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Educação e formação humana: Experiências de ensino, pesquisa e extensão
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E-book302 páginas3 horas

Educação e formação humana: Experiências de ensino, pesquisa e extensão

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Sobre este e-book

O livro, através da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão na prática acadêmica do Unitop, destaca a importância da formação de educadores com competências diversas e abrangentes e a articulação universidade-comunidade para a transformação humana e o impacto na vida social.
IdiomaPortuguês
EditoraPaco e Littera
Data de lançamento16 de jan. de 2026
ISBN9788546230709
Educação e formação humana: Experiências de ensino, pesquisa e extensão

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    Educação e formação humana - Karina Donizete Martins

    CAPÍTULO 1. ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: INDISSOCIABILIDADE, EXPERIÊNCIA INSTITUCIONAL E FORMAÇÃO HUMANA

    Ana Lúcia Brito dos Santos

    Karina Donizete Martins

    Robson Vila Nova Lopes

    Introdução

    No ensino superior, o conceito de ensino refere-se à transmissão sistemática de conhecimentos e habilidades através de metodologias pedagógicas adequadas. O ensino não se limita apenas à sala de aula, mas envolve também atividades extracurriculares, programas de tutoria, laboratórios e outras formas de aprendizado que incentivam o desenvolvimento intelectual e pessoal dos estudantes. A qualidade do ensino é fundamental para a formação de profissionais competentes, cidadãos críticos e humanização dos sujeitos pertencentes a uma determinada sociedade.

    A diferença entre ensino e educação. É importante compreender a diferença entre ensino e educação nos diversos aspectos do processo educativo. Ensino é o processo formal de transmissão de conhecimento, habilidades e competências, geralmente realizado em ambientes estruturados no âmbito das instituições de ensino. O principal objetivo do ensino é proporcionar a aquisição de conhecimentos específicos em diferentes disciplinas e áreas do saber. Para isso, envolve métodos pedagógicos, currículos estruturados, aulas, avaliações e materiais didáticos. Nesse sentido, o ensino é um componente da educação, focado na instrução acadêmica e na formação intelectual dos indivíduos.

    Por outro lado, educação é um conceito mais amplo que envolve o processo de humanização e o desenvolvimento integral do ser humano, incluindo aspectos intelectuais, emocionais, sociais, morais e éticos. Vai além do ensino formal e inclui todas as formas de aprendizagem ao longo da vida. O objetivo da educação é formar para a cidadania, sujeitos críticos, conscientes e capazes de contribuir com o desenvolvimento da sociedade. Inclui tanto o ensino formal quanto experiências informais de aprendizado, como interações familiares, atividades culturais, participação comunitária e dentre outros tipos de aprendizado. Assim, a educação engloba o ensino e outras formas de desenvolvimento humano, abordando não apenas a instrução acadêmica, mas também a formação do caráter e a preparação para a vida em sociedade.

    A pesquisa, por sua vez, é uma atividade central nas universidades, destinada à produção de novos conhecimentos e à inovação. Envolve a realização de estudos, experimentos e análises que buscam responder a questões relevantes nas diversas áreas do saber. A pesquisa no ensino superior é essencial não apenas para o avanço científico e tecnológico, mas também para a resolução de problemas sociais, econômicos e ambientais. Os resultados das pesquisas devem contribuir para a inovação, desenvolvimento científico e consecutivamente para a sociedade.

    A extensão universitária completa o tripé do ensino superior, conectando a universidade com a comunidade externa. Por meio de programas e projetos de extensão, as instituições de ensino superior compartilham seus conhecimentos e recursos com a sociedade, promovendo ações que visam ao desenvolvimento social, cultural e econômico. A extensão pode incluir cursos de capacitação, serviços comunitários, consultorias e eventos culturais, entre outras atividades. Esse vínculo com a comunidade fortalece a relevância social da universidade e promove a inclusão, a cidadania e a formação humana.

    Ao recebermos o convite para participar do coletivo de autores que compõe o e-book Educação e Formação Humana: Experiências de Ensino, Pesquisa e Extensão, propomo-nos a contribuir com o texto Ensino, pesquisa e extensão na educação superior tratando sobre as questões que envolvem sua indissociabilidade, a experiência institucional do Centro Universitário ITOP (Unitop) e os aspectos relevantes que se desdobram na formação humana dos sujeitos que integram a comunidade acadêmica. Esta coletânea de textos do e-book reúne trabalhos que se materializam na indissociabilidade entre essas três dimensões no Unitop. Cada contribuição demonstra como o ensino, a pesquisa e a extensão são integrados para promover uma educação superior de qualidade e para contribuir com o desenvolvimento do estado do Tocantins. A participação nesta obra é um reconhecimento do esforço coletivo dos docentes e pesquisadores que se dedicam a transformar a educação e a sociedade através de suas práticas acadêmicas.

    Neste sentido, compreendemos a educação como uma das principais forças transformadoras de uma sociedade, pois desempenha um importante papel na humanização e formação cidadã de sujeitos. No contexto do ensino superior, esse papel se torna ainda mais significativo, pois as instituições de ensino não apenas transmitem conhecimento (ensino), como também promovem a pesquisa e a extensão, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do país. A integração dessas três dimensões – ensino, pesquisa e extensão – representa um desafio contínuo para as Instituições de Ensino Superior em todo o território nacional.

    A Constituição Federal (CF/1988), em seu art. 207, estabelece que "as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão" (Brasil, 1988, grifo nosso). Ainda assim, a materialização dessa indissociabilidade enfrenta ao longo da história significativos desafios.

    Quando se trata de ensino superior, a materialização da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão atua de modo a efetivar a sua articulação. Entretanto, a autonomia e a compreensão para realizar esta indissociabilidade, por um longo tempo, trouxeram desafios para a sua implementação.

    Em se tratando da implementação desse princípio constitucional, precisamos reforçar a necessidade de uma mudança de paradigma nas práticas pedagógicas e na gestão universitária. É necessário que as instituições de ensino superior adotem uma abordagem integrada, em que o ensino não seja visto de forma isolada, mas como parte de um processo contínuo de produção e disseminação do conhecimento científico e tecnológico. A pesquisa deve ser incentivada não apenas como uma atividade acadêmica, mas como um meio de solucionar problemas específicos da sociedade ao qual se insere. Da mesma forma, a extensão deve ser entendida como uma forma de levar os benefícios do conhecimento acadêmico para além dos muros da universidade, contribuindo para o desenvolvimento comunitário e social, promovendo a interação e articulação entre universidade e sociedade.

    No entanto, a realidade tem mostrado que muitas instituições ainda estão presas a modelos tradicionais de ensino, nos quais a pesquisa e a extensão são vistas como atividades secundárias ou complementares. Esse cenário é frequentemente reforçado por políticas públicas e administrativas que priorizam resultados imediatos e métricas quantitativas, em detrimento de uma formação integral e contextualizada no aspecto acadêmico. Além disso, a falta de recursos e/ou investimentos financeiros e a burocracia institucional também se configuram como desafios significativos para a efetivação da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

    A análise da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão nas instituições de ensino superior, neste caso, o Centro Universitário ITOP (Unitop), é fundamental para compreender os desafios e as possibilidades dessa articulação. A partir da análise do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2024-2028, do Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e do relatório de avaliação do seu recredenciamento de Faculdade para Centro Universitário, é possível identificar as práticas e políticas que têm sido adotadas para promover essa integração, bem como as áreas que ainda necessitam de melhorias. Assim, busca-se contribuir para a construção de uma educação superior mais coerente com os princípios institucionais e capaz de responder às demandas da sociedade contemporânea.

    1. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão

    A articulação do Ensino, Pesquisa e Extensão no Centro Universitário ITOP (Unitop), está previsto no PDI, no qual aponta a articulação e aprofundamento do processo formativo da graduação e pós-graduação, além da projeção da Instituição de Ensino Superior (IES) na produção e difusão de conhecimento científico e inovação.

    A esse respeito, Dias (2009, p. 39-40) corrobora:

    […] o princípio da indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão é fundamental no fazer acadêmico. A relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão, quando bem articulados, conduz a mudanças significativas nos processos de ensino e de aprendizagem, fundamentando didática e pedagogicamente a formação profissional, e estudantes e professores constituem-se, efetivamente, em sujeitos do ato de aprender, de ensinar e de formar profissionais e cidadãos.

    Moita e Andrade (2009, p. 270), nesta ótica, complementam que:

    […] pouco a pouco a legislação educacional registrou o esforço por transformar o modelo de transmissão de conhecimento em um modelo de produção e transmissão do saber científico, aliando pesquisa e ensino, como decorrência das pressões por democratização do acesso às universidades. Mais recentemente ainda, a extensão surge como terceiro elemento do fazer acadêmico, resposta às críticas e pressões sofridas pela universidade, oriundas de setores e demandas sociais […]. Ensino, pesquisa e extensão aparecem, então, ao final do século XX, unidos pelo princípio constitucional da indissociabilidade.

    Com isso, o movimento que se propõe vai em direção ao fortalecimento das ações sociais, cumprindo o que preconiza em sua filosofia (PDI, 2024 p. 63):

    A filosofia que direciona o PPI está fundamentada na visão dialética em que a relação sujeito e objeto atuam entre si, influenciando-se mutuamente. Essa filosofia remete à reflexão de todos os envolvidos nas ações que serão desenvolvidas pela Instituição, que quer dizer uma crítica do trabalho que se realiza, o significado que tem para os sujeitos com os quais se trabalha e para a comunidade da qual fazem parte e estão construindo.

    Estão inseridos nesse olhar os valores estéticos, políticos e éticos. A organização didática, as formas de convivência acadêmica, a organização do currículo e das situações de aprendizagem e os procedimentos de avaliação que devem estar coerentes com esses valores que agregam a sensibilidade, a igualdade e a identidade.

    A IES se define como uma instituição de educação superior onde seus objetivos, metas e o profissional a ser formado estabelecessem uma correlação entre o proposto e o desenvolvimento da região e do país, obedecendo às tendências apontadas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

    Reconhecer os esforços na promoção e articulação, entre ensino, pesquisa e extensão, na compreensão de sua indissociabilidade, os aspectos previstos na legislação e documentos institucionais se configura como ponto de partida para as contribuições deste manuscrito. A articulação é um princípio orientador da qualidade da produção universitária, uma vez que a universidade tem sido palco de análises e debates que têm dado destaque seja ao ensino, seja à pesquisa, seja ainda à extensão, reparando as relações duais; em vista disso, Moita e Andrade (2009) destacam:

    a) a articulação entre o ensino e a extensão que aponta para uma formação que se preocupa com os problemas da sociedade contemporânea, mas carece da pesquisa, responsável pela produção do conhecimento científico;

    b) a articulação entre o ensino e a pesquisa, que desenvolve a tecnologia, por exemplo, mas pode perder a compreensão ético-político-social conferida quando se pensa no destinatário final desse saber científico (a sociedade);

    c) e a articulação entre extensão e pesquisa excluindo o ensino e perdendo a dimensão formativa que dá sentido ao ensino superior.

    Há de se considerar as articulações duais; entretanto, o que aqui se defende é um princípio que, se posto em ação, supera e impede os reducionismos que se verificam na prática universitária: ou se enfatiza a produção do novo saber, ou a intervenção nos processos sociais, ou ainda a transmissão de conhecimentos na formação humana e profissional.

    Neste sentido, entendemos que a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão se configura como desafio na prática de muitos docentes, seja pela sobreposição das atividades de ensino na graduação, ou pela ênfase da pesquisa na pós-graduação. Por outro lado, há a incompreensão (pelo menos no reconhecimento e materialização) das possibilidades da extensão universitária nos aspectos formativos plurais e extrainstitucionais.

    O ensino exerce seu papel, à medida que, articulado ao conhecimento produzido através da pesquisa e aos anseios da sociedade considerados nas atividades de extensão, ganha relevância e significado para a comunidade (intra e extra) universitária.

    Desse modo, ensinar termina por ser uma atividade que, ao mediar a pesquisa e a extensão, enriquece-se e amadurece nesse processo: o professor do ensino superior, ao integrar as estratégias de ensino à pesquisa e à extensão, mantém-se atualizado e conectado com a inovação e transformações mais recentes que o conhecimento científico provoca ou, mesmo, sofre na sua relação com a sociedade, além de formar novos pesquisadores, críticos e comprometidos com a intervenção social. Logo, não há pesquisa nem extensão universitária que não se articulem ao ensino.

    Ao promover a articulação permanente entre ensino, pesquisa e extensão, por meio da indissociabilidade, o Centro Universitário ITOP (Unitop) alcança: a) relação ensino-extensão, pela qual se torna viável a democratização do saber acadêmico, propiciando que esse saber retorne à IES reelaborado e enriquecido; e b) relação pesquisa-extensão, através da qual ocorre uma produção do conhecimento capaz de contribuir positivamente para alterações significativas das relações sociais.

    Nessa perspectiva, as relações integram-se organicamente à formação do acadêmico, permitindo que alunos e professores interajam como sujeitos do ato de aprender, de forma que a extensão se transforme dialeticamente em um instrumento capaz de articular teoria e prática, dando suporte às mudanças necessárias ao processo (Arroyo, 2019), como tem se configurado como pilar institucional afirmado na filosofia expressa em seu PDI.

    O Unitop incentiva o desenvolvimento de conexões e interconexões, contextualizadas com o princípio da indissociabilidade, retomando e reintegrando a pluralidade e a universalidade, que são pressupostos do conhecimento universitário. Isto porque a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão não é, portanto, apenas uma questão legislativa, mas um princípio fundamental à instituição universitária.

    Segundo Tauchen e Fávero (2011, p. 4), o conceito de indissociabilidade remete a algo que não existe sem a presença do outro, ou seja, o todo deixa de ser todo quando se dissocia. Sobre a indissociabilidade, Edgard Morin (1999, p. 37), por sua vez, salienta que a organização desse ‘todo’ produz emergências, isto é, certo número de qualidades irredutíveis a das partes isoladas.

    Desse modo, ao analisarmos o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão a partir do estudo de cada uma das partes que o constitui, sem conceber o conhecimento do todo, pode fortalecer uma aproximação, mostrando cada vez mais seus limites, ao invés da vitalidade do circuito autoprodutor cujos produtos e efeitos são necessários à causa e à produção (Morin, 1999, p. 40). Para Tauchen e Fávero (2011, p. 4), no complexo triângulo, as partes complementam-se e o conflito existente alimenta a vitalidade da universidade. Nesta perspectiva, os princípios precisam ser articulados com as funções nas atividades universitárias.

    Segundo Tauchen (2010, p. 3),

    a compreensão sobre a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão não se restringe a uma questão conceitual ou legislativa, mas fundamentalmente, paradigmática, epistemológica e político-pedagógica, pois está relacionada às funções e à razão de ser das universidades, que se constituíram historicamente vinculadas às aspirações e aos projetos nacionais de educação.

    Processo mais complexo, como aponta Rays (2003, p. 73): a indissociabilidade caracteriza-se como um processo multifacetado de relações e de correlações que busca a unidade da teoria e da prática, pois se constitui princípio das atividades-meio da universidade. No entanto, a valoração, o incentivo, a amplitude e as funções de tais atividades constituíram instituições com histórias e identidades diferenciadas.

    Por sua vez, considerando que as partes dissociadas não se constituem num todo, as possibilidades de articulação podem, e devem, ser construídas por meio das ações e atividades desenvolvidas pela comunidade acadêmica. Mas isso só é possível a partir da ampliação das percepções, incorporando atitudes de integração, de coerência, de conexão de tais atividades. Neste aspecto, a articulação é entendida como uma ligação lógica entre ensino, pesquisa e extensão, em uma ideia de constante movimento, de forma dinâmica e que promove a integração.

    2. De faculdade a centro universitário: panorama histórico e indicadores do Instituto Tocantinense de Educação Superior e Pesquisa (ITOP)

    Histórico de implantação e desenvolvimento da instituição:

    O Projeto Educacional do Grupo ITOP nasceu com a criação do Instituto Tocantinense de Pós-Graduação (ITOP), constituído para a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu. Em fevereiro de 2006 a partir do firmamento de Convênio Educacional com a Faculdade Albert Einstein (Brasília-DF) iniciou suas atividades educacionais na estrutura do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

    Em 2007, nasce o Instituto Tocantinense de Educação Superior e Pesquisa Ltda., mantenedora da Faculdade ITOP, que no mesmo ano iniciou o processo de credenciamento enquanto Instituição Privada de Ensino Superior, e a autorização dos cursos de Administração (bacharelado), Ciências Contábeis (bacharelado),

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