Verdes Anos, Retratos de Juventude
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Sobre este e-book
Vários Vários
Sebastião Almeida estudou Comunicação Social, foi jornalista no «Público» e na «Time Out Lisboa». Escreve agora na revista «Sábado», mas quando entrou pela primeira vez numa redacção fê-lo de câmara fotográfica ao pescoço. O destino trocou-lhe as voltas, mas o gosto pela imagem não se dissolveu. Margarida David Cardoso nasceu em 1995, numa Europa que acabava de perder as fronteiras internas. Estudou Ciências da Comunicação no Porto, foi jornalista no «Público» em Lisboa, e agora no podcast de jornalismo de investigação «Fumaça». Talvez um dia seja psicóloga. Sara Beatriz Monteiro nasceu no Porto, cresceu em São João da Madeira e vive em Lisboa. Queria ser atriz, professora ou advogada, mas o gosto pela escrita levou-a para o jornalismo. Estudou Ciências da Comunicação no Porto, foi jornalista na Renascença, no ciberjornal «JPN» e trabalha há três anos na TSF. Depois de escrever este livro, está empenhada em ser jovem para sempre.
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Verdes Anos, Retratos de Juventude - Vários Vários
Retratos de Juventude
Verdes
Anos
Entrevistas por Margarida David Cardoso e Sara Beatriz Monteiro
Fotografias por Sebastião Almeida
Com Enric Vives-Rubio e Ricardo Lopes
logo.jpgLargo Monterroio Mascarenhas, n.º 1, 7.º piso
1099-081 Lisboa
Portugal
Correio electrónico: ffms@ffms.pt
Telefone: 210 015 800
Director de publicações: António Araújo
Título: Verdes Anos: Retratos de juventude
Coordenação: Margarida David Cardoso
Texto: Margarida David Cardoso e Sara Beatriz Monteiro
Fotografia: Sebastião Almeida
(Guadalpe Amaro – Enric Vives-Rubio)
(Rui Nabeiro – Ricardo Lopes)
Revisão de texto: GoodSpell
Validação de conteúdos e suportes digitais: Regateles Consultoria Lda
Design e miolo: Inês Sena
© Fundação Francisco Manuel dos Santos, Margarida David Cardoso, Sara Beatriz Monteiro e Sebastião Almeida, Novembro de 2021
Livro redigido com o Acordo Ortográfico de 1990.
As opiniões expressas nesta edição são da exclusiva responsabilidade dos autores e não vinculam a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A autorização para reprodução total ou parcial dos conteúdos desta obra deve ser solicitada aos autores e ao editor.
Entrevistados:
Afonso Reis Cabral
Ana Catarina Correia
Assunção Cristas
Dário Guerreiro
Diana Andringa
Dulce Maria Cardoso
Guadalupe Amaro
Isabel Martins
Israel Parodia
Joãozinho da Costa
Júlio Isidro
Leonor Caldeira
Manuel Clemente
Marcelo Rebelo de Sousa
Margarida Balseiro Lopes
Maria Manuel Mota
Maria Teresa Horta
Miguel Guilherme
Paula Gil
Ricardo Araújo Pereira
Rui Nabeiro
Rui Tavares
Sandro Santos
Tiago Fonteboa
Tiago Ribeiro
Edição eBook: Guidesign
ISBN 978-989-9064-78-2
Conheça todos os projectos da Fundação em www.ffms.pt
Israel Paródia / Maria Manuel Mota — A ciência
Leonor Caldeira / Vítor Sanches — A cidade
Paula Gil / Diana Andringa — O ativismo
Dário Guerreiro / Ricardo Araújo Pereira — O humor
Sandro Santos / Assunção Cristas — A família
Isabel Martins / Manuel Clemente — A religião
Guadalupe Amaro / Maria Teresa Horta — Os Direitos Humanos
Margarida Balseiro Lopes / Rui Tavares — A política
Afonso Reis Cabral / Dulce Maria Cardoso — Os livros
Joãozinho da Costa / Miguel Guilherme — O teatro
Tiago Fonteboa / Rui Nabeiro — O trabalho
Ana Catarina Correia / Marcelo Rebelo de Sousa — A liberdade
Tiago Ribeiro / Júlio Isidro — O entretenimento
Prefácio
As histórias que ouvimos em criança. O que nos dizem que podemos ser ou fazer. As portas que nos são abertas como uma possibilidade. Os sonhos que nos dão de comer à boca e nos alimentam às primeiras oportunidades de pensar. Fazemo-nos também desse alimento. Uns, em abundância, têm-no cuidadosamente planeado. A inspiração e o sonho medidos como em pequenos doseadores de leite em pó. Outros assentam em barrigas vazias. Talvez tenham a capacidade de imaginar sozinhos que tal comida existe.
A partir das mesmas cinco perguntas, cada uma das 26 pessoas entrevistadas para este livro mergulhou nas ideias e nos sonhos que lhes foram dados a comer durante a juventude. Ou, para usar a metáfora de Rui Nabeiro, as flores que lhes nasceram. As pessoas, as viagens, os livros, as músicas, os futebóis, as conversas à mesa ou à braseira de onde nasceram ideias, poemas e salvações. As respostas delas — transcritas, arranjadas e reorganizadas para serem lidas — refletem a forma como contam a si mesmas as histórias desse presente ou passado e se veem nele. De algumas, saberá mais pormenores; de outras, mais pensamentos. De todas, uma história de juventude — que, por vezes, parece continuar na página seguinte.
De uns, a rebeldia; de outros, o sossego. Uma inquietude quase transversal. A possibilidade e o tempo para ser, num tempo em que «cada ano contém quase uma vida» (Dulce Maria Cardoso). Há nestas páginas um vaivém de olhares otimistas e pessimistas — mais dos primeiros talvez —, de avanços e recuos nas tentativas de definir a juventude própria. «Ser jovem talvez signifique não saber o que isso significa» (Afonso Reis Cabral).
Vamos entre gente que sonhou milimetricamente ser o que é e outros que nunca tiveram a possibilidade de se debruçar nessa varanda onde se olham futuros. Entre quem se viu catapultado por um privilégio adquirido para bibliotecas-paraíso e quem se descobriu cedo a lutar pela sua sobrevivência e pelo seu lugar. Cedo tomando as consciências das escalas e formas em que se fazem as divisões do mundo. «Sentia muito a necessidade de tomar o que me pertencia. Sentir alguma justiça» (Vítor Sanches).
A cada geração, o impulso é entendê-la como única, diferente. Muitas vezes, em oposição aos pais e avós, e alimentada por esse confronto. Tendemos coletivamente — a Academia, os media e os marketeers com especial vigor — a etiquetá-la numa tentativa de consenso de características: os boomers, os millennials, as gerações de X a Z, agora alpha.
Pelo meio, fora destas caixas, talvez se perca o que é comum à juventude nas várias décadas, distantes que sejam: as dúvidas identitárias e de individualização, a luta pela integração entre pares e na sociedade, as trajetórias de precariedade no mercado de trabalho. E aí, sem atenção ao comum, perpetuam-se os problemas enraizados nas condições juvenis. Entorpece-se o questionamento do passado e a compreensão daquilo a que no futuro se chamará inevitável. O estágio não remunerado. O emprego instável e precário. O arrendamento sem contrato. A «escolha» de não sair de casa dos pais. A falta de representatividade nas estruturas de decisão.
«Nós é que achamos sempre que vimos de uma geração espontânea, que não repete padrões comuns. Mas não podemos compreender a juventude atual sem entender o contínuo das gerações anteriores», diz a socióloga Magda Nico, consultora científica do encontro Juventudes como Sinais do Tempo, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos organizou em novembro de 2021 e deu o mote a este livro.
Magda Nico, doutorada em Sociologia, investigadora e professora no ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, dedica-se ao estudo dos jovens, das suas trajetórias sociais, da sociologia da família e das desigualdades sociais. Refere que a juventude inaugura sempre uma mudança social. Um momento «tão denso quanto fugaz». Em que a construção da identidade, de alicerces para um futuro profissional e familiar e o abraço a causas sociais «se faz de forma precária e experimental, mas também apaixonada e comprometida, quase perigosa». Experimentam-se em novos papéis, adensam-se conhecimentos, valores e causas; questionam-se velhos padrões de desigualdade; inauguram-se, por um lado, formas criativas de os combater e abrem-se, por outro, novas trajetórias de precariedade. «Ser jovem é um desporto (social) radical, parece.»
Não sendo este livro um salto de paraquedas, a proposta é um voo de balão sobre um terreno disforme para ser visto ao detalhe. Conforme o vento — ou a vontade de saltar mais cedo ou recuar entre histórias —, aterrarás em retratos de jovens que se consideram «almas velhas» ou de adultos que nunca perderam a adolescência. A única certeza é a de que o friozinho na barriga não os abandona até ao final da viagem.
Margarida David Cardoso
Sara Beatriz Monteiro
Sebastião Almeida
Verdes
Anos
A NOBREZA DA RESPONSABILIDADE E A CURIOSIDADE APAIXONADA
Israel Paródia / Maria Manuel Mota — A ciência
IsraelParodia.jpgMariaManuelaMota.jpgIsrael Paródia — 21 anos
«Não existe a ideia de que é possível uma pessoa cigana chegar aqui.»
Ensinado a pensar mais do que a decorar, é um dos primeiros da família no ensino superior. Europeísta, progressista, move-se pela vontade de criar para os outros as oportunidades que teve, desde a escola na Batalha, em Leiria, à Faculdade de Medicina em Lisboa.
Maria Manuel Mota — 50 anos
«Somos prejudicadas quando crescemos e as pessoas esperam algo menor de nós.»
