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Para sempre irmãos
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E-book195 páginas2 horas

Para sempre irmãos

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Sobre este e-book

Dawid é um jovem judeu nascido em solo polonês, que viveu grande parte de sua vida rodeado por guerras e perigos constantes. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele, ainda criança, é separado não apenas de seus pais, como também de seus próprios irmãos, e se vê em um conflito entre aquilo que deve fazer para sobreviver durante o caos da guerra e o senso de lutar por justiça, o que irá acompanhá-lo durante toda a sua trajetória. Ao chegar ao mundo pós-Segunda Guerra Mundial, agora em terra norte-americana, encara quase que os mesmos desafios que havia enfrentado na Europa: preconceito, perigo, ódio e senso de justiça, em uma época de tensão aos direitos civis dos cidadãos negros. Descubra, nesta jornada, a história deste jovem judeu que desafiou a tudo e a todos com o fim de trazer justiça ao seu tempo.
IdiomaPortuguês
EditoraViseu
Data de lançamento29 de out. de 2024
ISBN9786525491301
Para sempre irmãos

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    Para sempre irmãos - Diego C. Pizon

    Alemanha nazista invade a Polônia

    Outono de 1939. As tropas nazistas invadem a Polônia deflagrando, assim, a Segunda Guerra Mundial. Em resposta à agressão, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra a ela. A superioridade militar dos nazistas em relação à Polônia era esmagadora. O ataque demonstrou a capacidade alemã de combinar poder aéreo e uso de tanques em um novo tipo de guerra móvel.

    Em 17 de setembro de 1939, a União Soviética invadiu o leste da Polônia, definindo o destino daquele país. A última unidade operacional polonesa se rendeu no dia 6 de outubro daquele mesmo ano.

    ***

    Na casa dos Nowask,um dia antes da invasão alemã, Antoni Nowaks e Yelena Nowaks estavam jantando e, com eles, as suas três crianças: Iuri, o mais velho; Polina, a filha menina do casal; e o caçula, Dawid. Uma família judaica. Yelena, de origem russa, era bailarina de destaque em Moscou. Seu empenho desde cedo, na escola de balé, lhe rendeu prêmios de forma precoce, até que, aos dezessete anos, ela teve que viajar até a Polônia para uma apresentação, onde conheceu seu futuro marido, que estava atuando no jornal local da cidade de Varsóvia. Antoni não era judeu, professava a fé católica, pois sua família era praticante desta corrente religiosa, mas tudo mudou quando conheceu Yelena. Jovem, de olhos azuis bem claros, com pequenas sardas em volta das bochechas, cabelos escuros e altura por volta de 1,67 m. Ele, já um rapaz de vinte e um anos, de pele clara, olhos cinzentos e sempre com o seu caderno de anotações em mãos. Nesse momento, Antoni, a pedido de seu chefe, teve de cobrir a vinda de uma jovem russa promissora que se apresentaria no Teatro de Varsóvia. Ao vê-la pela primeira vez, ficou encantado com sua beleza, e resolveu assistir à sua apresentação, tanto como jornalista quanto como um homem apaixonado por aquela bela donzela.

    Aproximando-se e sentando-se nas últimas fileiras, Antoni estava atento à apresentação quando o anunciante do teatro chamou o nome de Yelena.

    — Senhoras e senhores, neste momento convido todos a ficarem de pé e a receberem a ilustre bailarina russa Yelena Vasiliev!

    Naquele momento, todos aplaudem a jovem Yelena, e ela abre um belo sorriso tímido. Em forma de agradecimento, começa a apresentar seu número artístico de balé. Enquanto isso, Antoni estava abismado com tamanha beleza e talento da jovem bailarina. Ao final do evento, se dirige a Yelena para entrevistá-la quando, de repente, seus olhos se encontram com os dela, e ele diz, meio que gaguejando:

    — Bo-bo-boa noiteee, senhorita Vasiliev! Eu me chamo Antoni Nowask. Venho em nome do jornal Notícia de hoje. Vim exclusivamente para entrevistá-la sobre sua atuação. Fiquei sabendo que a senhorita fala muito bem o idioma polonês.

    — Ah, sim — ela diz, dando um sorriso simpático. — Eu fico muito grata por estar em Varsóvia. Meus pais me traziam muito aqui quando eu era criança para eu fazer breves apresentações. Mas o senhor quer que eu diga algo sobre hoje. Sim, eu amei muito me apresentar aqui.

    — Ah, que bom, senhorita. Mas você pretende voltar?

    — Bem… Eu não sei, mas acho que…

    — Yelena! Yelena! Filha!

    — Mãe, eu estou aqui!

    — Filha, estávamos procurando por você. Eu e seu pai vimos você ao longe, então resolvemos vir aqui. Já esqueceu que devemos partir hoje mesmo para Paris? Você tem uma apresentação na capital mais charmosa da Europa. Oh! — sua mãe disse essas palavras com um humor surpreendente.

    — E você, meu rapaz? Quem é? — perguntou o pai de Yelena.

    — Ah, sim. Prazer, meu senhor. Sou Antoni Nowask do jornal Notícia de hoje.

    — Ah, sim. Acho que já ouvi falar. Veja, eu sou Yan Vasiliev, e esta é a minha esposa, Eleonor. Acredito que você, meu jovem, já tenha conhecido a nossa joia e filha preferida.

    — Pai, eu sou a sua única filha, ha-ha — ela riu.

    — Ah, é claro, minha filha. Eu estava brincando. Bom, mas acho que devemos ir. Foi um prazer conhecê-lo, meu jovem.

    Naquele momento, os olhos dos dois jovens se apaixonaram. Porém Eleonor, apesar de ser uma mulher elegante e bem-humorada, sabia muito bem o que estava acontecendo, mas decidiu ignorar por enquanto o assunto.

    Voltando novamente ao acontecimento da véspera da invasão alemã ao território polonês, os Nowaks estavam naquela noite fria de inverno, em que nevava bastante. Antoni estava pondo seus três filhos para dormir, mas, ao chegar ao quarto de Dawid, o caçula, colocou um colar em forma de coração, que podia facilmente se encaixar em outra parte do colar, com os seguintes dizeres: Para Sempre Irmãos.

    — Dawid, meu filho… Não se preocupe. Tudo vai ficar bem. Durma em paz, meu filho — ele disse, dando um beijo de boa-noite em seu filho.

    Na sala, às 23h45min, estava Yelena tomando um chocolate quente quando a rádio local da cidade falava de uma certa explosão que havia acontecido na fronteira entre a Alemanha e a Polônia, tendo, como consequência, o ferimento de alguns soldados.

    — Atenção, atenção! Hoje, às 22h20min, soldados alemães foram atingidos por bombas supostamente de soldados poloneses. Sabe-se que o governo alemão vai requerer retaliação, conforme disse o ministro da propaganda alemã Joseph Goebbels.

    — Meu Deus! O que acontecerá agora? — disse ela, pondo as mãos em sua boca.

    Enquanto isso, as autoridades polonesas mal acreditavam no que estava acontecendo, pois um conflito com a Alemanha, naquele momento, seria difícil, visto que ela já havia anexado a Áustria e ocupado a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Todos os homens que serviam ativamente ao exército polonês foram convocados caso houvesse uma guerra declarada.

    O general Haskers estava preparando o exército para o embate quando, no céu, aviões da Luftwaffe jogaram bombas nas suas tropas que eram compostas basicamente por homens a cavalo, na madrugada do dia 1º de setembro. E, ainda por cima, tanques alemães passavam por cima dos frágeis ataques dos poloneses.

    Enquanto isso, na casa dos Nowaks, os bombardeios próximos dali despertaram rapidamente as três crianças.

    — Mas o que é isso? — disse Polina, acordando sonolenta.

    E, no quarto dos meninos…

    — Dawid, Dawid! Acorda! Estamos sendo atacados — disse Iuri.

    — Ahhhh! O que foi, irmão? Por que você me acordou?

    — Não percebe que estamos sob ataque?! Veja lá fora, pela janela! Está subindo fumaça naquelas casas.

    — É verdade mesmo.

    De repente, Yelena e Antoni chegam no quarto dos meninos e, rapidamente, com um rosto assustado, dizem:

    — Meninos, rápido! Vamos! Venham! — disse Yelena.

    — Peguem suas coisas e vamos sair daqui. Os alemães invadiram Varsóvia, e não estão tão longe de nossa casa — falou Antoni, atordoado.

    — Papai, o que está havendo?! — disse Polina ao chegar próxima a seus irmãos, já um pouco sonolenta e bocejando.

    — Filha, não há tempo para explicar. Ande, arrume-se. Nós temos que ir.

    — Mas para onde vamos?

    — Para a casa do seu tio Oton. Ele mora em um bairro distante daqui, e com certeza está bem mais seguro que nós.

    — Boa ideia, querido. Nós podemos ficar lá por enquanto, até que tudo passe.

    Enquanto isso, à 1h13min, soldados poloneses, em seus cavalos e com suas armas um pouco rudimentares comparadas às dos alemães, recebem baixas no campo de batalha. Essa breve guerra duraria seis dias, pois os ataques dos nazistas eram chamados de blitz, ou simplesmente guerra relâmpago. Esses ataques, sejam por ar ou por terra, eram feitos de forma simultânea, fazendo com que o adversário não tivesse a menor chance de defesa. Por isso, pegos de surpresa, os poloneses quase não tiveram reação alguma. Muitos deles fugiram para a Inglaterra, e uma dessas famílias, que pretendia executar tal plano, eram os Nowaks que inicialmente estavam hospedados na casa da irmão de Antoni, Oton Nowask.

    Ele e sua família chegam à casa de Oton que, assim como Antoni, está alarmado com o que está acontecendo na capital polonesa. A campainha toca, e quem atende é Karol, esposa de Oton. Antoni já havia ligado para seu irmão acerca da ida e da hospedagem. Por isso, não foi nenhuma surpresa para ela ver os semblantes das crianças e do casal. Ficou feliz ao saber que eles estariam seguros naquela casa, visto que Oton e Karol eram militares e haviam construído um bunker, estrutura subterrânea fortificada para resistir a ataques pesados.

    — Entrem! Rápido! Depressa! Aqui vocês estarão seguros. Oton saiu. Ele teve que ir até o quartel. Parece que os alemães estão tomando.

    — Meu Deus, como isso foi acontecer?! — disse Antoni, levando as mãos ao rosto.

    — Vamos! Todos vocês! Temos que ir lá para baixo no bunker que construímos já faz algum tempo.

    Enquanto se dirigiam ao local, Varsóvia era bombardeada de forma constante Muitas casas estavam pegando fogo enquanto a fumaça subia rapidamente. A cidade estava um caos, e muitos judeus estava sendo presos ou, então, estavam fugindo da cidade. Oton, enquanto isso, chegava à sua casa e ia diretamente para o bunker, com sua roupa de militar e quepe em mãos. Ele chega até o local para dar uma notícia que mudaria toda a trajetória de Antoni e sua família.

    — Meu amor! — disse Oton, abraçando sua esposa.

    — Querido, graças a Deus você chegou! Como foi no quartel?

    — Bom, eu…

    — Oton.

    — Antoni, meu irmão! — Os dois se abraçam.

    — Meu irmão, eu preciso falar com você e com todos os que estão aqui — Oton disse isso de forma bem serena. — Eu estive conversando com os meus superiores. Muitos poloneses resolveram fugir para a Grã-Bretanha. Porém não temos muito tempo. Querida, eu vou ter que ficar por aqui pelo menos por enquanto, para resistir aos nazistas. Assim que eu puder, estarei lá com vocês.

    — Querido, não! Por favor!

    — Não se preocupe, Karol. Eu vou cuidar do meu irmão. Estarei junto com Oton. Mesmo sendo jornalista, pegarei em armas, se possível. Enquanto isso, você, querida, vá para a Grã-Bretanha com as crianças.

    Ali, naquele quarto do bunker, houve choro e abraços. Porém, mais tarde, somente Karol, Yuri e Polina conseguiriam fugir para o país anglo-saxão.

    Os bombardeios se seguiam, e pessoas estavam sendo presas. Karol estava pronta para embarcar com as crianças no avião quando Yelena, olhando para trás, para toda a destruição da cidade de Varsóvia, viu uma criança chorando no chão e resolveu levá-la para um hospital próximo, que não havia sido bombardeado. Seus filhos relutaram que não fosse juntamente de Karol, que implorava para que esta embarcasse no avião. Porém ela não se conteve e resolveu levar aquela criança ao hospital que estava bem em frente ao avião. Então, disse à Karol e às crianças:

    — Cuide de meus filhos, Karol! Crianças, eu amo vocês! — ela falou chorando e indo embora com a criança no colo.

    — Mãe! Mãe! Mãeeeee — as crianças falavam, chorando, ao mesmo

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