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Avaliações de Confissões
1.246 avaliações44 avaliações
- Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Oct 25, 2019
Essential medieval/Christian philosophy. - Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Apr 11, 2019
A mixed collection of autobiography, spiritual reflection, prayers, allegorical interpretation. Confessions was not at all what I expected it to be — an autobiography through and through. Had I read this with a class or a guide it might have been better, but I wasn't particularly enthralled. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Apr 11, 2019
The "Confessions" of Saint Augustine is a hard work to pin down--part conversion story, part apologetics text, part philosophical treatise, part Bible commentary. It is also a hard work to read. There are many points of interest within the text, but it is not something you just read straight through without a lot of stopping and thinking, and preferably some supplemental research. There were many times reading the book that I felt that my time would be better spent just reading hours of the Bible, and that I was trying to force myself to grapple with a seminary-level text without the prerequisite educational background. This is a vitally significant work in Christian history, to be sure; it lays out fundamental arguments against the Manichaeans, has been looked to by the Roman Catholic church in support of purgatory, and even influenced the philosophical writings of Descartes. However, this wide-ranging history is far beyond the scope of the book itself, and it almost needs its own commentary to be understood by the layperson. The Barnes and Noble edition contains a historical timeline, an introduction, endnotes, a brief essay on the Confessions' influence on later works (which I found to be the most helpful supplemental piece in the book and wish I had read it before the text), a selection of famous quotes responding to the text, and a few critical questions to consider in thinking about the work. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
One of the most excellent books I've every read. From start to finish I was captivated letter by letter, word by word and so on.You do not have to be a catholic, or even a christian to enjoy this mans tail of finding faith. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
This book is very dear to me. I read "Confessions" in a very difficult personal time and quickly became overwhelmed by Augustines sincerity, intellect, and love for The Immutable Light. Augustine presents us with a very interesting time period in as where Christianity and Roman Paganism lie in juxtaposition. Besides Augustine's personal confessions, I enjoyed his examination of Genesis and his hefty discourse on time, or perhaps I should say the lack of the past and future. Rather than prattle on in the present, which has become past, I will urge you, reader, to introduce yourself to an author you most assuredly will hold very close to your heart. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Actually brings up the idea that some parts of the bible are to be understood metaphorically, rather than literally. Including Genesis. I always have big trouble with the way Augustine just "sent away" his mistress when he converted. Lots of agonizing over how much it hurt him, but not much on how it affected her. Seems to me he should have married her. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
If anyone struggles with desires within themselves and wonders why the struggle and if it can be overcome they need to read Confessions. The struggle has never changed and Augustine had to fight through his passions and his intellect to find trust and relief in Christ. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Gorgeously written, though I suppose Latin generally translates into very lovely prose. I loved the introspective wanderings into the human consciousness, and recommend the book to anyone, especially one who puts the saints on an unattainable pedestal--the holy have never seemed so human. - Nota: 2 de 5 estrelas2/5
Apr 11, 2019
I profoundly disagree with Augustine's conceptualization of God/spirituality and truly wish he had kept his macho guilt to himself (our world would be so very different if he had). But his influence on Christian (and so U.S.) culture is undeniable, and so this is a good book to have read. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Absolutely fantastic. I've read it several times and will wear it out eventually.l - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Chadwick's notes that accompany this version of Augustine's Confessions do the best job of understanding the deep Manichaean context of not only the book but Augustine's early (and, some would say, entire) intellectual life. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
What can I even say about this book? I am standing too close to say anything sensible. Fortunately other people have written plenty of actual reviews.Memo to future me: the quote you're (I'm) usually looking for is book 10, chapter 36, first paragraph. "You know how greatly you have already changed me, you who first healed me from the passion for self-vindication, [...] you who subdued my pride by your fear and tamed my neck to your yoke? Now I bear that yoke, and it is light upon me, for this you have promised, and thus have you made it be. Truly, it was this but I did not know it when I was afraid to submit to it." - Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Apr 11, 2019
Read the whole thing as part of my church history course. It probably meant more to me reading it as an adult than it would have if I read it all the way through when I bought it in high school. A reminder that God's love is deeper than anything we can imagine. - Nota: 2 de 5 estrelas2/5
Apr 11, 2019
Written in the 4th century by an early intellectual christian who is famous (to me anyway) for his prayer - "Lord grant me chastity, but not yet"!. The book is in the form of an autobiography, interspersed with lots and lots of beseeching of the lord. The biography is interesting, and all the beseeching has a strong echo in the formulaic rants of the TV preachers. The book ends with some ponderings - on memory, and on the creation. Augustine believes god made the world, but he has some interesting questions about exactly how this was done. I couldn't help wondering, if Augustine was alive now, when there are much better explanations, whether he wouldn't be in the Richard Dawkins' camp. Read February 2009 - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
I really felt my soul physically grow as I read this book. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Fabulous feast. Who are you? God only knows, says Augustine reverently. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Apr 11, 2019
Confessions of St. Augustine, Bishop of Hippo (free). Some books are best listened to, particularly ones translated into Elizabethan English from Latin. By listening, I'm able to cover more ground and not get bogged down in word choice, and I'm able to connect the streams of thought more seamlessly.
I'd not read this classic, even though I long intended to "get around to it." Had it not been mentioned by Dallas Willard and Richard Foster as a great source for meditation and devotional (along with City of God which I will now read expediently), then I might not have gotten it done this year. Confessions is one of the first "Western" autobiographies and I was fascinated that it could have been written in the 1800s just as well as 398. Has the same raw quality of pre-20th-century memoirs that haven't been edited for their PC content and revisionism.
Augustine lives somewhat of a privileged boyhood with good schooling, discipline, and a devout mother. He loves to sin, particularly struggling with lust and theft just for the sake of theft. As a teenager, Augustine joins a cult of Manicheans for 9 years. Like any cult, he finds it intellectually stifling-- he's discouraged from asking questions, or trying to use science or reason. The leaders he is under are not as well-educated as himself, and this makes it difficult. Many of the Manichee, like Mormons or JW's today, were devotees to the writings of Mani, but had not read all of his thoughts or understood them. There appear to be some appeals to astrology in Mani's writings, and the people Augustine is around don't really understand all of what they speak of. Among these were Faustus who was supposed to have all the answers, but Augustine finds generally disappointing. Nonetheless, Augustine finds their message liberating-- "it is not I who sin." Manicheans were dualists--Gnostics -- who believed that Jesus did not inhabit a physical body, and that our souls cannot be corrupted by what is done by our flesh. Even after Augustine rejects their teachings, he does not want to choose Scripture as Truth.
So, Augustine remains fairly closely associated with Manichees while himself a professor of rhetoric both in Carthage and in Rome. Meanwhile, his mother is a devout Christian who prays earnestly for his salvation and implores him to repent.
She follows him to Milan, where Augustine encounters Bishop Ambrose (whose own life seems fascinating), who Augustine respects; he attends every Sunday service. (I found some of the description of church life interesting, there appears to have been some struggles with what role wine should play in the life of the believer-- Ambrose apparently being opposed to Augustine's mother's use of wine in an act of worship.) Augustine is a philanderer, has a child by a "concubine" who he loves, but rejects in order to marry at his mother's behest. He generally hates married life and continues a life of adultery.
Augustine converses with Simplicanius, spiritual father of Ambrose, who tells Augustine of Victorinus, a Roman philosopher and respected teacher of rhetoric in Rome, who toward the end of his life forsakes his career (it was illegal for Christians to teach rhetoric) to become a Christian. Augustine had read books translated by Victorinus, and this makes an impression on him.
"But when that man of Thine, Simplicianus, related to me this of Victorinus, I was on fire to imitate him; for for this very end had he related it. But when he had subjoined also, how in the days of the Emperor Julian a law was made, whereby Christians were forbidden to teach the liberal sciences or oratory; and how he, obeying this law, chose rather to give over the wordy school than Thy Word, by which Thou makest eloquent the tongues of the dumb; he seemed to me not more resolute than blessed, in having thus found opportunity to wait on Thee only."
Augustine also hears of Antony Eventually, Augustine has a conversion experience and repents.
"I seized, opened, and in silence read that section on which my eyes first fell: 'Not in rioting and drunkenness, not in chambering and wantonness, not in strife and envying; but put ye on the Lord Jesus Christ, and make not provision for the flesh, in concupiscence.' No further would I read; nor needed I: for instantly at the end of this sentence, by a light as it were of serenity infused into my heart, all the darkness of doubt vanished away."
His son is baptised with him. His mother is jubilant, and dies some time afterwards.
Modernly, Augustine's book is also seen as literature, with and it appears from reading around that modern scholars maintain that looking at his work from our modern lenses misses the overall purpose and meaning. Augustine's book is not some confession and testimony of a sinner, but rather his work was intended to convert Manicheans. After all, the biographical part ends in Book 9 and Augustine launches on a range of topics, including memory and the meaning of time. (Physics tells us that all moments in time already exists, and this is what I hear Augustine saying in Book 11.) It's plausible to me that his intended audience are Manichees since they were interested in times, planets, and creation as Augustine spends a great deal of time on these. He engaged in a lifelong battle against the Manichees in Hippo, and this work certainly seems part of his larger writings to that end. Augustine's philosophical musings are still of great interest today. I would like to read Brian Greene's take on his philosophy of time.
Confessions really drives home the importance of Scripture to me; Augustine was 40 when he wrote it and knew the Scriptures well. Augustine took part in important church councils, and my understanding is that by the time of his ascension to Bishop, the accepted Western canon of scripture was already considered closed. I really enjoy how he writes/prays Scriptures when pouring his thoughts out. He prays the prayers of David, Jesus, Paul, etc. in relation to his own life and salvation. Opens every book with a heartfelt prayer/confession. I would like to read books on the theology of Augustine.
It also inspires me to read more church history. People like Simplicanius could probably trace their spiritual lineage back to the Apostles. Christians like Antony were well-known in Augustine's circles, having also published works (Dallas Willard has a nice critique of Antony and the secular-sacred dichotomy that was probably popularized by Augustine's mention). What can we today learn from these and the controversies faced by the authors? Why aren't we Christians today more scholarly about our ancient heritage?
5 stars out of 5, of course. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Sep 14, 2022
Awful messages, but you have to appreciate the sheer powerhouse this book has been in terms of shaping Western society. With the rapid decline of Christianity in North America I am looking forward to a new paradigm that does away with much of this nonsense. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Jan 14, 2024
I don't know where to begin in reviewing this. I will just say as a Christian, I would suggest to anyone that delves deeply into the study of Scripture, philosophy, and theology needs to read this work. Both memoir and exploration of Augustine's allegorical beliefs. Definitely something to chew over in the mind and spirit.
This translation and the copious notes made the reading much easier for me to follow. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Feb 18, 2019
Confessions. Saint Augustine. 2d Translated by Frank Sheed. 1992. And I Burned for your Peace; Augustine’s Confessions Unpacked. Peter Kreeft. 2016. Confessions was a fall sections for our great books club, and I just finished it! Not that I it should have taken me this long; I just read most of the books listed above as I read a few pages in Confessions two or three times a week until I finished it. It is a beautiful book, and I am so glad that I read it. To be honest, I am not sure I would have finished it had I not read Kreeft’s book along with it. He certainly did a good job of explaining St. Augustine. It was sort of like reading the Bible. I really enjoyed most of it, but Augustine does belabor the points he makes! He takes a long time to say anything. This is a spiritual autobiography, not a typical autobiography. Anyone interested in early Christian thought would do well to read this. I expect I will return to read some of the many parts I underlined - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
May 29, 2018
One of the great works in philosophy and religion. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Dec 26, 2017
This book has been one of the slowest reads so far this year and took around 41 days to finish. My main struggle was with the language the book was written it. The underlying story was interesting, but there were so many extra words around everything. Especially in the first books, Augustine is constantly referencing back and forward between the past and the present and the relationship between his past actions and God. He regrets choices and actions that he took, but acknowledges that God was present in them and worked through them.
The more I read, the more the underlying story of Augustine's journey became clear. It showed that his was a slow meandering journey to finding God.
His mother, Monnica, is one of the main characters in the book, who is constantly praying to God to save her son. And her prayer is answered before her death, albeit not by many years.
The last chapter ended by tying up the experience with an honest look at how Augustine was living in the present. He struggled with wanting to follow God in his heart, but also wanting to follow his own wills/passions. It is an encouraging insight into the life of such a well-known, influential Christian theologian and philosopher showing that he never attained perfection, but was reassuringly human. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Mar 1, 2015
The first two thirds of Confessions are largely autobiographical. There is a tendency to think of saints as having been not quite human. Readers who have that impression about Augustine will find themselves mistaken. Among his youthful indiscretions, Augustine recalls playing games with his schoolmates when they were supposed to be studying, disliking his Greek studies, and having a live-in girlfriend with whom he had a child. As a young man, Augustine raised many of the same questions about God and Christianity that are still raised today, such as the nature of God in the Old Testament and inconsistencies between science and the Bible. He describes his surroundings and his daily activities in enough detail that it provides a window into daily life in the Mediterranean world of the 4th century.
After an account of his mother's death, the last third of the book shifts from autobiography to a blend of philosophy and theology. Augustine ponders the nature of memory and time, the mysteries of creation from the Genesis account, and an interpretation of the church through the lens of creation. This is heavy going. Readers more interested in history and biography than in philosophy and theology may choose to stop with chapter 9. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Jul 14, 2014
A marvelous autobiography of a Church Father. How he coped with avoiding the "call" to God. He sought the truth in pganism, then Aristotelian philosophy, then Manichaeism. All the while relishing a sinner's life. Then he visited Milan, called upon Ambrose and began his conversion to Christianity. He portrays himself, warts and all, living with a mistress, his quest for easy living and money, only to be confronted by a voice telling him to read the Bible. It changes his life. He converts. He pursues Catholicism with devotion and eventually finds himself the Bishop of Hippo, ministering to the poor of all faiths. Quite a man. - Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Mar 16, 2014
I know this is a "great" work of Christianity because I was told it was. But it did nothing for me. It seemed jumbled and erratic and hard to understand, despite the use of simple, easy language. It was more stream-of-consciousness that I excepted. I didn't enjoy reading about Augustine's life and struggles with sin. He was honest and that's rare from someone who because famous for their faith. I think this book can make a huge difference in many people's hearts - but for me, it was just not what I prefer to read. It was a bit too sentimental and full of angst for my rational tastes. - Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Feb 13, 2014
A classic work for its influence on Christian theology going forward, but hardly a pleasure read for anyone not a student of such or not keenly interested in early Christian lore. Non-religious at my best, I read it as an early example of autobiography and for the sake of its place in history; but the story of a man's search for himself and his quest for truth is something we all go through at some point in our quest for self-identity. In Augustine's case it is the story of an atheist brought to God, a journey that included the search for truth in many other directions before he resorted to religion.
This was a very difficult read, a chore really, and it took me much longer than its page count warranted. I had to lean on Sparknotes quite a bit to help me navigate it. Merging neo-platonic philosophy with Christianity, Augustine argues that everyone and everything moves towards God, knowingly or not, as part of a quest to achieve near-perfect (only God is perfect) state of being. That is an essential message to be aware of and watching for if you've any hope of getting through this.
The first nine parts are his biography, which serves as a sort of case study. This was the portion that satisfied my amateur interest. Augustine apologizes to God for every sin he can ever remember making, including some (e.g. crying incessantly as a babe) that he can't. Citing the evil sin of taking pride in his grammar lessons and rhetoric skills, etc. makes him sound almost a flagellant. Slightly more legitimate was the minor theft of fruit committed under peer pressure, and more philandering than was strictly warranted. Most peculiar to me was the supposed sin of taking pleasure in watching tragic drama, as he wonders where the pleasure came from to be entertained by tales of others' suffering, albeit fictional.
The last four parts are increasingly obtuse as he lays out his theory of change that moves towards God. I could barely parse these chapters. The first explored memory, the next was on the nature of time, the next the biblical story of creation, and the last ... Sparknotes doesn't cover this one and it lost me so completely, I can't even hazard a guess at what it was addressing even though I read every word. The tenth chapter is also a discussion of temptations and gave me the sad impression that he had built a cage about himself, cutting himself off from every pleasure life has to offer and reducing his experience to mere survival. He writes that of course he knows he cannot permit anyone to dissuade him from this position. It's a typical tenet in any fundamentalist perspectives, this defining anyone who tries to talk you out of your beliefs as inherently evil, permitting your dismissal of their every argument without having to hear or consider (been there, done that, bought the Ayn Rand t-shirt - sold it back.) I have met a brilliant man, one who became deeply inhibited by the self-identity he arrived at. - Nota: 4 de 5 estrelas4/5
Dec 29, 2013
Considering that the style of Augie's work is completely and utterly impenetrable, this is actually a pretty decent read. Just come to it expecting circularity, meditation, rapturous theology and self-flagellation, and you'll come away impressed.
Don't expect anything linear, and you'll be all the more impressed when he ends up, every now and then, out-Aristotling Aristotle with arguments of the (x-->y)&(y-->z)&(z-->p)&(p-->q); ~x is absurd; therefore q variety.
Don't expect any modern 'you are a unique and special snowflake and your desires are good it's just that your parents/society/upbringing/schoolfriends/economic earning power have stunted you' self-help guff. It'd be nice to read someone more contemporary who's willing to admit that people do things wrong, all the time, and should feel really shitty for doing wrong things.
Don't expect Aquinas. This is the hardest bit for me; if someone's going to talk about God I prefer that they be coldly logical about it. Augie goes more for the erotic allegory, self-abasement in the face of the overwhelming eternal kind of thing. No thanks.
Finally, be aware that you'll need to think long and hard about what he says and why he says it when he does. Books I-IX are the ones you'll read as autobiography, and books X-XIII will seem like a slog. But it's all autobiography. Sadly for Augie, he doesn't make it easy for us to value the stuff he wants to convince us to value, which is the philosophy and theology of the later books. The structure, as far as I can tell, is to show us first how he got to believing that it was possible for him to even begin thinking about God (that's I-IX). X-XIII shows us how he goes about thinking about God, moving from the external world, to the human self in X and a bit of XI, to the whole of creation in XI and XII, to God himself in XIII. I have no idea if this is what he had in mind, but it roughly works out. That's all very intellectually stimulating, but it's still way more fun to read about his peccadilloes and everyday life in the fourth century. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Mar 30, 2013
I love this book. I am reading it again. A chapter a night. The sincerity and passion and earnest curiousity of the narrative is only slightly undercut by an intelligence that sometimes overcomes the rigid reading of Biblical texts that litter his writing.
In other words, Augustine works (right from the beginning of Chapter I) at manipulating the Biblical text to fit the constraints of his religious doctrine. He transforms both the Biblical texts and the doctrine creating a personal rubric for his spirituality.
Also, he makes me giggle. - Nota: 3 de 5 estrelas3/5
Dec 5, 2012
Powerful in its honesty, but also hard for me as a nonbeliever to read. The constant reference to God occurs not on the scale of once every page, but more like every other sentence. The effect is to make me skeptical of even the best parts, such as the brilliant discussion of the nature of time and the excruciatingly honest effort to understand the theft of the pears, when they end up being folded into Augustine's religious narrative. Yet the passion of Augustine's thought and the force of his writing is impossible to deny and those insights that do hold relevance beyond the Christian are presented powerfully here. - Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Sep 16, 2011
Every time I start to get a little down on St. Augustine -- what with his invention of some pretty deplorable doctrines (ie original sin) -- I need to reread his Confessions. In fact, everybody should read his Confessions. It is an absolutely beautiful book! St. Augustine pours out his soul before God and all the world -- confessing his sins and telling the story of how he came to Christ, watching for the subtle movement of the Holy Spirit in all things and seeing God's guiding hand behind every event in his life. It's not often that you get to watch a sinner become a saint (literally!) -- read it!
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Confissões - Santo Agostinho
Índice
Introdução
I LIVRO - DO NASCIMENTO AOS QUINZE ANOS
1. Invocação a Deus
2. Como e por que invocar a Deus?
3. Deus está em todas as coisas e nenhuma o contém
4. Deus é inefável
5. Desejo de Deus
6. Mistério da natureza humana e sua finitude. Deus é eterno
7. Agostinho recorda os pecados cometidos na infância
8. Como aprende a falar
9. Falta de interesse pelo estudo; castigo e zombaria dos educadores
10. Prefere o jogo e o teatro ao estudo
11. Adiamento do batismo
12. Deus tira o bem até do mal
13. Utilidade do estudo
14 . Dificuldade no estudo do grego
15. Oferecimento de tudo a Deus
16. Literatura e mitologia corruptoras
17. Inteligência desperdiçada em coisas vãs
18. Um erro de gramática é mais grave que uma falta contra o homem ?
19. Os primeiros pecados da infância
20. Tudo é dom de Deus
II LIVRO - OS DEZESSEIS ANOS
1. Por qual motivo Agostinho relembra suas culpas
2. Necessidade de amor e de seus ilusórios sucedâneos
3. O ócio favorece o desencadeamento das paixões
4. O furto das pêras
5. A causa do pecado
6. As paixões dão satisfações ilusórias; somente Deus pode saciar as exigências do espírito humano
7. A bondade de Deus preserva-nos das culpas e nos perdoa as culpas cometidas
8. A atração do pecado
9. A influência das más companhias
10. Aspiração à paz interior
III LIVRO - JOVEM ESTUDANTE
1. Amores sensuais
2. O teatro alimenta a sede de sensações
3. Agostinho não segue os companheiros em todos os seus excessos
4. O Hortênsio de Cícero desperta em Agostinho o amor à sabedoria
5. Primeira aproximação às Sagradas Escrituras
6. Adesão ao maniqueísmo
7. Os desatinos dos maniqueus. O problema da moralidade
8. Fundamentos naturais da moral
9. É difícil julgar os homens
10. Estranhas doutrinas dos maniqueus
11. Pranto e sonho de Mônica
12. Resposta de um bispo
IV LIVRO - O PROFESSOR
1. Seduzido e sedutor
2. O professor de retórica. O amor de uma mulher
3. Interesse pela astrologia
4. A morte de um amigo: desconsolo de Agostinho
5. Pranto consolador
6. Desgosto da vida e medo da morte
7. Necessidade de mudar de ambiente: Agostinho deixa Tagaste
8. A vida recomeça
9. Feliz quem ama a Deus
10. Destino efêmero das criaturas
11. Só Deus é estável
12. Exortação à procura da felicidade em Deus
13. Do belo e do harmonioso
14. Homenagem a Hiério
15 . Complacentes elucubrações de Agostinho; Deus resiste aos soberbos
16. As dez categorias de Aristóteles
V LIVRO - DA ÁFRICA À ITÁLIA
1. Louvor ao Deus das misericórdias
2. Presença de Deus consolador
3. Encontro com Fausto, bispo maniqueu
4. Ciência humana e fé divina
5. Manés se apresenta como pessoa divina
6. Personalidade de Fausto
7. O maniqueísmo começa a desiludi-lo
8. Partida para Roma
9. Chegada a Roma. Mônica reza de longe
10. Entre o maniqueísmo e o ceticismo acadêmico
11. Os maniqueus e as Sagradas Escrituras
12. Comportamento dos estudantes romanos
13. Encontro com Ambrósio em Milão
14. Afastamento do maniqueísmo
VI LIVRO - AGOSTINHO AOS TRINTA ANOS
1. Mônica encontra-se com o filho em Milão
2. Mônica e Ambrósio
3. Figura de Ambrósio
4. Descoberta da verdade
5. Prefiro agora a fé católica
6. Miséria da ambição
7. A amizade de Alípio
8. Alípio fascinado pelos espetáculos sangrentos do circo
9. Alípio aprende à própria custa a não julgar apressadamente os homens
10. Retidão de Alípio e sede de verdade em Nebrídio
11. Perplexidades de Agostinho
12. O problema do matrimônio
15. Noivado de Agostinho
14. Projetos de vida em comum
15. Escravo do prazer
16. Discute com os amigos o sumo bem e o sumo mal
VII LIVRO - A BUSCA DA VERDADE
1. Dificuldade em conceber a essência de Deus
2. Objeção de Nebrídio aos maniqueus
3. A origem do mal
4. Deus é incorruptível
5. Ainda o problema da origem do mal
6. Refutação da astrologia
7. Em busca da origem do mal
8. A misericórdia de Deus o socorre
9. Primeira leitura dos neoplatônicos
10. A leitura dos platônicos leva Agostinho a buscar no próprio íntimo a verdade
11. As criaturas existem e não existem
12. Tudo que existe é bom o mal não é uma substância
13 . Bondade de todas as criaturas
14. Rejeição do dualismo maniqueísta
15. Todas as coisas devem a Deus a própria existência
16. O mal como perversão da vontade
17. Gradual ascensão na descoberta de Deus
18. Agostinho ainda ignorava Cristo mediador
19. O mistério encerrado nas palavras: o verbo se fez carne
20. A fé provém da humildade e a humildade não se aprende em livros de filósofos
21. Benéfica leitura de são Paulo
VIII LIVRO - A CONVERSÃO
1. Encontro com Simpliciano
2. Simpliciano narra a conversão de Vitorino
3. A alegria por um pecador que se converte
4. Alegria pela conversão de Vitorino
5. Agostinho dilacerado entre duas vontades contrastantes
6. Descoberta a beleza da vida monástica
7. Reações no espírito de Agostinho
8. Agostinho hesita
9. Por que razão a vontade é ineficaz?
10. Contra os maniqueus
11. Árdua caminhada na senda da virtude
12. Toma e lê!
IX LIVRO - O BATISMO E A VOLTA PARA A ÁFRICA
1. Oração de agradecimento
2. Agostinho decide abandonar a cátedra de retórica
3. Verecundo e Nebrídio
4. Em Cassicíaco escreve e medita sobre os Salmos
5. Deixa o ensino e se prepara para o batismo
6. Batismo em Milão com Alípio e Adeodato
7. Uso do canto litúrgico em Milão
8. Educação de Mônica
9. Virtude de Mônica
10. Em Óstia: contemplação de Agostinho e Mônica
11. Morte de Mônica
12. Funerais de Mônica
13. Preces de Agostinho pela mãe
X LIVRO - AGOSTINHO REFLETE NÃO MAIS SOBRE O PASSADO, MAS SOBRE O PRESENTE
1. Deus, única esperança e amante da verdade
2. Confissão diante de Deus e dos homens
3. Sentido de uma confissão, não só do passado, mas do presente
4. Agostinho se confessará também aos homens, para que com ele agradeçam a Deus
5. Só Deus conhece verdadeiramente o homem
6. Deus procurado e amado antes e acima de todas as coisas
7. Para chegar a Deus, é preciso ir além do mundo dos sentidos
8. Maravilhas da memória
9. A memória é a sede de todas as noções apreendidas
10. Aquisição das noções pela memória
11. Significado do verbo cogitar
12. A memória dos números
13. Lembro-me de ter lembrado…
14. Na memória estão também os sentimentos da alma
15. Lembrança através da imagem?
16. A memória se lembra do esquecimento
17. A busca de Deus para além da faculdade da memória
18. Como encontrar o objeto perdido?
19. Não se pode procurar o que está completamente esquecido
20. Ao buscar Deus, procuramos a felicidade
21. O que significa recordar a felicidade
22. Só em ti se encontra a felicidade, Senhor
23. Todos desejam a felicidade
24. Presença de Deus em nossa memória
25. Lugar de Deus na memória
26. O conhecimento de Deus
27. Tarde te amei! . . .
28. Miséria da vida humana
29. Deus nos impõe a continência
30. A concupiscência da carne
31. As tentações do paladar
32. As tentações do olfato
33. As tentações do ouvido
34. A tentação do olhar
35. A tentação da curiosidade
36. A tentação do orgulho
37. O prazer do louvor
38. A tentação da vanglória
39. O amor de si mesmo
40. Em busca de Deus
41. Deus é Verdade e não pode coexistir com a mentira
42. Falsos mediadores entre Deus e os homens
43. O verdadeiro mediador é Jesus Cristo
XI LIVRO - MEDITAÇÃO SOBRE O PRIMEIRO VERSÍCULO DO GÊNESIS: NO PRINCÍPIO DEUS CRIOU...
1. Finalidade da confissão de Agostinho a Deus
2 . Agostinho quer fazer a meditação sistemática da Sagrada Escritura
3. Prece para compreender as palavras da Sagrada Escritura
4. Existência e criação do mundo
5. Criação de Deus e trabalho do homem
6. As palavras humanas passam, a palavra de Deus permanece eternamente
7. Eternidade do Verbo
8. A palavra de Deus dirige-se a nós no Evangelho
9. Deus fala no nosso íntimo
10. Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?
11. Diferença entre tempo e eternidade
12. Antes de criar, Deus nada fazia
13. O tempo começou com a criação
14. O conceito de tempo
15 . Passado, presente e futuro
16. Pode-se medir o tempo?
17. A existência do passado e do futuro
18. Como se faz para falar do passado ou para predizer o futuro?
19. O mistério da profecia
20. Só de maneira imprópria se fala de passado, presente e futuro
21. A medida do tempo
22. Agostinho deseja ardentemente entender esse problema
23. O tempo e o movimento dos astros
24. O tempo não é o movimento dos corpos
25. Confissão e invocação
26. Será o tempo simplesmente extensão?
27. A medida do tempo realiza-se em nossa mente
28. Expectativa do futuro, atenção ao presente, lembrança do passado
29. Aspiração ao eterno, depois da dissipação do tempo
30. Inutilidade da pergunta: Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra
?
31. Ciência humana e ciência divina
XII LIVRO - MEDITAÇÃO SOBRE O PRIMEIRO VERSÍCULO DO GÊNESIS: NO PRINCÍPIO DEUS CRIOU O CÉU E A TERRA
1. Pobreza do homem que procura: mas Deus está com ele
2. Que é o céu do céu
?
3. Que são as trevas
e o abismo
4. Que significa terra invisível e informe
5. A inteligência pesquisa...
6. Evolução do conceito de matéria
7. A origem da matéria
8. A matéria informe é o fundamento da criação
9. Intemporalidade dessas criaturas
10. Invocação à verdade
11. Eternidade de Deus
12. Duas criaturas estão fora do tempo
13. Criações fora do tempo
14. A palavra de Deus é admiravelmente profunda
15 . Argumentos sobre os quais existe acordo com os adversários
16. Os interlocutores de Agostinho
17. Opiniões diversas sobre o sentido de céu e terra
18. Várias interpretações das Sagradas Escrituras
19. Verdades deduzidas da leitura do Gênesis
20. As várias interpretações das primeiras palavras do Gênesis
21. As várias interpretações do segundo versículo do Gênesis
22. Silêncio da Escritura sobre algumas obras do Criador
23. Duas espécies de dissensão
24. É possível conhecer o pensamento de Moisés?
25. Palavras de advertência a quem soberbamente presume entender
26. Se eu estivesse no lugar de Moisés
27. O que pensam algumas almas simples
28. Outras interpretações das primeiras palavras do Gênesis
29. A primeira obra criada foi a matéria
30. Sobre a diversidade das opiniões triunfe o amor
31. Multiplicidade de significados nos escritos de Moisés
32. Ó Deus, revela-nos a verdade!
XIII LIVRO - MEDITAÇÃO SOBRE OS SIGNIFICADOS ALEGÓRICOS DA CRIAÇÃO
1. Invocação a Deus
2. Nossa existência é dom de Deus
3. Criando a luz, Deus iluminou a criatura espiritual
4. Que significado tem a expressão: o espírito pairava sobre as águas
5. A Trindade na criação
6. Por que o Espírito Santo é mencionado por último?
7. O Espírito de Deus nos eleva e conforta
8. Queda e elevação das criaturas espirituais
9. Transportados pelo amor
10. A felicidade dos anjos
11. A imagem humana da Trindade
12. Nós nos convertemos a ti, e a luz se fez
13. Como será seu esplendor quando o virmos?
14. A força da alma está na fé e na esperança
15. Significados simbólicos do firmamento
16. Perto de ti está a fonte de vida
17. Mar e terra: obras más e obras boas
18. Significado simbólico dos astros
19. Exortação aos eleitos
20. Significado simbólico dos répteis, dos cetáceos e das aves
21. Significado simbólico da alma viva e dos animais
22. Significado simbólico do homem feito à imagem de Deus
23. O homem espiritual tem o poder de julgar
24. Significado simbólico da multiplicação das espécies
25. Significado simbólico das ervas e das árvores
26. O valor da oferta está na intenção
27. As boas obras de quem não tem fé
28. A obra da criação é boa
29. Eternidade da visão e da palavra divina
30. Erros dos maniqueístas a respeito da criação
31. Tudo o que existe é visto em Deus como coisa boa
32. Agradecimento a Deus por toda a criação
33. O conjunto da criação
34. Recapitulação dos símbolos das primeiras palavras do Gênesis
35. Senhor, concede-nos a paz!
36. O sétimo dia, dia do repouso
37. O futuro repouso final
38. Deus será o repouso e a paz
INTRODUÇÃO
Vida e obras
Aurélio Agostinho nasceu a 13 de novembro de 354 em Tagaste, importante cidade da Numídia (hoje Souk-Ahras). Seu pai, Patrício, era um africano romanizado, pequeno proprietário, decurião do município; pagão, ele se fez batizar na hora da morte. A mãe, Mônica, era mulher cristã e piedosa que educou cristãmente o filho, que desde a infância demonstrava aptidão para a filosofia. Agostinho herdou do pai o temperamento sensual e impetuoso, e da mãe a ternura e a tendência para a contemplação mística. Dele se conhecem o irmão Navílio, e uma irmã.
Agostinho aprende os primeiros rudimentos na escola da aldeia; a disciplina é dura e ele é impaciente. Segundo o uso da época, ele não é batizado cedo. A idéia era que ele aproveitasse ao máximo o benefício de uma purificação tardia, que haveria de apagar todas as culpas, inclusive as posteriores.
Patrício desejaria fazer do filho um retórico, isto é, um professor de letras e eloqüência. Era esse o caminho normal para atingir os postos mais honrosos e lucrativos da vida. E mandou-o à vizinha cidade de Madaura, mais importante que Tagaste. Agostinho entrega-se aí com afinco ao estudo dos clássicos latinos; é menos entusiasta pelo estudo do grego, que de fato jamais conseguirá dominar.
No verão de 369, necessidades domésticas obrigam-no a voltar a Tagaste, onde permanece no ócio durante um ano, e se entrega aos prazeres vulgares. Graças à ajuda do rico concidadão Romaniano, pode retomar os estudos e vai para Cartago, capital da África romana, que muito guardava do antigo esplendor. Aí estuda o que se ensinava então nas academias: retórica, dialética, geometria, música, matemática. Sente-se ao mesmo tempo empolgado pelo que constitui o centro da vida
para jovens ardentes e apaixonados como ele: o teatro e os amores o subjugam. Começa a conviver com uma mulher, que amará de amor constante e da qual terá, em 372, um filho chamado Adeodato. Este amor durará mais de dez anos, mas Agostinho jamais se casará com ela, talvez por preconceitos familiares de casta.
A mãe o inscreve entre os catecúmenos da Igreja católica, cuja doutrina Agostinho considera irracional. Em 373, com 19 anos, lê Hortênsio de Cícero, diálogo que não chegou até nós, e que contém o elogio da filosofia como culto da sabedoria. É atraído pela verdade
, mas também decidido a não sofrer influência de ninguém. Lê a Bíblia por curiosidade, porém as más traduções existentes não a deixam ser devidamente apreciada; não a entende. Aos vinte anos, entra na seita dos maniqueus, fascinado sobretudo por sua atitude racionalizante e por sua moral cômoda. Na realidade, a mistura de crenças por eles professadas cedo começa a não convencê-lo; segue-as contudo durante nove anos, para profunda amargura de sua mãe. Neste período, também a astrologia aparece no âmbito dos interesses do jovem africano.
A morte do pai ocasiona condições difíceis para a família. E Agostinho se dedica em Tagaste ao ensino da gramática. Entre os alunos, encontra-se Alípio, que se tornará seu grande amigo. Mas apenas por um ano exerce a profissão de professor em sua cidade. A essa altura, a mãe Mônica chega ao ponto de expulsar de casa o filho, culpado de heresia e libertinagem. Reaparece em cena o rico Romaniano, que o ajuda a voltar para Cartago; aí Agostinho abre uma escola de retórica. Não lhe faltam satisfações: muitos alunos o seguem e a ele ficarão ligados por muito tempo. É coroado num certame poético. Publica seu primeiro livro: Do belo e do conveniente. Começa a achar absurdas as doutrinas maniqueístas, sobretudo depois do malogrado encontro com o bispo Fausto, por muitos considerado um oráculo, com o qual desejou um colóquio pessoal. No entanto, em atenção aos amigos e também por cálculo, não pretende romper imediatamente relações com o ambiente maniqueu. Isto lhe serve para resolver tudo quanto ainda o inquieto retórico encontra de insatisfatório na escola de Cartago: os alunos são indisciplinados e a paga é modesta.
Em 383, depois de oito anos, numa noite de verão, Agostinho embarca para Roma, sem que a mãe saiba. Em Roma, os amigos maniqueus o hospedam e logo lhe obtêm, através de correligionários residentes em Milão, uma cátedra nesta cidade. Leciona aí de 384 a 386. Atravessa nesse período uma crise de ceticismo: a verdade se lhe apresenta como inacessível. É atraído pelo neoplatonismo, que lhe agrada sobretudo pela espiritualidade fundada no desprezo das paixões. De fato, sente agora profunda exigência de libertar-se da escravidão dos sentidos. Em sua ajuda vem a pregação do bispo Ambrósio, a quem começa a ouvir com freqüência. Além do mais, Ambrósio interpreta a Sagrada Escritura de um modo que torna aceitáveis, para a mente de Agostinho, mesmo as passagens até então para ele incompreensíveis.
Em julho de 386 a crise definitiva o atormenta: Agostinho tem 32 anos e é hóspede de um colega de professorado. É agora irresistível a decisão de voltar à fé materna. Durante a vigília pascal de 387, na noite de 24 para 25 de abril, o bispo Ambrósio lhe administra o batismo e também ao amigo Alípio e ao filho Adeodato, então com quinze anos. Os três passam sete meses de retiro em Cassicíaco, na Itália.
Agostinho deixa finalmente Milão e volta para a África, com o propósito de fundar uma espécie de comunidade religiosa em Tagaste. Em Óstia, porém, antes de embarcar, lhe morre a mãe. Os últimos momentos de Mônica são por ele imortalizados no capítulo 10 do livro IX das Confissões, quando descreve a hora de contemplação que passaram juntos. É realmente uma das páginas mais vibrantes das Confissões.
Agostinho deixa Roma no outono de 388 e realiza em Tagaste seu sonho de fundar uma comunidade de oração e contemplação. No ano seguinte morre seu filho Adeodato, ainda muito jovem.
Em Hipona, o velho bispo Valério tem necessidade de um padre que o ajude no ministério da pregação; o povo aclama Agostinho. Estamos em 391. Quatro anos depois, é ordenado bispo, e em 396 sucede a Valério na diocese de Hipona. O seu estilo de vida não sofre alterações: a vida comunitária prossegue como em Tagaste; muitos são os discípulos que o imitam, e para estes o bispo escreve a Régula ad servos Dei
.
Os anos passam em atividade incansável: ministério e publicação de escritos dogmáticos, morais, exegéticos, pastorais, e outros.
A 28 de agosto de 430, morre com setenta e seis anos, no terceiro mês do assédio da cidade por Genserico e seus vândalos.
São estes, em resumo, os dados fundamentais da vida de Agostinho. É realmente impossível apresentar sua riquíssima personalidade em poucas linhas. Indicaremos alguns aspectos. Sabemos que sua saúde, sempre precária, não o impediu de desenvolver o volume de trabalho que produziu. Pelo contrário, a própria insônia facultou-lhe escrever muito. Rico de humanidade e enamorado da vida, amou sobretudo a verdade, em busca da qual despendeu suas melhores energias. Essa procura apaixonada o fez passar por experiências diversas: foi particularmente importante o maniqueísmo, que acompanhou durante muitos anos sua formação decisiva, e lhe dará mais tarde ocasião de estudar a fundo o tormentoso problema: por que o mal? A solução, porém, lhe virá do platonismo: o mal é a privação do ser, é limite, é carência. Através da filosofia platônica, atingiu outra idéia de fundo: o conhecimento de Deus somente pode ser atingido pela purificação que liberta de tudo o que pertence ao mundo sensível.
O cisma de Donato foi a ocasião que se apresentou para Agostinho examinar a fundo o problema da vida da Igreja e de suas relações com os poderes públicos. A polêmica com os cismáticos começou em 393 e durou mais de vinte anos. Em 411 realizou-se em Cartago uma grande conferência pública de bispos (279 donatistas e 286 católicos). Nela Agostinho desempenhou papel de primeiro plano. Ainda não estava terminada essa polêmica, e outra já se iniciava: o antipelagianismo, importante pela contribuição e colocação que lhe foram dadas pelo bispo de Hipona. De fato, partindo de sua experiência pessoal, sublinhou vigorosamente o caráter fundamental e a dramaticidade do problema da graça, combatendo todo o moralismo materialístico através da falta de confiança nas capacidades do homem, o que aliás caracterizará sempre o pessimismo agostiniano. É bem conhecida a influência dessa atitude e de toda a doutrina de Agostinho sobre o pensamento medieval. Dele se pode dizer que teve menos senso crítico do que Jerônimo: nem sempre foi clara em Agostinho a distinção entre verdades reveladas e verdades racionais, entre a natureza e a graça. Escreveu sempre ao sabor de circunstâncias bem precisas. Ainda nos últimos anos da vida, dedicou-se a refutar o arianismo, porque a invasão dos vândalos havia renovado a difusão dessa heresia.
Quantas obras escreveu? Ele mesmo as enumera nas Retractationes: noventa e três tratados, em duzentos e trinta e dois livros; acrescentem-se a estes cerca de quinhentos sermões e duzentas e dezessete cartas.
As Confissões foram escritas provavelmente entre 397 e 398. Contêm uma parte autobiográfica (os livros I-IX), com acusação de culpas e também agradecimento a Deus pela misericórdia que lhe concedeu desde a infância.
No livro X, Agostinho analisa, com perspicácia psicológica, sua posição ético-religiosa no momento em que escreve. A terceira parte (os livros XI-XIII) traz o comentário dos primeiros versículos do livro do Gênesis, ou melhor, tais versículos são ocasião para ele fazer, através de uma série de interpretações alegóricas, profundas considerações sobre Deus e o mundo, sobre o tempo e a eternidade; e para tecer louvores à grandeza e bondade do Criador. Diz Agostinho: se o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, pode encontrar em si mesmo a presença de Deus, a sua verdade, estimulando o que de mais elevado existe na própria alma. É claro que Deus não está onde está o pecado, a angústia, que deriva do pecado. Pelo contrário, Deus está onde se procura com sinceridade a própria salvação e a dos outros, isto é, onde se vive na graça de Deus. Portanto, conhecer realmente a si mesmo para chegar àquele que nos é mais íntimo que nós mesmos
(Confissões III, 6).
É esse o tema central da obra agostiniana. Ele mesmo o diz, já com mais de setenta anos, ao fazer um reexame de todos os seus escritos, nas Retractationes (II, 6): "Os treze livros das minhas Confissões louvam o Deus justo e bom por meus males e bens, e elevam até ele a mente e o coração dos homens; senti esse efeito enquanto as escrevia, e torno a senti-lo cada vez que as leio". É, portanto, um livro de mística altíssima, e como tal é lido durante séculos. Era, antes da Imitação de Cristo, o mais difundido texto de espiritualidade. Mas é também um livro em que se espalham todos os temas da especulação agostiniana. Assim o sintetiza Carena em seu comentário (Roma, 1965):
Primeiro, o problema da existência e natureza de Deus, verdade que transcende a natureza do homem e é constitutiva das verdades que o homem conhece. Em seguida, o problema da alma e do homem, aquele elemento e princípio vital deste, mas dele distinto enquanto rica de verdade e imortal, parte melhor do homem, cuja dignidade reside no livre-arbítrio. O mal moral nada mais é que um ato insuficiente da vontade, uma escolha corrupta: para não cair, e portanto para bem usar o livre-arbítrio, é indispensável a intervenção divina. Alcançar a Deus, isto é, conhecer e amar a verdade, é a única felicidade que pode satisfazer o espírito humano; toda satisfação nos bens terrenos, imperfeitos e caducos, está destinada a desiludir amargamente a aspiração inata do homem.
São esses os principais motivos filosóficos que se encontram nos primeiros dez livros das Confissões. O décimo apresenta longa reflexão sobre a memória, entendida no sentido mais amplo, quase de consciência. Por meio da memória, o homem caminha para Deus, o qual está em nossa memória, embora não totalmente notado: isso porque só podemos procurar o que conhecemos, e o que conhecemos reside em nossa memória, e nós procuramos a nossa felicidade, que é o próprio Deus. Nos três últimos livros da obra, a especulação é realmente a parte preponderante, juntamente com a exegese do Gênesis. Basta recordar a longa análise que o autor faz do conceito de tempo comparado ao conceito de eternidade.
Obra de mística muito elevada, e ao mesmo tempo de profunda especulação, as Confissões possuem também grande valor literário. Sob esse aspecto, sua originalidade está na capacidade de intuição e ressonância universal
(Paratore), através da qual Agostinho sente e exprime o drama de uma alma que se redime. Encontramos aí o professor de retórica amante do estilo empolado e do rebuscado estilístico: mestre do virtuosismo
— como o chamou Auerbach —, acrescentando, porém, que o máximo talento artístico pode muito bem servir à mais autêntica e profunda interioridade
. E encontramos essa marca artística tanto nas breves e concisas reflexões como em inteiras páginas de um lirismo que nada tem a invejar aos mais celebrados autores latinos.
É claro que Agostinho não buscava o belo pelo belo. Ao contrário, desdenhava uma procura desse gênero. Sua finalidade é confessar-se pecador e proclamar a soberana misericórdia de Deus. Sua grandeza não consiste em ser filósofo ou literato, mas em ter escrito suas Confissões, como grande filósofo e literato que indubitavelmente era.
I LIVRO
DO NASCIMENTO AOS QUINZE ANOS
1. Invocação a Deus
1 Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande a tua força, e a tua sabedoria não tem limite
.¹ E quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação; o homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado² e com o testemunho de que resistes aos soberbos;³ e, mesmo assim, quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação. Tu o incitas para que sinta prazer em louvar-te; fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti.⁴ Dá-me, Senhor, saber e compreender⁵ qual seja o primeiro: invocar-te ou louvar-te; conhecer-te ou invocar-te.⁶ Mas, quem te invocará sem te conhecer? Por ignorá-lo, poderá invocar alguém em lugar de outro. Ou será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como, porém, invocarão aquele em quem não crêem? E como terão fé sem ter quem anuncie?⁷ Louvarão o Senhor aqueles que o procuram
.⁸ Quem o procura o encontra,⁹ e, tendo-o encontrado, o louvará. Que eu te busque, Senhor, invocando-te; e que eu te invoque, crendo em ti: tu nos foste anunciado. Invoca-te, Senhor, a minha fé, que me deste, que me inspiraste pela humanidade de teu Filho, pelo ministério de teu pregador.
2. Como e por que invocar a Deus?
2 E como invocarei o meu Deus, ó meu Deus e meu Senhor? Pois, ao invocá-lo, eu o chamarei para dentro de mim.¹⁰ Que lugar haverá em mim, onde o meu Deus possa vir? Onde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra
?¹¹ Há, então, Senhor meu Deus, algo em mim que te possa conter? E o céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de te conter? Ou então, visto que sem ti nada existe daquilo que existe, será que tudo que existe te contém? Portanto, já que eu de fato existo, porque tenho de pedir tua vinda a mim, a mim que não existiria se não exis-tisses em mim? Eu ainda não estive nas profundezas da terra e, no entanto, tu aí também estás. Pois, mesmo que eu desça às profundezas da terra, aí estás
.¹² Pois eu não existiria, meu Deus, eu de forma alguma existiria, se não estivesses em mim.¹³ Ou melhor, eu não existiria se não existisse em ti, de quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem
?¹⁴ É assim, Senhor, é assim mesmo. Para onde te chamo, se já estou em ti? De onde virias para estares em mim? Para onde me afastaria, fora do céu e da terra, para que daí viesse a mim o meu Deus, que disse: o céu e a terra estão cheios da minha presença
?¹⁵
3. Deus está em todas as coisas e nenhuma o contém
3 Portanto, cabes tu no céu e na terra, visto que os enches com a tua presença? Ou, enchendo-os, resta ainda alguma parte de ti, por não te conterem? Por onde difundes o que resta de ti, depois de repletos o céu e a terra? Ou não tens necessidade de ser contido em alguma coisa, tu que tudo conténs, visto que as coisas que enches, as ocupas contendo-as?¹⁶ Não são, pois, os vasos cheios de ti que te tornam estável porque, ainda que se quebrem, não te derramas; e quando te derramas sobre nós¹⁷ não és tu que te abaixas, mas nós que somos elevados a ti; não te dispersas, mas nos recolhes a nós.
Mas tu, que tudo enches, o fazes com todo o teu ser. E já que o universo inteiro não pode conter todo o teu ser, conterá somente uma parte? E todos os seres conterão a mesma parte, ou cada um conterá uma, os seres maiores a parte maior, os menores a menor? Mas há em ti partes maiores e partes menores? Ou estás inteiro em toda parte, e nada existe que te contenha inteiramente?¹⁸
4. Deus é inefável
4 O que és, portanto, meu Deus? O que és, pergunto eu, senão o Senhor meu Deus? Quem é, pois, senhor, senão o Senhor? ou quem é deus, senão o nosso Deus
?¹⁹ Ó altíssimo, infinitamente bom, poderosíssimo, antes todo-poderoso, misericordiosíssimo, justíssimo, ocultíssimo, presentíssimo, belíssimo e fortíssimo, estável e incompreensível, imutável que tudo muda, nunca novo²⁰ e nunca antigo, tudo inovando,²¹ conduzindo à decrepitude os soberbos, sem que disto se apercebam,²² sempre em ação e sempre em repouso, recolhendo e de nada necessitando; carregando, preenchendo e protegendo; criando, nutrindo e concluindo; buscando, ainda que nada te falte. Amas, e não te apaixonas; tu és cioso,²³ porém tranqüilo; tu te arrependes²⁴ sem sofrer; entras em ira,²⁵ mas és calmo; mudas as coisas sem mudar o teu plano; recuperas o que encontras sem nunca teres perdido; nunca estás pobre, mas te alegras com os lucros; não és avaro e exiges os juros;²⁶ nós te damos em excesso,²⁷ para que sejas nosso devedor. Mas, quem possui alguma coisa que não seja tua?²⁸ Pagas as dívidas, sempre sem que devas a ninguém, e perdoas o que te é devido, sem nada perderes.
Mas, que estamos dizendo, meu Deus, vida da minha vida, minha divina delícia? Que consegue dizer alguém quando fala de ti? Mas ai dos que não querem falar de ti, pois são mudos que falam.
5. Desejo de Deus
5 Quem me fará descansar em ti? Quem fará com que venhas ao meu coração e o inebries a ponto de eu esquecer os meus males, e me abraçar a ti, meu único bem? Que és para mim?²⁹ Tem misericórdia, para que eu fale. Que sou eu aos teus olhos, para que me ordenes amar-te e, se eu não o fizer, te indignares³⁰ e me ameaçares com imensas desventuras? Como se o não te amar já fosse desgraça pequena! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és tu para mim? Dize à minha alma: Eu sou a tua salvação
.³¹ Dize de forma que eu te escute. Os ouvidos do meu coração estão diante de ti, Senhor; abre-os e dize à minha alma: Eu sou a tua salvação
. Correrei atrás destas palavras e te segurarei. Não escondas de mim a tua face:³² que eu morra para contemplá-la e para não morrer!
6 Minha alma é morada muito estreita para te receber: será alargada por ti, Senhor. Está em ruínas: restaura-a! Tem coisas que ofendem aos teus olhos: eu o sei e confesso. Mas quem pode purificá-la? A quem, senão a ti, eu clamarei: Purifica-me, Senhor, dos pecados ocultos, e perdoa a teu servo as culpas alheias
?³³ Creio, e por isso falo, Senhor:³⁴ tu o sabes. Não te confessei contra mim as minhas faltas, meu Deus, e não perdoaste a maldade do meu coraçao
?³⁵ Não discuto contigo,³⁶ que és a verdade, e não quero enganar a mim mesmo, para que a minha iniqüidade não minta a si mesma.³⁷ Não discuto contigo porque, se te lembrares de nossos pecados, Senhor, quem suportará teu olhar
?³⁸
6. Mistério da natureza humana e sua finitude. Deus é eterno
7 Deixa, no entanto, que eu fale diante de tua misericórdia, eu que sou pó e cinza
;³⁹ deixa-me falar, já que à tua misericórdia me dirijo, e não a um homem pronto a escarnecer de mim. Talvez também tu te rias de mim.⁴⁰ Mas se olhares para mim, terás misericórdia. Que pretendo dizer, Senhor meu Deus, senão que não sei de onde vim para cá, para esta vida mortal, ou antes, para esta morte vital? Não sei. Mas fui acolhido pelas consolações de tua misericórdia; assim me disseram meus pais: de um me tiraste e de outro me formaste no tempo; eu de fato não me lembro. Acolheram-me, então, as doçuras do leite humano; mas não eram minha mãe nem minhas amas que enchiam os seus seios. Eras tu, Senhor, que me davas por meio delas o alimento da infância, segundo o plano pelo qual dispuseste todas as riquezas até o mais profundo das coisas. Fazias também com que eu não desejasse mais do que me davas, e às minhas amas que não me quisessem dar senão o que lhes concedias: movidas por afeição desordenada, davam-me aquilo de que tinham em abundância, graças a ti. O bem, delas recebido, era para elas igualmente um bem, do qual não eram elas a origem, mas intermediárias dele; porque de ti, ó Deus, me vêm todos os bens, e do meu Deus toda a minha salvação! Percebi isso mais tarde, quando bradaste através desses mesmos dons que interior e exteriormente concedes. Mas, então, eu nada mais sabia senão sugar o leite, aquietar-me com o que agradava aos meus sentidos, e chorar o que importunava a minha carne,⁴¹ e nada mais.
8 Em seguida, comecei também a rir, primeiro enquanto dormia, depois acordado. Destas minhas ações fui informado, e nelas acreditei pelo exemplo dado pelas outras crianças. Eu mesmo nada lembro daquele tempo. Pouco a pouco ia reconhecendo o lugar onde me encontrava, e queria manifestar meus desejos às pessoas que deviam satisfazê-los, mas não conseguia, porque eles estavam dentro de minha alma e elas estavam fora, e através de nenhuma percepção teriam podido penetrar no âmago de minha alma. E assim eu me debatia e gritava, exprimindo uns poucos sinais proporcionais aos meus desejos, como eu podia e de maneira inadequada. Se não me obedeciam, ou porque não me entendiam ou por medo de me fazerem mal, eu me indignava com essas pessoas grandes e insubmissas que, sendo livres, recusavam ser minhas escravas, chorando, eu me vingava delas. Assim são as crianças, como depois
