O Aluno, o professor, a escola: Uma conversa sobre educação
De Rubem Alves e Celso Antunes
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Sobre este e-book
Essa leitura pode servir de subsídio para a discussão de temas fundamentais na prática escolar.
Como transmitir nossos valores para os mais jovens, a educação da sensibilidade, o que podemos fazer em relação ao bullying, os horizontes da formação dos educadores são alguns dos assuntos analisados pelos autores. Além disso, eles nos contam de modo cativante algumas vivências, mostrando-nos possibilidades no uso de nossa criatividade em prol da melhor aprendizagem, num ambiente saudável e estimulante.
As palavras foram usadas na medida certa para lhe oferecer a essência do conhecimento desses grandes nomes da educação no Brasil.
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O Aluno, o professor, a escola - Rubem Alves
Formar o professor para trans
formar a escola
Celso Antunes – Antes de tudo, gostaria de dizer que sempre fui um grande admirador seu, Rubem. Há muito tempo leio, devoro seus textos. E quando acontece – imagine só! – de o confundirem comigo, me sinto profundamente lisonjeado! Mas a vida nunca nos havia proporcionado um bate-papo. Já nos vimos em diversas ocasiões, aqui e ali, em palestras, eventos, mas mal tínhamos tempo para uma saudação, uma troca rápida de palavras. Esta oportunidade que a Papirus me dá, de participar deste livro com você, neste momento, representa um presente de uma dimensão indescritível para mim.
Rubem Alves – Não posso deixar de lhe dizer que também gosto muito de você, Celso, admiro-o muito mesmo. E há um ponto que sem dúvida nos aproxima: há anos que ambos temos falado de um assunto pelo qual somos, inegavelmente, apaixonados, um assunto que nos arrebata: a educação. Então, para dar início ao nosso debate, pergunto: O que você acha da situação da escola hoje?
Celso – Veja, um indivíduo não pode exercer a medicina, por exemplo, se não fizer residência, que é o modo pelo qual ele adquire a vivência da prática médica, acostuma-se a transitar entre os pacientes, aprende a lidar com os parentes da pessoa que está doente, convive com a morte... Assim, quando ele entra no campo de trabalho, tem pelo menos uma experiência vivencial. Penso que falta algo parecido com isso no magistério: uma vivência que dê ao professor condições de, ao iniciar uma atividade, levar em sua bagagem um pouco mais do que a simples lembrança de alguns bons professores que teve. Não sei se a solução seria um tipo de residência
para esse professor, ou não. Isso talvez seja inviável. Mas eu fui, durante muitos anos, diretor de escola. Diariamente, eu recebia pedidos de pessoas: Olhe, professor Celso, tenho um amigo que está terminando a faculdade e tem de fazer estágio. Se eu deixar a papelada na mesa, o senhor assina?
. E grande parte dos professores acaba entrando para o exercício da atividade sem ter tido a experiência concreta dessa realidade. Aí, o que acontece? Eles vão ministrar aulas tendo como referência aqueles professores que, em alguma etapa da escola ou da faculdade, foram seus modelos, mas são modelos de outro contexto, de outro momento, para outro tipo de realidade. E, consequentemente, o que se tem são professores despreparados, com raras ou quase nenhuma experiência prática.
Então, como transformar a escola? Creio que o primeiro passo é transformar, de maneira coerente e consistente, o processo de formação do professor, senão teremos uma escola transformada arquitetonicamente, mas não uma sala de aula transformada em suas vivências e práticas.
Rubem – Eu tomo como mote um versinho da Adélia Prado. Ela diz: Não quero faca nem queijo. Quero a fome
.[1] As crianças naturalmente têm fome, só que não é fome das coisas que os programas escolares determinam que elas comam, pois essas lhes causam desinteresse. Mas basta que se coloque diante das crianças alguma coisa que as provoque, alguma coisa que tenha a ver com a vida delas, e sua atitude é outra.
Eu me lembro de uma carta que recebi de um menino há muitos anos. Ele dizia: "Querido Rubem Alves, li seu livro O patinho que não aprendeu a voar. Aprendi que liberdade é a gente fazer aquilo que a gente deseja muito. Eu quero ser livre. Tenho uma professora que é um barato. Ela manda a gente ler seus livros e grifar os encontros consonantais e os dígrafos". Aí eu levei um susto, porque não sei o que é um dígrafo, não sei o que faço com um dígrafo. Quer dizer, o conhecimento fica na memória quando, de alguma maneira, o indivíduo é fascinado por aquilo.
Já contei a história de uma menininha que me visitou – foi uma experiência e tanto para mim! Eu estava mexendo com marcenaria, e, quando ela viu uma porção de ferramentas, ela me submeteu a um interrogatório. Ela nunca tinha visto aquelas ferramentas, mas, naquele momento, surgiu a fome... Acho que a grande tarefa do professor é aquilo que já comentei a respeito do que a Adélia dizia: Não quero faca nem queijo. Quero a fome
. Porque se eu tiver faca e queijo, mas não tiver fome, não como. Mas se eu tiver fome e não tiver faca nem queijo, dou um jeito de arranjar o queijo e a faca. Então, a grande tarefa do professor é criar fome nas crianças e não simplesmente papaguear o programa. Esse é o grande problema dos programas que já vêm prontos.
Celso – Concordo inteiramente com você, Rubem. E penso o seguinte: os professores em geral usam excessivamente o ponto de exclamação, levam para a sala de aula os recados prontos, as informações definitivas, absolutas. E quando, em vez de levarem o resultado pronto, eles substituem o ponto de exclamação pelo ponto de interrogação, o que fazem é acender a curiosidade, despertar a vontade, ou seja, provocar a fome. Um professor que dá um conceito está muito distante daquele
