
Que é Mutante e Faz Questão de Mudar de Opinião
Madrugada do Dia 21 de Março de 2005
Madrugada do Dia 22 de Março de 2005
Dia 26 de Maio de 2005
Minha Depressão
Minha Tortura Irremediável
Mistério
Morre Comigo
Nossas Almas
Um Dia Ruim, Só Isso
O Que é o Verdadeiro Amor?
She Wolf (Luiza)
Oi, She Wolf... You Ok?
Eu Sou A Pessoa Que a Senhora Sete Anos Atrás Quis Matar
Parte I
Eu Sou A Pessoa Que a Senhora Sete Anos Atrás Quis Matar
Parte II
Olá, Pessoal
Operárias Letras
O Que Restou
Não Pensou em Mim... (Decisão)
O Achar Ser Certo para Você Pode Não Ser para Mim
Reflexão de Mim Mesmo
Quem Dera... Quem Dera...
Blog
She Wolf
Falso
Uma Diferente Terapia
Terminar um Relacionamento
Tormento
Troca
Rainha do Baile
Pequena Revolta
Uma Carta para Você
Ajudante e Pastor
She Wolf
Minha Primeira Crônica
Amor Solilóquio
DADOS BIOGRÁFICOS
1981
Eunice dos Santos Coelho nasce em Tatuapé, estado de São Paulo, a dois de maio de 1981. Filha de Gercina dos Santos Coelho e Oswaldo Paulino Coelho.
1988
Falece sua mãe no Jardim Helena, de edema pulmonar.
1988
Vai, a pedido de seu avô, morar na casa de suas tias.
1989
Vai morar na casa de sua madrasta, no começo de março, retorna por definitivo na casa de suas tias, a pedido do juiz.
1991
Falece seu avô de câncer de pulmão, em Bortolândia/SP.
1996
Estudante do colégio Ângelo Bortolo, conhece sua professora de português, Jacinta, a quem ela agradece por lhe ter apresentado as poesias, a leitura.
2003
Compõe seu primeiro poema, Tronco meu senhor
, para um trabalho escolar, que deu o pontapé para iniciar inúmeros poemas e a composição de seu primeiro livro LEMBRANÇAS IMPOSTAS PELO TEMPO.
2003
Sua médica homeopática lê suas primeiras epígrafes poéticas e a incentiva a continuar.
2008
Enfim sai LEMBRANÇAS IMPOSTAS PELO TEMPO e começa LAÇOS CONFINADOS.
2010
A autora e Hugo Olevario terminam a capa e a diagramação de Sem Segredo, um livro particular que a autora não publicou em nenhum site.
2013
LAÇOS CONFINADOS começa a ser finalizado.
2014
Diagramação e capa enfim são finalizados. Publicado em sites gratuitos e pagos.
2015
UM CRIME SEM FACE começa a ser escrito.
2016
O LADO ESQUERDO DA DOR é terminado.
2018
MENTIRAS QUE NÃO APARECEM romance baseado em relacionamentos que se constroem através das redes sociais.
OS POEMAS
A MULATA
à Juliana Cristina
Meu coração é mulato,
Meu amor é mulato,
Minha alma é mulata,
Mas eu não tenho a mulata.
Meu coração vagueia entre sonhos,
Declina-se em um corpo mulato,
Idealiza uma mulata,
Sonha mulata,
Mas não tem a mulata.
Se um dia eu fui julgada por pecar,
Pago o preço do meu pecado,
Amar aquela que o pecado eu pequei
,
Amar aquela que o ato que cometi foi pecado.
Pior que talvez numa cela estivesse,
É amar a quem cometi um ato inaceitável,
Não tendo dela o amor que hoje em mim há.
Não é justa tal condenação,
Pois minha inocência cometeu um ato desinocente,
Não é certo: com amor fere, com o mesmo amor será ferido
.
Se a ela dirigi-lhe o perdão,
Se a ela derramei tamanho pranto em meu pecado.
Eu amo muito de um modo especial,
Ela me conforta, me alegra, me anima,
Levanta meu astral.
Não me deixa me abater...
Sabe falar, sabe sorrir, sabe brincar...
Quantas pessoas não queriam teu lugar,
Quantos ciúmes, hoje não desperta;
Quanto sofri num dia em que meu pecado quase me fez perdê-la
Quanto amei e desejei que me amasse;
Mais que tudo:
Quanto de mim eu lhe entrego;
Quanto de mim mostra quem sou;
Quanto de mim lhe digo;
Quer-lhe preencher o vazio, se um dia houver;
Sou quem?
Para quem sou?
No momento que sou...
Hoje sou livre por te amar,
Rebelde por não te sentir,
Mas carinhosa por lhe ser algo, ainda que sem toques.
Hoje trago em meus poemas formas mulatas,
Hoje trago aos teus olhos o meu amor mulato,
Hoje lhe digo: amar, amor, amiga... Mulata...
Suspiro! E o ar me entra mulato,
Contemplo e me contemplo e... Mulata,
Olho em minha volta e só vejo a mulata,
Derramo amores por olhos mulatos,
Por alma mulata,
Por alguém mulata,
E fico sempre a pedir a Deus essa mulata.
Sinto saudades do que me é mulata,
Sinto falta daquela mulata,
Que partiu de meus olhos mulatos.
SEIS DE SETEMBRO DE DOIS MIL E CINCO
A UM ALGUÉM DE AFIADAS PALAVRAS
I
Olá, propulsora de meu ser!
Prazer em revê-la,
Conhecer sua nova imagem,
Madame formosa,
Coberta de arrogância e nostalgia.
Meu olhar asseguro não lhe ser estranho,
Trago as mesmas retinas na face,
Estranho é hoje estarmos aqui,
Desembrulhando os acontecimentos,
Sendo simétrica no agora,
Corrigindo nossas posses.
A mergulhar no passado.
Um passado estranho, disforme.
Um passado perturbador, que o tempo restaurou.
E agora, no que falamos,
No que foi,
No que foi e podia ter sido,
Ou o que foi, já foi,
O melhor é pensar no que é,
E será daqui adiante.
Se nos encontramos em dúvida, relataremos todas as fases.
Fomos pequenas com muitos atos,
Prevaleciam os sonhos, as fantasias ilusórias,
Luxo e lama desciam no mesmo córrego,
O amanhã não era mais que hoje.
Com prazer e desgosto a criança deixa o corpo,
E revigora na alma,
Instrui-me a razão de perder,
E mais lamuriante é saber que diante disso o que podia ser não foi,
E o que acreditava nunca ser, foi,
E se fez eterno até aqui,
Mas não além daqui.
Prevalece nesse contexto a adulta arrogância,
Que lhe faz falsa e misteriosa,
Pois hoje nesse instante não sabe quem és,
E seu olhar atônito se incorpora ao meu ser.
Lembrarás de mim,
Pois em ti como em mim seremos alvitres intactos,
Agora desconhecidas,
Desconhecendo o que nos encontra.
Devo retirar minha máscara?
Acho que não,
A máscara se desfez,
Nesses olhos fechados,
Cheios de soberba.
Creio que não decidiu o assunto a ser tratado,
Eu aqui o exponho.
Eu vi as lágrimas que dela vazaram,
Remoendo-me por dentro,
Não consigo ter descanso,
Como se o sono eterno não viesse para mim.
II
Esse diploma vazio,
Um papel áspero,
De conduta viscosa,
Esse papel já com palavras formadas,
Requer um antibrilho.
Esse elevador que te põe lá em cima,
Sem que te canse as pernas,
As mãos se desgastem.
Tu não cansas, és incansável,
O vento lhe sopra o esforço,
Vive de pele rubra.
Eu aqui me encontro,
Calejadas as mãos,
Adoecendo o rosto,
De dores nas pernas,
Por degraus subidos,
Indo junto ao tempo,
Não me disfarçando por trás de uma maquiagem.
Cheia de sonhos me desfaço dos prazeres,
E não reclamo por isso, há um imenso gosto.
Não quero esse corpo fremente,
Quero esses ossos que me seguram,
Não quero deitar-me numa rede,
Basta-me o papelão no chão,
Onde posso esquentar o corpo ainda que sem conforto;
Não quero teu computador,
Quero reciclar o papel que se acha opaco.
De tudo que assim tem,
Só quero o papel que não lhe é válido,
E que dele faço valer uma vida.
Enumerar escritas poéticas e sonetos.
III
Sim, temos o que falar,
Falar dos símbolos das palavras e seus significados,
Falar palavra por palavra,
E delas se dar um assunto.
O assunto é... a descoberta de sua partida.
IV
Não havia percebido tua partida,
A mim me preocupava mais a minha,
De volta ao começo, do fim, (a São Paulo).
Alguém em uma singela festa me relatou tua partida,
Um informante de tristes palavras.
Denotar tua partida,
Era me perder na alcova de minha realidade,
Coube me disfarçar, fingir não me importar,
Lá dentro nascia a agonia radiativa,
Voltei à cidade leprosa,
Coberta de defeitos que me desfalecia.
O tempo foi passando,
E no instante em que me sentia sozinha em casa, (por não haver ninguém em casa, e não pelo fato de estar triste).
O telefone me fez companhia,
Ah! Maldito telefonema que dei,
Trouxe-me uma vida,
E desfez a minha.
Sim, lhe encontrei e um pássaro me pareceu ter libertado da gaiola,
Solta por onde passava tu ia batendo asas, (assim achava),
Solta e eu presa, num resultado que custou uma vida,
Do mesmo telefonema que se liberta também se prende,
Palavras, elas me prenderam, como? Eu te direi.
V
O peso daquelas palavras ainda sobrecai em mim,
Leva-me ao desarranjo da flor,
Torna-me um símbolo natural da tristeza.
Não há um dia em que eu não acorde sentindo seus efeitos colaterais,
Num processo irreversível sinto revogarem meu estado,
Afogando meu ser inteiro.
Cansada de abreviá-las, separá-las, diminuir seus significados,
Descanso a mente e padeço a alma.
Elas se juntam novamente como uma fênix do tempo,
Tornam-se mais fortes, detalhadas, catalogadas.
Meu pedestal já sem alicerce,
Desvincula-se, tornam-se frágeis, largam-me as sombras,
Aqui indefesa me acho,
Amarradas as mãos,
Dilaceradas as pernas,
Tentando ser acolhida no seio da alma de alguém.
Aparentemente sou um bem-estar dos seres,
Mas entre dentro de mim e verás elevadas dores,
E o medo de na vida estar.
Há muito já morri,
Estando num corredor sem luz,
Sentada a implorar que tal telefonema não fosse o teu,
E o que hoje me resta é um olhar cabisbaixo,
Sendo devorada a todo instante,
Por palavras que contradizem meu ser.
Deste dia em diante minhas palavras já não têm som,
São vinculadas ao acaso ou depositadas em um papel,
Carta imaginária.
Cartas presas na garganta,
Engolidas a seco,
E destinadas ao nada.
Elas têm isso em comum comigo.
A ilusão do homem em seus sonhos,
Postos que são meros sonhos,
Que não estabelecem um conceito lógico na vida,
Fundem-se aos seus próprios princípios,
Quando sem perceber eles renasceram em sua frente,
E eles se põem em grande prática.
Minhas palavras se difundem ao acaso,
E nesse apogeu de soberania somos incógnitas para o mundo,
Vértebras de um corpo já decomposto,
Sólidos nessa atmosfera sem lógica.
Quanto de suas palavras quis desfrutar,
Procurar em teu anseio um tom de liberdade,
Que me acalentasse a alma.
Minhas escribas soam em vão,
Quantas palavras desfaziam meu ser,
Perdiam-se no extremo da casa,
E tornavam a se findar amargamente em mim.
Postas por me destruir,
Pedaços de palavras que compõem minha morte.
Pouco se acredita no futuro de uma criança,
Quando vem de um passado matreiro.
Eu também nunca me vi em um futuro,
E hoje aqui estou de livros nas mãos. (meus livros)
Foi o que me restou no final de tudo.
DOZE DE MAIO DE DOIS MIL E TRÊS
ABRIGO QUE NÃO TENHO
Hoje diante desse papel sou capaz de enganar-me,
Retratar a tristeza que existe em viver comigo.
Sei que chorarei por não ter vindo em casa,
Mas não se culpe por isso,
Ainda que com muitas lágrimas estou aprendendo,
Que nem todo não é um não querer,
E sim um não poder,
Mas eu aprendo.
No entanto nem chorar pude,
Pois não havia um esconderijo para elas,
Já se encontrava tarde para me esconder na rua,
A rua também passou a não ser mais meu esconderijo.
Estou sem abrigo,
A me abrigar dentro de mim,
E nem assim me sinto segura.
Já se encontra preenchido de tristezas,
E as alegrias que pensam em entrar, morrem no caminho,
Diante de tais monstros.
TRÊS DE SETEMBRO DE DOIS MIL E TRÊS
ALUCINAÇÕES DE UM LOUCO
Hoje me sinto livre por ser rebelde e me desfazer do mundo,
Por falar bobeira e não me traduzirem seu significado,
Por correr, rolar, escorregar e não me importar com a roupa suja,
Brigar com a irmã, xingar por querer aquele moço,
Tocar a campainha e sair em disparada.
Hoje nem quero saber o que sou e para que sou,
Se o futuro me será agradável ou se me fatigará a alma,
Se morrerei primeiro, ou se serei o terceiro não sendo o último.
Hoje poetizo sem ter lógica,
Falo anedotas sem buscar teu sentido,
Cubro-me de sonhos e não idealizo o mundo,
Visto-me de ilusões e me desfaço do real.
Hoje parto e meus olhos se abrem para o mundo,
Vejo-o com sentido e não me é abstrato,
Não pulo de galho em galho querendo chorar meus arranhões,
Não adormeço de mente descansada.
Eu ainda durmo
