Deleuze, o cinema e o sensível
()
Sobre este e-book
Autores relacionados
Relacionado a Deleuze, o cinema e o sensível
Ebooks relacionados
Memória e imagens: Entre filmes, séries, fotografias e significações Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNas margens da presença:: a questão do logos em Merleau-Ponty Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO instante ou o fora de todos os instantes: reflexões filosóficas sobre o tempo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFenomenologia e filosofia da linguagem: tópicos especiais de filosofia contemporânea Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMichel Foucalt: Vida e obra do jusfilósofo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCorredores e Porões: Uma Análise das Relações de Poder na Constituição do Livro Didático de Matemática Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDeleuze: signos e a irrupção do fora Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSociabilidades goianienses: os sentidos de 1964 na cultura e outros estudos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA liberdade e o Outro: o desafio da autenticidade em meio à ontologia de Jean-Paul Sartre Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFenomenologia e Psicologia Fenomenológica em Sartre: Arqueologia dos Conceitos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA mitologia do conceito: a relação entre religião e filosofia na Fenomenologia do Espírito de Hegel Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPerfis: Dos anos de 1900 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA juventude vai ao cinema Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPresentificação e imagem: contribuições à fenomenologia da irrealidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTemática - Filosofia - Século XX Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMichel Foucault: Transversais entre educação, filosofia e história Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Luz Da Razão: Uma Jornada Kantiana Pela Verdade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma latente filosofia do tempo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJ. R. R. Tolkien e a Crítica à Modernidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInhotim e o contemporâneo permanente Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBaudelaire e a modernidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasArteurbe: Jovens, Oficinas Estéticas e Cidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Expressão do Inefável: Ensaio Sobre o Começo do Bergsonismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSaudade: Da poesia medieval à fotografia contemporânea, o percurso de um sentimento ambíguo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEm busca de um cinema em fuga Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFormação em Esquizoanálise: Pistas para uma Formação Transinstitucional Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Filosofia para você
O Livro Proibido Dos Bruxos Nota: 3 de 5 estrelas3/5O que os olhos não veem, mas o coração sente: 21 dias para se conectar com você mesmo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Platão: A República Nota: 4 de 5 estrelas4/5O Príncipe: Texto Integral Nota: 4 de 5 estrelas4/5Caderno Exercícios Psicologia Positiva Aplicada Nota: 5 de 5 estrelas5/5Minutos de Sabedoria Nota: 5 de 5 estrelas5/5Aristóteles: Retórica Nota: 4 de 5 estrelas4/5A República Nota: 5 de 5 estrelas5/5Agenda estoica: Lições para uma vida de sabedoria e serenidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAforismos Para a Sabedoria de Vida Nota: 3 de 5 estrelas3/5Entre a ordem e o caos: compreendendo Jordan Peterson Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Cura Akáshica Nota: 5 de 5 estrelas5/5Um Guia Autêntico para a Meditação Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTesão de viver: Sobre alegria, esperança & morte Nota: 4 de 5 estrelas4/5Política: Para não ser idiota Nota: 4 de 5 estrelas4/5Aprendendo a Viver Nota: 4 de 5 estrelas4/5A ARTE DE TER RAZÃO: 38 Estratégias para vencer qualquer debate Nota: 5 de 5 estrelas5/5AS DORES DO MUNDO - Schopenhauer Nota: 5 de 5 estrelas5/5Hipnoterapia Akáshica Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Arte de Escrever Nota: 4 de 5 estrelas4/5Além do Bem e do Mal Nota: 5 de 5 estrelas5/5Odus Nota: 0 de 5 estrelas0 notasGenealogia da Moral Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Bíblia Satânica Moderna Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilosofias africanas: Uma introdução Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Categorias relacionadas
Avaliações de Deleuze, o cinema e o sensível
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Deleuze, o cinema e o sensível - Maurício Sousa Jr.
1 – TEMPO, MATÉRIA E MEMÓRIA
A maior obra do filósofo francês Gilles Deleuze, Diferença e Repetição , anuncia a complexidade interligada entre política e estética. A longa tradição que trata do atrelamento política/estética se renova em regimes de visibilidade da arte mesmo após o paradigma estético proclamado na Terceira Crítica de Kant. Deleuze, então, irá revisitar as teses de Henri Bergson em seu primeiro livro dedicado ao cinema, a saber A imagem-movimento . Neste livro conhecemos as teses bergsonianas por meio do processo de criação do filósofo. Conforme podemos observar, operação criativa de Deleuze ocorre por meio de um rigoroso e complexo jogo de agenciamentos e formulação de recortes. O processo criativo do filósofo não obedece a um critério fortemente ancorado em Descartes que privilegia às filiações de pensamento e decantações rigorosas. Observamos que neste primeiro momento, as obras do autor pensam a imagem através desse agenciamento realizado através dos trabalhos de Bergson. Ele inicia sua obra acerca do cinema com a seguinte observação:
Em 1896 Bergson escrevia Matière et Mémoire: era o diagnóstico de uma crise da psicologia. Não se podia mais opor o movimento, como realidade física no mundo exterior, à imagem, como realidade psíquica na consciência. A descoberta bergsoniana de uma imagem-movimento, e, mais profundamente, de uma imagem-tempo, conserva ainda hoje tal riqueza que talvez dela não se tenham extraído todas as consequências. Apesar da crítica muito sumária que Bergson um pouco mais tarde fará do cinema, nada pode impedir a conjunção da imagem-movimento, tal como ele a concebe, com a imagem cinematográfica.¹⁴
Nesta referência inicial à chamada "descoberta bergsoniana" da imagem-movimento e da imagem-tempo, Deleuze dá uma interessante pista de quais são os caminhos seguidos por ele para conceber o cinema dentro de um conjunto conceitual relacionado à imagem. Surge daí algumas teses que defendem as categorizações das imagens para se pensar o cinema. Quais seriam os elementos principais das teses da imagem-movimento e imagem-tempo que determinam as duas classificações como chaves heurísticas? Primeiramente, devemos recuperar as teses de Bergson a fim de traçar os caminhos teóricos realizados pelo autor. Como hipótese inicial desta digressão, tentaremos demonstrar os elementos que fazem da leitura bergsoniana uma forma particular da imagem e como eles podem estar fundamentados por aspectos contidos no kantismo. Claramente, o intuito não é fazer de Bergson um kantiano, mas de observar que alguns pontos de partida tomados por Bergson seguem problemas que podem ser identificados na obra de Kant. O primeiro aspecto principal que analisaremos é a relação kantiana entre o mundo sensível e o inteligível como elemento de base para a teoria bergsoniana da imagem e do movimento. Dito isto, vamos à investigação dos elementos do bergsonismo que podem ser trazidos aqui para demonstrar essa tese de que o problema do movimento reside, em parte, nos elementos de cognição do sensório-motor, dos quais Deleuze também se utiliza, e são fundamentados em Kant. O encadeamento evidenciado acima anuncia um presente dilatado para trás e para frente. Em direção ao passado e ao futuro.
A imagem-movimento, em recuperação às teses de Bergson fundamenta-se neste encadeamento. Só então aquilo que denominamos de instante pode ser compreendido não em sua duração cronológica, mas antes, vivida como intensidade. Diretamente ele anuncia o encadeamento a partir da percepção do instante da seguinte maneira:
O que é, para mim, o momento presente? É próprio do tempo decorrer; o tempo já decorrido é o passado, e chamamos presente o instante em que ele decorre. Mas não se trata aqui de um instante matemático. Certamente há um presente ideal, puramente concebido, limite indivisível que separaria o passado do futuro. Mas o presente real, concreto, vivido, aquele a que me refiro quando falo de minha percepção presente, este ocupa necessariamente uma duração.¹⁵
A experiência do tempo, vivida como duração de um instante, é posteriormente dividida, fracionada e assumida como intensidade. Deleuze irá explorar mais estes aspectos pois eles são naturalmente mais justificáveis às suas criações, afecções e formulações de devires. Na suspensão do movimento, ao que serve essa primeira apropriação deleuziana de Bergson, muito se deve ao encadeamento, que parece uma nova recognição. É preciso ter atenção àquilo que Deleuze denomina de recognição, sendo a operação uma forma da representação se manter viva mesmo no interior das imagens. O cinema que teria nascido na Era estética, afirmaria sua natureza múltipla mesmo com as artimanhas da representação que se atrai o movimento do pensamento à identidade, ao imobilismo irredutível. Sem afirmar a linha de encadeamento bergsoniana, o francês alude ao eterno retorno para redimensionar, em sua diferença, a experiência do instante. No entanto, Bergson assume a tarefa da experiência de duração para o estado da formulação que nos interessa, das imagens. Nosso pensamento ao capturar o instante realizaria o recorte da duração, estendendo ao passado e ao futuro. Remontando o psicologismo da percepção do presente:
É preciso portanto que o estado psicológico que chamo «meu presente» seja ao mesmo tempo uma percepção do passado imediato e uma determinação do futuro imediato. Ora, o passado imediato, enquanto percebido, é, como veremos, sensação, já que toda sensação traduz uma sucessão muito longa de estímulos elementares; e o futuro imediato, enquanto determinando-se, é ação ou movimento. Meu presente portanto é sensação e movimento ao mesmo tempo. [...] Donde concluo que meu presente consiste num sistema combinado de sensações e movimentos. Meu presente é, por essência, sensório-motor.¹⁶
Ora, a conclusão bergsoniana da coesão indissociável entre percepção e movimento para conceber o presente
pode ser derivada, em elementos gerais, da indissociabilidade entre o movimento dos objetos do mundo sensível e o uso de conceitos e noções do mundo inteligível produzido por meio das faculdades para a devida crítica da razão. Segundo essa passagem, as sensações e o movimento estão no sensório-motor interligados. O pensamento e o movimento descortinam em consonância com a virtualidade de uma nova experiência. Os pensamentos formam intuições sensíveis a partir dos movimentos da matéria. A atualização é constante no campo das virtualidades e fundamental ao conhecimento dos fenômenos conforme podem ser verificados em Kant. Os objetos, na medida que são apreendidos, atualizam-se em um contínuo presente, formando um todo. É atualização contínua, o processo de conhecimento pela consciência da qual falou Fichte. Entre o eu que é essencialmente consciência e o não-ser da virtualidade que entrará em acordo segundo acomodação da experiência de movimento. Kant afirma: qualquer grandeza determinada de tempo é somente possível por limitações de um tempo único
¹⁷, lançando o objeto a ser conhecido à conjugação do
