Nesta Escola não há Lugar para Bichinhas: Diversidade Sexual e Homofobia
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Sobre este e-book
Compreender o tratamento dado à diversidade sexual por equipes escolares, em consonância com as políticas públicas educacionais: este é o objetivo deste livro.
O exame do material gerado por questionários dirigidos a 55 profissionais de colégios da rede estadual de ensino médio da cidade de Paranavaí-PR, assim como a análise dos dados coletados, gera, além da possibilidade de verificar quantitativamente o nível de preparo dos(as) profissionais participantes para o enfrentamento da homofobia nas escolas, reflexões sobre as políticas públicas direcionadas a diversidade sexual, relações de gênero, sexualidade e homofobia no âmbito escolar.
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Nesta Escola não há Lugar para Bichinhas - Marcos da Cruz Alves Siqueira
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS:DIVERSIDADE DE GÊNERO, SEXUAL, ÉTNICO-RACIAL E INCLUSÃO SOCIAL
Dedicado a Cleusa Sousa da Cruz (mãe), Marcos R. Alves Siqueira (pai), Vitória Ap. da Cruz Alves Siqueira (irmã) e Laís Taiane Ropelatto Campos (companheira), pilares importantes neste percurso, peças-chave da minha força vital.
AGRADECIMENTOS
Quero agradecer a toda força espiritual, que me ajudou neste percurso, auxiliando-me a tentar o novo, o desconhecido.
À minha companheira, Laís Taiane Ropelatto Campos, que me acompanhou nas horas mais difíceis, quando era preciso fazer semanas de quimioterapia e também de estudos para concluir as disciplinas do mestrado. Cada página deste livro tem a sua impressão; com você aprendi o verdadeiro sentido da palavra feminismo e, acima de tudo, o que é o amor.
Encerro os agradecimentos direcionados especialmente à Prof.a Dr.ª Isabela Candeloro Campoi, por acreditar em meu potencial como pesquisador, por ser essa pessoa maravilhosa que nos auxilia com humildade e respeito. Aprendi com essa grande MULHER e com suas experiências de vida que cada um de nós compõe a sua própria história, cada ser carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.
A todos e todas, meu eterno agradecimento.
APRESENTAÇÃO
Entende-se como diversidade sexual as distintas possibilidades de expressão e de vivência da sexualidade dos indivíduos, permeada por aspectos de gênero, de sexo e de orientação sexual. A compreensão de orientação sexual refere-se ao sexo das pessoas que elegemos para nos relacionarmos afetivamente.
Utilizam-se algumas nomenclaturas para orientação sexual: heterossexual, homossexual, bissexual etc. Desse modo, educação para as sexualidades é o conjunto de práticas que vêm dialogar sobre sexo, orientação sexual, discursos, poder, opressão e direitos humanos e sexuais, compreendendo o ser humano para além dos aspectos biológicos. Compreendemos a sexualidade como uma dimensão das experiências construídas socialmente por homens e por mulheres ao longo da sua vida, tais como: desejos, crenças, prazeres, vontades, emoções, fantasias, sensações; as quais se modificam conforme os discursos políticos e as relações de poder postas na sociedade, influenciando nos atos sexuais, nos atos corpóreos e no seu pertencimento como indivíduo no meio social.
Desse modo, investigar as concepções que professores(as) têm sobre a diversidade sexual e homofobia dentro da escola é compreender a expressão e as vivências da sexualidade dos indivíduos dentro do âmbito educativo. É possibilitar uma discussão sobre as experiências construídas por meio dos afetos.
Marcos da Cruz Alves Siqueira
PREFÁCIO
Os temas ligados à sexualidade são relativamente recentes no âmbito da academia, da mesma forma que seus correlatos: identidade de gênero, respeito à diversidade, combate à homofobia. Enfim, tais abordagens foram paulatinamente revelando-se importantes, mais ainda se ligadas ao espaço escolar, como é o caso do trabalho de mestrado de Marcos da Cruz Alves Siqueira, defendido em agosto de 2015.
Instigado pelas evidências expressas por uma sociedade preconceituosa e uma escola excludente, Marcos foi quem me apresentou o tema, tão desafiador quanto instigante. A chamada heteronormatividade estabelece comportamentos considerados adequados aos homens e às mulheres de forma dicotômica, de modo a refletir sobre comportamentos que fogem desta lógica heteronormativa e também (ou principalmente) no espaço escolar. Resumidamente, alunos e alunas que fogem às normas do que é considerado adequado ao seu gênero sofrem as consequências de tal inadequação: são discriminados/as, excluídos/as e fortemente aptos/as à evasão escolar.
Para compor sua investigação, ou seja, verificar quanto os profissionais da educação das escolas estaduais de ensino médio de Paranavaí estão aptos a lidar com o tema da diversidade sexual e de gênero, o professor Marcos aplicou-lhes um questionário semiestruturado. Assim, o próprio processo de coleta de dados revelou o panorama de quanto o tema é espinhoso
no âmbito do município, aliás, muito bem cotado no ranking paranaense de casos de homofobia registrados no Relatório de 2011: a cidade aparece em terceiro lugar como a mais homofóbica do estado do Paraná.
Marcos inaugurou o rol de pesquisas orientadas por mim no mestrado em Ensino e Formação Docente Interdisciplinar da Universidade Estadual do Paraná (PPIFOR – Unespar), mostrou-se dedicado, superando as circunstâncias impostas pelo destino; seu empenho o levou a continuar a trajetória acadêmica, já que ingressou no doutorado e na carreira docente no Instituto Federal de Ilha Solteira-SP, o que muito me orgulha.
Publicar este livro na conjuntura atual é uma forma de militância e, de algum modo, uma atitude de resistência. A primeira década do século XXI foi um tempo de colheita de frutos
, já que as políticas públicas implementadas pelos governos brasileiros em prol da população LGBTTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) significaram importantes conquistas, verdadeiras escutas
dos movimentos sociais, com destaque para o Programa Brasil sem Homofobia, de 2004, implementado pela Secretaria de Direitos Humanos, e que proporcionou uma série de planos e ações norteados pelo programa.
Inserida nesse contexto, a investigação apresentada neste livro revelou que esses foram apenas os primeiros passos
para a conquista de uma sociedade mais igualitária e menos preconceituosa, afinal os profissionais da educação tiveram pouco preparo para lidar com tais temas em suas formações acadêmicas e/ou continuadas.
Este livro surge em momento crucial, pois, enquanto o debate em defesa do respeito à diversidade sexual e de gênero ainda amadurecia, forças conservadoras submergiam nas diversas instâncias da sociedade brasileira e, por fim, o conservadorismo preconceituoso institucionalizou-se politicamente; revelar o despreparo da escola mesmo em uma conjuntura de políticas públicas que pretendiam garantir respeito e equidade à população LGBTTI+ é ainda mais perturbador diante do atual horizonte de retrocesso, uma forma de compor os caminhos de uma resistência mais afinca.
Professora doutora Isabela Candeloro Campoi
Departamento de História da Universidade Estadual do Paraná
LISTA DE SIGLAS E ACRÔNIMOS
Sumário
1
NOTAS INTRODUTÓRIAS 17
2
O DISCURSO SEXUAL PRESENTE NO COTIDIANO 27
2.1 BREVIÁRIO DA(S) HOMOSSEXUALIDADE(S) 33
2.2 A CONSTRUÇÃO DA(S) IDENTIDADE(S) NO ÂMBITO EDUCATIVO 39
2.3 QUE MOVIMENTO O MOVIMENTA? 42
2.3.1 Stonewall: revolução sexual 44
2.3.2 Movimento homossexual brasileiro 44
2.3.3 Movimento gay no Paraná 46
3
VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS NO ESPAÇO ESCOLAR: HOMOFOBIAS E O AMOLAR DE FACAS 51
3.1 TIPIFICAÇÕES DAS VIOLÊNCIAS CONTRA HOMOSSEXUAIS: AS NOVAS FACES DAS AGRESSÕES CONTRA MULHERES E HOMENS GAYS 56
3.2 A ESCOLA COMO REPRODUTORA
DE NORMAS E CONSTRUTORA DE HOMOFOBIAS 59
3.3 APONTAMENTOS SOBRE AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS VOLTADAS AO RESPEITO AO GÊNERO E À DIVERSIDADE SEXUAL NO PARANÁ 60
3.3.1 A construção das políticas educacionais para o respeito aos(às)
LGBTTI+ no Paraná 67
3.3.2 Relatório sobre a violência homofóbica no Brasil: o ano de 2011 – recortes sobre a cidade de Paranavaí 70
3.3.3 A construção do relatório: metodologia 72
3.3.4 A omissão de crimes contra LGBTTI+ na imprensa 74
3.3.5 Paranavaí: apontamentos sobre os dados da violência homofóbica 77
4
DISCURSOS DOCENTES SOBRE A DIVERSIDADE SEXUAL E A HOMOFOBIA NO UNIVERSO ESCOLAR 83
4.1 PARTICIPANTES 83
4.2 PERCURSO METODOLÓGICO 87
4.3 INSTRUMENTOS 90
4.4 ANÁLISE DE DADOS 103
4.5 DIVERSIDADE SEXUAL, HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS CONTRA ALUNOS(AS) LGBTTI+ 104
4.5.1 O entendimento da diversidade sexual e a homofobia na escola 105
4.5.2 A equipe escolar e a violência homofóbica 113
4.5.3 Análise das situações 117
5
IMPRESSÕES E EXPRESSÕES 127
REFERÊNCIAS 133
Índice remissivo 141
1
NOTAS INTRODUTÓRIAS
Este trabalho buscou investigar o entendimento sobre a diversidade sexual nas escolas estaduais de ensino médio de Paranavaí-PR. Entende-se como diversidade sexual as distintas possibilidades de expressão e de vivência da sexualidade dos indivíduos, permeada por aspectos de gênero, de sexo e de orientação sexual. A compreensão de orientação sexual refere-se ao sexo das pessoas que elegemos para nos relacionarmos afetivamente. Utilizam-se algumas nomenclaturas para orientação sexual: heterossexual, homossexual, bissexual etc. Desse modo, educação para as sexualidades é o conjunto de práticas que vêm dialogar sobre sexo, orientação sexual, discursos, poder, opressão e direitos humanos e sexuais, compreendendo o ser humano para além dos aspectos biológicos (FURLANI, 2011).
Compreendemos a sexualidade como uma dimensão das experiências construídas socialmente por homens e por mulheres ao longo da vida, tais como: desejos, crenças, prazeres, vontades, emoções, fantasias, sensações; as quais se modificam conforme os discursos políticos e as relações de poderes postos na sociedade, influenciando nos atos sexuais, nos atos corpóreos e no seu pertencimento ao social (PRADO; MACHADO, 2012).
Ao compreender os conceitos ligados à sexualidade, podemos inibir discursos preconceituosos que se fazem presentes nas escolas de Paranavaí. Nossa pesquisa, além de acompanhar as práticas docentes no tratamento à diversidade sexual escolar, acompanhou o processo de construção do Plano Municipal de Educação de Paranavaí e os embates de alguns grupos religiosos para a retirada da palavra gênero e orientação sexual do texto norteador do plano. Assim, a pedagogia do insulto fez-se e
