Psicanálise infantil e racismo: saúde mental nas relações étnico-raciais
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Psicanálise infantil e racismo - Regina Suama Ngola Marques
Sumário
CAPA
CAPÍTULO 1
A CONCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL: FORMAS DE TRATAMENTO EM RELAÇÃO ÀS CRIANÇAS; DIVERSIDADE, CULTURA, RAÇA E ETNIA.
1.1 Dialética no cotidiano de crianças negras: entre o ser
e o não-ser
de uma existência-resistência
1.2 A criança negra, sua professora e as tardes de orientação psicológica com equipe profissional
1.3 Caso 1: A professora vê Ramon?
1.4 Caso 2: Olho preto-jabuticaba, olho verde-limão: estão vendoa professora!
1.5 Caso 3: Que imagem há no interior do espelho... Espelho, espelho meu: existe alguém mais bela do que eu?
CAPÍTULO 2
A CRIANÇA E O MEIO: CONTORNOS PSÍQUICOS E CONTRIBUIÇÕES IDENTITÁRIAS
2.1 Conversa de mãe e pai
CAPÍTULO 3
PSICANÁLISE COM CRIANÇAS E EDUCAÇÃO INFANTIL: O COTIDIANO DA CRIANÇA NEGRA
3.1. André: um garotinho negro com problemas de aprendizagem
3.2. A constituição psíquica e a construção de identidade nas vinculações culturais apresentadas em André
3.3 Desfecho do caso: André ressurgirá?
3.4. Ilana: uma linda menina negra de cabelos cor de mel
3.5. Psicanálise e psicologia social: considerações sobre a constituição psíquica infantil de Ilana, uma criança negra-mestiça
CAPÍTULO 4
VOZES DE CRIANÇAS
4.1. Vozes negras
Dorinha
Bob Filho
Otelo
4.2. Vozes brancas
Pepita
4.3. Vozes brancas, se não fosse a, quase esquecida, tonalidade negra
Bambã
CAPÍTULO 5
AS MÃES, A FAMÍLIA E O MEIO: DESOLAÇÕESE UTOPIAS, ESPERANÇAS E ENCONTROS
(O Mercador de Veneza – Willian Shakespeare, 1558)
5.1. Quando o sentido é a ação
5.2. Quando a busca de sentidos faz milagres
5.3. Quando o sentido é certo, mas a fala trai a razão
CAPÍTULO 6
ANCESTRALIDADE: UM APRISIONAMENTO NECESSÁRIO OU UM COLO QUE SUSTENTA O BEBÊ
6.1. Uma família negra: fragmento de uma autobiografia
Anos solitários, vidas veladas, amores sombrios.
CAPÍTULO 7
CRIANÇAS NEGRAS, FAMÍLIA E RACISMO: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL
CAPÍTULO 8
CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUMAS TERMINOLOGIAS UTILIZADAS NESTA OBRA
8.1. Glossário de termos psicanalíticos
8.2. Glossário de termos da psicologia social materialista histórica
CONSIDERAÇÕES GERAIS
REFERÊNCIAS
SOBRE A AUTORA
CONTRACAPA
capa.jpgPsicanálise Infantil e Racismo
saúde mental nas relações étnico-raciais
Editora Appris Ltda.
1.ª Edição - Copyright© 2023 dos autores
Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.
Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98. Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores. Foi realizado o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nos 10.994, de 14/12/2004, e 12.192, de 14/01/2010.
Catalogação na Fonte
Elaborado por: Josefina A. S. Guedes
Bibliotecária CRB 9/870
Livro de acordo com a normalização técnica da ABNT
Editora e Livraria Appris Ltda.
Av. Manoel Ribas, 2265 – Mercês
Curitiba/PR – CEP: 80810-002
Tel. (41) 3156 - 4731
www.editoraappris.com.br
Printed in Brazil
Impresso no Brasil
Regina Suama Ngola Marques
Psicanálise Infantil e Racismo
saúde mental nas relações étnico-raciais
Créditos das fotografias da capa:
As mulheres da esquerda para a direita, Annibalina Cândido Ramos, Francisca de Souza, Maria de Lourdes Ramos de Souza, avós e mãe da criança Claudia Marques de Souza, dezembro, 1968. Acervo pessoal de Maria de Lourdes Ramos de Souza.
Antonio Marques de Souza, pai da criança Claudia Marques de Souza, 1969. Acervo pessoal de Maria de Lourdes Ramos de Souza.
Dedico este livro ao meu pai,
Antonio Marques de Souza, que correndo na praia empurrando minha bicicleta me dizia "fixe seus olhos no horizonte! Não se preocupe com o que está atrás. Fixe no horizonte e olhe sempre pra frente no infinito. Assim você não perde o equilíbrio, e não tenha medo de andar em frente...» Assim meu pai me ensinou: — Enfrente!
Do equilíbrio na bicicleta, ele me mostrou como eu deveria posicionar meu corpo na vastidão do universo. Ele, atrás, me empurrando pela garupa junto com a guarda de todos os meus ancestrais. Somente o mar à minha frente, e eu com equilíbrio pleno de horizontes!
E a minha mãe Maria de Lourdes Ramos de Souza (Lurdinha), que aos 80 anos me disse em meio a lágrimas e sorrisos de saudade: Ai, ai... Eu era tão feliz, no meio daquele sofrimento... Já pensou? Era tanto sofrimento e eu ali, feliz... No qüintal
— era assim que a italianada dizia qüintal
; tinha a Dona Carmela, que era italiana da Calábria, Dona Florinda, que era portuguesa, e minha mãe Annibalina, brasileira. No sábado todos se reuniam para lavar o qüintal. Só tinha um banheiro que todos usavam. Na semana apenas Dona Carmela lavava, porque dona Florinda era velha e minha mãe trabalhava...
Meus pais me ensinaram em ações e gestos que sempre haverá a proteção de nossos ancestrais que nos proporcionam o pleno equilíbrio. Atrás de toda criança negra existem os ancestrais. Devemos nos lembrar deles para ter horizontes e a vida cheia de equilíbrio (os griôts negros do mundo, além dos nossos mais próximos). Assim como a altivez e autonomia, é importante o valor da amizade e da diversidade... Nossa vida é um quintal cheio de cores e falares de todas as línguas e povos. Há que se viver para a vida, na solidariedade e no respeito ao próximo, símbolo de amor, cuidado e igualdade.
AGRADECIMENTOS
A Olorum, pela Paz!
À pequenina Vera Marques de Souza. Luz de Ibeji. Gêmea de Antonio Marques de Souza. Dois irmãos. Filhos de Benedito e Francisca. Crianças negras que jamais poderão ser esquecidas em suas necessidades de carinho, olhar e afetos.
Obrigada, titia Vera, por fazer parte de nossa família. Por dividir o ventre de nossa avó com sua presença na unidade com meu pai. Sua vida foi um breve sopro de luz. Sua precoce morte será sempre lembrada como símbolo das crianças pequenas que precisam de cuidados em seus sofrimentos terrenos.
A Reinaldo José, pela companhia agradável e fortalecedora no longo caminho percorrido. Amor e carinho.
A Aimé José, amado filho. Amo-te como tu és. Eternamente. E sem medida. Confie. Olhe para frente ciente do amparo eterno de seus ancestrais. Todos estaremos sempre aqui. Empurrando a garupa de sua bicicleta. Para que o seu equilíbrio permaneça e você sempre tenha e retransmita o olhar pleno de horizontes.
Ao meu professor, Antonio da Costa Ciampa. Generosa estrela. Grande luz em minha vida... Sua memória reverbera em muitos…
Ao CNPQ, pelo financiamento da pesquisa que originou este livro, e aos prêmios que por ele me foram concedidos.
Obrigada.
PREFáCIO
Regina: a metamorfose individual se articula na metamorfose geracional.
Espero seu doutorado logo.
Antonio da Costa Ciampa, 23/06/04.
Trata-se de um trabalho engajado e testemunhal que cruza várias referências para se pensar na psicologia, na saúde mental e na educação em contexto étnico-racial, introduzindo esta originalidade que é combinar a teoria social da identidade com a psicanálise de Winnicott. Um estudo exploratório que se justifica tanto pela exiguidade de investigações de natureza psicológica acerca da negritude, a partir da psicanálise, quanto pelo caráter propositivo dessa aproximação.
O tema da diáspora é tratado a partir do "espaço híbrido da esperança" a partir do conceito winnicottiano de esperança, formulado no contexto de suas investigações sobre a tendência antissocial e da delinquência como um signo (1957). A esperança (hope) implica um impulso de busca do objeto
; "O que a criança procura é a capacidade de encontrar, não um objeto em si. A restauração desta capacidade de procura depende de um momento intermediário, em que a confiança se mistura com o
reconhecimento da própria crueldade".
A ideia de espaço híbrido
aparece extensamente no texto sob a égide da criança negra rediscutindo a mestiçagem que serviu de ponto de entrada para o percurso sobre a tradição sociológica brasileira, de Nina Rodrigues a Gilberto Freire, bem como autores contemporâneos como Kabengele Munanga e Stuart Hall.
O texto registra ainda a ênfase dada à emancipação no quadro da teoria da identidade como metamorfose, desenvolvida pelo nosso querido Antonio Ciampa. É nessa chave que se torna compreensível o tratamento privilegiado de certos gestos significativos, nas experiências e histórias de vida que a autora recolhe. A avó que procura uma nova escola para a neta, o peso de uma afirmação como: "você pode entrar, mas você é negra, nunca esqueça disso, entendeu? Então nunca abaixe a cabeça, porque você é negra, nunca abaixe a cabeça". Podemos reconhecer, assim, o peso do esforço coletivo e individual, nas diferentes histórias de criação e mesmo no fragmento autobiográfico. Há uma mensagem muito forte de que é preciso esforço sobre-humano, mesmo com o preconceito e em condições adversas, para produzir avanços na direção da igualdade e da liberdade. Esse é o protagonismo das crianças negras e suas famílias apresentadas no livro.
Milton Santos aparece na conversa ressaltando que um novo ethos, novas ideologias, novas crenças políticas amparadas na ressurreição da ideia e da prática da solidariedade estão por surgir. Fraternidade e solidariedade possuem uma participação decisiva dos tios e avós em um estilo de criação coletivo e, eventualmente, mais comunitário e centrado na ancestralidade e na própria exigência de contribuir com propostas de ação transformadoras para o racismo precocemente vivido por crianças tão pequenas, de zero a seis anos, são os casos apresentados no trabalho.
Daí a importância deste livro ao recolocar a questão sobre as condições psíquicas e subjetivas da emancipação e da criatividade, presumindo que esta última age como uma espécie de motor do processo de emancipação.
Se o veio da fraternidade é pertinente, não menos importante é o papel da provisão ambiental
e em última instância da família, no tratamento do exílio identitário a que o negro, e a criança negra em particular, está muitas vezes submetido. Nos vários casos tratados aqui se enfatiza as condições familiares, adequadas ou não, organizadas ou não.
Outro ponto saliente no livro que o leitor tem em mãos são as intervenções da própria escola e sua imperícia calculada
para lidar com as dificuldades de uma criança e às vezes com sua singularidade.
Sabemos que Winnicott tem um projeto clínico baseado na reconstituição desta experiência infantil quando sua ausência ou precariedade se manifesta em seus efeitos. Mas como pensar as consequências disso para uma intervenção mais genérica no plano da cultura ou das instituições frente ao racismo? Em vários momentos do livro destaca-se, para o enfrentamento desta questão, o papel da terceira área da experiência, notadamente a arte e a religião associadas com a estética negra
.
O leitor sai deste texto acolhido, indignado com a terrível presença da desigualdade, do racismo persistente em nossa sociedade, mas não sem a esperança de que alguma metamorfose é possível.
Tenho certeza que Antônio Marques e Maria de Lourdes, vovó Balina, vovô Francis, Benedito e Francisca, Odila e Floro, Custódio e Joana e tantos outros, estão ainda mais orgulhosos de Regina hoje, e com todas as razões para isso; considerando o percurso da diáspora negra que avança em passos firmes no combate ao racismo e desigualdade; além dos princípios vivos que a civilização negra africana ensina aos povos e seres humanos destes tempos.
Leitura importante e necessária neste século de racismos exacerbados!
Prof. Dr. Christian Ingo Lenz Dunker
Professor Titular no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
Psicanalista.
APRESENTAÇÃO
Este livro é obra premiada no Concurso da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) no ano de 2013 a partir do Edital de Obras Importantes de Pesquisadores Negros, o qual foi objeto de discussão judicial por parte de setores reacionários do contexto brasileiro sobre o caráter democrático e não segregacionista do edital. A Procuradoria Geral da União promoveu a defesa do certame tendo ganhado a causa após um ano, por volta de outubro de 2014.
O conteúdo do livro é fruto de pesquisa financiada pelo CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa Científica), realizada no período de 2001 a 2003 no estado de São Paulo, por meio do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, programa de pesquisa de referência nacional e internacional em psicologia social. O trabalho recebeu menção honrosa e recomendação para publicação por parte da banca examinadora composta pelos psicólogos e professores Antônio da Costa Ciampa (doutor), precursor dos estudos sobre identidade e psicologia no Brasil, homenageado pelo pioneirismo dos trabalhos importantes para o desenvolvimento da psicologia brasileira (Revista Psicologia, Ciência e Profissão, 2014, v. 34, n. 2, p. 528), José Leon Crochick (livre docente em Psicologia/USP) e o psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker (livre docente e professor titular em Psicologia Clínica/USP).
Apesar disso, as editoras brasileiras sempre recusaram a validade da publicação da obra no contexto comercial alegando não ser tema de interesse do público para o psicólogo e leitor brasileiro. Apenas dez anos após sua conclusão o trabalho foi formalmente reconhecido pelo Ministério da Cultura e Fundação Biblioteca Nacional como de valor cultural, tecnológico e científico inegável para o desenvolvimento da sociedade brasileira (Resultado Final em Ata de aprovação dos autores premiados, FBN, 13/09/2013).
Ao longo de dez anos a obra foi difundida no ambiente acadêmico como material de apoio paradidático na formação de profissionais da educação, serviço social e psicologia que trabalham com crianças. Tendo recebido excelente recepção nos estados do Paraná, Rio de Janeiro e Bahia.
No Paraná a inserção se deu por cursos de pós-graduação lato sensu no campo da Educação em universidades localizadas no oeste do estado, nos anos de 2003 a 2006.
No Rio de Janeiro sua inserção foi realizada durante os cursos de especialização do Erer — Educação para as Relações Étnico-Raciais —, coordenado pelas professoras Iolanda Oliveira e Marcia Pessanha na Universidade Federal Fluminense, nos anos de 2015 e 2016.
Além disso, o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro também promoveu debates sobre o conteúdo do livro em conferências de encontros temáticos com a autora no ano de 2015, com repercussão positiva.
Na Bahia, nas aulas de psicologia e psicanálise, no estágio supervisionado em clínica psicanalítica e relações étnico-raciais na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, a pesquisa foi difundida entre estudantes e professores. Além disso, contribuiu para organizar toda plataforma de trabalho técnico do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicanálise, Identidade, Negritude e Sociedade da UFRB, certificado pelo CNPQ.
No campo da saúde mental e populações vulneráveis das periferias e quilombos rurais e urbanos, a pesquisa que ora se apresenta fomentou e garantiu estruturalmente a aprovação da Proposta do Curso de Formação e Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola pelo Ministério da Educação (UFRB/MEC/SECADI – 2014/2015).
O conteúdo do livro foi largamente difundido por meio de reuniões técnicas, palestras e conferências entre os professores cursistas pertencentes às comunidades quilombolas do estado e regiões do Recôncavo (Cruz das Almas, Santo Antonio de Jesus e Cachoeira) e do Portal do Sertão (Feira de Santana). Serviu de material didático reflexivo para a formação dos professores pesquisadores durante os seminários de capacitação, bem como no âmbito da formação de professores cursistas da rede pública de educação no estado da Bahia.
Enfim, a leitura acessível da pesquisa em livro é deveras uma necessidade emergente.
Os avanços das ciências sociais na década de 50 com o projeto Unesco até nossos dias ultrapassaram em muito a marca quase inexistente das pesquisas científicas em psicologia e saúde mental sobre as relações étnico-raciais e populações negras.
O que acontece no âmbito da dimensão da psicologia e da saúde mental ainda em nossos dias? Por que o patrimônio de outros campos dialógicos com as ciências da saúde mental e psicologia nesses 70 anos de produção qualitativa no cenário brasileiro, o qual é referência inclusive internacional, não é veiculado nos cursos de formação de psicólogo e nos cursos de formação em saúde?
Por que as lacunas de diálogo da psicologia e saúde mental com o campo das relações étnico raciais e saúde mental demonstra-se distante e com raro interesse da ciência psicológica pela questão?
Kabengele Munanga, ao fazer o levantamento bibliográfico que deu nome à obra 100 Anos de Bibliografia sobre o Negro no Brasil, encontrou no conjunto da produção psicológica brasileira não mais do que 50 trabalhos de pesquisa sobre o negro nos últimos 100 anos.
Além disso,
[...] se olharmos a produção da psicologia norte americana sobre os negros, vemos que não há como estabelecer quantitativamente parâmetros de comparação entre os dois países. Por que a psicologia norte americana se preocupa tanto com seus afro-descendentes e a brasileira não se preocupa? (MUNANGA, 2000, p. 10).
Vinte anos atrás, período que ultrapassa a infância e adolescência, e essa preocupação de Munanga ainda é atualíssima. Infelizmente. E isso indica que a psicologia brasileira deve comprometer-se com a modificação desse cenário, pois há produções expressivas em outros campos disciplinares, os quais requerem um diálogo interdisciplinar com a psicologia. E a psicologia tem favorecido em seu currículo formativo da graduação o silêncio e o desprezo ao campo.
Este livro é uma produção científica de alta qualidade. Chancelada por referências de pesquisa importantes no cenário nacional e internacional. Por conta disso, toda ciência é um alerta de engajamento político e social para o desenvolvimento da condição de cidadania plena para todos os brasileiros — negros, quilombolas, indígenas e brancos. Além de ser um alerta, é um convite ao engajamento a partir da importante compreensão epistemológica — o conhecimento — sobre a formação psíquica, saúde mental e construção de identidade da criança a partir de uma abordagem étnico-racial. Como uma ode à esperança daqueles que trabalham em prol da justiça e da igualdade social no Brasil e no mundo, com crianças, seus pares e suas famílias.
Este livro é um convite
