Entre Vírgulas: Reflexões sobre fatos e conceitos
De Luiz Alberto
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Sobre este e-book
Por que "Entre Vírgulas"? Simples. Porque nessa obra faço uso frequente desse recurso estilístico e porque reflexões são mesmo interpoladas entre fatos e conceitos, pausas para pensar e situar-se, para e até que se ache um rumo.
As cinco seções do livro – Psiquiatria, Medicina, Emoções, Filosofia e Miscelânea – podem ser lidas separadamente. São interrelacionadas, mas autônomas. Também, dentro de cada uma delas, os tópicos são independentes e podem ser lidos de forma aleatória. Por outro lado, o conjunto do livro insere-se dentro de um todo – reflexões a respeito do que li, vi, escutei e vivi – que, espero, seja coerente.
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Entre Vírgulas - Luiz Alberto
Agradecimentos
A boa aceitação da parcela que já era pública destes escritos e o reconhecimento de algumas pessoas, segundo as quais os textos lhes foram úteis, auxiliando-as para que atentassem para um novo ângulo de visão das coisas do mundo, motivaram-me a publicá-los aqui. Agradeço aos que me deram esse retorno e, em particular, aos que cito nominalmente abaixo:
Carolina Fagnani, da Predicado Comunicação, por ter me estimulado, enfrentando minha hesitação em escrever regularmente nas mídias sociais e minha resistência a isso. Por ela, essa produção seria bem maior, mas faço o que posso.
Luiz Vasconcelos, que, desde que lhe apresentei a ideia de fazer mais essa compilação, deu seu apoio, e à toda a equipe da Editora Novo Século pelo empenho com que realizou, de maneira séria e competente, o trabalho necessário para a transformação desse amontoado de papéis e arquivos de Word no livro que está em suas mãos. Garanto-lhe que ele foi maior do que possa imaginar.
Finalmente, meu agradecimento especial à minha esposa querida, Cristina; aos filhos, Mariana e Mateus; ao genro, Pedro; e à nora, Andreia, sem cujo convívio a vida seria insípida.
Prefácio
Olá! Seja bem-vindo.
Este livro compila parte do que produzi nos últimos quatro anos: posts no Facebook e no Instagram; trechos de artigos, de aulas, de palestras e de episódios de podcast; alguns insights; e textos inéditos. Tudo revisto e atualizado. São reflexões que fiz sobre temas variados de psiquiatria, medicina, psicologia e filosofia, em busca de algum entendimento mais aprofundado de fatos e vivências. Na medida em que sou uma pessoa como outra qualquer, nem melhor nem pior – bem mediana, aliás –, quero acreditar que o que penso, o que observo e o que experimento possam ter alguma utilidade para outras pessoas. Reflito também sobre outros temas. Aliás, não paro de pensar. É o tempo todo. O conteúdo dessa minha atividade mental, que não cabe nas categorias acima, eu agrupei em uma seção à parte, que denominei Miscelânea
.
Nos anos que separam a publicação deste livro do meu anterior (Pensamentos críticos), dos quais faz parte a perturbadora pandemia por COVID-19 – e por causa dela –, cresceu minha convicção no quanto o conhecimento, o autoconhecimento, a autocrítica e a busca por significado de ocorrências inesperadas da vida são condições necessárias para a transformação de seres humanos em pessoas responsáveis.
As cinco seções do livro podem ser lidas separadamente. São inter-relacionadas, mas autônomas. Também, dentro de cada uma delas, os tópicos são independentes e podem ser lidos de forma aleatória. Por outro lado, o conjunto do livro insere-se dentro de um todo – reflexões a respeito do que li, vi, escutei e vivi – que, espero, seja coerente.
Ao longo do texto, cito artigos e livros, fontes primárias, e faço referências a músicas e a textos que ilustram e complementam ideias que abordo. Para não perturbarem a fluência da leitura, tais citações consistem do mínimo de dados necessário, para que os interessados localizem o material a que faço referência, dando um Google ou fazendo uma busca no YouTube.
Boa leitura.
Psiquiatria
Adolescência
A adolescência é o período da vida humana que sucede à infância. Começa com a puberdade, em média, aos 12-13 anos, estende-se até os 20 anos e é marcada por uma série de mudanças corporais, psicológicas e comportamentais, nem sempre agradáveis – nem para o adolescente, nem para os seus pais e familiares.
Não é fácil ser adolescente. Dificilmente alguém vai discordar dessa afirmação. As bruscas mudanças de humor, as oscilações da autoimagem, a visão de mundo em constante transformação, a necessidade de autoafirmação e a busca de autonomia emocional não fluem naturalmente. Vêm aos trancos e barrancos. Além disso, carregar a pecha de aborrescente
não ajuda em nada.
Em artigo publicado no OESP (p. A24), em 20 de outubro de 2019, a psicóloga Rosely Sayão aconselhou aos pais que, toda vez que pensassem ou sentissem que não estivesse fácil ter filhos adolescentes, lembrassem-se de que para eles (adolescentes) também não está fácil passar por esse período da vida sem o alento da maioria dos adultos.
Ao que recomendou Rosely Sayão acrescento que os pais devem se lembrar de que também viveram esse período turbulento. Por isso, mesmo que os tempos sejam outros, afirmar eu entendo suas dificuldades/inseguranças/necessidades
certamente reforçará as orientações dadas e a posição assumida perante os filhos.
Aos pais que não se lembram da sua adolescência, das agruras que enfrentaram nessa época, das três, uma: ou estão desmemoriados; ou enterraram o adolescente que existe dentro deles; ou ainda não saíram dessa fase da vida. Essa última alternativa, aliás, tem prevalecido nos dias de hoje. É grande (alguns dizem que também crescente, mas não há evidências disso) o número de adolescentes de 30 ou até 40 anos. De qualquer forma, essas três alternativas são de se lamentar.
Sobriedade
A palavra sobriedade
pode ter dois sentidos: 1. moderação, comedimento e temperança; e 2. período livre de efeitos de drogas, limpo
, sem usar drogas depois de já ter sido viciado. É no segundo que vou me focalizar. A sobriedade para quem usa drogas é uma condição, um modo de ser e estar no mundo, que vai ficando cada vez mais distante à medida que o envolvimento da pessoa com a droga se agrava e no qual a vida passa a girar cada vez mais em torno do vício.
Observação: alguns pesquisadores preferem hábito
em vez de vício
, mas, aqui, este tem o sentido de mau hábito, e nada de pejorativo.
Na série Elementary, disponível na Amazon Prime, o personagem Sherlock Holmes (interpretado muito bem pelo ator inglês Jonny Lee Miller) é um ex-adicto de heroína. Em paralelo com a trama, na qual ele resolve vários crimes com seu intelecto racional e arguto, há sua luta contra o vício e seu esforço para manter a sobriedade. Impressionei-me com o modo como a série mostra de maneira bem realista o quanto isso é difícil e deixa claro que, sozinho, sem uma estrutura de apoio, a libertação é muito improvável, senão impossível.
No nono episódio da terceira temporada de Elementary, um angustiado Sherlock Holmes faz analogia entre sobriedade e uma torneira pingando que exige manutenção constante para que o vazamento não volte a ocorrer. A comparação é bem apropriada, não se brinca com a abstinência mantida depois de uso contínuo e prolongado de uma droga. Os motivos para sustentá-la devem sempre ser mantidos presentes, pois a tentação é grande e vem de onde menos se espera.
Medo, ansiedade e estresse
Alguns autores consideram a ansiedade e o medo como sinônimos. Eu não. O medo é uma emoção básica; juntamente com alegria, tristeza, asco e raiva, é compartilhada com outros animais. A ansiedade é uma emoção mais complexa, intrínseca ao ser humano; as raízes neurobiológicas de medo e ansiedade se superpõem, mas isso não as faz iguais. O medo envolve circuitos cerebrais primitivos, subcorticais, enquanto a ansiedade exige a participação do córtex pré-frontal, muito mais desenvolvido nos seres humanos.
Diante de situação de perigo, e dependendo da distância em relação a ele (um predador, por exemplo), as reações de um animal são bem conhecidas. Se a ameaça está distante, ele fica paralisado, quietinho, contando, assim, que o predador não o veja. Se, por outro lado, a ameaça está próxima, ele terá reação de fuga ou luta: ou sai correndo – se houver como –, ou parte para cima, para o tudo ou nada. Esses são os comportamentos de defesa proximal ou distal causados pelo medo. No ser humano, também se vê esse mesmo comportamento, mais elaborado e modulado, em situações de perigo.
Imagine a cena: você, caminhando ou pedalando tranquilamente, vê um cachorro grande e mal-encarado à distância. Se estiver longe, provavelmente dará meia-volta ou avançará com cautela, de olho nele; se ele vier em sua direção – e você tiver juízo –, fugirá para um lugar seguro. Do contrário, terá que o enfrentar como der. Isso é medo; tem um foco, um objeto. Ansiedade é bem diferente.
A ansiedade é uma emoção aparentada do medo, que se fundamenta nas mesmas bases neurobiológicas, mas necessita de alguns circuitos nervosos a mais para se manifestar plenamente. Esses circuitos não estão desenvolvidos em animais inferiores. O sofrimento por antecipação e as preocupações próprias da ansiedade não acontecem no animal. Dizer que um animal – um cão, um gato, um pássaro, um cavalo ou outro qualquer – está ansioso não é correto. Ele pode estar assustado, com medo, se houver algum risco para ele, ou estressado.
Estresse é um estado também relacionado à ansiedade, mas, sem dúvida, distinto dela. É definido como o conjunto de reações do organismo a agressões que interferem com seu equilíbrio interior, sua integridade e seu bem-estar. Traduzindo, e trazendo para a experiência cotidiana, é o que sentimos quando pensamos que não vamos dar conta do que se espera de nós; quando estamos sobrecarregados. Uma das emoções que comumente acompanha o estresse é a ansiedade, que às vezes ajuda e, se não for bem manejada, em algumas ocasiões atrapalha.
Biotipos
Biotipo é a constituição física, o temperamento e o conjunto de características de uma pessoa. Em outras palavras, são as peculiaridades distintivas das pessoas, que possibilitam seu agrupamento em categorias tipológicas distintas: endomorfos (viscerotônicos), mesoformos (somatotônicos) e ectomorfos (cerebrotônicos).
O biotipo é um conceito derivado da embriologia. Nós, seres humanos, em um estado bastante inicial, começamos como um ovo – a célula resultante da fecundação de óvulo por espermatozoide – que evolui e forma um conjunto celular com três camadas. A interna dá origem ao trato gastrointestinal e aos pulmões; a do meio se desenvolve em ossos, articulações, músculos e sistema circulatório; e a externa evolui para formar a pele e o sistema nervoso.
Em geral, homens e mulheres são uma mistura balanceada de órgãos internos, músculos e sistema nervoso. Às vezes, no entanto, há desenvolvimento desigual das camadas embrionárias. Os cientistas e pesquisadores utilizam palavras gregas para denominar os três tipos de estrutura corporal: endomorfo, mesomorfo e ectomorfo. O primeiro se refere aos socados
, baixos e atarracados; o segundo, aos grandes e largos; e o terceiro, aos esguios e alongados.
Os endomorfos em geral são baixos, com um tórax grande e um abdome ainda maior e arredondado. O ator Danny DeVito é um bom representante desse biotipo. Os mesomorfos são grandes, largos, fortes e musculosos. Um bom exemplo dessa categoria é o ator Arnold Schwarzenegger. Os ectomorfos, por sua vez, são alongados, com ossos e músculos finos. Jim Parsons, ator que representa o personagem Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory [Big Bang: A Teoria], produzida pela Warner Bros. Television, é um perfeito modelo desse biotipo.
Quando uma pessoa pertence claramente a um desses três biotipos, é possível dizer algo sobre sua personalidade a partir de sua aparência, já que o comportamento e o padrão de reação em situações de estresse, nas relações interpessoais e frente a demandas sociais são parcialmente determinados pelo biotipo. Diante de um problema, o endomorfo desejará ir para uma festa onde possa beber e comer um monte; o mesomorfo partirá para cima, em geral sem pensar muito e de modo precipitado; já o ectomorfo provavelmente preferirá ficar só, pensando sobre o caso. Nem sempre cada uma dessas atitudes será a melhor para administrar o impasse, mas, dependendo do biotipo, elas prevalecerão.
Algumas características das pessoas dependem, em parte, do desenvolvimento das camadas embrionárias no começo da vida do ser humano. Essas são particularmente resistentes à mudança. O grande desafio é se conhecer; tornar-se ciente de seus pontos fortes e de suas limitações. A seguir, uma vez convencido de que vale o esforço para mudar, exercitar com método e disciplina as estratégias alternativas para uso em situações estressantes.
Complicações
Não bastasse o sofrimento causado pelos transtornos mentais, quaisquer que sejam, mesmo as formas menos graves dos mais comuns – depressão e transtornos de ansiedade –, eles frequentemente se complicam. E pior: alguns desdobramentos negativos do problema original são causados por pessoas bem-intencionadas, que querem verdadeiramente ajudar. Mesmo que a motivação seja nobre, ela não diminui o trauma provocado por algumas atitudes inadequadas.
As complicações mais frequentes dos transtornos mentais corriqueiros são o desgaste dos relacionamentos interpessoais, a diminuição da qualidade de vida, o abuso de álcool ou de drogas e a incompreensão. Mesmo hoje em dia, há quem diga que as pessoas que têm transtornos de ansiedade ou quadros depressivos sejam peripacosas
e chiliquentas
. Além disso, não raro elas são maltratadas, agredidas verbalmente, acusadas injustamente de estragar programas de família, de fazerem drama e de darem trabalho. Com isso, semanas ou mesmo meses de recuperação lenta e gradual são colocados a perder. Uma lástima.
Ai, que medo!
As fobias se caracterizam por medo exagerado, desproporcional às demandas da situação, que não pode ser explicado racionalmente, que não está sob controle voluntário e que leva à evitação da situação, do animal ou do objeto temido, a ponto de até causar constrangimento em alguns contextos.
Consideradas como um todo, sem levar em conta o quanto de fato limitam a vida da pessoa e são um problema para ela, as fobias são bastante comuns – 5% a 11% da população geral relatam algum tipo de fobia. As fobias são tradicionalmente divididas em quatro tipos: de animais, de ocorrências naturais (tempestades, relâmpagos), de sangue/injeção/ferimento e de situações/lugares (altura, avião, elevador, de vomitar).
A limitação que uma fobia causa é variável. Por essa razão, muitas pessoas convivem com a que têm e nem pensam em buscar ajuda especializada para se livrarem dela. Remédios não resolvem, mas auxiliam no enfrentamento ocasional de fobias situacionais. Dependendo da gravidade da fobia, pode até ocorrer uma crise de pânico se não puder ser evitado o confronto com o estímulo temido.
A fobia de sangue/injeção/ferimento se destaca pela sua apresentação clínica: logo depois do aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, que se observa quando a pessoa é confrontada com o objeto ou situação fóbica, ocorre queda de pressão, que frequentemente resulta em desmaio.
O silêncio e a fala
Em relações humanas, o silêncio pode significar concordância (quem cala, consente), discordância, prazer, desprazer, medo, raiva ou serenidade. Pode ainda ser sinal de satisfação, compreensão mútua ou compaixão. Por outro lado, às vezes indica falta de empatia, desprezo ou vaidade. Por fim, pode significar a admissão de derrota ou a marca da vitória. Em psicoterapia, o silêncio, por parte do terapeuta ou do paciente, pode também ter diversos significados.
A palavra é de prata e o silêncio é de ouro
, diz o velho ditado. A ideia é que falar, tomar a palavra, é importante (principalmente no momento certo), mas abster-se disso, em determinadas ocasiões, é ainda mais. Em psicoterapia, no entanto, nem sempre essa regra se aplica: o terapeuta pode fazer mau uso do silêncio, deixando o paciente perdido, e o paciente pode interpretá-lo como se houvesse sinal de desatenção, desinteresse ou reprovação por parte do profissional.
O silêncio do terapeuta em sessões de psicoterapia visa, de uma ou outra maneira, ajudar o paciente. A intenção é não interferir no fluxo de pensamentos (e na fala) dele. Basicamente, o silêncio do terapeuta indica três possibilidades: 1. Ele está escutando atentamente e refletindo sobre o conteúdo da fala; 2. Ele considera mais importante o paciente se expressar do que ele se pronunciar precocemente, correndo o risco de falar besteira; e 3. Ele, intencionalmente ou não, coloca o paciente em situação desconfortável que o estimula a falar.
O silêncio do paciente em uma sessão de terapia pode ter relação com certa resistência ao processo terapêutico, que, uma vez iniciado, não tem mais volta; com o desejo de ser compreendido sem precisar verbalizar o que sente; e com a dificuldade de falar sobre determinados assuntos, dos quais alguns causam sofrimento simplesmente pela recordação. O bom terapeuta vai auxiliá-lo a sair desse impasse.
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