Umbanda Para Todos
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Umbanda Para Todos - Robson Dos Santos Nogueira
INTRODUÇÃO
Muitas obras de excelente qualidade sobre a Umbanda já foram criadas e este trabalho não tem a intenção de desqualificar nenhuma delas, assim como, não tem a pretensão de mostrar-se superior ou portador da última palavra ou verdade única.
A ideia central é demonstrar pontos específicos e algumas diferenças que existem entre as várias doutrinas, levando em consideração aspectos culturais da sociedade na qual estamos inseridos.
Não há interesse em definir se esta ou aquela prática é mais ou menos correta, até porque é comum perceber-se que, apesar das divergências entre os praticantes, no que se referem às origens, há uma profunda semelhança nas práticas cotidianas.
Um dos objetivos desta obra é demonstrar aspectos e posturas da religião. Sei que por mais que tente distanciar-me do objeto analisado, não conseguirei evitar que transpareçam minhas preferências e hábitos que surgem da prática comum. Apesar de existirem variadas e até divergentes ideias sobre determinadas práticas umbandistas e, como não podendo ser diferente, defendo particularmente algumas delas e descarto outras, afirmo que minha proposta é apenas demonstrar o que existe sobre a religião, para que o leitor conhecendo-as, reconheça-se e assuma, dentre elas, aquela que melhor atenda aos seus anseios.
No desenrolar das ideias aqui dispostas, trataremos das origens da Umbanda, sua gênese, a socialização, as fugas, os reencontros e tantos outros momentos que compõem a história desta religião, como os movimentos migratórios de povos africanos que vieram a transformar fatos, cultos e ide ias nesta que, do meu ponto de vista, é uma das mais ricas e belas filosofias religiosas existentes.
UMBANDA: COMO A VEJO!
A Umbanda é uma religião onde há mais prática que teoria. O aprendizado é repassado, na maior parte das vezes, através do ensinamento prático, oral ou apenas participativo do iniciante. Ou seja, o Sacerdote, que normalmente é designado pelos nomes de Babalorixá, quando sacerdote masculino e Ialorixá, no caso feminino, além de outros como: Pai e Mãe de Santo, Zelador, Dirigente, Chefe de Terreiro, Cacique, e tantos outros.
Sua função é instruir, orientar, acompanhar e auxiliar o desenvolvimento da mediunidade do médium ou Filho de Santo, visando também à transmissão do conhecimento e a perpetuação da crença. Não obstante, o Filho de Santo também costuma angariar conhecimentos através dos irmãos mais antigos de Terreiro e, consequentemente, mais experientes. O filho da Umbanda aprende, na maior parte das vezes, vendo e fazendo.
Atualmente, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, pode-se perceber o aprendizado, ainda que de modo um tanto confuso, ser feito por outras formas, tais como, jornais, revistas, rádio, televisão, Internet, etc., onde o neófito, bem como praticantes mais experientes, adquirem e transmitem conhecimentos sobre a religião de forma bastante ampla e rápida. Porém, esta forma de transmissão de conhecimento não atende completamente às necessidades de um desenvolvimento eficaz, pois, carecendo do bom aprendizado, encontradas nas práticas in loco, única forma verdadeiramente capaz de mostrar se o aprendiz inferiu corretamente o ensinamento e se está pronto para aplicá-los.
É comum, nas Casas de Santo, ouvirmos do Chefe ou dos irmãos mais antigos, após um ensinamento ou mesmo de uma obrigação religiosa, a seguinte posição pessoal: Bom! Está aí a obrigação do jeito que aprendi. Se alguém fizer diferente, não quer dizer que está errado, mas foi assim que me passaram!
Esse tipo de afirmação demonstra o quanto a Umbanda ainda é praticada de maneira particular e é transmitida de acordo com a capacidade de compreensão, e intenção, daquele que se intitula como Chefe ou Dirigente daquele Centro. Podemos observar diferenças nas práticas umbandistas em várias oportunidades. Uma delas é em relação ao próprio nome dos templos: Terreiro, Centro Espírita, Cabana, Abaçá, Ilê, Tenda, Templo etc.
Há quem diga que bem no início da prática umbandista, a maioria, senão todos os templos, eram denominados de Terreiros, pois, eram construídos em terrenos adjacentes às casas ou tinham suas práticas nos quintais de chão de terra. Com o progresso das técnicas de construção e a urbanização dos espaços, as casas foram sendo substituídas por apartamentos. Desse modo, de maneira geral, apenas os templos que eram erigidos em casas com quintais naturais, permitindo aos médiuns pisarem diretamente o chão, ou seja, a terra, continuaram a ser chamados de Terreiros; e aqueles instalados em apartamentos ou em casas com mais de um andar, ou ainda com quintais de alguma forma urbanizados, de Tendas. No entanto, essa não é uma regra geral, há espaços denominados de Terreiros nos andares superiores e de Tendas nos quintais de terra.
Caminhemos por entre os diversos conceitos da nossa Umbanda e, no fim desta obra, espero que tenhamos uma ide ia mais aprofundada do que seja essa religião tão difundida em nosso país, dos seus fundamentos, da sua beleza, mesmo sendo ela tão influenciada por agentes externos.
A UMBANDA E SUAS ORIGENS
Muito se discute sobre a origem da Umbanda. Tais discussões são, certamente, as maiores responsáveis por tanta confusão sobre como deveriam ser as verdadeiras práticas Umbandistas. A grande verdade é que a Umbanda não foi criada sob os mesmos moldes das demais religiões, ainda que existam episódios, os quais para alguns são efetivamente entendidos como a verdadeira criação da Umbanda, quando para outros tais episódios não passam da tentativa de socialização de um culto já existente, mas, na época, ainda não identificado por nome algum. Isso é fácil ser verificado, pois, quando essa religião é identificada por Umbanda, não foram definidos, ou criados, fundamentos que já não existissem antes, mas apenas retiradas daquelas práticas já existentes, algumas específicas, notadamente, as mais combatidas por parte da sociedade da época. Na verdade, a Umbanda, ainda que não preexistente com tal nome identificatório, vem se amalgamando a partir de características de outras religiões durante muitos anos, formando-se de um fundamento aqui, uma ideia ali, uma influência acolá. A princípio, esse amalgamento não se deu por sugestão particular de ninguém e a admissão de que houve interferência divina para que ela fosse criada sem a influência direta do homem, também é uma de suas grandes concepções.
Se considerarmos a migração compulsória do negro africano para o Brasil, em virtude do processo escravagista, podemos traçar uma linha de raciocínio bastante interessante para o surgimento da Umbanda. É importante considerar que sua história, apesar de inclusa no movimento escravo, não a define absolutamente como religião africana ou mesmo um subproduto dos Cultos das Divindades Africanas, sendo os Orixás os mais conhecidos ou comuns, esses sim, de origens africanas.
Conforme nos ensina os compêndios de História do Brasil, os negros de etnias diversas eram capturados em suas terras africanas natais, misturados uns aos outros e transportados como animais em navios negreiros que os traziam para as terras brasileiras. Na África, essas diversas etnias cultuavam seus Deuses de maneira particular e distinta. Cada uma dessas divindades africanas, consideradas em cada uma dessas etnias, tinha características semelhantes, haja vista serem todas ligadas a forças da natureza, entretanto, de modo geral, são consideradas por seus cultuadores, divindades completamente distintas umas das outras. No Brasil, essas etnias deram origem ao que conhecemos como Nações do Candomblé, sendo as mais conhecidas: Keto, Angola e Jeje.
Pelo que conhecemos da história do povo africano, podemos imaginar o quanto o negro escravizado, humilhado e vilipendiado em seus maiores tesouros, como a liberdade, o direito de expressão e o acesso aos seus cultos religiosos, teve dificuldades para, sobrepujando suas próprias diferenças pessoais, combater a opressão branca contra sua identidade.
O branco opressor não só lhe impôs o cerceamento da liberdade, mas também a fé cristã, apesar de serem considerados como animais pelos senhores brancos, o que era corroborado pelos representantes da religião hegemônica da época. Eram catequizados na marra e obrigados a professar uma crença que não conheciam, não entendiam e não criam, além de mal entenderem o idioma em que lhes eram ensinados os fundamentos.
Por uma necessidade premente de sobrevivência cultural, os negros fizeram concessões e permitiram a aproximação ou associação dos ícones religiosos católicos, os santos, com suas próprias divindades, como única forma de não terem suas crenças aniquiladas pela presunção branca e continuarem seus credos mesmo distorcidos e mascarados. Inicia-se assim o processo de sincretismo religioso que dará azo à criação futura da Umbanda. À custa de muito esforço, para que não se perdesse a relação original dos cultos, os negros deram ao mundo um dos maiores exemplos de resiliência religiosa e uma das maiores demonstrações de encontro etnográfico do Brasil, quiçá do mundo.
Apesar de nas várias nações as divindades terem denominações distintas: Orixá no Keto, Inkice na Angola e Vodun no Jeje, aqui vamos nos referir, de maneira genérica, mas não depreciativa, sempre a Orixás. Esta opção justifica-se tão somente pela necessidade de unificarmos as nomenclaturas a fim de facilitar o entendimento do leitor.
O amalgamento das divindades, que ensejou o sincretismo religioso Brasileiro, foi a única forma encontrada pelos negros para continuarem realizando cultos a seus Orixás sem a interferência dos brancos. Esse ardil consistia em colocar sob as imagens dos santos católicos os objetos de culto de seus Orixás, os Otás (pedras representativas), e associar as características de cada Orixá às de um santo católico específico.
Utilizando-se da astúcia que lhes era peculiar, não foi difícil encontrar santos católicos que tivessem características semelhantes as d os Orixás. Assim, Ogum, o Orixá da guerra, foi facilmente associado a São Jorge, santo católico guerreiro; Oxalá, Orixá branco da criação, a Jesus Cristo; Iansã, Orixá guerreira, à Santa Bárbara, mulher de perfil lutador, que nunca desistia de seus ideais, e por ai vai.
EXU: O DESCONHECIDO !
Não obstante à astúcia e criatividade dos negros, uma figura importante do panteão africano ficara, inicialmente, fora do sincretismo: Esta figura era o desconcertante Orixá Exu!
Exu, Orixá intermediário entre os demais Orixás e os homens, é o de características mais próximas às humanas dentre todos os Orixás e por isso parece muito mais ligado aos homens. É, às vezes, violento, brigão, pode ser indecente ou até considerado representante do mal, coisa desconhecida dos negros, haja vista que na África, a dicotomia bem/mal não fazia parte específica das percepções religiosas. Lá, o Africano preocupado apenas em louvar seu Deus pessoal, cultuava ao Orixá visando basicamente a liberação do Axé, fonte inesgotável de energia da Divindade. Louvava-se e cultuava-se o Orixá, o ancestral divinizado, o ser imaterial da natureza, o Deus pessoal de cada um, de maneira que ele libertasse essa sua força protetora e capacitadora sem que isso importasse a fazer mal ou bem a quem quer que seja.
Antes de abordarmos o sincretismo de Exu, faz-se mister se compreenda que do ponto de vista africano, Exu é uma divindade, é um Orixá, é um poder ou força da natureza! Não tem, como na Umbanda, a conotação espiritual que lhe foi dada por meio do sincretismo.
Nas tentativas de catequização do negro, ainda em solo africano, os padres brancos tiveram contato com Exu, assustando-se com o que viram. Caracterizações do Orixá Exu, podem ser encontradas através de um falo enorme, completamente desproporcional ao resto do corpo. Isso porque Exu representa a criação, no sentido da fecundação proveniente do ato sexual. No
