O tornado negro
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O tornado negro - Carlos Eduardo Nascimento
Prefácio
Wagner Cunha Carvalho é empresário, palestrante, comentarista em eficiência energética e hídrica de 9 canais de televisão, escreve artigos para grandes jornais e revista como a Forbes.
Foi responsável por treinar mais de 16.000 pessoas nos últimos 24 meses, período em que pesquisou inovação em 15 países.
É CEO da WEnergy, empresa referência em sustentabilidade mundial, líder no seguimento de economia de água e energia. Presente em mais de 100 cidades, atendendo as maiores e melhores empresas do país, a WEnergy se destacou viabilizando projetos pioneiros.
Me emocionei muito lendo este livro e sem dúvida alguma será como uma semente plantada em seu coração. Escrito pelo Cadu, um verdadeiro vencedor, possuindo todos os motivos para desistir, se recusou, levantou-se e transformou a própria história. Foi de lixeiro a empresário, de lavador de carros a palestrante, emocionando multidões com a sua jornada. Leitura obrigatória para todos nós que buscamos a felicidade pelos próprios méritos.
Capítulo 1
Quem sou eu?
Todo livro precisa de um início e o meu começa assim: eu sou Carlos Eduardo Nascimento. Venho de origem humilde, pele negra, como a maioria no Brasil. A diferença é que não sou vítima por ter a pele negra, nem por ser pobre. Venho aqui mostrar um pouco de uma história vencedora.
Minha mãe, meu grande tesouro, se chamava Marilene Freitas Nascimento: uma mulher guerreira, nunca desistia de nada. Na verdade, ela era até chata. Se algo não funcionasse como ela queria, isso era um grande problema para toda a família. Dona Marilene não era muito de abraçar, fazer carinho ou algo assim. Quando eu queria carinho, então me deitava em seu colo, pegava em sua mão e colocava-a sobre a minha cabeça. Com a minha mão segurava a mão dela e a deslizava em meu rosto. Ela sorria. Sei que sempre me amou. Eu me sentia muito querido por ela, mais do que por qualquer outra pessoa no mundo. Neste livro, e nas palestras que ministro, falo muito sobre ela. Na realidade ela será o trilho destas páginas: em cima deste trilho a minha vida foi e sempre será trilhada.
Capítulo 2
Falando de família
Bom, falarei bastante de um homem com o qual aprendi muito sobre trabalho e tantas outras coisas. Vamos lá?
Meu pai, Baltazar dos Reis Nascimento, era muito introspectivo, na dele, sabe? Daqueles que, se não chamarmos, passa despercebido. Apesar de ser um homem grande, alto, com quase dois metros de altura, passava discretamente, pois não era muito de falar. Segurava seu cigarro, sentado na poltrona, sempre com um copo no braço do sofá. Muitas vezes me lembro de whisky ou conhaque. Ele não gostava muito de cerveja, raramente eu o vi bebendo uma. Porém, uma pinga, eu frequentemente fui testemunha de vê-lo beber. Apesar de sua doença, o alcoolismo, eu me sentia amado por ele também. Fisicamente somos muito parecidos.
Herdei coisas boas do Sr. Baltazar. Ele era um cara de impacto. Falava pouco, mas era ouvido, como aquelas pessoas que todos querem saber a opinião delas.
Adquiri também do meu pai o desejo de sempre fazer o melhor no trabalho. Meu pai ganhou um ponto, pois, mesmo com sua doença, que, dia após dia, levava-o mais próximo da morte, em toda a minha vida não vi esse homem chegar atrasado ou faltar no emprego. Em muitas ocasiões acompanhei meu pai acordando às 5:00 da manhã, a fim de ir resolver problemas do trabalho. Algumas vezes era mandado um carro para buscá-lo fora do horário de trabalho, para consertar máquinas ou algo do tipo, porque só ele tinha o conhecimento necessário para manipular algumas delas.
Baltazar adorava assistir A pantera cor-de-rosa
. Esse desenho tirava risos e lágrimas do meu pai. Ele dava uma risada escandalosa — isso o meu irmão tem a quem puxar. Marcos, meu irmão mais velho, tem a risada mais alta e escandalosa que já ouvi. As risadas do Marcos eram tão altas que faziam quem estivesse ao seu lado morrer de vergonha.
Sr. Baltazar gostava de alguns programas de televisão. Recordo-me do programa Os Três Patetas
, que também fazia ecoar risos na sala. Com certeza falarei mais do meu pai neste livro.
Sou o filho do meio. Tatiane Nascimento é a minha irmã mais nova. Somos de idades próximas. Sou dois anos mais velho do que ela. Sempre fomos unidos e não me lembro de algo na infância sem a Tati. Minha irmã também sempre foi mais quietinha, sempre sorrindo. Ah, como amo essa menina!
Tatiane amarela
, minha mãe sempre falava assim em razão do tom de pele da Tati ser mais claro do que o nosso.
Marcos Paulo Nascimento, o mais velho. Esse foi o meu mentor — na minha vida inteira e até hoje. Marcos é um cara que deixou muitas vezes de viver a vida dele para viver por nós. De tanto que me amava, deixou a vida dele para trás para me ajudar. Meu irmão comprava comida, sorvete, sucrilhos, porque naquele tempo já não tínhamos muito o que comer. Sim, ele fazia, com certeza, as vezes do meu pai.
Meu pai não ficava muito em casa. Vivia por aí, sempre de bar em bar. Se quisesse achá-lo, era só ir até o bar da esquina.
Essa foi uma breve apresentação. Fique ligado! Nem começamos...
Capítulo 3
Lembranças
Tenho uma imagem gravada em minha memória: uma criança sorrindo, encostada em um portão de ferro, bem antigo, enferrujado, com aquelas lanças na ponta. Na verdade, até hoje não sei qual é a utilidade daquelas lanças no portão, a não ser para furar as bolas do futebol de rua. Atrás do portão havia um carro vinho chamado Corcel. O significado do nome vem de cavalo veloz ou algo do tipo.
Bem menino, pequeno, aproximadamente com 2 anos de idade, eu acho — sou péssimo para identificar cronologicamente a idade de crianças (de adultos também). Negro, cabelo raspado e um sorriso desdentado em sua boca grande, com o olhar quase fechando de tanto rir. Uma camisetinha de malha azul-bebê e um macacãozinho vermelho, não sei se isso combina muito.
Essa criança que descrevi é a minha Criança. Na realidade, uma delas. Tenho guardado em minha mente algumas imagens das minhas várias crianças.
Trago em minhas memórias um campo de futebol de terra vermelha batida, muitas crianças, um sol muito brilhante, muitas vozes e times de países — era o campeonato mundial de futebol do bairro.
Minha mãe estava muito arrumada e feliz, sorriso na cara, usava branco, um vestido lindo de manga curta e saia rodada com duas listras vermelhas na barra. O cabelo era liso, bem pretinho e curto. Certamente a mãe mais linda. A baixinha sempre foi linda e eu sempre tive ciúmes da minha mãe. A mulher mais gata da final do campeonato de futebol do bairro! Poucas vezes vi o sorriso dela tão feliz.
Infelizmente a Argentina era o melhor time, coisa trágica. Eles ganharam. É, meus amigos, a Argentina ganhou o campeonato... Pula essa parte.
Eu era um menino que gostava muito de soltar pipa. Passava horas pra lá e pra cá correndo atrás de pipa. De tanto olhar para o céu, queimei meus olhos e tive uma lesão na esclerótica, a parte branca dos nossos olhos. Assim, meu olho nunca mais foi branquinho, mas nada que me afetasse a visão.
Gostava de carrinho de rolimã e gostava muito de brincar de polícia e ladrão — não tinha preferência entre os lados, só queria brincar mesmo. Havia também uma brincadeira chamada bandeirinha
, que era a minha favorita. Era preciso passar pelo time oponente e resgatar a bandeirinha do nosso time (sem ser pego, é
