Formação em Esquizoanálise: Pistas para uma Formação Transinstitucional
De André Rossi
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Formação em Esquizoanálise - André Rossi
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO PSI
Agradecimentos
Aos participantes e colaboradores, por sua disponibilidade para serem entrevistados, por consentirem o uso do material para a pesquisa que dá origem ao livro, por abrirem suas casas e seus consultórios, por partilharem almoços e bebidas, por partilharem material sobre o IBRAPSI, por acessarem suas memórias alegres e muitas vezes doídas; enfim, por ajudarem o pensamento, a pesquisa e a formação em clínica. Agradeço especialmente ao Eduardo Losicer, à Tânia Kolker, à Roseli Goffman, ao Luis Fernando Campos, ao Osvaldo Saidon, à Ana Lúcia Magalhães, à Heliana Conde, ao Marco Aurélio Jorge, à Mônica Silva, à Suelena Werneck, ao Gregório Baremblitt, à Lúcia Amarante, ao Chaim Katz, à Ângela Fernandes e ao Henrique Galhano.
Ao Eduardo Passos, amigo, professor e formador. Nesses 19 anos de amizade, se me interesso por formação, em parte é por sua obstinação em formar clínicos e acadêmicos, sobretudo em grupo. Essa rica coletividade formada por você em quase 25 anos de grupos de supervisão, aulas e grupos de orientação, na atualidade, dá testemunho de seu pertencimento a esse phylum esquizoanalítico/perspectiva transdisciplinar da clínica/pesquisadores cartógrafos. Gratidão por tudo!
Ao grupo de orientação coletiva, que teve sempre acolhimento na leitura do texto da pesquisa, muitas vezes grande e difícil, fazendo ricas discussões coletivas e apontamentos preciosos. Algumas vezes o dispositivo modulava, e também emprestavam seus ouvidos clínicos à supervisão de campo, analisando as forças em jogo nas questões colocadas. Agradeço especialmente à Williana Louzada, à Flávia Fernando, ao Márcio Loyola, ao Fabrício Pinto, à Márcia Cabral, à Marina Fernandes, à Joana Camelier, à Rosana Mira, ao Alexander Motta, à Priscila Tamis, ao André Miranda, ao Fabiano Pinto, à Maura Lima, ao Pedro Almeida, ao Fábio Araújo e à Bete Pacheco.
Agradeço à Simone Paulon e à Roberta Romagnoli pela empolgação e precisão na leitura; ao Auterives Maciel pela amizade, pela resenha sempre genial e por seus apontamentos sempre precisos; à Cristina Rauter pelos anos de formação desde a graduação; ao Paulo Vidal pela leitura atenta e pelos anos de formação desde a graduação; ao Gregorio Baremblitt pela disponibilidade para a leitura da tese e pela capacidade de se rever.
Ao Grupo de estudos de Lacan, coordenado por Ana Accioly, em que, juntamente a Gabriela Macedo, Héder Bello, Fabrício Pinto, Arthur Franco e Gabriela Bastos, compreendi um mesmo campo problemático de uma clínica do real ou clínica trágica.
Aos amigos Tarso Trindade, Rafael Dias e Guilherme Prado, pelos anos de grupo de estudo, pelas produções conjuntas de artigos, eventos e pensamento.
Aos meus pais, por sempre investirem na minha educação e na de minha irmã. Certamente se estou publicando este livro é fruto em primeiro lugar desse empenho de atenção, de afeto e de dinheiro. Sempre me senti bastante investido e querido. Esta obra é sobre formação. Quero transmitir esse sentido forte de educação na parceria com outros colegas.
À Kelly Dias, minha companheira, por todo o apoio amoroso, sustentando comigo este livro, desde as mínimas questões da casa e do casal até aquelas de revisão e logística.
[...] chega o momento em que começamos a nos dar conta de não mais poder seguir além sem transgredir as regras mais elementares da hermenêutica. Isto significa que o desenvolvimento do texto em questão alcançou um ponto de indecidibilidade no qual se torna impossível distinguir entre autor e intérprete. Embora este seja para o intérprete um momento particularmente feliz, ele sabe que é o momento de abandonar o texto que está analisando e de proceder por conta própria. (AGAMBEN, 2010)
PREFÁCIO
É muito bonito ver um pesquisador perseguindo seu problema com dedicação. Pudemos acompanhar André desde sua inquietação anterior à formalização da sua pesquisa de doutorado, quando a investigação se dava no cotidiano da sua clínica, como nomeações possíveis à sua prática. Buscava um fio comum, uma ética que ligasse sua prática e seu discurso profissionais aos de outros colegas.
O doutorado veio tempos depois do mestrado. O trabalho acadêmico não era feito na sequência de atividades que se seguem por uma exigência mais institucional do que do desejo. Um texto não veio logo após o outro, seguindo o curso esperado pela carreira acadêmica. Houve um intervalo como se o pensamento exigisse o start da reinauguração, como se nada se acumulasse necessariamente por um designo da titulação. Entre uma etapa e a outra, a clínica realizava seu trabalho de elaboração inconsciente, silenciosa e à revelia do que supomos. O compasso não era menos desejante.
A questão da prática clínica, tal como a realizamos nessa perspectiva que na UFF designamos de transdisciplinar – entre domínios, impura, extraindo a clínica do não clínico e vice-versa –, inquietou André nesse ponto em que ela a um só tempo trata, acompanha processos de subjetivação e se transmite como ofício. Experimentar a clínica e transmiti-la são aspectos inseparáveis. A clínica como dispositivo de transformação não deixa de ser também um meio de formação.
Estivemos juntos no processo formativo, na díade formar e ser formado. Sem separar teoria e prática, formandos e formadores, clínica e política, indivíduo e sócius, cultivamos uma amizade na esteira da pesquisa, da clínica, da formação clínica e do trabalho.
Acompanhamos o processo de escrita desta pesquisa, participando dela, para nos depararmos com uma obra que surpreende por seus resultados e seu rigor e que nos orienta nos processos formativos em que estamos engajados. A beleza do texto reflete o percurso e se apresenta como uma resposta ao desafio da afirmação de uma prática clínica consistente, ao mesmo tempo que avessa às formas enrijecidas e às técnicas protocolares.
O tema da formação delimitava o campo problemático da criação de uma instituição de formação clínica que tinha a esquizoanálise como inspiração. Dizemos tão somente inspiração, porque o que nos indicou a obra em parceria de Deleuze e Guattari fica apenas como pistas e não regras, bem mais uma atitude de ficar nessa zona limiar entre a clínica, a política, a estética e a ética, lá onde o domínio da clínica não se fecha nem se doutriniza, mas afirma a virtude da abertura, da incompletude, da parcialidade, do que se mantém mais como processo do que como estado, mais como força instituinte do que como forma instituída. O desafio de pensar a formação clínica para além e aquém das fronteiras não só disciplinares, mas institucionais.
Eis o paradoxo que força a tese deste livro: a formação em clínica se faz por entre instituições sem que haja uma instituição que possa ser a autoridade ou ter a autoria em tal processo. A transinstitucionalidade é a direção formativa, o que não é menos uma direção de transformação de quem se forma e daqueles que tomam para si a tarefa de conduzir tal processo. Isso certamente amplia o desafio de escrever uma esquizoanálise mantendo o rigor da abertura dos pressupostos teórico-práticos.
Tomar o IBRAPSI como caso e nos levar pela mão por esse campo problemático e paradoxal é muito generoso, ajudando-nos a entender a parcialidade que a pesquisa quer preservar, para manter a tensão da abertura desse campo, fazendo dele um plano multivetorializado, definindo sem ser definitivo, afirmando sem fechar o pensamento em suas proposições.
Contudo, este livro não é propriamente o resultado de uma pesquisa histórica. O apreço é certamente pelo presente que se projeta para o futuro e nos faz entender o que passou. O que anima o texto é a relação da clínica com o presente ou o modo dela experimentar o contemporâneo, em uma bifurcação produtora da novidade já que nele nos defrontamos com o horizonte do inantecipável, com a abertura para o que ainda não somos. É nele que estamos em via de nos diferir, pois aqui o tempo comporta, numa mesma espessura, o passado e o futuro.
Esse é o paradoxo do tempo que, no presente, não para de passar, sendo a um só tempo o que foi e o que será. Nesse sentido, o contemporâneo guarda essa relação complexa com a história, dela se distinguindo. Quebra as cadeias causais que conferem importância ao passado (fascínio pelas origens, explicações deterministas), mas sobre ela retornando, produzindo diferença, fazendo-a desviar de si. De fato, na experiência do contemporâneo, não podemos nos livrar da história, supondo o seu fim. Diferentemente, busca-se na história aquela força propulsora que permite dela desviar.
Daí a relação com a clínica, pois dizemos: toda clínica é do e no contemporâneo. É experiência de desvio, do clinamen, que faz bifurcar um percurso de vida na criação de novos territórios existenciais.
Eduardo Passos
Professor titular da Universidade Federal Fluminense
Williana N. M. Louzada
Doutora em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense
APRESENTAÇÃO
Este livro é derivado de uma pesquisa de doutorado, ela mesma situada em um campo transversal, dispersivo e múltiplo: investigação, produção de conceitos e práticas em esquizoanálise. Ao longo de quase duas décadas de clínica, teoria e formação em esquizoanálise (ou perspectiva transdisciplinar), muitas perguntas me fiz e outras me fizeram. A primeira delas certamente foi: o que é esquizoanálise?
. Outras se seguiram, como: de onde surgiu?
; é uma clínica?
; quais seus principais conceitos?
. Embora tangencie e, de certa forma, contribua para responder às perguntas anteriores, posso dizer que a pergunta que mais se aproxima da pesquisa deste livro é: se existe algo como um esquizoanalista, como ele se forma?
.
A observação da temática me instigava de diversas formas. As soluções dadas pelo campo para mim eram insuficientes: por um lado, não façamos formações porque ficaremos institucionalizados e incoerentes com o legado de Deleuze e Guattari
, ou vamos criar formações para propagar o legado e transmitir nossas experiências
. Ao mesmo tempo, percebia que as pessoas que negavam uma formação específica em esquizoanálise ou mesmo as que a desejavam se engajavam livremente em diversas escolas e grupos de diversas designações ou teorias. De toda sorte, enfrentar o problema teria que ser de forma complexa e não com soluções prontas. Qual seria? Lancei-me à pesquisa.
Na tentativa de entrar em contato com a temática da formação e com a experiência da esquizoanálise na clínica, fiz um corte institucional e geracional que me levou ao campo para colher as narrativas sobre a criação do IBRAPSI (Instituto Brasileiro de Psicanálise, Grupos e Instituições). Como era a formação na instituição? Qual era a pertinência da esquizoanálise na época e que tipo de clínicos são hoje esses egressos?
O primeiro capítulo constitui-se no passeio por oito pistas do método da cartografia, propondo por dentro de sua apresentação já uma inflexão, também por meio de um diagrama, de como entendo o relacionamento dessas pistas e como isso funciona em uma pesquisa de campo. Entremeei, juntamente às pistas, exemplos vindos das entrevistas, transformando o capítulo metodológico também em um ensaio. Portanto o livro não fala da esquizoanálise como objeto exterior, mas ele mesmo é uma esquizoanálise.
O segundo capítulo tem seu tema emergente totalmente do campo de pesquisa, pois torna-se núcleo argumental a partir do seu aparecimento nas entrevistas. Utilizando o caso do IBRAPSI como operador para produzir pistas para uma formação transinstitucional, deveríamos entender o que foi o IBRAPSI, quem o criou, quando, em qual contexto. Foi aí que a história da Psicologia no Brasil apareceu bastante atrelada às primeiras turmas da instituição, à psicanálise e a suas instituições e ao contexto político brasileiro. Em seguida, migrei propriamente para a estrutura organizacional do IBRAPSI e seu modelo formativo e dali extraí aquilo que chamarei de dispositivo pentapartite da formação. Os entrevistados ofertaram gentilmente material sobre o IBRAPSI – cadernos de aula, jornais e folders –, que foi analisado também nesse capítulo. Um capítulo longo, historiográfico e necessário.
O terceiro capítulo tem caráter transdisciplinar, fazendo função de deslocamento de sentidos enrijecidos e de preparação necessária para o quarto capítulo. Até ali o leitor já entendeu como foram feitas as entrevistas, do que trata a cartografia, o que está sendo buscado, o que é o IBRAPSI, qual seu contexto histórico de aparecimento e desaparecimento e seu dispositivo de formação. Tendo o desaparecimento também muita ênfase nas entrevistas, havia a necessidade, na análise cartográfica, de deslocar o racha: de uma intempérie que assolou a instituição para uma teoria da criação e destruição institucional. Aliás, preferi não entrar pela seara da Análise Institucional socioanalítica, como havia feito em trabalho dissertativo anterior, quando diferenciei estabelecimento, organização e instituição. Designei invariavelmente como instituição a forma social que se reproduz, a edificação e o organograma, porque nas análises feitas caminhei na direção de um coletivo de forças que habita grupos, organizações, instituições e modos de produção social, utilizando-me da Análise Institucional guattariana, da teoria do dispositivo em Foucault, Deleuze e Agamben e d’O Anti-Édipo.
O quarto capítulo veio trazer à cena um núcleo argumental que apresenta, em sua multiplicidade, tanto o desfazimento e a recriação tematizada no capítulo anterior quanto aquilo que emana como intensidade institucional dessa maquinação erótico-thanática. Abordei assim o racha, as brigas, o roubo e toda uma espécie de mítica institucional. A título de contribuição para uma formação em esquizoanálise, juntamente ao que aprendemos sobre os dispositivos ibrapsianos e à finitude introduzida como ética de um grupo sujeito, aqui aponto a necessidade de dispositivos esconjuratórios do centripetismo.
A conclusão retoma a maioria das pistas para uma formação transinstitucional deixadas ao longo do texto, fazendo novos nexos e propondo continuidade de pesquisa. Um leitor engajado também poderá criar as suas conclusões. Nos anexos, trago material produzido por mim para auxiliar o leitor nas buscas em esquizoanálise e aquilo que me foi ofertado ao longo da pesquisa. Deixo o material compilado e disponível em banco de dados digital para futuras pesquisas.
Este livro é fruto de uma pesquisa-intervenção cartográfica que não pôde se dar senão no extravio daquele que trilha um caminho. Espero que também o leitor possa se transformar na trajetória desses capítulos. Boa leitura!
Sumário
CAPÍTULO 1
O MÉTODO DA CARTOGRAFIA OU UM ENSAIO ESQUIZOANALÍTICO 19
1.1 A pesquisa de campo 20
1.2 O método da cartografia 23
CAPÍTULO 2
A HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO BRASIL E A CRIAÇÃO DO
IBRAPSI 41
2.1 Campo Psi no Brasil e a demanda de formação dos psicólogos 41
2.2 Instituto Brasileiro de Psicanálise, Grupos e Instituições (IBRAPSI) 56
2.3 A Formação e seus dispositivos 68
2.3.1 Dispositivo segundo Foucault, Agamben e Deleuze 69
2.3.2 Grupo Operativo e Assembleia Geral, o desarranjo funcional 76
CAPÍTULO 3
DO EROTISMO E THANATISMO INSTITUCIONAL 83
3.1 O coletivo de forças na esquizoanálise 85
3.1.1 Da transferência à transversalidade 85
3.1.2 O processo de produção das máquinas desejantes 90
3.1.2.1 A tipologia das máquinas e a microfísica das sínteses 94
3.2 Linhas de frente, linhas de fundos e linhas de racha 102
CAPÍTULO 4
MITO, RESSENTIMENTO, ROUBO E DISSOLVÊNCIA: A INSTITUIÇÃO COMO PASSAGEM 111
4.1 Mito de origem e mito de fim: destinos para o excesso institucional 111
4.2 O método selvagem
de esconjuração do centripetismo 117
4.3 O roubo como denúncia da propriedade 128
4.4 Da esconjuração do centripetismo aos dispositivos de autoanálise autogestivos
e cogestivos 132
4.5 A autodissolução das vanguardas 137
CONCLUSÃO
PISTAS PARA UMA FORMAÇÃO TRANSINSTITUCIONAL 143
POSFÁCIO 151
REFERÊNCIAS 165
ANEXOs
Anexo A - Gênese conceitual e sócio histórica da Esquizoanálise I
(1900-1980) 177
ANEXO A - Gênese conceitual e sócio histórica da Esquizoanálise II
(1980-1992) 178
ANEXO B - Folder I Simpósio Internacional de Psicanálise, Grupos e
Instituições 179
ANEXO C - Folder do II Simpósio Internacional de Psicanálise, Grupos e Instituições 183
ANEXO D - Amostra de Cadernos e link para download 185
ANEXO E - Amostra de Jornal Sigmund e link para download 186
INDICE REMISSIVO 187
CAPÍTULO 1
O MÉTODO DA CARTOGRAFIA OU UM ENSAIO ESQUIZOANALÍTICO
Este livro é parte de uma pesquisa maior, composta de material teórico e historiográfico que remete aos autores franceses precursores da esquizoanálise. No entanto, para este livro, eu me deterei no método da cartografia, a produção nacional de uma metodologia de pesquisa-intervenção que é inseparável de uma clínica. Sendo ela um método de pesquisa-intervenção, o leitor entenderá que este capítulo nada tem de uma teoria separada da prática, mas se insere no tema específico da formação e no tema mais geral da esquizoanálise¹. Dessa forma, não nos detemos em descrições de estados de coisa, mas nas variações nuançadas da pesquisa, nas vacilações, nas dúvidas e
