Teologia Pública Reformada: Uma visão abrangente para a vida
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Sobre este e-book
Assim, surgiu a teologia pública: uma área de estudo que se dedica a pensar sobre os temas mais complexos da sociedade à luz das Escrituras.
O livro Teologia pública reformada reúne 23 artigos acerca de uma grande variedade de questões globais e públicas: das artes aos negócios, da imigração à poesia, de questões étnicas à política.
São textos escritos por grandes pensadores da tradição reformada, como Nicholas Wolterstorff, Makoto Fujimura, Bruce Ashford, John Witvliet, Ruben Rosario Rodriguez e James K. A. Smith, os quais oferecem uma visão contemporânea de como a fé reformada dialoga com questões prementes da sociedade.
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Teologia Pública Reformada - Matthew Kaemingk
Imigração
1
Imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio:
a origem migratória da teologia pública reformada
Rubén Rosario Rodríguez
A imigração foi uma característica marcante do início da Reforma.¹ Seja fugindo da perseguição política, seja buscando liberdade religiosa, seja enviando missionários, seja acolhendo refugiados em seu meio, os reformadores do século 16 eram um povo em movimento. Eles estavam constantemente interagindo com diferentes idiomas e culturas, cruzando fronteiras, plantando igrejas em novos solos e pelejando com as exigências bíblicas para proporcionar justiça e hospitalidade aos estrangeiros.
A Genebra de João Calvino oferece um estudo de caso fascinante de uma comunidade de fé que lutou para abrir espaço para recém-chegados e, ao mesmo tempo, resistiu às tentações da xenofobia e do protecionismo nativista. Como comunidade, Genebra estava intimamente ciente dos dois lados da experiência do imigrante. A cidade não apenas reunia milhares de refugiados deslocados de culturas e reinos de toda a Europa, como também enviava colonizadores, missionários e pastores para diferentes nações por todo o continente e além dele. Como observa o historiador Carter Lindberg, Genebra não só acolhia refugiados, ela os criava
.² As experiências migratórias dos primeiros reformadores tiveram um profundo impacto na compreensão que o movimento tinha de si mesmo. Suas respostas espirituais e políticas a essas profundas experiências de deslocamento têm muito a oferecer aos cristãos do século 21, enquanto lutam com a questão contemporânea (e persistente) da imigração.
João Calvino, ele próprio um exilado político francês, havia fugido para Estrasburgo e mais tarde se estabeleceu em Genebra, onde fundou uma ordem eclesiástica que especificamente permitiu à cidade se tornar um abrigo para refugiados protestantes que fugiam da perseguição que havia por toda a Europa. Ao longo de sua vida, Calvino trabalhou incansavelmente em favor dos protestantes perseguidos, especialmente daqueles provenientes da França, sua terra natal (os huguenotes). A perseguição na França enviou uma onda maciça de refugiados para Genebra entre 1545 e 1555. Durante esse período, os estreitos limites geográficos da cidade e seus recursos limitados impediram seus cidadãos de acolherem permanentemente todos os refugiados. A falta de espaço combinada à paixão pela missão global acabou por inspirar várias missões protestantes de reassentamento por toda a Europa e além. Em meio a tudo isso, João Calvino e seus colegas reformadores fomentaram um movimento internacional diversificado e complexo que era tanto migratório quanto hospitaleiro, transnacional e ecumênico. A mentalidade persistente da Genebra do século 16 era, simplesmente, oferecer hospitalidade quando se está em posição privilegiada, pois você pode se ver na condição de migrante em busca de hospitalidade antes do que espera.³
Hoje, nos Estados Unidos, por ironia, muitos que se dizem calvinistas apoiam voluntariamente líderes anti-imigrantes (e racistas limítrofes) bem como políticas de imigração cruéis. Esses calvinistas às vezes até tentam usar sua fé como uma ferramenta por meio da qual possam calmamente afastar os refugiados e ignorar os horrores morais perpetrados na fronteira sul dos EUA. Seu quietismo moral e político às vezes será fomentado por interpretações politicamente passivas de Romanos 13 e por uma vaga ênfase na aceitação submissa de leis e líderes que Deus investiu de autoridade.
Em 2020, as políticas de tolerância zero no controle de fronteiras, adotadas pelo governo dos EUA, criaram instalações de detenção que funcionavam na prática como campos de concentração. Esses campos perversamente jogaram fora vidas inocentes,⁴ separaram crianças de seus pais e sujeitaram os detidos mais vulneráveis (mulheres e crianças) a abusos físicos e sexuais nas mãos de seus carcereiros.⁵ O silêncio e a submissão dos calvinistas diante de tal crueldade são, na melhor das hipóteses, uma aprovação tácita dessas políticas e, na pior, cumplicidade para com uma nova onda de violência nativista anti-imigrante que atualmente assola a nação.⁶
Este capítulo demonstra que o quietismo moral e político dos calvinistas é uma trágica traição de um longo legado calvinista em acolher estrangeiros, resistir a tiranos, fazer justiça e atravessar fronteiras e culturas em vulnerabilidade e fé. Este capítulo também desacreditará o equívoco comum de que João Calvino foi um defensor rigoroso, frio e farisaico do Estado de Direito. Em lugar disso, oferecerá um retrato mais preciso de João Calvino como um reformador humanista, cujas políticas eclesiástica e civil buscavam que todo residente de Genebra [fosse] integrado a uma comunidade compassiva
. Ao contrário de nossas modernas redes de bem-estar social, esses ministérios liderados pela igreja eram projetados para serem verdadeiras redes de cuidado
.⁷ Como o reformador escocês John Knox disse, após um período de permanência temporária em Genebra, a cidade é a mais perfeita escola de Cristo que já existiu na face da terra, desde os dias dos apóstolos
.⁸ John Bale, um colega refugiado que fugia da perseguição de Maria Tudor, acrescentou: Genebra me parece o maravilhoso milagre do mundo inteiro. [...] Não é maravilhoso que espanhóis, italianos, escoceses, ingleses, franceses, alemães, discordando sobre modos, falas e vestuário, [...] [mas] unidos apenas pelo jugo de Cristo, devam viver assim [...] como uma congregação espiritual e cristã?
.⁹ Ao equilibrar a exigência bíblica por um Estado de Direito (Rm 13) com a exortação de Pedro de que Devemos obedecer a Deus antes que a qualquer autoridade humana
(At 5:29, NRSV), Calvino preferia pender para o lado da compaixão pelo imigrante.¹⁰ Ele estava firmemente convicto de que, como cidadãos e cristãos, somos chamados a assumir uma posição tão enérgica quanto pudermos contra o mal
.¹¹
Refugiados reunidos em Genebra
Durante o mandato pastoral de Calvino em Genebra (1538-1564), a Reforma estava lutando pela própria sobrevivência. O movimento estava enfrentando perseguição católica em toda a Europa. Em 1555, uma enxurrada de refugiados franceses, fugindo de perseguição, tomou conta de Genebra. Os historiadores estimam que, no espaço de uma única década, a população de Genebra cresceu de 13.100 habitantes para 21.400.¹²
Nem é preciso dizer que este afluxo avassalador de refugiados sobrecarregou a já onerada infraestrutura de bem-estar social da cidade. Em um ano normal, cerca de 5% da população nativa de Genebra dependia do atendimento regular do hospital geral (mais de 500 pessoas). Acrescente a isso o fluxo maciço de refugiados, quando as agências de bem-estar social provavelmente tiveram que atender a mais de dez mil estrangeiros durante o período de um ano.¹³ Felizmente, nem todos esses refugiados se estabeleceriam de forma permanente na pequena cidade de Genebra. Muitos simplesmente passariam por Genebra, rumo a outros assentamentos e asilos reformados. Essa necessidade premente de reassentar refugiados impactou (e informou) diretamente os esforços missionários posteriores de Genebra.
Uma das causas constantes de atrito entre Calvino e os nativos de Genebra era a sua insistência espiritual e política em oferecer hospitalidade aos exilados. Isso não foi uma disputa sem consequências práticas, pois, o que havia sido uma gota em 1523 tornou-se uma inundação trinta anos depois.¹⁴ Em 1555, havia mais imigrantes do que cidadãos nativos da cidade. Não surpreende o fato de os nativos se queixarem. Eles reclamavam que os refugiados estavam tomando seus empregos e esgotando os recursos, que ricos nobres franceses exilados estavam tomando o controle da cidade, que a cultura da cidade seria destruída e que a própria Genebra entraria em
